"Uma sandes de atum, por favor!"

Dá o toque de saída. É hora de almoço. Ele entra no café, senta-se e pede “Uma sandes de atum, por favor!”. Na mesa em frente, quatro amigas conversam acerca das aventuras e desventuras amorosas do fim-de-semana. Entretanto, chega um casal. As miúdas ficam em silêncio e olham-nos de lado. Ele tem perto de 18, ela aparenta 16 anos. Refugiam-se na mesa do cantinho e, enquanto se envolvem entre beijos e abraços, o rapaz da sandes de atum pensa “Bolas… ainda ontem se conheceram…

As quatro amigas retomam a conversa. Entre elas, alguém se sente triste com a felicidade ardente do “casal revelação”. Começa a soluçar, depois chora desalmadamente e conquista a consolação das outras três “Tem calma…Ele não te merecia.”. Mas deixa a lamúria e avisa enraivecida “Eles vão pagá-las!” A sandes de atum já se foi e o rapaz também. O casal não almoça. As amigas continuam na “intriguisse” aguda… e o toque lembra que está na hora de ir.

No dia seguinte, a mesma cena… mas não há sandes de atum. Vem uma tosta mista. O casal revela-se na primeira discussão. As amigas rejubilam. A meio da tosta, ele pensa “Já estão assim?

Vem mais um dia e outro. Passa o fim-de-semana. A sandes de atum lá está, à espera do seu mais fiel cliente. As quatro mosqueteiras da cusquice anseiam ver o seu motivo preferido de conversa chegar. Mas o casal não aparece. Eles não vão voltar a almoçar, nunca mais.

A notícia rebenta com os corações dos alunos da escola naquela mesma tarde. Um acidente de mota? Não. Uma overdose? Não. Perderam o autocarro? Negativo. Simplesmente o suicídio. Depois de uma noite juntos com muito álcool, pastilhas e pó à mistura, sons ácidos ecoam na aparelhagem e, às três horas da manhã a polícia consegue arrombar a porta. Um revolver roubado e dois tiros é o aparente ponto final daqueles dois adolescentes.

Ela, desgastada pela entrega da alma e do corpo a este mundo e o outro… cansada de se sentir presa a uma teia de vícios passageiros e companheiros que a usavam e deitavam fora. Exausta de dar amor e não receber respeito nem carinho em troca. Sente que não serve para mais nada. Ele, consumido pela sede de experimentar tudo e mais alguma coisa e não se sentir satisfeito com nada. Emancipado prematuramente pelos pais que o deixaram viver sozinho. Habituado a ter tudo sem se esforçar para nada. A escola servia simplesmente como montra da próxima conquista. Um amor concentrado apenas nas sensações físicas efémeras e ambiciosas: sempre mais e mais e mais… Não vale a pena viver sem objectivos válidos, pensa… e atira.

Eu e os outros
Quem me dera ter conhecido este dois adolescentes e ter falado com eles! De lhes dizer como a vida deles é importante e tem um valor incalculável. Explicar que, apesar de tudo o que fizeram, Alguém os amava e queria ajudá-los e dar-lhes uma nova vida. Que há um Deus que chama para Ele os que estão sobrecarregados e cansados de viver e os alivia. Que Jesus morreu por eles, de braços abertos e que quer recebê-los e abraçá-los… qualquer que seja a situação em que se encontram.

Por vezes atrás de uma felicidade aparente estão sentimentos e mágoas. Temos que estar mais atentos a isso, mais sensíveis. Amarmos as pessoas e termos um interesse genuíno em ajudá-las. Às vezes perguntar de forma sincera e não por costume “Como é que estás?” vale mais do que a fortuna do Bill Gates. Há momentos em que um abraço vale mais que o mundo inteiro.

Eu e Deus
Pára um pouco. Fala com Deus acerca das vezes em que te sentiste usado pelas pessoas e isso te deixou triste. Se alguma vez pensaste em terminar com tudo porque as coisas simplesmente não aconteceram na tua vida, diz isso a Deus. Entrega-lhe esses e outros fardos e confia que Ele tem um plano para a tua vida, mesmo que esse plano te leve a passar por momentos de dificuldade. Ele criou-nos. Somos a obra-prima da Sua criação. E se, por algum motivo, sentes que desiludiste Deus, lembra-te que Jesus veio para que tenhas paz com Deus. Agarra essa verdade. A minha e a tua vida custaram a morte do Filho do Rei dos Reis numa humilhante cruz. Um preço demasiado elevado, não achas?

Artigo publicado na Edição Especial BSteenMax - Junho 2006

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