A Casa dos Espelhos: reflexos variados e avariados

Lembram-se dela? Era uma atracção irresistível nas feiras – que o digam os frequentadores da saudosa Feira Popular de Lisboa. Para quem gostava muito de rir, mesmo de si próprio, era uma óptima opção. 

Quando entrávamos na Casa dos Espelhos, víamos o nosso reflexo por todo o lado. Nuns espelhos encolhíamos ou esticávamos, noutros emagrecíamos ou engordávamos. Íamos descobrindo outras versões de nós mesmos mas, quando saíamos, respirávamos de alívio: não tínhamos mudado nem um milímetro.

A Casa dos Espelhos mais frequente na vida é a Sociedade. Quando fazemos zapping descobrimos o espelho que emagrece, que nos quer escravos de padrões de beleza inatingíveis.

Nas páginas da revista cor de rosa o reflexo é manipulado para engordar o ego, ostentando uma felicidade baseada no sucesso a todo o custo para a afirmação pessoal inchada.

O portal espelha a publicidade ao consumismo, ao crédito que faz esticar o orçamento mensal. Mais dinheiro para ter mais alguma coisa e fazer um up-grade ao estatuto social aparente. Casa nova e carro novo, resultado de um emprego melhor. Logo, mais trabalho e menos tempo para viver. Podemos reagir diferente. Encolhemo-nos e desesperamos por não atingir altos padrões financeiros, sociais ou físicos.

A imagem real daquilo que somos não está dependente do que temos, parecemos ou fazemos. Aquilo que realmente somos, reflecte-se na realidade do espelho inigualável, infinito, verdadeiro, sensível e profundo – aquilo que Deus diz. Tudo o resto passa, aparece e desaparece. Quando olho para mim através da Palavra de Deus tenho a noção real de quem sou, de onde venho e para onde vou.

Herdámos um tipo de vida fora do alvo de Deus e esse legado chamado pecado desfocou a nossa auto-imagem. Se alguns se subjugam a uma imagem pessoal negativa e outros amplificam em muitos decibéis aquilo que são, todos precisamos atingir o ponto de equilíbrio da auto-estima, estipulado por quem melhor nos conhece – o nosso Criador.

É Deus quem revela o valor real da vida de cada pessoa. Temos, individualmente, um valor incalculável, superior a todas as propriedades e riquezas desta aldeia global. Valemos por aquilo que somos: a jóia da Criação.

Somos como uma pedra em bruto que Jesus arrancou da mina mais imunda e limpou cuidadosamente com o Seu poderoso Sangue. Ele vai-nos esculpindo nas oficinas da Igreja e da vida. Trabalha dia-a-dia uma santificação progressiva dependente também da nossa colaboração. Precisamos vigiar a nossa vida em termos globais, em todas as áreas, sem exagerar no cuidado nem descambar para o descuido. Este é o caminho para nos tornarmos pedras preciosas.

Jesus viu-te assim e isso valeu a Sua vida. Sai da Casa dos Espelhos e vê-te como Deus te vê.

Ana Ramalho
in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Junho 2007

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