Revolução

Este mês comemora-se mais um aniversário da Revolução de Abril ou Revolução dos Cravos. 35 anos depois, que tipo de revolução precisamos em Portugal?
“A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o regime de ditadura que durante 48 anos oprimiu o Povo Português.”1 Não é este o espaço para uma discussão política ou sociológica acerca do tema... mas vivemos dias em que muitos desejariam que alguma coisa mudasse no mundo – uma nova revolução.
Se não estamos oprimidos a nível político, sentimos a depressão nas conversas de café, nos olhares silenciosos do elevador, nas notícias que lemos e proclamamos dia-a-dia.
Há um clima depressivo que se instalou... Oprimidos pelas más notícias que recebemos e semeamos. Mais tristes do que um velho e empoeirado fado... Perdemos a confiança antes de perdermos o emprego. Perdemos o coração de um filho, antes de rasgarmos o contrato de casamento em mil pedaços. Cada dia que passa parece que temos menos margem para sonhar.
Se a ditadura não vem literalmente do Parlamento, vem de um sistema que criámos e que nos deixa encurralados. Precisamos de dinheiro para concretizar os nossos desejos, para ter a casa megalómana que nos vai tornar felizes, independentemente de nos fazer escravos de um empréstimo que não nos dá espaço para viver em família, por causa dos nossos 2 empregos. Precisamos de dinheiro para “pagar” aos nossos filhos o tempo e os afectos em débito. Precisamos de dinheiro para ter a melhor escola, o melhor computador, o melhor telemóvel...
Trocamos o necessário pelo supérfluo... e quando este falha, parece que a vida acaba. A ditadura do consumismo. A ditadura dos desejos. Uma ditadura que nos domina, se não deixarmos que ele (o dinheiro) seja dominado por algo mais importante.
É preciso uma revolução! Não exterior a nós mesmos, nem politica. Não filantrópica, nem filosófica. Uma revolução que transforme a opressão em alegria, a ditadura em liberdade. Não uma revolução que destrua o outro, mas que destrua aquilo que temos de duro e mau no coração. Que faça uma mudança de dentro para fora, do pensamento para a acção, do sentimento para a prática. Um revolução que traga a esperança real, permanente, inabalável.
O desejo de Deus é fazer essa transformação radical. Ele não nos quer tornar seres alienados e inconscientes da realidade. Mas, ao revolucionar a nossa vida, quando deixamos que Ele seja o Comandante, passamos a ver as circunstâncias com outros olhos – o Todo-poderoso está connosco, a guiar-nos, a cuidar de nós. Aconteça o que acontecer, Ele está no controlo.
O Senhor “conforta os que têm o coração em chaga; cura-lhes as feridas.” (Salmo 147:3 – versão “O Livro”).

Ana Ramalho


1 www.25abril.org

in revista Novas de Alegria, Abril 2009

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Teresa — até que todos ouvissem...

5 mitos acerca da chamada a tempo integral

“Tá a escaldar!”