Em frente...

O Pai deixou-nos sair de casa, com a nossa parte da herança, numa atitude semelhante à notícia da fase terminal no consultório... como se disséssemos "preferia que estivesses morto".

Rebeldia? Desamor? Infidelidade? Tentação? Revolta? Apatia? Saímos, para longe. Longe do Pai. Primeiro longe do coração, depois da vista e, finalmente, da Sua presença e protecção.

Agora, o regresso a casa pode ser uma decisão difícil quando esbanjámos o tempo, a vida, num movimento de independência não circunscrita.

Não precisamos esperar estar mergulhados na lama, tendo por companhia os porcos, a nossa fome desesperada e o coração pisado pelo caminho que tomámos.

Ainda que hoje nos possamos ver ao espelho como autênticos heróis que serão capazes de sair do fundo do poço, tenhamos a consciência de que a nossa condição, ao nos afastarmos do Pai, nos levou a hipotecar o Seu propósito para a nossa vida... mas há esperança!

Mudar de rumo é uma hipótese que, ou consideramos agora ou podemos vir a ter que admiti-la quando a nossa (falta de) dignidade nos deixar no desespero. O nosso pecado, por mais maquilhagem que tenhamos carregado na nossa consciência, está lá. E quando permanece, espalha-se como uma praga, nas motivações e atitudes que tomamos. Como um abismo que chama outro abismo. Precisamos parar e mudar. "(...) por fim, caiu em si" (Lucas 15: 17)

Não precisamos dar uma queda de tal modo que, depois de estarmos inutilizados, finalmente cheguemos à conclusão que errámos e passámos de iludidos a conquistados, de escravos a desgraçados, pelas nossas próprias decisões. Deus tem muito melhor para nós.

"Pôs-se então a caminho de casa. E ainda vinha longe, seu pai, vendo-o aproximar-se, e cheio de terna compaixão, correu ao seu encontro, abraçando-o e beijando-o. O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já nem mereço ser chamado teu filho.' " (Lucas 15:20-21, versão "O Livro")

Arrependimento, perdão, restauração, recomeço... tudo está nas nossas mãos. O Pai espera-nos. Ele anseia pelo nosso regresso... Trocar a lama pela dignidade, a escravatura pela filiação, a nossa independência pela Sua protecção, a pocilga pela casa, o destino dos porcos pelo carinho do Pai.

Assumir um erro é abrir a porta ao perdão. Agir em arrependimento é aceitar a oportunidade de um recomeço. As feridas podem transformar-se em cicatrizes. Os erros em professores. O tempo no bem mais precioso que temos para conhecer o Pai que abandonámos mas que nos recebeu de novo como filhos.

Em frente... mas primeiro, recomeça!



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