A palavra proibida

Não a digas. É a palavra proibida. É aquele vocábulo que é recusado ou incompreendido quando o escutamos, quando o lemos na impressão tosca de uma velha Bíblia, quando relembramos a nossa herança, ou reconhecemos a nossa natureza.
A palavra proibida é hoje quase desconhecida. A maioria das pessoas não sabe o seu real significado. Entrou em desuso, enquanto, na prática, a sua fama se multiplica pelo mundo fora numa publicidade enganosa que a trata como virtude e a chama de liberdade.
Deixámos de mencioná-la e de explicá-la. Com o tempo não passou disso: um conceito que queremos esquecer para não nos incomodar. Temos uma consciência e essa, algures, funcionou como alerta de que era necessário pedir desculpa, fazer uma volta de 180º, arrepender-se e mudar de vida.
Ultimamente andamos a tentar desculpar as atitudes com o passado... é verdade que a vida nos molda. Mas também é verdade que na História da humanidade a perfeição, a harmonia e a ausência de atitudes erradas é uma utopia, pelo menos enquanto aquela palavra fizer parte de cada um de nós.
Detestamos pensar que seja possível existir tal conceito que nos leve a assumir que não conseguimos sempre acertar, que o erro nos é natural e que sozinhos continuaremos a agir dessa forma, e a acumular um saldo impossível de pagar, qualquer que seja o volume de acções ou intenções positivas que demos em troca.
Recusamos dizer esse termo porque ficámos convencidos que seria uma invenção atroz de meia dúzia de religiosos, para nos subjugar a seu belo prazer.
É verdade que muitos têm colocado esta palavra erradamente no rótulo de várias acções. Outros preferem aplicar corrector por cima de todas as vezes que este conceito aparece, dizendo que Deus é bom e não Se importa com o que fazemos ou pensamos. Há ainda aqueles que vivem presos ao vocábulo a vida inteira, pensando que é preciso martirizar-se até à morte para pagar a dívida...
Pior ainda. Julgamos que essa palavra é uma chantagem criada por Deus para tentarmos agradar-Lhe, como se Ele necessitasse ser bajulado por nós para Se sentir “alguém”. Deus não nos quer destroçar e afrontar. Ele quer relacionar-Se connosco... mas as nossas escolhas, o tal vocábulo proibido, acabou por criar a distância que não nos permite compreender quem é Deus, na realidade.
Deus resolveu acabar de uma vez por todas com a natureza e os efeitos deste conceito na humanidade. Ele veio, na forma de homem, para viver, morrer e vencer de maneira total, completa e definitiva esse tremendo aprisionamento humano. Jesus derrotou aquilo que mais ninguém conseguiu derrotar. Ele fê-lo em nossa substituição.
Precisamos assumir a realidade dessa palavra, mas não ficar por aí. Precisamos lidar com ela e tratar dela da maneira certa. Ouvir Deus para aceitarmos o que Ele fez, através de Jesus, começando um relacionamento que nos ajude a lidar com esse conceito, derrubando a sua posição de primazia na nossa vida.
Pecado – a palavra proibida.
“Aquele que não conheceu pecado [Jesus], Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21)

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Fevereiro 2010

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Teresa — até que todos ouvissem...

5 mitos acerca da chamada a tempo integral

A (des)ilusão da autoajuda