“Os ‘coelhos’ que Jesus tem na cartola”(1)

O jogo era importante. A boa escolha dos jogadores essencial. Os jornalistas faziam as suas previsões, tentando adivinhar as surpresas que o treinador traria para o campo.

Os adeptos, ansiosos por serem campeões naquela época, trocavam nomes e tácticas nas conversas de café. Todas as expectativas estavam no “11 final”. Será que o treinador teria algum “truque” para aquela noite?

Que “coelhos” teria Jesus, o treinador, na cartola? E que “truques de magia” esperamos que Jesus, o Filho de Deus, nos apresente?

Às vezes tenho a sensação que procuramos Jesus apenas pelos “truques”, os benefícios que Ele eventualmente nos possa trazer... e é certo que muitas são as bênçãos inerentes ao facto de Lhe rendermos totalmente a nossa vida.

O que questiono é se somos (ou não?) uma espécie de “assistentes de bancada”, à espera que Ele nos “entretenha” com um milagre aqui, um efeito estrondoso ali, um “jeitinho” acolá... Somos ávidos por VER mais do que por confiar. Gostamos de sensações e emoções... e elas fazem parte de nós, sem dúvida, mas viver com Jesus é mais do que isso. Muito mais.

Nas ocasiões em que os milagres não surgirem de rajada na vida, será que ainda assim vamos aplaudir o Rei dos reis? Ou destronamos o Seu nome com um coração mimado, de filhos ingratos pelo que Ele fez no nosso lugar – morreu na nossa vez?

Quando tudo à nossa volta se resume a deserto, solidão, caos e sofrimento, continuamos a afirmar-nos adeptos incondicionais, prontos a viver e a dar a vida por Ele, independentemente do momento arrasador que estamos a passar? Ou desertamos, ávidos de uma solução instantânea, à nossa maneira, e, por isso, à nossa medida – imperfeita e limitada?

Tenho visto os milagres de Jesus na minha vida muitas vezes... não sei quantas vezes Ele agiu incógnito, enquanto os meus olhos estavam colocados no palco da previsibilidade. Sei que Ele me ama e é O único digno de toda a minha confiança, mesmo que não O veja, não O sinta, nem O ouça.

Quando conhecemos Jesus na intimidade não somos intimidados pela Sua aparente inércia. Temos uma Carta de Amor inabalável, que alimenta a nossa esperança. Essa Carta é a Palavra de Deus, assinada com o sangue de Cristo. Sangue que regista, sem quaisquer dúvidas, o valor que temos para Deus.

“Jesus morreu por aqueles que O mataram” (pastor Carlos Fontes). Antes de eu me virar para Jesus já Ele tinha os braços abertos para mim. Perante essa prova não preciso de mais nada – mesmo que ainda assim, Ele me surpreenda com tudo o que eu preciso, quando e como preciso – eu tenho a prova de que, aconteça o que acontecer, a minha vida está segura.

“Onde há amor não há medo. Na verdade, o perfeito amor elimina toda a espécie de receio, porque o medo traz consigo a ideia de culpa, e mostra que não estamos absolutamente convencidos de que ele [Jesus] nos ama perfeitamente. A verdade é que nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” (1 João 4:18-19, versão “O Livro”)
Ana Ramalho

(1) Título do jornal A Bola, 26 de Março de 2010


in revista Novas de Alegria, Outubro 2010

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