Meti água!

Naquela manhã ensolarada de Sábado marquei na minha agenda mental tratar do objecto mais dispendioso que me acompanha em muitas aventuras: o meu carro.

Depois de água, champô, pano do pó e aspirador, estava na hora de alimentar os 68 cavalos do motor japonês. Estava indecisa entre a gasolineira que tinha os preços mais caros e a que pertencia a uma rede de grandes superfícies e tinha tudo mais barato. Fiquei pela segunda e enchi o depósito.

Alguns quilómetros depois estacionei para dar alimento, agora a mim mesma. De regresso à carroçaria vermelha, ambos atestados no sentido nutritivo, estávamos prontos para voltar a casa. Ao tentar fazê-lo, o motor do carro trabalhava, mas não desenvolvia. Uma luzinha aparecia no tablier a indicar que havia um problema no motor. Parecia eu nas primeiras horas da manhã antes de tomar um saboroso cafezinho (tablier incluído)!

Depois de várias tentativas sem sucesso, acabei por ir a uma oficina. A “entrevista” com um dos funcionários levou à conclusão de que o problema era a gasolina com água. Isso e as impurezas traziam problemas de desenvolvimento do motor e poderiam vir a ser mais graves (e explicou tudo com os respectivos termos técnicos). Basicamente: meti água (literalmente)!

Comprei um aditivo (que me custou mais do que os cêntimos que poupei na gasolina) para aumentar as octanas do combustível. E não é que resultou?! A luz desapareceu e o motor voltou a reagir “nervoso”, como eu gosto!

Moral da história: atestei numa gasolineira light no preço que saiu pesada no fim (na carteira e no susto).

Mas a aventura não fica por aqui. Durante a viagem que se seguiu comecei a pensar como fazemos o mesmo em tantas decisões que tomamos na vida, em vários aspectos. Desconfiamos das opções que nos parecem mais dispendiosas e optamos tantas vezes pelas mais baratas... e no que toca à espiritualidade não é muito diferente!

A mistura esotérica da não renúncia, do não arrependimento e da confissão positiva, do “diga e terá” que é música para os ouvidos, mas acabará por ensurdecer de erros aqueles que a seguem, até morrerem enganados. O mistério de ganhar o Céu por fazer isto, dar aquilo, sacrificar os joelhos ou o coração numa religião enganosa baseada em intermediários de hábito ou gravata, que termina no mesmo precipício eterno, se não acordarem a tempo. O filho de Deus que se “cansa” de estar na casa do Pai, e que se esbanja a ele mesmo numa falsa liberdade, vivendo orgulhosamente independente, mas depois vive infeliz e amargo pela falta de propósito que já experimentou. O estudioso renomado que promete a cruz fácil, o descompromisso leve, o fruto invisível pois “o que interessa é o interior”, sem pensar nas consequências que pode acarretar a diluição da verdade pura e crua de seguir Cristo.

Tantas decisões (in)conscientes, que comprometem o nosso futuro e o dos outros! Parece mais fácil e mais barato só que no final, o barato sai caro. E não estamos a falar de automóveis e casas (se bem que há quem as prometa!) mas da maior das riquezas: vidas!

Jesus sabia disso... e Ele, não apenas deu a Sua vida para nos dar propósito, sentido, um relacionamento com Deus e o próximo verdadeiramente saudável. Ele também viveu e ensinou como deveríamos viver.

Ouçam as Suas palavras, ainda hoje válidas e relevantes: “Só pela porta estreita se pode entrar no céu. A via para o inferno é larga, e a sua porta é ampla bastante para todas as multidões que escolherem esse caminho fácil. Mas a porta da vida é pequena, o seu caminho é estreito, e poucos o encontram.” (Mateus 7:13-14, versão “O Livro”) “Ao que Jesus respondeu: Não deixem que vos enganem. Porque muitos virão, dizendo que são o Messias, e levarão bastante gente atrás de si.” (Mateus 24:4-5, versão “O Livro”)


Ana Ramalho


in revista Novas de Alegria, Novembro 2010

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