01 agosto 2011

Culpado ou suspeito?

Ele age na sombra e ataca quando menos esperamos. É rápido, certeiro, meticuloso... um estudioso dos hábitos das suas presas, para lançar a rede e apanhá-las.
Embora o seu passado fosse brilhante, deixou-se governar pelo orgulho e, com o seu discurso habilidoso, abarcou outros tais que quiseram a independência, sem regras e com um futuro infernal. Entrou numa decadência abrupta. Entornou as piores nódoas no melhor pano e engendrou de vingança tudo o que tivesse a ver com a pessoa que traiu, sem rei nem roque.
Ele é do contra. Um adversário da união. Um ladrão da paz. Um demolidor da alegria. Um assassino do verdadeiro amor. A sua melhor ideia acaba sempre num temporal que nos põe no pior da vida. O seu trabalho é não nos dar descanso. Há quem diga que é uma lenda. Há quem o pinte num estilo mitológico, de tridente na mão. Há quem o ponha vermelho... mas o que ele gosta é de disfarces, de máscaras fatais. Engana com toda a subtiliza, usando como isco os nossos caprichos, para depois nos prender até ficarmos totalmente imobilizados...
Satanás. É verdade que ele é tudo isto... mas também é verdade que muitas vezes é suspeito daquilo que não tem culpa. Não estou a fazer o papel de “advogada do Diabo” – literalmente. Simplesmente não posso culpá-lo pelas minhas más decisões, escolhas precipitadas, atitudes rebeldes ou egoístas. Desde a origem da humanidade que estamos de costas voltadas para Deus, porque um dia uma mulher e um homem decidiram dar ouvidos ao Diabo, estamos separados da amizade que Deus sempre desejou ter connosco. Há uma natureza rebelde que herdámos, sem testamento. Ela está em nós quando somos formados e que se vai revelando conforme vamos crescendo.
É verdade que o Diabo nos tenta. Ele tentou Jesus. Mas também é verdade que quem alimenta o apetite pela tentação, quem se rodeia de estímulos, pessoas e vozes favoráveis à cedência somos nós. “O que acontece é que, quando uma pessoa é tentada, são os seus próprios desejos maus que a seduzem. Depois, essa maldade, se lhe cedemos, dá nascimento ao pecado; e este, por sua vez, provoca a morte. Portanto, não se deixem enganar, queridos irmãos.” (Tiago 1:14-16, versão “O Livro”)
O mais fácil é declaramos Satanás culpado e não pensar mais no assunto... O mais difícil é assumirmos que somos fracos e que precisamos voltar-nos para Deus, para nos ajudar a vencer o pecado como um todo, e cada tentação em particular. Que precisamos estar perto do Senhor que nos criou, falar com Ele, escutar a Sua voz através da Sua Palavra e do Seu Espírito. Vigiar com atenção, sem pensar que vencer uma batalha é vencer a guerra... mas tudo começa com um primeiro passo: assumir que o culpado sou eu!
“Vivam despretenciosamente; e estejam vigilantes quanto aos ataques do Diabo, o vosso inimigo, que anda à volta rugindo como um leão, buscando a quem possa tragar.” (1 Pedro 5:8, versão “O Livro”)
“Mas lembrem-se que as tentações que vêm às vossas vidas não são diferentes daquelas que outros experimentam. E Deus é fiel. Ele não deixará que a tentação seja tão forte que vocês não a possam enfrentar. Quando forem tentados, ele vai mostrar uma saída para que a possam suportar.” (1 Coríntios 10-13, versão “O Livro”)


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, Agosto 2011

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