01 outubro 2012

O professor de EMRE e a Bíblia

Pode parecer desnecessário abordar um tema tão basilar da vida cristã. Sabemos que o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus são indispensáveis para os que seguem a Cristo. Talvez por termos quase por garantido que “toda a gente sabe isso”, nos esqueçamos de focá-lo... vivê-lo.

Não pretendo dar uma lição sobre pós-modernidade, porque há pessoas muito mais capacitadas do que eu para o efeito. Também não quero tentar generalizar, porque existem exceções e “oásis” no meio dos desertos. Apenas quero alertar para o básico, o essencial... e ao mesmo tempo, o esquecido.

Com as mudanças sociais a que assistimos nos últimos 20-30 anos, muitos dos hábitos e estilos de vida mudaram. Os dias que estamos a presenciar são ávidos de entretenimento, novidade e exotismo. Há um apelo quase constante para satisfazermos os nossos desejos, sem quaisquer limites, restrições e responsabilidades. As verdades são muitas e a Verdade é vulgarizada e desprezada. Há um desrespeito, uma fobia a todo o tipo de autoridades constituídas. O compromisso deixou de existir. A palavra de alguém deixou de valer alguma coisa. Há uma “EUforia” instalada com a qual lidamos, dentro e fora de casa, da sala de aulas e na igreja.

Enquanto que há 50 anos atrás se enfatizava o conhecimento, hoje enfatiza-se a experiência. Os sentimentos dominam. A verdade desvanece. No contexto de igreja, captámos sem dar por ela, conceitos de vida cristalizados da sociedade secularizada em que vivemos. Sem darmos por ela começamos a substituir o estudo sistemático das Escrituras por mensagens de “saúde e bem-estar” espiritual, no qual o “eu” termina confortável, e é desafiado a uma transformação. O Humanismo invadiu o mundo e a igreja – com tudo o que é tolerável ou mesmo contrário ao ensino bíblico.

Deixámos de enfatizar as doutrinas básicas e preferimos trazer grandes chavões, muitas vezes retirados dos contextos bíblicos, nos quais se exige isto e aquilo a Deus. Deus passou a ser um escravo da nossa “EUforia”. A tolerância excedeu a Palavra. Deixou de se falar de inferno, pecado, condenação, arrependimento, santificação. E, quando se fala, acaba-se por suavizar, diluir... não queremos confrontar, mas apenas confortar.

Todos os educadores cristãos (pastores, pais e professores) estão no meio deste ambiente, lidando com uma geração influenciadas pelas raízes humanistas e ateístas, desde o berço, pelo ensino escolar, mediático e social. Não podendo fugir à realidade, precisamos fazer um esforço contracorrente, não de tudo o que existe na sociedade, mas daquilo que é realmente erosivo, desviante ou oposto à Palavra de Deus.

Só uma proximidade e paixão por Deus e pela Sua Palavra nos dá o pano de fundo para filtrarmos todas e quaisquer tendências erosivas dos fundamentos da nossa fé. O professor, precisa conhecer, viver e anunciar a Palavra de Deus, em obediência amorosa a Ele, com a ajuda do Espírito Santo que habita na sua vida. Só com uma vida coerente, a mensagem pode passar de forma credível. Sendo honestos e humildes nas nossas imperfeições, não esqueçamos que a nossa orientação e objectivo é sermos mais parecidos com Cristo. E isso fará a diferença – toda a diferença – na mensagem que transmitirmos.

Devemos aproveitar os métodos, se estes não se tornarem os determinadores da mensagem que transmitimos. O ser humano continua a ser pecador, a precisar de arrepender-se, aceitando a obra de Cristo na cruz, para se tornar uma nova criatura que entra na Igreja, a família de Deus, por adopção, para crescer até à estatura de Cristo, servindo os outros e proclamando a mensagem salvadora do Evangelho. Nada disso mudou – nem mudará – para Deus. Mas, para a nossa sociedade é uma mensagem intolerante, de extremo fundamentalismo.

O que aprendemos através dos pedagogos de referência, dos sociólogos, dos psicólogos não pode ditar a nossa mensagem. Na planificação, na escolha das atividades, nas metodologias e exposição da aula, no acompanhamento dos alunos, precisamos ter em conta que o que ensinamos é, primeiramente, para glorificarmos a Deus – como tudo o que fazemos – através da transmissão pura e concreta do plano de Deus para o Homem, em todas as suas vertentes.

Os tempos são de desafio, mas não podemos tolerar a diluição da verdade em nome de um popularismo humano, que nos afasta muitas vezes do plano de Deus. Isso seria adulterar o que Deus deseja falar ao coração dos nossos alunos. Olhemos para a Palavra de Deus com uma visão renovada, de que ela é a Carta Amor do Pai para a humanidade. Ela transforma, dá esperança concreta e credível, liberta o Homem dos seus medos, leva-o a Deus – para viver para a Sua glória.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e serve para ensinar, convencer, corrigir e educar, segundo a vontade de Deus, a fim de que quem serve a Deus seja perfeito e esteja pronto para fazer tudo o que é bom.” (2 Timóteo 3:16-17, versão “A Bíblia para Todos”)
  Se já experimentaram a bondade do Senhor, clamem pelo puro leite espiritual, como faz um bebé, para que por ele possam crescer na vossa salvação.” (1 Pedro 2:2-3, paráfrase “O Livro”)
 “Por isso, irmãos, ao chegar à vossa terra não fui anunciar-vos o plano de Deus com grandes discursos e muita sabedoria. Achei que não devia dar-vos a conhecer mais nada a não ser Jesus Cristo e sobretudo o valor da sua morte na cruz. Entrei no vosso meio como um homem sem forças, cheio de medo e ansiedade. E a minha mensagem, a minha pregação, não foi marcada pela persuasão da sabedoria humana, mas pela manifestação do Espírito e do poder de Deus, para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. No entanto, aos que já estão amadurecidos na fé eu posso falar com palavras de sabedoria. Mas não é da sabedoria deste mundo nem dos que nele mandam, pois esses estão condenados ao fracasso. Pelo contrário, dou-vos a conhecer os mistérios da sabedoria de Deus, que antes era desconhecida, mas que ele, desde sempre, tinha destinado para ser a nossa glória. Nenhum dos senhores deste mundo teve conhecimento dela. Se a tivessem conhecido não tinham crucificado o Senhor, a quem pertence toda a glória. Mas como diz a Sagrada Escritura: Deus já preparou para os que o amam coisas que nunca ninguém viu, nem ouviu, nem passaram pela ideia de ninguém.” (1 Coríntios 2:1-9, versão “A Bíblia para Todos”)
 Não percas o teu tempo com fábulas e velhas histórias profanas; empenha-te antes, com disciplina, no caminho de Deus. O exercício físico tem algum valor, mas o desenvolvimento da vida espiritual é útil em toda a maneira, nesta vida e também na futura.  Esta é uma palavra digna de confiança, que merece ser aceite por toda a gente. Com efeito, se trabalhamos e se lutamos, é porque a nossa esperança está no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, daqueles que aceitaram a sua salvação. É esta a mensagem que deves comunicar e ensinar. Que ninguém te desconsidere por seres jovem. Mas sê um exemplo para os crentes pela forma como falas e no modo como vives, pelo amor cristão, pela fé, pela pureza.  (...)  Mantém-te vigilante sobre ti mesmo e sobre aquilo que ensinas; mantém-te fiel nestas coisas, e assim te salvarás a ti mesmo, como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4:7-12, 16, paráfrase “O Livro”).


Ana Ramalho Rosa

Reflexão para a ação de formação da COMACEP, outubro 2012

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