03 maio 2012

AdorAcção

Se o problema da idolatria começa em nós, passa pela solução que é Cristo. O preenchimento do espaço divino só é feito com sucesso quando temos comunhão séria com Ele, isto é, quando nos ligamos diariamente, quando conversamos com Deus, quando expomos o nosso íntimo e as nossas falhas perante o Seu coração repleto de amor. Tudo isso se resume num estilo de vida consistente, dinâmico e sincero; tudo isso se resume a adorar Deus e amá-Lo com toda a nossa força e entendimento[1].

Estamos acostumados a encurtar a adoração ou a esticá-la em demasia. Tanto nos esquecemos que a adoração é um estilo de vida, como muitas vezes queremos fazer dela o momento chave do culto. Confundimos o modo de viver com a liturgia eclesiástica; tentamos meter dentro de 45 minutos tudo o que devemos viver durante o resto da semana. Com isso, por vezes conseguimos fazer da adoração litúrgica um momento quase idólatra. Amamos profundamente os corinhos, os hinos, os músicos, o ambiente, as vozes… Esquecemos que estamos presentes para adorar o Pai, não para adorar os métodos ou as ferramentas. O nosso coração deve permanecer na rota certa, um coração segundo Deus[2].

Um coração dedicado e adorador não se ensoberbece[3], não retira Jesus do plano principal para o voltar a crucificar. Um espírito apaixonado por Deus quer ir mais longe, quer pagar o preço, quer ser sal e luz neste mundo. Diz o dicionário que adoração é ter um amor profundo e respeitoso, é mais do que abrir a boca e clamar “Senhor, Senhor”. É uma conjugação quase-perfeita que se desdobra em duas palavras: adora e acção. Adorar a Deus é expressar em actos diários o clamor dos nossos lábios e corações, é literalmente fazer a vontade do Pai[4]. É levar cativo o pensamento a Cristo[5], por amor à glória e santidade de Deus, não porque queremos que Ele faça a nossa vontade, mas precisamente pelo inverso. Queremos ser os objectos de execução da Sua vontade[6], ansiamos ser templos do Seu Espírito Santo, clamamos por ser usados pelo Seu querer.

A adoração é a solução certeira para o problema da idolatria. Onde uma erradamente coloca matéria morta e infecciosa, a outra retira a carnalidade e deseja ser cheia de Deus. Onde a idolatria eleva para enfartamento próprio, a adoração continua a lembrar-nos que importa sermos pequenos e fracos, para sermos maiores e fortes com Ele[7].

Porque como João Baptista, o nosso tamanho não se mede pela estatura do Homem, mas pelo tamanho do espaço que atribuímos à imensidão de Cristo[8].



Ricardo Rosa


[1] - Mateus 22:37 
[2] - 1ª Samuel 16:10-13 
[3] - 1ª Coríntios 13:4-5 
[4] - Mateus 12:50 
[5] - 2ª Coríntios 10:3-5 
[6] - Gálatas 2:20 
[7] - Filipenses 4:12-13
[8] - João 3:23-30

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