01 outubro 2010

Falta de aviso ou falta de juízo?

Aquela chamada foi como um soco no estômago. Na minha inocência liguei para um amigo que não via há algum tempo apenas para saber como estava. Do outro lado, depois algumas frases feitas, veio uma enxurrada de acusações, que terminou com a frase “Se me queres ver feliz, não te metas na minha vida!”

Mais do que achar estranho, fiquei triste. Afinal éramos manos em Cristo e tínhamos vivido tantas coisas juntos! Mas a vida ofereceu outras opções e, com medo de não estar a viver tudo com Deus, ele começou a viver tudo sem Deus.

Fiquei num misto de nostalgia, tristeza e mesmo agonia por vê-lo afundar-se na sua própria (má) escolha. Sim, porque quem escolhe deixar Deus e a vida saudável que Ele propõe não escolhe a melhor parte, com certeza.

Os outros amigos, preocupados como eu, faziam a mesma pergunta: “O que se passa com ele? Como podemos ajudar? Mas se ele acha que está bem, o que vamos fazer?” O que poderíamos fazer? Orar, sim. Ao conversar com Deus, pedia-Lhe não para que o guardasse, mas para que o incomodasse.

Ele, como tantos “eles” e tantas “elas” que têm passado pelos bancos das igrejas, sabem o plano total de Deus para as suas vidas, mas a certa altura ou num processo complexo de armadilhas bem montadas pelo nosso inimigo, cedem numa coisa, toleram noutra, não resistem noutra... e quando dão por ela estão a segurar uma fachada que mais tarde ou mais cedo irá ruir. Não é mesmo uma questão de falta de aviso... é mesmo falta de juízo!

Quem já esteve bem com Deus mas está a distanciar-se arranja facilmente um rol de desculpas (o pastor, o amigo A, o irmão B, a cor da carpete, o coro desafinado, não me ligaram, ligaram-me, etc, etc). Quando já não queremos nada com Deus todas as desculpas nos parecem válidas... mas não queremos assumir a grande justificação: queremos viver à nossa maneira. Ponto final.

Tenho visto gente demais decidir viver sem Deus, depois de experimentá-Lo. Somos tão iludíveis por coisas tão passageiras. Vamos com a maré, na prática vivemos como toda a gente, sem pensar no que Jesus (a quem seguimos) deseja, sem consultar a Sua Palavra ou simplesmente ignorando o que ela diz. Isso, meus amigos, é ingratidão. É “cuspir no prato onde comemos”... afinal, Jesus não nos amou teoricamente, Ele DEU a Sua vida por nossa causa.

Não te fiques pelo aviso: ganha juízo!

Estou contigo!


Ana Ramalho


in revista BSteen, Outubro 2010

Sem comentários: