O teste - Aventuras de uma gravidez - 1

Era o terceiro teste de gravidez que fazíamos e não queríamos acreditar: era positivo. Ficámos atónitos. Lemos e relemos as instruções do teste. Depois de meses a tentar engravidar, o teste não podia enganar: vinha um bebé a caminho.
Quando demos a notícia às pessoas mais próximas, as reações foram várias, entre a euforia e a prudência, passando pela alegria e algum ceticismo. A verdade é que até eu não queria acreditar ao início! Foi preciso alguém em explicar que os testes quando usado corretamente e em condições normais, não dão falsos positivos, apenas falsos negativos.
Como em tudo, há sempre quem acredite e quem seja mais cético. A incredulidade não é uma questão nova, mas há casos em que ultrapassa uma mera opinião inofensiva. Tem consequências eternas.
“Depois de ter ressuscitado, Jesus apareceu no domingo de manhãzinha primeiramente a Maria Madalena, de quem antes tinha expulsado sete espíritos maus. Ela foi levar a notícia aos companheiros de Jesus, que estavam muito tristes e a chorar. Quando ouviram dizer que Jesus estava vivo, e que ela o tinha visto, não acreditaram.
Mais tarde, Jesus apareceu de forma diferente a dois discípulos que iam a sair da cidade. Eles foram logo levar a notícia aos outros discípulos, que nem mesmo assim acreditaram.” (Marcos 16:9-13, BPT)
Já antes da cruz, Jesus não foi levado a sério pelo Seu próprio povo, que não O reconheceu como Filho de Deus. “Embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, os judeus não acreditavam nele.” (João 12:37, BPT).
Depois de ressuscitar, Jesus apareceu a vários discípulos de ambos os sexos. Costumamos mencionar a falta de fé de Tomé, mas a verdade é que ele não foi o único a duvidar. Os discípulos na sua maioria só acreditaram quando viram Jesus, apesar de todos os “testes positivos” que lhes foram transmitidos.
Infelizmente este problema não foi apenas daquele tempo. Também hoje, no século XXI, continuamos a desejar “ver para crer”. E mesmo quando vemos Deus operar, transformar, agir, continuamos a adorar o nosso ceticismo.
É mais cómodo alienar a nossa consciência com a ideia de que Deus não existe, porque nunca O vimos, olhar para os milagres que Ele faz como “felizes coincidências” ou forçar argumentos racionais para aquilo que só o poder sobrenatural de Deus pode realizar. Quando decidimos à partida que não acreditamos, nunca iremos acreditar, mesmo com todas as provas à nossa volta a dizer o contrário.
Precisamos colocar a nossa confiança na Palavra de Deus e na pessoa de Jesus Cristo, reconhecendo a nossa frágil condição humana, cheia de lapsos, pecados e fracasso, e aceitando Aquele que nos pode dar um verdadeiro sentido à vida, uma vida que vale a pena.
“Mas a todos quantos o receberam, aos que creem nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus.” (João 1:12-13, BPT)


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, agosto 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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