08 outubro 2014

Terceira Epístola de João

A terceira epístola de João é do mesmo período da anterior, isto é, entre os anos 97-100 d.C., tendo também como ponto provável de redação a cidade de Éfeso[1].  

Esta epístola é dirigida a Gaio, um membro de uma igreja local[2] que dava testemunho de bom modo (v.3,5). Esse testemunho era reconhecido diante da igreja local e atestava o trato fiel de Gaio para com os irmãos em Cristo em primeiro lugar e segundamente para com as visitas ou forasteiros[3].

João incentiva Gaio a receber plenamente aqueles que estão de passagem e que “por amor do Nome saíram, sem nada aceitar dos gentios.” (3 João 1:7 ARA). Este sinal de recusa em aceitar apoio dos descrentes era um modo de não só dar bom testemunho entre eles (não aceitando dinheiro como devotos de outras religiões faziam)[4], mas também de seguir o exemplo dos doze e  dos setenta quando enviados por Jesus (Marcos 6:8, Lucas 10:4). O cuidado com os irmãos na fé seria uma prática enraízada nas comunidades cristãs da época, seguinte também as indicações de Paulo nas suas cartas (Gálatas 6:10, 1 Tessalonicenses 3:12).

O contraponto a Gaio é mencionado na carta e chama-se Diótrefes. À boa atitude de Gaio no que toca a receber pessoas de fora, contrapõe-se a má atitude de Diótrefes que se recusava a receber essas pessoas e não contente com isso, proíbia os crentes locais de o fazer expulsando-os como medida punitiva (v.10). A sua atitude negativa é ainda destacada pelas suas palavras caluniosas e atitudes desornedadas, nas quais se inclui a recusa em receber João.

No terminar da epístola temos novamente um bom exemplo, o de Demétrio. Este homem é motivo de elogio pelo modo como vive fielmente com Cristo (v.12), algo que leva a que o aqueles que o conhecem o reconheçam como alguém com um carácter verdadeiramente cristão. João repete nesta espístola o final da sua epístola anterior, ou seja, existem mais assuntos dignos de nota, mas que ele prefere tratar pessoalmente e em breve.

Ricardo Rosa


[1] MAUERHOFER, Erich. Introdução aos Escritos do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2010, p.563,564; [2] STOTT, John. I,II e III João – introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1982, p.186; [3] Aqui o termo original do grego é xenos que é melhor traduzido por estrangeiro ou visita. Daí se depreenda a tradução de João Ferreira de Almeida para estranhos, uma vez que seriam pessoas externas aquela comunidade local; [4] STOTT, John. I,II e III João – introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1982, p.191.

in revista Novas de Alegria, outubro 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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