Quem tem telhados de vidro...

“Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho.” diz o ditado. O que que isto dizer? Todos temos as nossas fraquezas e, por isso, devemos ter cuidado ao apontarmos o dedos ao outros. Na realidade, esquecemos isto muitas vezes... daí ser útil o ditado — para, de uma forma resumida, nos fazer “assentar os pés na terra” e trazer à memória uma verdade que tínhamos esquecido, ou até que ignorávamos ser possível, dada a nossa autoimagem inchada pela presunção de que temos tudo controlado e só os outros é que “põem o pé na poça”.

Lamento informar-vos — todos temos telhados de vidro. O facto de sermos seguidores de Jesus e de termos aceite a Sua salvação, reconhecendo a nossa bancarrota espiritual, não nos isenta desta verdade — todos temos defeitos, todos erramos, todos temos alguma coisa que precisa (ainda) ser trabalhada por Deus na nossa vida. Estamos no processo. O reconhecimento da nossa necessidade de receber Cristo como nosso Senhor é o primeiro passo. É o admitirmos que “partimos a louça toda”, mesmo que tenha sido apenas um pires, uma chávena, mas que até uma pequena lasca estragou todo o serviço de jantar. 



Infelizmente, com o tempo, esquecemo-nos dessa realidade. Da nossa limitação e da necessidade permanente de olharmos para a cruz, onde Jesus morreu para que nós tenhamos uma nova vida, abundante e eterna. O milagre do novo nascimento, o conhecimento acerca da Palavra de Deus, as experiências que temos com Ele são coisas fantástica, mas podem tornar-se uma armadilha quando achamos que são meramente conquistas humanas, fruto do nosso trabalho, e não o resultado da obra sobrenatural de Deus em nós. Sem Ele não podemos fazer NADA (João 15)! Daí até começarmos a apontar o dedo para os outros é um pequeno passo... 

Paulo explica à igreja em Corinto, dando como exemplo o povo de Israel: "Todas essas coisas que lhes aconteceram são para nós lições; e foram postas por escrito para nosso aviso, nós que vivemos nestes tempos em que todas as coisas convergem para o fim que se aproxima. Por isso tenham cuidado. Se estão a pensar que estão firmes, olhem que podem também cair nos mesmos pecados. Mas lembrem-se que as tentações que vêm às vossas vidas não são diferentes daquelas que outros experimentam. E Deus é fiel. Ele não deixará que a tentação seja tão forte que vocês não a possam enfrentar. Quando forem tentados, ele vai mostrar uma saída para que a possam suportar." (1 Coríntios 10:11-13, OL)

A lição é simples: aprendam com os outros (neste caso o povo de Israel), tenham cuidado convosco, olhem para Deus e o Seu escape — porque os tempos são trabalhosos. Não podemos “enfiar a cabeça na areia” e ignorar o que está errado, mas devemos primeiro olhar para o espelho (a Palavra de Deus), reconhecer que também somos falhos e que precisamos da Sua graça dia a dia para caminhar.

Noutra tradução lemos “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia.” (versículo 12). Quando pensamos que somos intocáveis, seguros, invencíveis e superiores aos outros estamos a despoletar a nossa queda vertiginosa e a criar o terreno para o inimigo, que nos rodeia a TODOS, lance o isco e nos deite por terra. Precisamos dobrar os nossos joelhos para que Ele nos sustenha na Sua força, e nunca nos orgulharmos em nós mesmos.

“Pai, ajuda-me a nunca me esquecer de onde vim, onde estou e para onde vou. Perdoa-me quando aponto o dedo ao outro e me esqueço que é só pela Tua graça que sou o que sou, que tenho acesso à Tua presença, ao Teu amor, à vida eterna. Ajuda-me a olhar para Ti a cada dia, venha o que vier, a vigiar sem nunca vacilar. Obrigada porque não mereço, mas Tu me susténs e levantas quando falho. Obrigada pelo Teu perdão, em Jesus. Assim seja.”

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, junho 2017. Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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