08 maio 2014

Obras de arte

Quando era pequeno tinha a mania que era pintor. Por causa disso, os meus pais tiveram que meter papel de parede em casa mais do que uma vez. Pensa lá porquê...

Sempre gostei de dar largas à imaginação e pensar. E muitas vezes isso leva-me a ter que “puxar” pela minha criatividade. Tanto no trabalho, como em casa (entreter um bebé às vezes é muito difícil). E mesmo quando estudo a Palavra, tenho que ser criativo para a conseguir explicar às pessoas com quem falo.

Podes nunca ter dado por isso, mas nós não somos os únicos a ser criativos. Deus é o Criativo dos criativos, é o maior escultor de todos os tempos e o arquiteto mais fenomenal do Universo. Pensa comigo... Tens noção de que a melhor obra de criatividade de Deus é o ser humano? Pois bem, de todas as coisas que Ele criou, foi depois de ter criado o Homem que Ele disse que era “muito bom” (Génesis 1:31).

Deus criou o nosso Universo do nada (Génesis 1:2), fez o ser humano do pó (Génesis 2:7) e ainda lhe deu a oportunidade de também ser criativo e de dar nome aos animais e aves (Génesis 2:19,20). De certeza que já leste estas passagens, mas nunca pensaste na “costela” criativa de Deus.

Algo mesmo muito bom, é que Ele também nos fez criativos e usa-nos dessa maneira. Queres ver? Aoliabe e Bezalel foram abençoados por Deus com criatividade, habilidade e sabedoria para construírem o Tabernáculo e tudo o que ele continha (Êxodo 31:1-11). O profeta Habacuque construiu o primeiro placard de publicidade, depois de Deus lhe ter dito o que fazer e o que lá colocar (Habacuque 2:2). David, aquele que matou Golias e foi rei de Israel, também era um criativo usado por Deus. Ele tocava harpa (1ª Samuel 16:23) e escreveu salmos de louvor a Deus (Salmo 8)...

Já percebeste que temos um Deus criativo, desejoso que uses os dons e talentos com que te abençoa para O servires. Seja de modo super-original ou de maneira menos incomum, no fim de contas o importante é isto: servir!

Tu, eu e o resto do mundo somos obras primas de um Criador Todo Criativo. Não fiques sem investir a tua imaginação e dons! Dá-Lhe o teu melhor, de todo o teu coração e espera para ver o que Ele faz com isso!

Ricardo Rosa

in revista BSteen, maio 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

06 maio 2014

Frágil criatura...

Faz agora 7 meses que fui mãe pela primeira vez. Tive, nos meus braços, um pequeno ser com poucos segundos de vida. Uma linda mas frágil criatura a entrar num mundo cheio de aventuras e perigos.
Há dias, multiplicados por anos, também eu estava nos braços da minha mãe, acabada de nascer. Hoje, já se anteveem os cabelos brancos a lembrar-me que a ternura dos 40 chegou, e que o tempo vai passando, sem que eu dê conta disso.
Há momentos, entre os bancos da escola e os projetos da Faculdade, parecia que o mundo era meu. A vida era um livro ainda com muitas páginas por escrever, infinita. Hoje, parece que já estou a meio do livro.
Na verdade, muitos instantes de alegria e celebração abraçaram-me, tal como episódios tristinhos, em que a saudade me bateu à porta, por lidar com a verdade de sermos frágeis criaturas humanas, no “até breve” a alguns entes queridos.
E nesta certeza do sopro que é a vida, aprendi...

PRECISO VIVER COM SABEDORIA
Olhar para trás, e aprender. Olhar para o lado, e meditar. Olhar para dentro, e refletir. Olhar para cima, e obedecer. O passado, os outros e os nossos momentos de introspeção são importantes para ponderarmos o que é bom e o que é mau, mas, acima de tudo, precisamos de olhar para Deus. Ele ajuda-nos a ter a perspetiva certa. Ele dá-nos a verdadeira sabedoria, se a procurarmos e desejarmos pôr em prática. Ele guia-nos com a Sua Palavra.
“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que os nossos corações se encham de sabedoria.” (Salmo 90:12, OL)

NEM TUDO DEPENDE DE MIM, MAS EU DEPENDO DE DEUS
Preciso trocar a complexidade dos meus meios, pela simplicidade da confiança em Deus. Não que eu deva cruzar os braços, mas que nunca me esqueça que tudo é d’Ele: a minha saúde, os meus talentos, a minha família, as minhas posses – toda a minha vida! Nem preguiça nem ansiedade, mas trabalho e confiança na Pessoa certa.
“E por que hão de andar preocupados por causa da roupa? Reparem como crescem os lírios do campo! E eles não trabalham nem fiam. Contudo digo-vos que nem o rei Salomão, com toda a sua riqueza, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada, quanto mais vos há de vestir a vocês, ó gente sem fé?
Não andem preocupados a dizer: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos, esses é que se preocupam com todas essas coisas. O vosso Pai celestial sabe muito bem que vocês precisam de tudo isso. Procurem primeiro o reino de Deus e a sua vontade e tudo isso vos será dado. Portanto, não devem andar preocupados com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia a sua dificuldade.” (Mateus 6: 28-34, BPT).

TUDO PASSA MENOS A PALAVRA DE DEUS
Nem tudo é caos, incerto ou passageiro. No meio de todas as circunstâncias e situações que nos possam assaltar, podemos ter a certeza, a garantia, de que o Pai não muda. A Sua Palavra não muda. Ela é segurança e vida para todos os que confiam n’Ele e naquilo que Ele afirma, no Seu Livro – em relação ao nosso passado, ao nosso presente e ao nosso futuro. Resta-nos entregar-Lhe a nossa vida.
“Disse a voz: Clama bem alto! O que é que eu hei de clamar? - perguntei. Que o ser humano é como a erva que morre depressa, e que toda a sua beleza murcha, como as flores que morrem. A erva seca, as flores murcham sob o sopro de Deus. E assim é com a frágil criatura humana. A erva seca, as flores murcham, contudo, a palavra do Senhor nosso Deus permanece para sempre.” (Isaías 40:6-8, OL).

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, maio 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

05 maio 2014

Epístola de Judas

Esta epístola é um dos livros mais pequenos da Bíblia, (composta por 1 capítulo e 25 versículos), sem ser dirigida a uma igreja em particular, escrita e dirigida a igrejas na Ásia Menor (atual Turquia).
Supõe-se, pelo uso extenso do Antigo Testamento, que os destinatários seriam cristãos convertidos do judaísmo. Terá sido composta entre 60 a 90 d.C. e obtém o seu nome a partir do seu autor.
Judas assume-se em primeiro lugar como servo de Cristo[1] e só depois como irmão de Tiago. Apesar das várias hipóteses, aquela que reúne maior consenso, é que Judas seria irmão de Tiago (figura proeminente da igreja local em Jerusalém) e do Senhor Jesus.
Esta carta é marcada pelo forte combate ao alastramento dos falsos mestres, assim como pelas várias menções a acontecimentos do Antigo Testamento. A forte influência do gnosticismo e do docetismo, levaram Judas a escrever às igrejas numa tentativa de as doutrinar e avisar em relação a esses falsos ensinadores.
Segundo as indicações que podemos ler (v. 5, 7 e 11), eram homens cuja doutrina seria destruidora de vidas (daí a referência à ação homicida de Caim),[2] além de buscarem de modo rebelde (uma rebeldia motivada pelo poder como Coré, Datã e Abirão),[3] e ganancioso o seu próprio bem estar (aqui é citado o exemplo da ganância e apostasia de Balaão)[4]. Para quem se dedique a este tipo de vida, o fim será o mesmo que o de Sodoma, Gomorra e dos anjos rebeldes (v. 4-6)[5].
Progressivamente, lemos que esses falsos mestres eram como perigos ocultos, que agiam de forma egoísta e apóstata quando os crentes se reuniam. A ortodoxia e efetividade desses mestres é colocada em causa pelo autor da epístola, através de uma descrição dura mas simples[6, 7].
É ainda uma epístola peculiar por citar dois escritos apócrifos (os livros de Enoque e da Assumpção de Moisés) de modo cultural e não retificativo. Isto é, Judas cita-os para reforçar a mensagem que transmite aos destinatários e não para criar uma nova doutrina.
Judas termina apelando a que os crentes se edifiquem no Espírito Santo (v.20), aguardando na graça de Deus (v.21) mas sem desleixar o amor ao próximo, agindo em conformidade com a situação pessoal de cada um (v.22,23). À semelhança da epístola de Paulo à igreja em Roma[8], Judas termina com uma doxologia[9] dirigida a Deus, na qual são reforçados o poder, a soberania, a autoridade e a capacidade de conservar os Seus filhos na segurança das Suas mãos.

Ricardo Rosa


[1] - Do grego doulos, servo não no sentido assalariado, mas um servo que se dedica ao seu senhor voluntariamente e em prejuízo dos seus próprios interesses; 2 - Génesis 4:1-15; 3 - Números 16; 4 - Números 31:16, 2ª Pedro 2:15; 5 - Génesis 19:1-29, Números 14:27-34; 6 - Judas 1:12-13; 7 - Ao referir-se a árvores “mortas duas vezes”, Judas dá a entender o processo destes falsos mestres. Ou seja, ter-se-iam convertido, passando da morte para a vida, apostatando e desviando-se da sã doutrina (tornando a morrer); 8 - Romanos 16:25-27; 9 - Do grego doxo (glória) + logia (palavra), uma forma de exaltação aplicada a Deus sobretudo no Antigo Testamento.

in revista Novas de Alegria, maio 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico