04 maio 2009

Jesus e os rótulos


Há tempos, num almoço com um velho amigo, falávamos acerca do modo como é tão fácil colocarmos rótulos nas pessoas... Se reflectirmos acerca das nossas atitudes, percebemos como os nossos relacionamentos dependem em parte dos preconceitos resultantes desses rótulos.
Não há dúvida que somos propensos a catalogar os outros, como se fosse possível a Humanidade ser um grande armazém, cheio de prateleiras e armários, com tipos de pessoas bem diferenciados. E começamos a fazer a lista: políticos, religiosos, funcionários públicos, prisioneiros, prostitutas, toxicodependentes, ateus, alcoólicos, doentes, saudáveis, cristãos, muçulmanos, asiáticos, negros, brancos, etc.
É interessante pensar que Jesus dividia apenas as pessoas em duas categorias: os que eram Seus discípulos e os Seus "pré-discípulos". Ou seja, os que O seguiam e aqueles que não O seguiam, mas que Ele queria alcançar com o Seu amor. Em relação ao segundo grupo, não eram tratados como "aqueles", nem "os outros"... mas como pessoas com valor.
O que Cristo fez foi aproximar-Se daqueles que, aos olhos dos religiosos e da maioria, não mereciam uma segunda oportunidade. Ele não colocou o rótulo "impossível" porque, para Ele, tudo é possível. A mudança de vida para a prostituta foi possível. Uma vida honesta para o cobrador de impostos foi possível. A mulher envolvida em adultério foi perdoada e convidada a mudar radicalmente a sua vida. Foi possível transformar o coração de um homem que perseguia os outros, motivado pelo excesso de zelo na sua religião, num novo Saulo.
Para Deus, tudo é possível, mas temos sempre uma decisão a tomar da nossa parte. Enquanto a porta da salvação está aberta, todos são chamados a entrar por ela. O olhar compassivo de Jesus permanece, apesar de ser rejeitado literal ou inconscientemente por alguns de nós. O Seu desejo de salvar esta geração é o mesmo que há 2000 anos atrás.
A nossa posição, depende da nossa fé e vivência em Cristo. Ou estamos n'Ele ou não estamos n'Ele. Depende sempre da minha decisão e do compromisso de viver ligada a Ele dia-a-dia e, por isso, ser um instrumento moldado pelo Seu amor para alcançar aqueles que ainda não O conhecem. Ser um canal de reconciliação daqueles que deixaram um dia a casa do Pai e, hoje, não têm coragem para regressar.
Gosto da expressão que Paulo usa quando fala aos cristãos de Corinto “Se alguém está ligado a Cristo transforma-se numa nova pessoa; as coisas antigas passaram; tudo nele se fez novo! Tudo isso é obra de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, através daquilo que Cristo fez por nós e nos confiou a missão de anunciar essa mesma reconciliação.” (2 Coríntios 5:17-19 – versão “O Livro”).
“Deus, ajuda-me a olhar para os outros como Tu olhas. Ajuda-me a viver ligada a Ti para ser instrumento do Teu amor”.
Assim seja!


Ana Ramalho


in revista Novas de Alegria, Maio 2009

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