08 agosto 2010

MSN.D*

GOSTO MUITO DE TER AMIGOS... E NÃO ESTOU A FALAR DOS MAIS DE 1400 “AMIGOS VIRTUAIS” QUE TENHO NO FACEBOOK. Amigos com A maiúsculo. Aquele tipo de pessoas que, mesmo que passem anos sem nos vermos, quando nos reencontramos parece que ainda ontem estivemos juntos.

É muito bom, mas dá trabalho. “ANA! Não me fales de trabalho!” dizes tu... mas se parares um bocadinho para pensar, até me vais dar razão.

Por exemplo, se ligasses o MSN agora (podes ligar mas primeiro lê o artigo!), de todos os “amigos” que estão adicionados, quantos é que te conhecem com profundidade? Quantos é que tiveste a coragem de confrontar em alguma coisa menos boa que fizeram e ajudaste a ir mais longe como pessoa? Quantos já fizeram coisas super divertidas contigo mas também estiveram ao teu lado em momentos complicados, oraram por ti? Poucos...

É muito fácil ter “amigos” no MSN. Ligamos e desligamos quando nos apetece. Bloqueamos quando estamos chateados. Não os conhecemos, apenas reconhecemos a foto e o nome deles... é tudo muito distante, se não passar de um chat mais ou menos longo.

A imagem que temos das pessoas e o grau de amizade depende do tempo que investimos para nos conhecermos. A imagem que temos de Deus não foge à regra.

O modo como vemos Deus poder ser tipo MSN.D (D de Deus). Qual é a nossa “versão” de Deus? Talvez um ser estático, porque só comunicamos com Ele em certas ocasiões e, quando não gostamos do que nos diz, bloqueamos a entrada do nosso coração. Temos um relacionamento superficial, “domingueiro” e às vezes só pela tradição familiar...

Uma amizade profunda com Deus é muito acima! Conhecer a voz de Deus, reconhecer o Seu amor espelhado até naquelas coisas nos tiram da nossa zona de conforto, passar tempo a ler a Sua carta de amor para nós (a Bíblia que costumas deixar ganhar pó entre um domingo e o outro), começar a olhar para as outras pessoas como Ele, com compaixão... É fantástico, mas dá trabalho.

A única [grande] diferença entre os teus amigos e Jesus é que Ele nunca te vai desiludir, nem abandonar... pode não dizer “sim” a todos os teus desejos, mas se o fizer é porque não era o melhor para ti.

Deus nunca vai estar ausente, ocupado, ao telefone, a almoçar ou off-line para estar contigo. E mesmo que O magoes, Ele nunca te vai recusar como amigo de novo.

O tipo de amizade que tiveres com Deus determina como vai olhar a vida, as tuas decisões, problemas e conquistas. Também determina o teu futuro aqui e na eternidade.

Se queres viver com Deus para sempre, e ainda não és amigo d’Ele, começa hoje esse relacionamento. Deus já disse que te quer como amigo. Não leste a mensagem? “Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho para que todo aquele que nele crê não se perca espiritualmente, mas tenha a vida eterna. Deus não mandou o seu Filho para condenar o mundo, mas para o salvar. Para os que confiam nele como Salvador não há condenação eterna. Mas os que não confiam nele já estão julgados e condenados por não crerem no Filho único de Deus.” (João 3:16-18, versão “O Livro”).

Experimenta Jesus!

Ana Ramalho



*a ideia deste texto foi sugerida pelo Adilson Morais, um amigo criativo de Benfica (Lisboa)

in revista BSteen, Agosto 2010

01 agosto 2010

“Branco mais branco, não há!”

Quem não se recorda deste slogan do anúncio de uma marca de detergente?

Ainda hoje, se estivermos atentos à publicidade que se cruza com os nossos olhos, vamos ser surpreendidos por um produto que “lava mais branco”, um outro que limpa com tanta eficácia que até ao passar “o algodão, não engana”... ou podemos ir mais longe e rever um clássico português “A Aldeia da Roupa Branca”.

Posso vestir a roupa mais branca e impecável do mundo, e ter um coração carbonizado, corroído e imundo pelos meus pensamentos. O meu cadastro verbal estar cheio de um palavreado que derruba o outro, desdenha do que erra, blasfema por capricho egoísta, não satisfeito. O meu ficheiro de atitudes me faça baixar a cabeça, pelos gestos de revolta, as mazelas de acções contínuas de pouca pureza, o descontrolo que minou a minha sobriedade, a preguiça que me domina, os vícios macabros que me iludem e matam aos poucos. E tudo isto tem um nome: pecado.

Não vale a pena branqueá-lo nas palavras, suavizá-lo nas consequências, dilui-lo no peso eterno que tem. Ele existe e separa-nos de Deus – Aquele a quem temos traído em pensamentos, atitudes e palavras.

Honro o comentário deixado no Facebook por Torcato Lopes, colaborador de longa data da revista Novas de Alegria “Sabemos, e aprendemos: amar o pecador e odiar o pecado, por isso temos de pregar contra ele: pecado. (...) Pecado é pecado. Às vezes oiço branqueá-lo, e só o sangue de Jesus branqueia o pecado, como está escrito em Isaías” – “Venham então ter comigo e conversemos! - diz o Senhor. Por mais profundas que sejam as manchas do vosso pecado, eu poderei tirá-las, e tornar-vos tão limpos como a neve ao cair. Ainda que essas manchas sejam vermelhas como o carmesim, poderei tornar-vos brancos como a mais branca lã!”(Isaías 1:18, versão “o Livro”)

Só procuramos uma cura quando estamos conscientes da doença, uma resposta quando questionamos, uma limpeza determinante quando a mancha é reconhecida.

Ao não assumirmos a realidade dos nossos erros de consequência eterna, privamo-nos de estar perto de Deus, hoje e amanhã.

Eu quero ser inundada pelo amor perdoador de Deus. Limpa por dentro pelo sangue purificador de Jesus, para que possa brilhar por dentro e por fora, naquilo que penso, digo e faço.

As minhas tentativas frustram-se. Os meus métodos caem por terra, mais cedo ou mais tarde. Mas a purificação que vem do Pai, através do acto de Jesus ao dar a Sua vida por mim na cruz, resolve o meu problema mais profundo, o pecado.

Quando Jesus faz isso, pela minha escolha pessoal, olho para o meu coração e digo “Branco mais branco, não há!” 

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Agosto 2010

Performance ou Essência?

O que é que parece e o que é importante


A nossa sociedade está mais interessada na performance do que no carácter, no que se faz no aspecto profissional do que no que se é em termos de comportamento e moral... 

Há algum tempo alguém disse nos meios de comunicação que ética não tem nada a ver com política. E não preciso dar muitos exemplos da forma "natural" com que lidamos com a corrupção. Ninguém quer responsabilidades... mas Jesus tem uma escala de valores muito diferente!

"Cuidado com os falsos mestres que se disfarçam de ovelhas mansas mas que, afinal, são lobos que o que querem é devorar-vos. Assim como vocês conhecem uma árvore pelos seus frutos, assim também poderão descobrir esses falsos mestres pelo seu procedimento. Decerto não vão colher uvas de um espinheiro, nem figos dos cardos. As qualidades de árvores frutíferas conhecem-se pelos seus frutos. Uma espécie boa não dá fruta que não sirva para comer. E numa árvore que dá maus frutos não se vai colher boa fruta! E as árvores que tenham fruto impróprio para comer acabam por ser cortadas e lançadas no fogo. Sim, uma árvore é conhecida pela qualidade de fruto que dá. Nem todos os que falam como se fossem gente religiosa o são verdadeiramente. Eles podem chamar-me 'Senhor mas nem por isso entrarão no céu. Porque o que importa é saber se obedecem ao meu Pai do céu ou não. No dia do juízo muitos me dirão: 'Senhor, Senhor, fizemos em teu nome pregações inspiradas, e servimo-nos do teu nome para expulsar demónios e para operar muitos outros milagres. Mas responderei: 'Nunca vos conheci. Vão-se embora porque as vossas obras são ruins." (Mateus 7:15-23, versão “O Livro”)

Esta passagem (parte do Sermão do Monte) é sobre, no geral, o que Jesus considera importante em contraste com aquilo que nos parece importante. Jesus sabia como o ser humano se deixa enganar facilmente por aquilo que é aparente (exemplo: Tentação – Serpente enganou Eva). Ele não quer que quem O segue viva enganado ou se deixe enganar, por isso avisa-nos para vigiarmos, estarmos atentos.

O QUE JESUS NÃO DISSE
Jesus não disse que é fácil identificar o que é falso.  Para vermos o fruto, precisamos de tempo. É com o tempo que vemos a qualidade do carácter. Não é com as primeiras aparências que conhecemos a forma de ser de alguém. Leva tempo.

Jesus também não disse que devemos desprezar os dons que Ele nos dá, os talentos, os ministérios. Isso seria uma contradição com outras passagens, como a Parábola dos Talentos (Mateus 25:14-30). Claro que devemos ser excelentes no nosso serviço para Deus e para os outros!

Ele não afirma que é impossível mudar a natureza humana. Jesus está a dizer que a qualidade do fruto é consequência do tipo de árvore, ou seja, as nossas atitudes são um reflexo do nosso íntimo, do nosso coração. “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17) Deus pode transformar-nos de dentro para fora, se desejarmos e reconhecermos a nossa necessidade. As nossas atitudes exteriores vão reflectir a natureza do nosso coração.

O QUE JESUS QUER DIZER
O alerta de Jesus é, antes de tudo, para que não nos precipitemos. Ou seja, dar tempo para as pessoas mostrarem qual o seu carácter e não apenas o seu carisma – a performance, o “jeito”, o profissionalismo. O carácter é a raiz, a base da nossa vida.

Jesus mostra que podemos perder-nos mesmo fazendo muitas coisas para Deus. Se não cuidarmos da nossa vida, do nosso carácter, podemos ser excelentes a executar, mas com o tempo perder a ligação com Deus. Aliás, isso até pode ser uma "capa", uma "máscara" para esconder as nossas mazelas.

Lembrem-se do filho mais velho (Parábola do Filho pródigo) que não tinha a mínima noção do desejo do pai, da sua forma de agir. Se não cuidarmos da nossa relação pessoal com o Pai, em SER filhos, e apenas nos preocuparmos em FAZER, mais tarde ou mais cedo vamos criando a nossa própria tabela de valores, do que é bom ou mau, e rotulamos à nossa maneira aquilo que Jesus disse e que a Palavra de Deus diz ser o melhor para a nossa felicidade como seres humanos criados por Deus - que é Amor!

Sem nos apercebermos, deixamo-nos ficar mergulhados confortavelmente no óleo ‘morninho’ da independência... porque sabe bem...quanto mais nos afastamos do Pai, pela agenda, pelas escolhas erradas que tomamos, pela nossa teimosia, mais vamos deixando a temperatura subir... e se não saltamos da frigideira a tempo, "estamos fritos".

As nossas escolhas têm consequências. Se não cuidarmos do nosso crescimento espiritual – se não pararmos para reavaliar a nossa rota - podemos ficar pelo caminho, mesmo fazendo muitas coisas com perícia. Deixamos de andar no Espírito e optamos por viver à nossa maneira: estamos a tomar a nossa decisão, desobedecendo a Deus em coisas “pequenas” e depois outras e outras, até criarmos o abismo da nossa própria condenação.

Naquele dia - e isto não é uma metáfora, Jesus disse que vai acontecer... e eu acredito no que Ele diz - não quero ficar de fora da companhia do Pai, por ter investido muito na aparência e desprezado a essência, por ter vivido apenas de fazer e não ter deixado o Espírito Santo transformar o meu carácter... A boa notícia é que Jesus disse isto e ficou registado, para que tu e eu possamos estar alerta em relação às nossas vidas. Para que possamos pensar e decidir dar (ou não) permissão ao Espírito Santo para nos transformar. Há esperança, amigos! 

Desejo a excelência no que faço, mas, antes disso, preciso de excelência diária na comunhão com Aquele que me ajuda a ser uma filha cada vez mais parecida com o Pai. Isto é a base. Sem isto o resto vai cair - mais cedo ou mais tarde.

"Sim, eu sou a videira, e vocês são os ramos. Aquele que viver em mim e eu nele produzirá muito fruto. Pois sem mim nada podem fazer. Se alguém se separar de mim, será lançado fora por ser um ramo inútil; seca e é posto com todos os outros que serão depois queimados. Mas se continuarem em mim e obedecerem aos meus mandamentos, poderão pedir o que quiserem, que vos será concedido. Os meus verdadeiros discípulos produzem muito fruto, o que traz grande glória ao meu Pai." (João 15:5-8, versão “O Livro”)


Ana Ramalho



in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Agosto 2010

5 mitos acerca da chamada a tempo integral

A expressão “tenho uma chamada” pode querer dizer muita coisa. Em primeiro lugar, para o cidadão comum, quererá dizer “alguém me está a ligar”, mas dito no final de um retiro ou no testemunho pessoal de um púlpito por um cristão evangélico quererá dizer... muita coisa!
É sobre este tema que quero falar. Não vou explicar “como” se recebe, nem são 5 passos para saber se temos chamada... vamos pensar, sim, nas ideias falsas mesmo que bem intencionadas, que dão base ao modo de pensar de muitos, ideias essas que podem ser perigosas se levadas ao extremo.
O que me faz escrever não é tanto entrar numa “batalha teológica” ou num “combate de titãs”, mas a desfazer mitos e a levar cada pessoa que me lê a fazer o que todos devemos fazer: deixar a Palavra de Deus e o Seu Espírito dirigir a sua vida em tudo.

Telemóvel ou WC?

“O segundo país mais populoso do Mundo, a Índia, tem mais pessoas com telemóveis do que acesso a condições sanitárias. De acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas, há 45% da população com telemóveis, ao passo que apenas 31% têm acesso a uma casa-de-banho..”1

A notícia nem merecia comentário... mas como já deves ter visto pelo texto, eu tenho sempre muito para dizer. O pessoal que faz a paginação da revista bem se queixa, mas vocês gostam... acho eu!

Já imaginaste se apenas uma em cada três casas da tua zona tivessem casa-de-banho? Tínhamos que ir a casa uns dos outros para lavar os dentes, tomar banho... e outras coisas básicas da vida!

Podes estar a pensar “o pessoal da Índia não sabe mesmo pôr em primeiro lugar aquilo que é mais importante”... É fácil falar, mas será que nós não fazemos exactamente a mesma coisa em cenários diferentes?

Por exemplo, quando tens que tomar uma decisão importante, quem consultas em primeiro lugar? Deus? Os teus pais? Os teus amigos? Quem te vai dizer o que tu queres ouvir, mesmo que seja prejudicial para ti? Devemos buscar conselho em várias pessoas, mas em primeiro lugar, devemos conversar com Deus sobre aquilo que nos preocupa e procurar saber pela Sua palavra o que é mais saudável para nós. 

Dar prioridade a Deus é tê-Lo como o centro da nossa vida, inspirador dos nossos sonhos, motor do nosso serviço aos outros, fonte do amor que nos ajuda a viver com alegria e paz interior. É estar próximo o suficiente para escutar os Seus desejos e desafios para nós.

Uma coisa que me deixa descansada, mesmo quando vêm os momentos de maior dúvida ou em que a resposta não chega, é saber que ao dar a Deus a primeira e última palavra nas minhas decisões, tenho a Sua ajuda, consolo e promessa. Nem sempre faço tudo bem, mas quando caio, e Lhe peço perdão de coração sincero, o Pai levanta-me e sigo em frente, confiando que Ele cuida de mim.

“Portanto, não se preocupem com a comida e a roupa para vestir. Para quê serem como os incrédulos? Mas o vosso Pai celestial sabe perfeitamente que precisam delas. Dêem pois prioridade ao seu reino e à sua justiça e Deus cuidará do vosso futuro. Não se preocupem com o dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta cada dia o seu mal.” (Mateus 6:31-36, versão “O Livro”)

Estou contigo!

Ana Ramalho




1 Fonte www.cmjornal.xl.pt, 15 Abril 2010, adaptado

in revista BSteen, Agosto 2010