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A mostrar mensagens de Outubro, 2011

Renúncia libertadora

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Jean Jacques Rousseau,  um filósofo adepto do iluminismo[1], defende na sua obra “O Contrato Social” que “Renunciar à liberdade é renunciar ao que mais qualifica o homem, aos direitos da humanidade, aos próprios deveres. Para quem renuncia a tudo não há qualquer compensação”[2]. A obra de Rousseau elege o povo como força motriz de qualquer nação, decretando o povo como soberano e centralizando em si (no povo), todo o poder e atenção.
Nesta citação, que está encadeada no capítulo acerca da Escravatura, é assumido que o ser humano que renuncia a tudo, não tem direito a qualquer retorno por essa renúncia. A abnegação é misturada com a renúncia forçada, o acto amoroso do altruísmo é misturado com a privação da liberdade que leva o povo ao estado de escravo. No mesmo capítulo, Rousseau crava na figura do rei, enquanto líder de uma nação, o termo déspota e nega a entrega gratuita do homem.
Meditando no contexto sócio-económico actual do nosso país, lendo também esta obra, cheguei a uma conclu…

Obediência?

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No actual panorama social, é-nos dito que somos seres livres, criados para o nosso umbigo e com origem no vazio. A criação ex nihilo [1] não é desestruturada, não acontece por acaso, não tem como origem o nada em si. Mas é-nos vendida essa ideia, de que tudo o que conhecemos e vemos, tudo o que o nosso planeta é, provém do vazio e da ausência de um Criador. Essa “desordem” serve como desculpa para nos tornarmos antinomianos[2] e egocêntricos. Do propósito divino, herda-se apenas o síndroma messiânico e totalitário de que somos deus, pais de nós mesmos, reguladores morais e infalíveis de tudo o resto.
Como vemos então a nossa posição em tudo isto? Como nos posicionamos em relação à vida em si? Ora bem, crendo em Deus, devemos primeiramente assumir isso. Sim, existe um Criador. Sim, existe um Relojoeiro, um Arquitecto, um Designer, um Construtor, um Planeador… Não somos fruto do acaso, nem da soma aleatória de variáveis e inconstantes esticadas aos infinitos. Somos produto idealizado por…

Inclusivo ou exclusivo?

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A Igreja enfrenta uma disseminação de doutrinas (conjunto de instruções, princípios, posições ou ensinamentos) e teologias (denominadas erradamente desse modo, pois a Teologia encarrega-se do [limitado] estudo de Deus), de entre as quais a chamada Teologia Inclusiva, é uma das mais recentes e que mais agitação causa.

A Igreja deve ser inclusiva, isto é, deve receber todos aqueles que estão fracos e oprimidos, cansados e abatidos, maltratados e violentados, escorraçados e descriminados. A Igreja é O local certo para a restauração de qualquer ser humano, seja o seu estado qual for. A bela lástima a que podemos chegar, não é impedimento para o Deus que ressuscita mortos, divide mares, se manifesta através de colunas de fogo pelo deserto ou no mais básico, para o Pai que criou os céus e a Terra e tudo o que neles há. Mas não é um local de permanência na mesma miséria com que se chega. O “Venham a mim” (Mateus 11:28) de Jesus é condicional, porque apesar de Ele nos chamar e de aliviar a nos…

Caminho(s)

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Engano. Ilusão. Pensava que o que via era real, confiável e permanente, mas o resultado foi mais do que oposto. Caminhei na direcção que me apeteceu. Atrás e à frente de muita gente que pensava estar certa, como eu. Achei que a corrida frenética pelo aqui e agora era a solução para uma vida intensa, mas mal acabava o efeito de uma dose de ilusão, precisava de outra, e outra, e outra... uma sensação insaciável. Prossegui os dias a mudar de estratégia, mas no mesmo sentido – cada vez mais descendente. Passei do prazer para o moralismo. Do “faz tudo” para o “não faças nada”. Julguei que se ficasse acima dos outros, moralmente, poderia apagar a insatisfação interior. Mas se nem uma garrafa alcoolizada o fez, muito menos a embriaguez da minha falsa rectidão. Por mais que me tentasse auto-emendar por fora, continuava a apodrecer por dentro. Finalmente concluí que o altruísmo seria o escape para a sede cada vez maior que morava no meu coração. Dei, ajudei, ouvi, apoiei... mas esse caminho boni…

Anarquismo Cristocêntrico

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Pertencer a um corpo multi-composto não é fácil... Nem todos podem ser coração, uns têm que ser músculo. Existe quem deseje ser pulmão, mas tem que se contentar em ser joelho. A vida é assim mesmo, tal como o é ser parte da Igreja. Assiste-se hoje, a um fenómeno novo e que tem levado a ponderações. Uma debandada física do corpo de Cristo, uma espécie de fragmentação. Existe quem continue a estar na igreja local, mas também existe quem opte por se divorciar da mesma. É uma espécie de anarquismo com base em Cristo.
Não existe sujeição a nada, mas apenas e só a Ele. Cria-se uma espécie de paradoxo, motivado pelo "cansaço" de pertencer à igreja local, pela criação de grupos comunitários alternativos (e onde a assumpção de que parte do corpo somos, é mais fácil e mais agradável), pela consideração de que toda a liturgia envolvida na vida da igreja é aborrecida e entediante, por uma busca mais "real" do que é estar relacionado com Deus (creio que outro paradoxo ou então u…

“Mantém-te original!”

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Esta frase faz parte do slogan de uma marca de refrigerantes portuguesa. Basicamente, a mensagem que passa na campanha é que ser crescido é uma ‘seca’ e que, o melhor mesmo, é mantermos um estilo de vida exótico sem pensar nas consequências, no qual o prazer é o centro e o principal objectivo.
Estranho... se pensarmos bem, o pessoal quer ter vida de adulto desde cedo. E não estou a falar de quando tinhas 8 anos e querias imitar o teu pai a fazer a barba. Estou mesmo a falar de termos o melhor portátil, o telemóvel mais avançado, a consola último modelo... não à custa do nosso trabalho, mas com o dinheiro dos padrinhos – claro! Fazer birra para comprar ténis de marca, e obrigar os nossos pais a passar das marcas, e a arranjar um segundo emprego para termos “do bom e do melhor”.
Ou querer ter relacionamentos mais do que coloridos, nos quais entregamos a nossa intimidade até às últimas consequências, sem termos sequer a mínima ideia se é apenas uma relação passageira ou daquelas que aguent…