08 novembro 2012

Valoriza-O!

O tema da BSteen deste mês é “Valoriza-te”. Sim, todos temos valor aos olhos de Deus. Ele ama-nos tanto que enviou Jesus para morrer pelos nossos pecados e fazer-nos amigos de Deus, mesmo quando estávamos pouco interessados nisso. Nós não merecemos o amor de Deus, no entanto, Ele ama-nos e deseja que possamos viver com Ele para sempre. Esse era – e é – o Seu plano. A opção de segui-l’O (ou não) está sempre do nosso lado.

Deus dá-nos valor embora nós, por nós mesmos, não o mereçamos. Por Seu lado, Deus tem TODO o valor e Ele merece-o! Deus merece que O valorizemos com toda a nossa vida, força, talento, energia e tempo. Precisamos valorizar Deus mais do que a nossa própria vontade. Como falámos o mês passado, amar a Deus não é apenas uma intenção, sentimento, uma ideia bonita, uma frase que dizemos a cantar... tem que ser visto na prática. Como? Valoriza-O! É o que a Bíblia quer dizer com “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças.” (Marcos 12:30, versão “A Bíblia para Todos).

Quando amamos alguém, passamos tempo com essa pessoa, gostamos de saber os seus gostos, oferecer presentes, fazer-lhe surpresas. Valorizar Deus tem a ver com isto e muito mais, porque Deus não é uma pessoa qualquer. Deus é o criador do Universo. Ele é a pessoa mais importante, sábia, santa, justa e amorosa que existe. Ele não merece apenas ser valorizado pelas coisas que faz – e são muitas! – mas, principalmente, adorado por quem Ele é.

Adoramos Deus quando: passamos tempo com Ele, em oração; O conhecemos e à Sua vontade através da Palavra e Lhe obedecemos; pedimos-Lhe para nos transformar nas pessoas que Ele deseja que sejamos; servimos os outros na escola, na igreja, onde quer que estejamos; somos generosos com a Sua obra e as necessidades das pessoas; vivemos minuto a minuto para Lhe agradar.

A nossa dedicação é pouco comparado com aquilo que Ele fez por nós, não achas? Valoriza-O. Adora-O. Conhece-O. Vive para Ele. Ele é o teu maior valor, o teu maior tesouro.

“É porque tudo o que fazemos deve ser para a glória de Deus, mesmo o comer ou o beber.” (1 Coríntios 10:31, versão “O Livro”).

Estou contigo!

Ana Ramalho



in revista BSteen, novembro 2012


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

06 novembro 2012

José e Maria - Um casal dedicado a Deus

De todos os casais bíblicos, aquele que mais rapidamente vem à mente de alguém quando se fala em família, é o casal Maria e José. Invariavelmente, pelo Natal, o quadro do presépio alude à maravilhosa história de amor de Deus pelo ser humano, na qual este casal um papel importante.

Várias coisas podem ser ditas sobre ambos, mas a maioria vai centrar-se na figura de Jesus. Não existe como escapar, até porque Cristo é o centro do nosso viver (afinal, Ele deu a Sua vida por nós, para que nos tornar filhos de Deus). Mas muitas vezes, talvez por motivos tradicionais religiosos, as figuras de José e de Maria são mal interpretadas. O relacionamento entre Maria, José e Deus, não se resume a serem pais de Jesus. Pela Bíblia são-nos dados traços, que nos demonstram que ambos eram pessoas dedicadas e comprometidas com Deus. Vamos meditar nisso…

Acerca de Maria, sabemos que que era virgem nazarena, da Galileia e noiva de José (Mateus 1:18; Lucas 1:26-27), próxima de Deus o suficiente para admitir que era uma simples serva do Senhor (Lucas 1:38) e verdadeiramente grata por Deus a usar deste modo tão especial (Lucas 1:46-48).

Sobre José, podemos ler que era um homem que viveu também em Nazaré, descendente de David (Lucas 2:4). Tinha por ofício a carpintaria (Mateus 13:55), a qual ensinou também a Jesus, como era costume da época (Marcos 6:3). Era um homem de tal modo honrado, que enquanto estava noivo de Maria e depois de saber que ela ficou grávida por obra do Espírito Santo, pensou em terminar secretamente o noivado, para preservá-la de uma eventual má fama (Lucas 1:19). José foi ainda um homem obediente a Deus, cumprindo todas as ordens que lhe foram dadas pelos anjos (Mateus 1:24-25, 2:13-14).

Como casal, Maria e José continuaram a obedecer à Lei de Deus
(Lucas 2:39). Ou seja, o seu carácter individual (fiéis, íntimos e obedientes a Deus) verifica-se também na sua vida de casal, tendo levado Jesus a ser circuncidado (Lucas 2:21) e indo até Jerusalém para o apresentar ao Senhor no templo (Lucas 2:22), conforme a Lei de Moisés (Êxodo 13:2-12), mesmo com as suas limitações financeiras (Levítico 12:8, Lucas 2:24). Todos os anos iam da sua aldeia na Nazaré até Jerusalém para a festa da Páscoa, percorrendo os cerca de 200 km de ida e volta com Jesus, a quem educaram segundo os princípios da Lei judaica (Lucas 2:41-52). O próprio Filho de Deus, honrava pai e mãe terrenos, obedecendo-lhes em tudo.

Apesar da importância e singularidade, este casal é um exemplo para todos nós hoje em dia. O modo sério e sincero como se relacionaram com Deus, tanto individualmente, como enquanto casal e pais, é um dos modelos que podemos (e devemos) seguir e que está presente na Bíblia. Deus viu em Maria uma mulher com um carácter moldado à Sua imagem, em José viu um homem segundo o Seu coração. Que possamos ser comprometidos e sinceros, humildes e obedientes, disponíveis e fiéis, para que Deus nos leve e nos use do modo que Ele desejar. Seja como esposas ou maridos, como pais ou mães (biológicos ou não), que o exemplo de vida de Maria e José sirva para que Deus tenha prazer nos casais que se unem sob a Sua bênção!


Ana Ramalho Rosa e Ricardo Rosa

in revista Mulher Criativa, Novembro/Dezembro 2012

03 novembro 2012

Palavras esbanjadas de uma pobre criatura

Sem teto nem abrigo. Sem moda nem traje acetinado. Sem obesidade, mas vivendo morbidamente pelos cantos da cidade.
De olhar longo e acolhedor, no meio dos trapos velhos, esperava o momento atabalhoado do banho, da sopa quente, do aperto de mão caloroso na entrada do albergue. Uma rotina de quem se perdeu na vida e se reencontrou na dependência dos outros – para o básico e o trivial.
Sem as luzes da ribalta que sonhou. Sem o sucesso profissional de antes. Sem os mares de gente que aplaudem as palavras, os sons, as imagens ilusórias deste mundo mergulhado no consumismo atroz, fornecedor de um conforto efémero, ladrão da paz. Pobre. Dependente.
Quero ser como esse mendigo. Dependente do Teu abraço, da Tua provisão, do Teu amor. Quero vaguear sem outra satisfação que não seja a Tua presença. Quero ter-Te, conhecer, acima de tudo. Desesperada por Ti.
Sei que não vou mendigar o Teu amor, pois esbanjaste-o à frente de todos, quando o Teu Filho morreu por mim, morreu por nós. Sei que não o mereço, mas desejo entrar na porta que me abriste: para a salvação de mim mesma, para o resgate da minha dívida pecaminosamente pesada, para um novo rumo, apertado mas destinado ao que mais desejo – estar Contigo.
Perdoa a minha frágil independência, o meu excesso de autoconfiança, ou de “outro-confiança”. Quero chorar amargamente, copiosamente, pela minha teimosia e orgulho. Quero descalçar-me na Tua presença, e ajoelhar-me perante Ti, sem nada a esconder, sem ponta de hipocrisia ou fingimento.
Quero admitir todos os dias que a Tua misericórdia, renovada a cada manhã, é a causa de eu ainda andar entre os viventes. Que a Tua Palavra, que não muda, é o motivo pelo qual me posso guiar, em segurança – na Tua segurança.
Quero honrar-Te, esperando por Ti – e apenas por Ti - no Teu tempo e na Tua maneira peculiar de me surpreender, tantas vezes fazendo-me (re)aprender ao ver pelo microscópio da Tua Palavra o meu coração, e a diagnosticar o óbvio: preciso ainda deixar-Te rasgar aquilo que não interessa na minha vida.
Que o que me entregaste nas mãos – a minha vida, o meu tempo, a minha família, o meu ministério - seja usado para Tua glória. Que cada pensamento, cada palavra e ação seja dedicada a Ti. Que, no meio da bonança, a minha boca exprima aquilo que preenche o meu coração: a Tua presença, a Tua vida, a Tua alegria em mim.
Como um mendigo, sem recursos, sem propriedade, quero depender do Teu conselho, do Teu amor, da Tua Palavra. Quero mostrar quem é o meu Pai do Céu. Quero que saibam quem me comprou com o Seu precioso sangue, Cristo, de quem sou propriedade.
Ajuda-me a morrer para mim mesma, e a viver para Ti, sem restrições ou limites.
“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus 5:3 e 4)


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, novembro 2012


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico