06 outubro 2013

“Tal pai, tal filho?”

O processo da paternidade é algo entusiasmante. A pouco tempo de ser pai pela primeira vez, medito sobre o modo como posso ajudar o meu filho a crescer sabiamente num mundo cada vez mais louco.
A minha caminhada pessoal com Deus não é genética, logo o meu filho terá que fazer a dele. As nossas opções são pessoais, à mão estendida de Deus por meio de Jesus, cada um deve responder aceitando ou não esse resgate. A Bíblia mostra-nos que por muito íntimos de Deus que um homem seja, os seus filhos podem não lhe seguir o exemplo. Podemos estudar brevemente quatro casos que nos ajudam a ter uma visão mais abrangente do assunto.

TAL PAI, TAL FILHO
Um dos melhores exemplos desta máxima é a pessoa de Zacarias um sacerdote(1) zeloso do cumprimento da Lei, homem justo(2cuja mulher era estéril e que foi pai de João Baptista(3). Um filho que foi um milagre, mas também o percursor do caminho de Jesus(4), a voz que gritava no deserto anunciando que a redenção do Senhor estava próxima e incentivando ao arrependimento(5). A fidelidade do pai é revista no ministério do filho, não porque Zacarias tivesse cumprido o que cabia a João, mas porque ambos tinham o mesmo zelo para com as coisas de Deus. É caso para dizer “tal pai, tal filho”.

BOA ÁRVORE, MAUS FRUTOS?
Existe um ditado que diz que “A maçã nunca cai longe da macieira”. Com isto querem dizer que os filhos geralmente não se afastam muito dos padrões de vida dos pais. David foi o Rei mais emblemático de Israel, mas a falta de foco na sua família levou a que tivesse problemas sérios entre os seus filhos.
O primogénito de David(6) é o exemplo de que uma boa árvore (pai) pode dar maus frutos (filhos). Neste caso, Amnom deu largas à tendência natural do ser humano para pecar, sofrendo de um “amor” doentio. Forjou um esquema com um amigo que resultou no abuso da sua irmã Tamar, para depois a desprezar(7). A falta de ação de David não fica isenta de reparo. O Rei irou-se mas não corrigiu o problema gerado e permitiu que a situação se agravasse.
Poderemos argumentar que David não foi perfeito(8-9), o que pode ter ajudado Amnom a criar uma imagem de impunidade. Afinal, se o pai errou, ele também podia pecar e, sendo filho do Rei, poderia fazer o que quisesse, pois era o primeiro candidato à sucessão do pai. No entanto, apesar de ter pecado, David arrependeu-se verdadeiramente quando foi corrigido por Deus, sofrendo as consequências dos seus erros mas sendo ao mesmo tempo restaurado pela Sua mão saradora(10), coisa que o filho mais velho não fez.
Mas uma ferida aberta, infeta e dá problemas. A “falta de curativo” no que toca às ações de Amnom, fez com que Absalão, seu irmão, viesse a executar justiça pelas próprias mãos, entrando em rota de colisão com David(11). Absalão revoltou-se e tentou tomar Israel à força das mãos do pai. Novamente, vemos um exemplo contrastante em relação a David. Mesmo sendo ungido por Deus para reinar sobre Israel, David não tentou apoderar-se do trono de Saul, mesmo quando o poderia ter morto e ser aclamado por isso(12). Pelo contrário, aguardou paciente, dolorosa e perigosamente que a vontade de Deus se cumprisse plenamente em relação a esse assunto.
Uma boa árvore (David), dois péssimos frutos (Absalão e Amnom). O bom exemplo de David em relação à sua humilhação e submissão perante Deus fica manchado pela falta de capacidade em lidar com os problemas familiares. Um pai pode dar o melhor exemplo, mas no fim de contas, a decisão de o imitar ou não, cabe sempre ao filho.

O PAI IMPERTINENTE FAZ O FILHO DESOBEDIENTE
O primeiro rei de Israel após a divisão foi Jeroboão(13) e, o que parecia ser um início auspicioso contra a ameaça ditatorial de Reboão (que levou à divisão do reino de Israel), tornou-se rapidamente na primeira pedra de uma linha de desilusões e monarcas que levaram o povo para longe de Deus. Jeroboão inverteu a tendência do povo de cultuar em Jerusalém, invertendo também o padrão da santidade em direção à promiscuidade espiritual(14). O mau exemplo do pai alastrou-se ao filho como se de um vírus se tratasse. Abião sucedeu ao pai no trono e nos maus costumes(15), e lamentavelmente fez valer o ditado “quem sai aos seus não degenera”…

QUEM NÃO SAI AOS SEUS, DEGENERA?
Se Abião foi um mau rei, o seu filho Asa tentou desviar-se do caminho e dos costumes do pai. No bom sentido, degenerou em relação ao pai. Com zelo de agradar a Deus, afastou a sua mãe idólatra para que ela não reinasse, removeu os ídolos, fez o que era certo para com o Senhor e tornou a trazer para o templo a prata, o ouro e os vasos(16).
Apesar de no fim da sua vida ter cometido erros, Asa é o exemplo de que não são as condições familiares adversas em que estamos inseridos que devem ditar o nosso envolvimento e fidelidade a Deus. Ainda que honremos pai e mãe como lemos em Êxodo, a máxima a aplicar é a que Pedro nos ensina em Atos 5:29 “Devemos obedecer mais a Deus do que aos homens” (OL).

Como homem, esposo e pai, tenho a perfeita noção de que Deus exige de mim uma boa mordomia das bênçãos que coloca na minha vida. Ser pai é mais do que “dar o pão”, é sem possibilidade de exclusão também o “dar a educação”. Porque no fundo, a melhor herança que podemos dar e receber é o exemplo de uma vida em amor a Deus e ao próximo. E isso sim, pode ser passado de geração em geração, como motivo de alegria. “Para uma pessoa, os seus netos são como que a sua coroa de glória, tal como para um filho o é também seu pai.” (Provérbios 17:6, OL)

Ricardo Rosa

(1) Lucas 1:5; (2) Lucas 1:6; (3) Lucas 1:57-59; (4) Lucas 1:16-17; (5) Lucas 3:1-8; (6) 1 Crónicas 3:1; (7) 2 Samuel 13:1-19; (8) 2 Samuel 11:1-5; (9) 2 Samuel 11:14-17; (10) 2 Samuel 12:1-23; (11) 2 Samuel 13:23-29; (12) 2 Samuel 24:1-7; (13) 1 Reis 12:20; (14) 1 Reis 12:25-33; (15) 1 Reis 15:1-3; (16) 1 Reis 15:9-15


in revista Novas de Alegria, outubro 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

O enxoval - Aventuras de uma gravidez - 3

Trazer ao mundo uma criança é uma grande alegria, mas também uma enorme responsabilidade. Já não pensamos só em nós mas, principalmente, em proporcionar o melhor que pudermos ao bebé.
Babygrows, macacões, pijamas, babetes... precisamos preparar tudo antecipadamente para recebê-lo. Os avós, tios, primos e conhecidos, mal sabem se é menino ou menina, não param de nos surpreender com “só uma coisinha para o bebé”, “vi isto e não resisti” ou “até mandei bordar o nome dele (ou dela)”.
Quando ele ou ela nascer, já o espera um guarda-roupa especial: o enxoval. E durante muito tempo, não vai questionar de onde vem a roupa, se há leite ou se os pais têm dinheiro para pagar a renda no mês que vem. Comida, dormida e roupa lavada aparecem sem ele ou ela fazer nada. É garantido.
Jesus explicou aos Seus seguidores: “Não andem preocupados com o que hão de comer ou beber, nem com a roupa de que precisam para vestir. Não será que a vida vale mais do que a comida e o corpo mais do que a roupa? Olhem para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem amontoam grão nos celeiros. E no entanto, o vosso Pai dá-lhes de comer. Não valem vocês muito mais do que as aves?” (Mateus 6:25-26, BPT).
Jesus não está a dizer para não trabalharmos ou agirmos ser pensar no que toca à gestão dos nossos recursos, mas explica-nos que quando as nossas vidas estão nas mãos do Pai, devemos ser um pouco como os bebés: é garantido que Ele cuida de nós. A Bíblia fala acerca da importância do trabalho para o nosso sustento e do descanso como prova da nossa dependência e adoração a Deus, dos perigos da preguiça e da ganância, e da nossa pré-ocupação em contraste com a confiança nos cuidados do Pai.
“Não andem preocupados a dizer: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos, esses é que se preocupam com todas essas coisas. O vosso Pai celestial sabe muito bem que vocês precisam de tudo isso. Procurem primeiro o reino de Deus e a sua vontade e tudo isso vos será dado. Portanto, não devem andar preocupados com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia a sua dificuldade.” (Mateus 6:31-34, BPT)
Quando recebemos Deus como nosso Pai, podemos ter a certeza, a confiança absoluta e total de que, andando no Seu caminho e seguindo a Sua Palavra, fazendo a nossa parte, Ele faz a d’Ele: cuida de nós.
O prato pode ser de plástico ou de porcelana, o teto de zinco ou telha, a roupa feita à medida ou em segunda mão... o que importa é que temos o que precisamos, porque Ele está a velar por nós.
A decisão se entregarmo-nos nas Suas mãos é sempre nossa. Alguém conhece um Pai melhor do que este?


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, outubro 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 outubro 2013

As “letras pequenas”


Estávamos a preparar-nos para umas comprinhas, quando descobri um talão desconto de 50% nos meus iogurtes favoritos. “Que bom!” pensei... e comecei a imaginar um delicioso iogurte com fruta, com cereais... enfim, passei as compras a sonhar com os iogurtes (e o desconto!).

Depois de pagar, reparámos que só tínhamos desconto em parte dos iogurtes. Fomos à caixa central para ver o que se passava. A funcionária explicou “realmente tem 50% de desconto, mas só nos packs de 4 iogurtes. Está aqui...”. Quando me mostrou a imagem do talão é que li as “letras pequeninas”. Ela tinha razão... A partir dali comecei a tomar mais atenção às condições das promoções antes de me meter com “sonhos”.

Sabes, a vida com Deus também tem “letras pequeninas” ou seja, certas condições. A salvação, o perdão dos nossos pecados, é garantido por Jesus, quando nos arrependemos e passamos a viver para Ele. E nessa vida, precisamos entender que há um compromisso de parte a parte. Jesus não escondeu de ninguém essas condições. Estão registadas preto no branco, na Sua Palavra.

Seguir Jesus implica deixarmos que a Sua vontade reine sobre a nossa. “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23, NVI). Envolve também deixarmos que o Espírito Santo transforme diariamente o nosso coração para que as nossas atitudes sejam conforme o nosso Modelo de Vida: Cristo (Gálatas 5:22-23; Romanos 12:1-2). Inclui ainda continuar a segui-l’O dia a dia, sem voltar para trás, para as nossas “manias” e vícios. “Todo aquele que lança mão do arado e depois olha para trás não está pronto para o reino de Deus.” (Lucas 9:62, OL)

Gosto da letra de uma das novas músicas dos Hillsong: “Eu decidi seguir Jesus; Não volto atrás; Não volto atrás; A cruz à minha frente; O mundo atrás de mim; Não volto atrás; Não volto atrás”* Que esta seja a minha oração... e a minha atitude todos os dias.

Estou contigo!

Ana Ramalho Rosa



* “Christ is enough”, Música e Letra: Reuben Morgan e Jonas Myrin, Álbum “Glorious ruins”, Hillsong Live, 2013

in revista BSteen, outubro 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico