Eu não sei mais do que Jesus (e tu também não!)


O Livro dos Atos dos Apóstolo, escrito pelo Dr. Lucas, começa onde termina o Evangelho com o seu nome. Ele descreve “Durante os quarenta dias que se seguiram à sua crucificação, (Jesus) apareceu diversas vezes, vivo, sem sombra de dúvida, aos apóstolos, a quem provou de muitas maneiras ser realmente ele aquele que viam. E nessas ocasiões falou-lhes no reino de Deus.” (Atos 1:3, OL, parêntesis da autora)

E Lucas continua: “Num desses encontros, enquanto tomava uma refeição com eles, Jesus disse-lhes: ‘Não saiam de Jerusalém, mas esperem o cumprimento da promessa do Pai, de que vocês me ouviram falar. João batizou-vos com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.’ Então, os que se encontravam com ele perguntaram-lhe: ‘Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino de Israel?’ ‘É o Pai quem determina os tempos e as ocasiões’, respondeu-lhe, ‘e não vos compete conhecê-los. Mas quando o Espírito Santo tiver descido sobre vocês, receberão poder e serão minhas testemunhas ao povo de Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos extremos da Terra.’ Dito isto, Jesus foi elevado e uma nuvem o tomou, à vista deles. E estavam eles a segui-lo com os olhos enquanto subia ao céu quando, de súbito, apareceram no meio deles dois homens vestidos de branco, que disseram: ‘Homens da Galileia, porque estão aí de olhos postos no céu? Jesus foi para o céu e um dia voltará tal como o viram partir!’” (Atos 1:4-11, OL)

Os primeiros discípulos pensavam que Jesus iria derrubar os romanos e que os Hebreus seriam política e militarmente independentes, através da ação de Cristo. E mesmo depois de Jesus ressuscitar, continuavam com a mesma ideia…. “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino de Israel?” (Atos 4:6) Como estavam enganados! Jesus explicou e mostrou isso tantas e tantas vezes de modo particular e geral.

Nas Suas últimas palavras, como lemos acima, deixou claro o que queria deles (e de nós!). Vamos relembrar também o que Mateus e Marcos registaram:

“‘Toda a autoridade no céu e na Terra me foi dada”, disse aos discípulos. ‘Portanto, vão e façam discípulos em todas as nações. Batizem-nos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem-os a obedecer a todos os mandamentos que vos dei. E fiquem certos de que estou sempre convosco, até ao fim do mundo.’” (Mateus 28:18-20, OL)

“Então disse-lhes: ‘Vão por todo o mundo e preguem a boa nova a todos e em toda a parte. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não quiser crer será condenado. E darei a quem crer os seguintes sinais: em meu nome expulsará demónios e falará novas línguas. Poderá até pegar em serpentes e se beber alguma coisa venenosa não lhe fará mal. Poderá colocar as mãos sobre os doentes e curá-los.’ (Marcos 16:15-18, OL)

Quem determina a missão da igreja neste Mundo não sou eu, nem tu. É Jesus – e de certeza que Ele é que está certo! A nossa missão primária é cumprir as ordens (e não sugestões) de Jesus acerca da compaixão, evangelização, discipulado e cuidado com os mais vulneráveis (em vários aspetos – leiam-se ainda os relatos da igreja em Atos, Epístola de Tiago, entre outros). Quando o fazemos, caímos na graça do povo e as conversões a Cristo acontecem (como termina Atos 2).

A nossa ação na comunidade deve ser coerente com os princípios bíblicos, e não comprometer os mesmos, apenas tendo em vista a influência política e social que possamos ter. Há muitas formas de o fazer, mantendo-nos fiéis a Deus, sem entrarmos nos esquemas perversos e tentadores do poder!  Temos de ser sal da terra que tempera e conserva, e não que salga ou perde o sabor. Temos de ser luz do Mundo que aponta para a Luz (Jesus) e não lâmpadas fundidas ou holofotes que cegam os outros. Sempre iremos ser peregrinos neste mundo que jaz (está morto e enterrado) no maligno. Sempre iremos ter de combater os ensinos falsos com a verdade e ensiná-la dos mais pequenos aos maiores, mas com amor e graça. Sempre seremos incompreendidos e até perseguidos.

O Reino de Deus é um "reino de pernas para o ar". Combatemos o ódio com o amor. Combatemos a indiferença com o cuidado. Combatemos a mentira com a verdade. Combatemos a vaidade e egoísmo, com descrição e altruísmo. Apontamos para Ele e náo para nós mesmos. Não agindo e pensando como o sistema de valores e forma de vida que nos circunda, mas com as nossas mentes renovadas dia a dia, para vivemos na boa, perfeita e agradável vontade De Deus. Como cidadãos e embaixadores desse reino precisamos estar verdadeiramente conscientes disto. Cidadãos dos Céus e da Terra, que sabem por cada coisa no seu lugar, e que o nosso Messias não virá da esquerda nem da direita, mas de cima!

Ana R. Rosa


in revista Novas de Alegria, agosto 2025

 

Comentários