Descanso 3.0



Neste mês muito se fala de descanso – das férias – e esta edição não se afasta do tema. Mas antes de descobrirmos o que a Novas de Alegria tem para nós em agosto, quero parar um pouco e ficar contigo nas próximas linhas para falarmos de descanso, versão 3.0.

 

DESCANSO 1.0

A ideia de trabalho e descanso foi criada pro Alguém que sabe muito bem o que faz: Deus. E vem logo no princípio de tudo. Ora, vamos à Bíblia… “No sétimo dia, Deus tinha completado a sua obra e nesse sétimo dia Deus descansou de toda a obra que tinha vindo a fazer. Deus abençoou o sétimo dia e declarou que esse dia seria santo, pois foi quando repousou de toda a sua obra da criação.” (Génesis 2:2-3, OL) “O Senhor Deus pôs o homem no jardim do Éden para que o guardasse, cultivasse e cuidasse dele.” (Génesis 2:5, OL)

Princípios equilibrados, justos e santos… trabalho e descanso.

 

DESCANSO 2.0

Depois da Queda do Homem, houve um desequilíbrio consequente da desobediência, da rebeldia a Deus. “(…) o solo da terra será maldito por tua causa. Terás de lutar a vida inteira para tirares da terra a tua subsistência. Dar-te-á muitos espinhos e cardos, mas tu comerás das suas verduras. Terás de suar muito durante a vida toda, para teres o sustento, até que morras e voltes para a terra donde foste tirado. Porque fundamentalmente és terra e para a terra voltarás.” (Génesis 3:17b-19, OL) Quando o povo de Deus estava a caminho da Terra Prometida, a Lei estabelecida por Deus, entregue a Moisés, dá diretivas acerca do descanso das terras e das pessoas, um tempo de dedicação e adoração a Deus (Êxodo 20:8-10; Levítico 25).

Mais tarde, Jesus tem de demonstrar e explicar que as regras criadas pelos líderes religiosos para ajudar os judeus a cumprir a Lei, neste caso a questão do sábado, não podiam sobrepor-se ao princípio do amor ao próximo. O trabalho e o descanso continuam a ser princípios válidos e necessários, mesmo que as circunstâncias tenham mudado…

 

DESCANSO 3.0

Com a Revolução Industrial, a invenção da eletricidade, e depois as comunicações em tempo real através da internet, a sociedade passou a reduzir imenso o descanso. Apesar de hoje em muitos países se trabalharem apenas 40 horas semanais, passamos muito tempo em deslocações. Segundo o Expresso (2023), apenas um em cada quatro portugueses se desloca para o trabalho a pé ou em transportes públicos e estes demoram em média diariamente 43,5 minutos1. Além disso, somando o contexto de lazer ao profissional, os portugueses passam, em média, cerca de 10 horas por dia online (incluindo computadores, televisões e telemóveis)2. As implicações na falta de descanso e por consequência na nossa saúde mental são enormes. O estudo “Vamos falar sobre Ecrãs e Tecnologias Digitais”, realizado pela Ordem dos Psicólogos em 2024, faz soar os alarmes neste sentido.

A tecnologia pode ser positiva ou negativa – conforme a intenção e a forma com que a usamos. A moderação que o Espírito Santo produz em nós (Gálatas 5:22-23) deve estar presente também na utilização da tecnologia, que precisa ser usada com ética – respeitando os princípios divinos de trabalho, descanso e de serviço a Deus. Precisamos recuperar o equilíbrio em tudo, reconhecendo a soberania de Deus nas nossas vidas, e a interdependência dos talentos e dons na igreja, não substituindo os outros e o seu serviço a Deus por máquinas.

“Sim, o corpo tem muitas partes; não é constituído só por uma parte. Se o pé disser: ‘Eu não faço parte do corpo, porque não sou mão’, não é por isso que deixa de ser parte do corpo. E se o ouvido se pusesse a dizer: ‘Não pertenço ao corpo, porque podia ser um olho, e afinal não passo de uma orelha.’ Seria por isso que faria menos parte do corpo? Vamos supor que todo o corpo era olho; como é que se podia ouvir? Ou então se todo ele fosse um enorme ouvido, como se poderia cheirar? Mas Deus formou-nos com muitas partes e cada uma com a sua função própria. E que coisa estranha seria um corpo humano com uma só parte! Mas não, são muitas as partes, mas um só o corpo. O olho nunca poderá dizer para a mão: ‘Não preciso de ti.’ Nem a cabeça poderá dizer aos pés: ‘Vocês são-me inúteis’.”

Mas, o que é que isso tem a ver com descanso? Muito… descanso é dependência de Deus e dos Seus princípios – também em relação à Igreja.

Que a tecnologia seja apenas uma ferramenta para as pessoas servirem a Deus e não um substituto dos talentos que Ele deseja ver em ação na igreja. Se queremos ir depressa vamos sozinhos, mas se queremos ir longe, precisamos ir juntos, como Corpo. Não deixes ninguém para trás!


Pensa nisto!

 

Ana R. Rosa


1 Expresso, “Só um em cada quatro portugueses vai a pé ou de transportes para o trabalho: metas do Governo estão mais distantes”, 15 de março de 2023, disponível em: https://expresso.pt/sociedade/2023-03-15-So-um-em-cada-quatro-portugueses-vai-a-pe-ou-de-transportes-para-o-trabalho-metas-do-Governo-estao-mais-distantes-60bc589c; 2 Fundação Francisco Manuel dos Santos. (2024, 21 de novembro). Agarrados ao ecrã: quais os impactos da dependência digital? [Vídeo]. FFMS Play. https://ffms.pt/pt-pt/ffms-play/praca-da-fundacao/video/agarrados-ao-ecra-quais-os-impactos-da-dependencia-digital

Texto originalmente publicado na revista Novas de Alegria, agosto 2026

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