08 dezembro 2007

Quem é Jesus, afinal?

Nesta época, apesar do espírito consumista vigente, as pessoas estão mais abertas para ajudar o próximo, ser solidárias e, em muitos casos, dedicarem-se à religião tradicional. É o “menino Jesus” representado e apresentado na televisão, nas decorações, na iluminação pública. Um Jesus indefeso, pequeno, singelo.

“E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou?” (1) A pergunta que Jesus fez aos Seus discípulos continua a soar e a precisar de uma resposta de cada um de nós que O considera Mestre e Senhor.
Temos tendência para pensar em Jesus filtrando a concepção de Cristo através dos nossos próprios conceitos e preconceitos adquiridos ao longo da vida.

Com o passar dos anos coleccionamos peças do puzzle que construímos, pedaço a pedaço, criando o nosso próprio conceito de Jesus. MAS, a que fonte estamos a recorrer? Aquilo que ouvimos e pensamos precisa ser passado e repassado por aquilo que Ele diz e pensa.

O Evangelho não nos autoriza a criarmos um Jesus à imagem dos nossos desejos pessoais, mas ordena que nós nos façamos mais e mais à Sua imagem. Precisamos cada vez mais ser prudentes numa sociedade que coloca o homem no centro, desvirtuando os princípios morais de Deus e elegendo os valores relativos pessoais. O nosso conceito de Cristo não pode estar nem aquém nem além das Escrituras, quer seja em relação ao Seu amor quanto à Sua justiça, misericórdia e santidade.

Então, o nosso conhecimento não pode estar limitado a um sermão evangelístico light de domingo, permanecendo toda a semana praticamente desligados Daquele que deu a vida por nós. Saber quem Jesus é passa, necessariamente, por ler e meditar na carta genuína que Ele mesmo inspirou.

A certeza dos princípios bíblicos é-nos conferida pelo Espírito Santo quando, como uma semente em boa terra, a Palavra de Deus penetra até ao mais fundo do nosso ser. Esta é fortalecida pelo estudo contextualizado e sincero, procurando que a Palavra fale à nossa vida e não que diga o que nos é mais aprazível. A raiz de uma planta é a sua firmeza, tal como a Palavra de Deus é para nós segurança.

Precisamos ouvir, abrir e ler mais e mais a Bíblia. O amor à Palavra de Deus é o amor à nossa própria vida espiritual. Se temos amor próprio, então é normal que cultivemos no nosso coração o conhecimento de quem é Jesus.

Ele deseja que O conheçamos mais, não apenas na letra mas na prática, na acção em nós e através de nós. Por isso, o nosso quotidiano natural como cristãos deve ser o respirar do sobrenatural e o transpirar de adoração e louvor a Deus, assim como cada pensamento e atitude – seja ou não Natal.
 
Ana Ramalho
 
(1) Marcos 8:29
 
in revista Novas de Alegria, Dezembro 2007

01 dezembro 2007

O grande encenador

Mudar de vida, mudar de cena, mudar de prioridades.

Este ano passou a correr. Olhando-o de longe, parece que começou ontem e termina amanhã. Mas, vendo-o de perto, ao recordá-lo semana a semana, reconheço que houve minutos quase tornados eternos pela dor e horas de festa que pereciam infindáveis. Tudo isto é tão próprio de nós, dependentes de horários, relógio e calendários.
O maior bem que temos para gerir enquanto vivemos é mesmo o nosso tempo. Quando falamos de prioridades, falamos do modo como encaixamos tudo o que precisamos fazer no nosso dia, na semana, no mês, no ano e na vida. Penso que o Marcos Neves faz uma boa reflexão acerca disso este mês, numa das próximas páginas. Mas eu queria convidar-te para ver este assunto numa outra perspectiva.
Como humanos podemos planear fazer algo numa determinada altura. Dirigir a nossa vida familiar, emocional, escolar ou profissional num certo sentido. Dar prioridade a alguém ou a alguma actividade em detrimento de outra. Sejamos sinceros: gostamos de controlar os acontecimentos da nossa vida, certo? Não desejamos limitar-nos a estar no palco e seguir o guião, mas queremos assumir as funções do encenador, do guionista, do produtor. Não nos chega ter o papel principal. Queremos mudar a nossa história à nossa maneira. Não sei se este retrato te é familiar...
Mas, o que acontece quando alguém vem e muda a nossa agenda, rotina ou prioridades? O que fazes quando algo se passou ou algum personagem menos ao teu gosto apareceu em cena, imprevisivelmente? A realidade é que coisas inesperadas acontecem na nossa vida. Isso sucede com maior intensidade a partir do momento em que escolhemos ter Deus como o Grande Encenador e Guionista.
Quando entregas a tua vida a Jesus, as prioridades a nível geral mudam. Deus tem a primazia na área moral, espiritual e social. Mas as preferências das tuas decisões pessoais também sofrem uma transformação. É certo que não te tornas um ser telecomandado, mas vais ser desafiado muitas vezes a mudar os teus planos. Perder um emprego, receber uma promoção, começar um projecto na igreja sem ter fundos, receber uma oferta para o trabalho social em que estás envolvido, estudar outra vez, mudar de cidade, mudar de curso... O importante é reconheceres a voz de Deus no meio de todas essas transformações. Perceber se Ele está ou não a aprovar essa decisão. Isso requer conhecer o coração de Deus. Isso requer intimidade.
Viver com Deus é mesmo assim. O melhor mesmo é registares os teus compromissos na agenda da vida com um lápis. Nunca se sabe quando terás de apagar um assunto e escrever outra coisa no seu lugar. A nossa prioridade deve ser deixar Deus dirigir a nossa agenda, para que seja coincidente com os Seus planos para nós.
Isto exige submissão e compromisso. Isto exige “morrermos” para que Ele viva em nós. Isto exige uma interdependência de Deus total e permanente. Só desta forma teremos capacidade dada por Ele para suportar as incertezas e questões motivadas pelas surpresas desagradáveis da vida e para resistir à presunção do sucesso.
A vida com Deus é a melhor vida que alguém pode desejar... e quem decide seguir por este caminho, deverá estar pronto para mudar a qualquer momento pois Ele é a grande prioridade da nossa vida.

“Mas o nosso Deus está nos céus; faz tudo o que lhe apraz.” (Salmo 115:3)

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Dezembro 2007

01 novembro 2007

Como nós

Um homem, um jardim, um momento de agonia. No intervalo entre a traição de um amigo e a cobardia de outros, prestes a enfrentar a mais terrível das mortes, o sofrimento físico da “prova final” que se adivinha acelera o ritmo cardíaco.

Na oração o gotejar de palavras misturam o desejo de obediência ao Pai com a ansiedade humana natural. O suor intenso expressa a pressão, perante a morte imerecida mas voluntária. As emoções aglutinam-se, terminando naquele episódio de depressão, único na infinita história do Filho de Deus.1

Ele esteve entre nós. Verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. No meio deste mistério, Jesus sujeitou-se a tudo aquilo que o ser humano passa. Foi educado pelos seus pais, teve amigos, passou pela dor da separação perante a morte de alguém chegado, teve fome, sede, sentiu-se cansado. Partilhou da alegria de uma festa de casamento, aconselhou, aceitou a hospitalidade de amigos. A sua vida teve de tudo um pouco, como a nossa.

Mas, no culminar da Sua tarefa na terra, passou pelos momentos de maior sofrimento. “Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo.”2 Como homem, Ele depende do Pai e precisa dos outros.

No meio da agonia, aprendemos tanto com Jesus! Primeiro que tudo, Ele sabe o que é estar em angústia extrema. Ele compreende quando alguém desgastado enfrenta situações aflitivas, mesmo que naturalmente inerentes à vida humana.

Depois, vemos a Sua reacção. Quando a pressão se transforma em depressão, Jesus não fica inerte, nem paralisado pela dificuldade. Ele revela aquilo que cada um de nós precisa fazer prioritariamente nessas alturas: ir aos pés do Pai. É nos momentos de íntima comunhão que entregamos tudo o que somos a Deus, incluindo a dor, o sofrimento, a incerteza. Quem nos poderá dar a paz, a segurança, a cura interior eficazes? Deus pode operar. O próprio Espírito de Deus ajuda-nos quando oramos e intercede por nós.3

Finalmente, Jesus solicita a solidariedade dos seus amigos nesta fase difícil. Antes de apontar o dedo aos discípulos pela sua indiferença, talvez cada um de nós precise olhar para dentro. É necessário verificarmos se, perante a demanda das necessidades alheias, temos sido solidários, em amor cristão. Podemos não ter formação específica para resolver as situações, mas é-nos possível orar e procurar auxílio junto das nossas lideranças e pessoas credenciadas para tal. Isso é mais que “cumprir uma obrigação”. Isso é ser igreja.

Se nós próprios enfrentamos depressões, procuremos também apoio, sem complexos nem vergonha. Afinal, Jesus fez o mesmo. Uma ajuda apropriada pode servir de veículo da acção de Deus em nós, mas não caiamos no erro de fazer dos outros “muletas” – quer sejam pastores, amigos ou psicólogos.

Na pressão ou depressão, entreguemos tudo a Deus, levemos as cargas uns dos outros e lembremo-nos que Jesus nos compreende.

“Por isso, era necessário que Jesus fosse em tudo semelhante aos seus irmãos, e que por consequência pudesse ser nosso fiel supremo sacerdote, cheio de compaixão.”
Hebreus 2:17a (O Livro)

Ana Ramalho


1 Mateus 26:36 a 46; Lucas 22:39 a 46
2 Mateus 26:38 (ARA)
3 Romanos 8:26


Bibliografia Consultada
CHAMPLIN, Russel N. O Novo testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 1995. Volume I;
PERLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Rio de Janeiro: Emprevan Editora, 1973. 4ª edição.
TASKER, R. V. G. Evangelho Segundo Mateus, introdução e comentário. Vida Nova, 1980.

in revista Novas de Alegria, Novembro 2007

08 outubro 2007

Reforma em crise

É do conhecimento comum. Não é necessário ser um expert em fenómenos sociais para verificar a actual crise no sistema de Segurança Social, basta estar atento às notícias. Existem inúmeros estudos a comprovar que, se não houver medidas eficazes, aqueles que hoje trabalham e descontam tendo em vista a reforma, arriscam-se a ficar de mãos vazias quando atingirem a idade de cessar as suas funções profissionais. Há uma crise na Segurança Social. Há uma crise na reforma.

Focando a nossa atenção noutra Reforma - a Protestante – dirigida por figuras como Martinho Lutero, João Calvino e outros, o que verificamos? A “velha Europa”, berço da Reforma Protestante, palco de inúmeros avivamentos, apresenta um défice enorme relativamente ao Cristianismo. O nosso continente afasta-se dos valores cristãos, para não falar do próprio Cristo que desapareceu como referencial em muitas sociedades.

A religiosidade domina a passos largos. O espírito anti-cristão adormece as lideranças politicas. A igreja de maneira genérica está, sem dar por ela, anestesiada pelo conforto, distraída e até enganada na forma como gere as suas prioridades.

Estamos num país que, mesmo assim, ainda permite que façamos evangelismo com relativa liberdade. Imaginemos os nossos irmãos que vivem na Europa industrializada e evoluída mas que, por exemplo, não têm hipótese de entrar nas escolas para levar o evangelho aos mais novos. Portugal é dos poucos países em que as portas estão abertas para esse trabalho. Estaremos nós a aproveitar? Será que quando matriculamos os nossos filhos os desculpamos por terem muitas ocupações e não os inscrevemos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Evangélica? Não será que estamos, dissimuladamente, a trocar a Grande Comissão pelo Grande Conforto?

Abandonemos os factos negativos por momentos e olhemos para as oportunidades que esta crise traz. Uma nova geração em busca da espiritualidade, seguindo caminhos divergentes e antagónicos a Deus... está nas nossas mãos mostrar-lhes a rota certa. Uma geração adulta gasta pelos desaires da vida, desiludida, sem esperança... está nas nossas mãos sermos gente pentecostal que serve e se aproxima do outro, que mostra a sua dependência de Deus, desmontando a imagem irreal de Super-Crentes Infalíveis. Uma geração que cresce na igreja mas não tem compromisso permanente com Deus... está nas nossas mãos investir tempo na construção de pontes através de relacionamentos, procurando fazer o que os nossos pioneiros também nos ensinaram: discípulado.

No meio da crise, temos uma grande oportunidade: ser Igreja. Não uma igreja de rótulo, mas um organismo ligado a Jesus, o Cabeça. Que possamos, em conjunto, baixar o défice de Cristo no Cristianismo desta Europa que, mais que reformada, precisa ser transformada. Isso acontecerá quando nos afirmarmos como cristãos comprometidos em coisas tão simples como matricular os nossos filhos.

Não se conformem com os padrões e costumes dete mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar. E dessa forma conhecerão o que Deus deseja que façam, e verão como a sua vontade é realmente boa, agradável e perfeita.  Romanos 12:2 (O Livro)


Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Outubro 2007

01 setembro 2007

Diferença ou indiferença?

Cada novo dia é (mais) uma oportunidade para ser como Jesus.


De mãos abertas, vertendo aquele amor tão Seu, incrível mas atingível. De braços escancarados, como portas franqueadas pela misericórdia contínua por todos, sem excepção. De corpo inteiro, totalmente entregue no auge do maior acto de generosidade da História. 

Exposto perante a multidão, por uma carga incalculável de pecados e angústias, de doenças e sofrimentos de todos os séculos. Ele foi além do esperado. Além do mero acto de compaixão humanista. Além de um gesto de simpatia ou dever. Além do compromisso frio com a Sua missão.

Fez a diferença eterna na Sua morte, como fazia no seu dia a dia, invadindo com gentileza, cavalheirismo e amor genuíno o quotidiano colectivo e individual daqueles com quem se cruzava. Da escravidão do pecado e opressão espiritual para a liberdade do compromisso com Deus. Da agonia da doença, para a alegria da cura. Do caos para o Céu, num percurso iniciado pelo passo do arrependimento, no veículo do novo nascimento.

Ele amou-nos primeiro. Primeiro Ele agiu. Primeiro Ele mostrou o Seu divino interesse em nos salvar e transformar. Primeiro Ele veio e entregou-Se. A Sua generosidade activa que aniquilou a indiferença fez (e faz) mossa no egoísmo crescente da humanidade.

Mais uma vez confronto-me com o desafio dos desafios: ser como Jesus. Saber que sou amada por Ele ao ponto de ter entregue a Sua vida por mim dá-me razões suficientes para agradecer por toda a eternidade, começando aqui na terra. Mas a visibilidade do resultado do Seu amor derramado na minha vida é também necessária e importante. Ser veículo das Suas palavras de mudança positiva para a vida da humanidade em declínio. Aprender a amar como Ele ama, agindo para levar pão e salvação aos outros.

O melhor púlpito é o nosso mundo. A melhor pregação é a nossa vida. O melhor apelo são as lágrimas que vertemos com aqueles que choram, o sorriso que partilhamos com quem alcança uma vitória, o recado de encorajamento para o abatido, o chá e o tempo para o amigo que quer desabafar, o nosso segundo casaco para quem não tinha com que se aquecer, o prato cheio para o estômago vazio. Dar o que podemos a quem deseja receber.

Peço perdão a Deus pela minha indiferença. Pelas oportunidades que deixo para trás na história da minha vida. Mas fico grata pelas vezes em que aproveitei a ocasião e vi Deus marcar a vida do outro. Estas são as sementes que planto, os frutos que colho e colherei, mesmo que não ouça um imediato “obrigado” nem aconteça nada de fantástico, aparentemente. Continuo. Espero no futuro e suplico ajuda ao meu Mentor e Amigo dos amigos, para que eu seja cada vez mais um espelho Dele, marcando a diferença de forma positiva nas vidas daqueles que me rodeiam.

Diferença ou indiferença? Reparto o desafio com quem me escuta para que partilhe da mesma oração e parta para a acção.

Ana Ramalho


in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Setembro 2007

O regresso (in)esperado

Depois de arrumar, definitivamente, o chapéu de sol e outros apetrechos habituais da época de Verão, fecha-se o portão da garagem com a sensação que se encerra a “velha” estação a sete chaves.

Mesmo que o sol faça ainda o seu apelo a cada manhã e a praia bem perto ou bem longe continue a chamar-nos, o relógio não pára. O patrão não espera. O toque soa e os mais novos voltam à escola. Nós regressamos à rotina, desesperados pelo próximo feriado ou pela época natalícia. Enquanto esperamos as primeiras gotas de chuva, gastamos parte do orçamento nos livros e parte da nossa paciência na renovação do guarda-roupa, na troca da roupa fresca pela mais quente.

O regresso às aulas é o retorno esperado. Voltar ao trabalho é destino obrigatório. O decurso natural dos tempos e estações, ao ritmo do qual nos movemos e agimos, calendariza boas-vindas e despedidas, partidas e regressos. Factos e acontecimentos socialmente banais. Datas marcadas. Rotinas e tradições da nação, da cidade, da família.
Como família espiritual, o organismo vivo cujo comandante é Cristo, ao qual chamamos igreja, temos também um outro calendário. Não me refiro aos doze meses do ano, aos 365 ou 366 dias, às 24 horas do nosso relógio. Falo do calendário de Deus, Aquele que governa os tempos e as estações.

Na Sua infinita e eterna existência, o Senhor do universo tem o Seu próprio calendário, o Seu plano. Como filhos, temos acesso à Sua agenda de datas invisíveis mas com sinais visíveis que anunciam aquilo que irá suceder. Revemos na terra esses factos acontecerem, cumprindo aquilo que Ele avisou que aconteceria. Aquilo que daria o sinal de que Jesus iria regressar. O que lemos nessa agenda – a Bíblia – vemos no planeta. Escutamos as vozes da natureza, da crise política e social, da guerra e poluição, do amor enfraquecido, da insegurança, do Evangelho a ser espalhado pelas estradas de terra, os caminhos de alcatrão e auto-estradas da informação.

O regresso esperado do Filho de Deus será inesperado. Rápido e invisível. Num ínfimo segundo[i]. Sem falhas ou erros, justo e preciso na escolha daqueles que O irão encontrar nos céus e viver eternamente com Ele. Sem possível arrependimento ou mudança de atitude para os que dormem na sua negligência espiritual[ii]. Jesus notificou a realidade da Sua vinda e explicou aquilo que O antecedia. Avisou como seria, quem ficaria e quem iria.
Os nossos olhos vêem aquilo que Mateus apenas registou[iii]. Que outros factos necessitamos mais para estarmos (ainda) mais despertos espiritualmente? O apelo emergente é o mesmo exarado por Paulo na sua primeira carta à igreja em Tessalónica[iv], ou seja, que vivamos um cristianismo autêntico, compassivo, puro, santo, pentecostal e dedicado, aguardando o Seu regresso (in)esperado.

Ana Ramalho



[i] 1 Coríntios 15:52
[ii] Mateus 24:35 a 44
[iii] Mateus 24:1 a 14
[iv] 1 Tessalonicenses 5:1 a 11


in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Setembro 2007