19 novembro 2009

Destinos e proximidade

Deus é verdadeiramente bom para com Israel, para com todos os que têm um coração puro.


Quanto a mim, por pouco me ia desviando do caminho recto, quase escorregava. Pois tive inveja do bem-estar dos soberbos e dos que rejeitam Deus.


Eles não têm medo de morrer. O seu poder é garantido. Não se vêem metidos em dificuldades, como toda a gente, nem rodeados de problemas. Por isso o orgulho é como um ornamento das suas vidas. Vestem-se de violência como da melhor roupa que têm! Têm os olhos arregalados de cobiça, e a mente cheia de ambições. É gente corrompida, que só sabe tratar de maldade e de opressão. Tudo o que dizem é sempre com arrogância. Quando abrem a boca sempre têm que praguejar contra o céu. Têm uma língua tão maldizente que é capaz de varrer a Terra toda. E assim o povo de Deus fica frustrado e confuso, aceitando tudo o que eles dizem. E vão-se perguntando a si próprios: Será que Deus, lá no alto, sabe o que está a acontecer?


Esta gente é contra Deus, e vive em plena segurança. Estão sempre a ver as suas riquezas a aumentar. Não terá sido em vão que me tenho preocupado com a pureza das minhas intenções, e procurado manter-me sempre isento de maldade? Afinal tudo o que tenho obtido, em cada dia, é só problemas e aborrecimentos!


Mas se eu falasse realmente assim, estaria traindo o teu povo, ó Deus. Na verdade, isso é tão difícil de entender que quando procurava uma resposta ficava absolutamente confuso.
Até que entrei no santuário de Deus. E então compreendi enfim o destino dessa gente!


O caminho da vida, para eles, é escorregadio; e sem contarem, serão lançados na destruição. De um momento para o outro cairão na ruína e ficarão consumidos de terror.
Até a imagem deles varrerás das memórias, Senhor, como quando alguém acorda de um pesadelo.


Quando vi isto, o meu coração ficou perturbado! Senti-me tão estúpido e ignorante! Eu parecia um animal diante de ti, Senhor. Mas eu estou sempre contigo. Seguras-me pela mão. Guiar-me-ás com a tua sabedoria, e depois me receberás na tua glória. A quem tenho eu no céu, além de ti? És, na Terra, quem eu mais desejo! A minha saúde enfraquece; o meu espírito está cansado. Mas Deus é a força do meu coração. Ele é meu para a eternidade.


Aqueles que se afastam de ti, Senhor, morrerão para sempre. Destruirás os que se desviam de ti para prestar culto a outros deuses. Mas quanto a mim, sinto-me feliz em aproximar-me de Deus. Confio no Senhor, e hei-de anunciar tudo o que ele faz!

Asaph, Salmo 73, versão "O Livro"

Este salmo não me sai da cabeça... Um homem expõe as suas dúvidas e anseios de modo transparente. Um homem como tu e eu. Com questões acerca do que observava à sua volta. Não meras dúvidas filosóficas ou curiosidades científicas. Ele sentia-se confuso com a suposta (in)justiça da vida...

Que teimosia a minha em ignorar ou tentar amolecer as minhas questões, em querer procurar responder à minha maneira... fico renitente, talvez confiante na minha própria capacidade... mas o melhor lugar em que posso encontrar respostas está na presença de Deus... preciso aproximar-me d'Ele. Não num rito, numa rotina, sem precisar de estar na ruína... mas pelo simples relacionamento.

Não sei como tem sido a tua vida... A minha tem sido cheia de altos e baixos. De alegrias e desafios. De choro e riso... mas o fim? O destino? Valerá a pena ser fiel a Deus ou nem por isso? "Até que entrei no santuário de Deus. E então compreendi.."

Pai, perdoa a minha insegurança, o modo efémero como julgo a vida... Preciso aproximar-me de Ti, e compreender que, contigo, o final é sempre feliz.
Assim seja!

09 novembro 2009

Distâncias

Hoje, através do GPS, podemos saber exactamente qual a distância entre um lugar e outro... e até podemos escolher vários trajectos, com mais ou menos quilómetros, para lá chegar.
Esta é uma das maravilhas da tecnologia. Tempo previsto, custo previsto, distância prevista... ajuda-nos a fazer contas se vale a pena nos deslocarmos na nossa viatura ou de transportes públicos. Podemos prever a hora de chegada... Que conforto!
Mas esta facilidade em calcular distâncias em termos físicos ainda não chegou a outras vertentes. Qual a distância entre o pai violento e o filho amedrontado? Entre a esposa desgastada pelas inúmeras tarefas e o esposo egoísta? Entre o amigo ferido e aquele que o magoou? Entre o empregado sobrecarregado e o patrão desumano? Nos relacionamentos as distâncias podem ser tão ambíguas mas, simultaneamente, tão reais e presentes.
E qual a distância entre nós e Deus? Quantos passos nos separam?
Quando Jesus esteve entre nós, cruzou-Se com vários tipos de pessoas. Um dia, um mestre religioso veio ter com Ele. Tinha mais do que curiosidade... estava intrigado com a forma de Jesus viver e falar. Então, fez-Lhe uma pergunta: “De todos os mandamentos, qual é o mais importante? Jesus respondeu: Aquele que diz: 'Ouve, ó Israel. O Senhor teu Deus é o único Deus. Não há outro! Ama-o de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente com todas as tuas forças!' O segundo é: 'Ama os outros, como a ti mesmo.' Não há mandamentos maiores do que estes. O mestre religioso respondeu: Falaste com verdade, Senhor, ao dizeres que só há um Deus e não existe outro. E eu sei que amá-lo de todo o meu coração, entendimento e forças, e amar os outros como a mim mesmo é muito mais importante do que oferecer toda a espécie de sacrifícios no altar do templo. Apercebendo-se da compreensão daquele homem, Jesus disse-lhe: Não andas longe do reino de Deus” (Marcos 12:28-34a, versão “O Livro”).
Fazia parte do “currículo” um mestre religioso saber os mandamentos de cor! Então, porque é que ele fez aquela pergunta? Ao contrário da maioria dos líderes religiosos que tentavam “apanhar” Jesus em alguma falha, ele percebeu que Jesus era diferente. Pela questão que coloca, percebemos que estava insatisfeito por viver na religião. O que ele queria era Deus... e Jesus parecia ser a pessoa ideal para ajudá-lo.
Repare como termina aquele diálogo. Jesus diz Não andas longe do reino de Deus”. Ou seja Tu já percebeste o que é mais importante para Deus, mas ainda te falta dar um passo em frente”. Aquele homem, como muitos de nós, estava certo. Ele sabia que Deus Se importa mais com as intenções do coração do que com meros ritos religiosos sem paixão. Mas ainda assim isso não bastava.
Qualquer que seja a nossa experiência com Deus até agora, estejamos a 5 cm ou a 5 km de distância, Ele quer ter um relacionamento pessoal com cada um de nós, de tal forma que sejamos mais que meros conhecedores teóricos da Sua vontade... mas filhos que vão aprendendo a amar Deus e a viver nessa vontade dia a dia, através da Sua Palavra e de conversas que vão tendo com Ele.
Isso não é algo passageiro, mas é um caminho a dois. Um relacionamento que se percorre, sem distâncias. 


Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Novembro 2009

08 novembro 2009

Ser ímpar...

Um. Ímpar. Por opção ou simplesmente pelo percurso de vida, cresce o número de ímpares na sociedade e na igreja.
Há alguns meses organizei um jantar com algumas pessoas ímpares, como eu. Quem são os ímpares? Solteiros, divorciados, viúvos. Aqueles que têm mais tempo livre (normalmente) e mais disponibilidade... até para se deixarem envolver pela solidão.
Depois de algumas conversas, começámos a falar sobre como nos sentíamos em relação às outras pessoas, à igreja, à forma de gerir e programar a nossa vida. Foi muito interessante perceber algumas coisas que tínhamos em comum, apesar das diferentes situações em que nos encontrávamos.
Quando os amigos crentes casam e alguém do grupo fica solteiro mais um tempo, independentemente das razões, começa uma fase de isolamento inconsciente. Ninguém faz por mal, porque cada família tem o seu espaço e a sua vida... mas “acaba o culto, cada um vai para a sua casa... e nós também não temos grande alternativa...”.
Outra questão apontada foi o facto de se mudar de residência por questões profissionais e ter dificuldade em se integrar numa nova igreja... afinal “nós é que chegámos lá. As pessoas já têm o seu grupo de amigos...”
Quando se passa por uma situação de divórcio, muitas vezes o peso da condição em si e o sofrimento do próprio, levam a que as outras pessoas tenham receio de falar, de suscitar algum tipo de mágoa ou abrir uma ferida que a pessoa está a tentar sarar. Então evitam conversas mais longas.
A questão de não se receber convites de amigos cristãos para ter um pouco de lazer, de ter mais tempo de comunhão com amigos/colegas fora da igreja, de muitos eventos da igreja serem mais direccionados para adolescentes ou jovens mais novos, a própria ideia de ser rotulado, até à pressão social aliada à falta de motivação em fazer algo para mudar... tudo isto acaba por criar oportunidades para a pessoa se desligar da igreja, porque se sente só.
Como já passei por alguns destes cenários, posso dizer que é muito fácil baixar os braços e abandonar a ideia de lutar pela sociabilização, na igreja. Também sei que somos muito preguiçosos em abrir o nosso grupo de amigos a novas pessoas... e, muitos de nós, tímidos em tentar aproximar-nos de outros... mas não é preciso desesperar!
Não há receitas mágicas, mas há alguns princípios que nos podem ajudar. A nossa prioridade deve estar no relacionamento com Deus... é Ele que nos dá a força necessária em todos os momentos da vida, incluindo os de solidão. Depois, ser-se proactivo – ou seja, procurar fazer novos amigos ou recuperar antigas amizades... Beber um café, combinar ir às compras, almoçar, etc. Envolver-se em projectos da igreja – é uma forma de conhecermos outras pessoas.
Finalmente, compreendermos que ser igreja não é “fazermos coisas”, mas ser família acima de tudo... como família, pensar em formas de integrar as pessoas, independentemente de serem ímpares ou não...
No final do jantar, pessoas que pouco se conheciam estabeleceram algum tipo de contacto, outras recuperam algum tempo de distância... imagina o que seria se em cada igreja alguém que é ímpar começasse a preocupar-se?
“Assim, dou-vos agora um novo mandamento: que se amem uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim devem amar-se uns aos outros. O vosso amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos.” (João 13:34-35, versão “O Livro”)

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Novembro 2009

02 novembro 2009

Ser ímpar...


Um. Ímpar. Por opção ou simplesmente pelo percurso de vida, cresce o número de ímpares na sociedade e na igreja.
Há alguns meses organizei um jantar com algumas pessoas ímpares, como eu. Quem são os ímpares? Solteiros, divorciados, viúvos. Aqueles que têm mais tempo livre (normalmente) e mais disponibilidade... até para se deixarem envolver pela solidão.
Depois de algumas conversas, começámos a falar sobre como nos sentíamos em relação às outras pessoas, à igreja, à forma de gerir e programar a nossa vida. Foi muito interessante perceber algumas coisas que tínhamos em comum, apesar das diferentes situações em que nos encontrávamos.
Quando os amigos crentes casam e alguém do grupo fica solteiro mais um tempo, independentemente das razões, começa uma fase de isolamento inconsciente. Ninguém faz por mal, porque cada família tem o seu espaço e a sua vida... mas “acaba o culto, cada um vai para a sua casa... e nós também não temos grande alternativa...”.
Outra questão apontada foi o facto de se mudar de residência por questões profissionais e ter dificuldade em se integrar numa nova igreja... afinal “nós é que chegámos lá. As pessoas já têm o seu grupo de amigos...”
Quando se passa por uma situação de divórcio, muitas vezes o peso da condição em si e o sofrimento do próprio, levam a que as outras pessoas tenham receio de falar, de suscitar algum tipo de mágoa ou abrir uma ferida que a pessoa está a tentar sarar. Então evitam conversas mais longas.
A questão de não se receber convites de amigos cristãos para ter um pouco de lazer, de ter mais tempo de comunhão com amigos/colegas fora da igreja, de muitos eventos da igreja serem mais direccionados para adolescentes ou jovens mais novos, a própria ideia de ser rotulado, até à pressão social aliada à falta de motivação em fazer algo para mudar... tudo isto acaba por criar oportunidades para a pessoa se desligar da igreja, porque se sente só.
Como já passei por alguns destes cenários, posso dizer que é muito fácil baixar os braços e abandonar a ideia de lutar pela sociabilização, na igreja. Também sei que somos muito preguiçosos em abrir o nosso grupo de amigos a novas pessoas... e, muitos de nós, tímidos em tentar aproximar-nos de outros... mas não é preciso desesperar!
Não há receitas mágicas, mas há alguns princípios que nos podem ajudar. A nossa prioridade deve estar no relacionamento com Deus... é Ele que nos dá a força necessária em todos os momentos da vida, incluindo os de solidão. Depois, ser-se proactivo – ou seja, procurar fazer novos amigos ou recuperar antigas amizades... Beber um café, combinar ir às compras, almoçar, etc. Envolver-se em projectos da igreja – é uma forma de conhecermos outras pessoas.
Finalmente, compreendermos que ser igreja não é “fazermos coisas”, mas ser família acima de tudo... como família, pensar em formas de integrar as pessoas, independentemente de serem ímpares ou não...
No final do jantar, pessoas que pouco se conheciam estabeleceram algum tipo de contacto, outras recuperam algum tempo de distância... imagina o que seria se em cada igreja alguém que é ímpar começasse a preocupar-se?
“Assim, dou-vos agora um novo mandamento: que se amem uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim devem amar-se uns aos outros. O vosso amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos.” (João 13:34-35, versão “O Livro”)

Ana Ramalho


in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Novembro 2009

01 novembro 2009

Macacada

Posso pensar por mim ou sou “macaquinho de imitação”?

Há muitos anos que não vou ao Zoo, mas até que não era má ideia ir visitar a família...
 “A minha família vive numa jaula, anda a saltar de ramo em ramo e a fazer caretas para os fotógrafos. Passam horas a ‘catar’ piolhos uns aos outros e a meter-se com quem passa. Chimpanzés, macacos, gorilas – é com eles que vou passar o próximo Natal.”
Bem, a esta altura já estás a por em causa a minha sanidade mental... mas fica descansado. O ridículo da situação foi propositado!
Quando estamos na escola, naquelas aulas acerca da origem da vida e da espécie, apresentam-nos mil e um argumentos da chamada Teoria da Evolução, do Big Bang, etc.
Embora seja apenas uma teoria – uma hipótese que não está 100% provada – é vista como a única verdade acerca da nossa origem. Ficamos a pensar que somos primos do macaco... Só falta mesmo dizer que vamos trocar presentes no Natal, e fazer férias no Zoo para recordar os “tempos de infância”!
É pena não nos darem outras alternativas para podermos tomar uma decisão acerca deste assunto e não sermos obrigados a pensar todos da mesma maneira. Afinal, posso pensar por mim ou sou “macaquinha de imitação”?
Mas, porque é que precisamos de outra teoria? Esta não chega?
Pensa comigo. Achas que a BSteen apareceu porque houve uma explosão na tipografia e uma célula de papel foi evoluindo até se tornar numa revista? Não tem lógica, pois não? Os cientistas, por exemplo, andam à procura da “partícula de Deus” – a peça que falta no puzzle das origens de tudo.
Se podemos por a hipótese de virmos do nada, ou do macaco, porque não colocar outra possibilidade? Dá a sensação que tudo serve para dizer que é impossível termos sido criados por Deus...
Enquanto pensamos e não pensamos nestas coisas, Deus continua a amar-nos e a desejar ser nosso amigo. “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16, NTLH).
Não acreditas? Experimenta Jesus.

Ana Ramalho

in revista BSteen, Novembro 2009