03 outubro 2012

Desta é que não estávamos à espera...

Os meses que antecedem a preparação de um casamento são sempre desafiantes. Há que planear tudo com cuidado. Pensar nos pormenores e prever eventuais atrasos de última hora.
E foi isso que fizemos. Pensámos no melhor e nos piores cenários. Orámos, procurámos conselheiros e amigos que orassem connosco. Tínhamos uma igreja a orar por nós. Tudo estava a andar sobre rodas... até que aconteceu o inesperado.
Uma distração, um acidente de automóvel e uma conta impensável a menos de 3 semanas do casamento. Além do stress normal destas alturas, tínhamos agora que digerir o imprevisto amargo. O que fizemos de errado? Será que tínhamos alguma lição para tirar? E o embate no nosso orçamento, como iria ser? Nos dias após o acidente, apesar de toda a agitação e reboliço que havia dentro de nós e à nossa volta, vieram à minha mente muitas verdades bíblicas que colecionei ao longo da vida.
As lutas e as provas são inerentes à nossa condição humana – quer sejamos filhos de Deus ou não. Às vezes apenas temos que confiar em Deus, mais nada – e essa é a única lição a guardar.
Para quê então confiar em Deus? Valerá a pena seguir Cristo? A resposta é SIM, vale a pena. A grande questão está na nossa confiança real e não apenas “formal”. O salmista afirmou também "Deixa os teus cuidados ao SENHOR e ele te fortalecerá, pois não deixará que o justo sucumba para sempre" diz o Salmo 55. O problema é quando, depois de orar e "lançar" os nossos fardos nas Suas mãos, acabamos por pegar neles de novo. A nossa oração precisa ser acompanhada de confiança, fé em Deus. Temos que lançar e largar. Aí, Ele vai fortalecer-nos porque assumimos que não conseguimos na nossa força, mas Ele é o nosso sustentador.
Quando entregamos a nossa vida a Cristo e deixamos que Ele nos guie em todas as coisas, a nossa confiança também é testada para ser aperfeiçoada. Confiar que Deus está connosco e controla as circunstâncias por nós incontroláveis não nos pode fazer adormecer nos pastos verdejantes da “boa vida”. Afinal, Ele também nos acompanha quando passamos pelo Vale da Sombra da Morte e não se passarmos. Esquecemo-nos disso com frequência, mas o terror da passagem pela profundidade das agonias da vida leva-nos a acordar para a realidade e a escolher. Quando as nossas forças se esgotam e parece que não há nada a fazer, ou desesperamos ou esperamos em Deus. Não há outra hipótese.
Estas são verdades que podem ser rotuladas de chavões ou frases feitas, sem valor. Na realidade, quando observamos a vida de Job, Abraão, Moisés, Paulo, e do próprio Jesus, temos mais que argumentos suficientes para suportar esta ideia: precisamos confiar inteiramente em Deus. Afinal, se consideramos a Palavra de Deus como inspirada e verdadeira, como podermos dizer que Deus nos abandonou ou não nos ama simplesmente porque estamos numa determinada circunstância? Jesus explicou muito bem aos que O seguiam quando andou entre nós “Não andem preocupados a dizer: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos, esses é que se preocupam com todas essas coisas. O vosso Pai celestial sabe muito bem que vocês precisam de tudo isso. Procurem primeiro o reino de Deus e a sua vontade e tudo isso vos será dado. Portanto, não devem andar preocupados com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia a sua dificuldade.” (Mateus 6:31-34, versão “A Bíblia para Todos”)


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, outubro 2012


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 outubro 2012

O professor de EMRE e a Bíblia

Pode parecer desnecessário abordar um tema tão basilar da vida cristã. Sabemos que o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus são indispensáveis para os que seguem a Cristo. Talvez por termos quase por garantido que “toda a gente sabe isso”, nos esqueçamos de focá-lo... vivê-lo.

Não pretendo dar uma lição sobre pós-modernidade, porque há pessoas muito mais capacitadas do que eu para o efeito. Também não quero tentar generalizar, porque existem exceções e “oásis” no meio dos desertos. Apenas quero alertar para o básico, o essencial... e ao mesmo tempo, o esquecido.

Com as mudanças sociais a que assistimos nos últimos 20-30 anos, muitos dos hábitos e estilos de vida mudaram. Os dias que estamos a presenciar são ávidos de entretenimento, novidade e exotismo. Há um apelo quase constante para satisfazermos os nossos desejos, sem quaisquer limites, restrições e responsabilidades. As verdades são muitas e a Verdade é vulgarizada e desprezada. Há um desrespeito, uma fobia a todo o tipo de autoridades constituídas. O compromisso deixou de existir. A palavra de alguém deixou de valer alguma coisa. Há uma “EUforia” instalada com a qual lidamos, dentro e fora de casa, da sala de aulas e na igreja.

Enquanto que há 50 anos atrás se enfatizava o conhecimento, hoje enfatiza-se a experiência. Os sentimentos dominam. A verdade desvanece. No contexto de igreja, captámos sem dar por ela, conceitos de vida cristalizados da sociedade secularizada em que vivemos. Sem darmos por ela começamos a substituir o estudo sistemático das Escrituras por mensagens de “saúde e bem-estar” espiritual, no qual o “eu” termina confortável, e é desafiado a uma transformação. O Humanismo invadiu o mundo e a igreja – com tudo o que é tolerável ou mesmo contrário ao ensino bíblico.

Deixámos de enfatizar as doutrinas básicas e preferimos trazer grandes chavões, muitas vezes retirados dos contextos bíblicos, nos quais se exige isto e aquilo a Deus. Deus passou a ser um escravo da nossa “EUforia”. A tolerância excedeu a Palavra. Deixou de se falar de inferno, pecado, condenação, arrependimento, santificação. E, quando se fala, acaba-se por suavizar, diluir... não queremos confrontar, mas apenas confortar.

Todos os educadores cristãos (pastores, pais e professores) estão no meio deste ambiente, lidando com uma geração influenciadas pelas raízes humanistas e ateístas, desde o berço, pelo ensino escolar, mediático e social. Não podendo fugir à realidade, precisamos fazer um esforço contracorrente, não de tudo o que existe na sociedade, mas daquilo que é realmente erosivo, desviante ou oposto à Palavra de Deus.

Só uma proximidade e paixão por Deus e pela Sua Palavra nos dá o pano de fundo para filtrarmos todas e quaisquer tendências erosivas dos fundamentos da nossa fé. O professor, precisa conhecer, viver e anunciar a Palavra de Deus, em obediência amorosa a Ele, com a ajuda do Espírito Santo que habita na sua vida. Só com uma vida coerente, a mensagem pode passar de forma credível. Sendo honestos e humildes nas nossas imperfeições, não esqueçamos que a nossa orientação e objectivo é sermos mais parecidos com Cristo. E isso fará a diferença – toda a diferença – na mensagem que transmitirmos.

Devemos aproveitar os métodos, se estes não se tornarem os determinadores da mensagem que transmitimos. O ser humano continua a ser pecador, a precisar de arrepender-se, aceitando a obra de Cristo na cruz, para se tornar uma nova criatura que entra na Igreja, a família de Deus, por adopção, para crescer até à estatura de Cristo, servindo os outros e proclamando a mensagem salvadora do Evangelho. Nada disso mudou – nem mudará – para Deus. Mas, para a nossa sociedade é uma mensagem intolerante, de extremo fundamentalismo.

O que aprendemos através dos pedagogos de referência, dos sociólogos, dos psicólogos não pode ditar a nossa mensagem. Na planificação, na escolha das atividades, nas metodologias e exposição da aula, no acompanhamento dos alunos, precisamos ter em conta que o que ensinamos é, primeiramente, para glorificarmos a Deus – como tudo o que fazemos – através da transmissão pura e concreta do plano de Deus para o Homem, em todas as suas vertentes.

Os tempos são de desafio, mas não podemos tolerar a diluição da verdade em nome de um popularismo humano, que nos afasta muitas vezes do plano de Deus. Isso seria adulterar o que Deus deseja falar ao coração dos nossos alunos. Olhemos para a Palavra de Deus com uma visão renovada, de que ela é a Carta Amor do Pai para a humanidade. Ela transforma, dá esperança concreta e credível, liberta o Homem dos seus medos, leva-o a Deus – para viver para a Sua glória.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e serve para ensinar, convencer, corrigir e educar, segundo a vontade de Deus, a fim de que quem serve a Deus seja perfeito e esteja pronto para fazer tudo o que é bom.” (2 Timóteo 3:16-17, versão “A Bíblia para Todos”)
  Se já experimentaram a bondade do Senhor, clamem pelo puro leite espiritual, como faz um bebé, para que por ele possam crescer na vossa salvação.” (1 Pedro 2:2-3, paráfrase “O Livro”)
 “Por isso, irmãos, ao chegar à vossa terra não fui anunciar-vos o plano de Deus com grandes discursos e muita sabedoria. Achei que não devia dar-vos a conhecer mais nada a não ser Jesus Cristo e sobretudo o valor da sua morte na cruz. Entrei no vosso meio como um homem sem forças, cheio de medo e ansiedade. E a minha mensagem, a minha pregação, não foi marcada pela persuasão da sabedoria humana, mas pela manifestação do Espírito e do poder de Deus, para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. No entanto, aos que já estão amadurecidos na fé eu posso falar com palavras de sabedoria. Mas não é da sabedoria deste mundo nem dos que nele mandam, pois esses estão condenados ao fracasso. Pelo contrário, dou-vos a conhecer os mistérios da sabedoria de Deus, que antes era desconhecida, mas que ele, desde sempre, tinha destinado para ser a nossa glória. Nenhum dos senhores deste mundo teve conhecimento dela. Se a tivessem conhecido não tinham crucificado o Senhor, a quem pertence toda a glória. Mas como diz a Sagrada Escritura: Deus já preparou para os que o amam coisas que nunca ninguém viu, nem ouviu, nem passaram pela ideia de ninguém.” (1 Coríntios 2:1-9, versão “A Bíblia para Todos”)
 Não percas o teu tempo com fábulas e velhas histórias profanas; empenha-te antes, com disciplina, no caminho de Deus. O exercício físico tem algum valor, mas o desenvolvimento da vida espiritual é útil em toda a maneira, nesta vida e também na futura.  Esta é uma palavra digna de confiança, que merece ser aceite por toda a gente. Com efeito, se trabalhamos e se lutamos, é porque a nossa esperança está no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, daqueles que aceitaram a sua salvação. É esta a mensagem que deves comunicar e ensinar. Que ninguém te desconsidere por seres jovem. Mas sê um exemplo para os crentes pela forma como falas e no modo como vives, pelo amor cristão, pela fé, pela pureza.  (...)  Mantém-te vigilante sobre ti mesmo e sobre aquilo que ensinas; mantém-te fiel nestas coisas, e assim te salvarás a ti mesmo, como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4:7-12, 16, paráfrase “O Livro”).


Ana Ramalho Rosa

Reflexão para a ação de formação da COMACEP, outubro 2012

Gosto ou amo?

Uma foto, uma frase, um vídeo... não resistes a clicar no botão “Gosto”. É a tua reação imediata. O Facebook habituou-nos a isso. Minutos depois já esqueceste a frase inspiradora, a foto engraçada e o vídeo maravilhoso, porque entretanto passaram mais umas dezenas de imagens, textos e perguntas pelos teus olhos. 

As redes sociais habituaram-nos a ver o mundo tipo mural, onde cada um diz o que quer, como quer, e onde a nossa opinião pode ser virtualmente escutada, mesmo que seja por segundos.

Quando transportamos isto para a vida real, podemos cair no mesmo tipo de atitude. É verdade que as pessoas com que lidamos cara a cara não têm um botão para clicarem “Gosto” naquilo que dizemos ou fazemos. Também não podemos “ocultar” aquilo que fizemos para ninguém saber, porque as pessoas veem-nos e Deus, que está sempre atento para cuidar de nós, também.

Agora, a minha grande pergunta é esta: gosto ou amo Deus? Dizer que se gosta de algo ou de alguém é sentir prazer, afeição, aprovar. Amar vai mais além do que gostar. É ter dedicação, devoção, querer bem, estar apaixonado. O primeiro mandamento que temos é “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças.” (Marcos 12:30, versão “A Bíblia para Todos”). É uma frase que resume o modo como nos devemos relacionar com Deus, que está explicado com mais pormenor ao longo de toda a Bíblia.

Repara que não diz apenas para amarmos Deus, mas amá-Lo COMPLETAMENTE! Daí a palavra “todo” aparecer tantas vezes. Ser filho de Deus tem a ver com isto. Não é apenas sentir prazer naquilo que Deus nos dá, admirar Jesus e a Palavra de Deus, gostar de ir a retiros... vai muito além disso.

É deixar que Deus seja a pessoa por quem vives apaixonado diariamente, mesmo quando não O sentes, quando não há eventos ou cultos especiais. É uma atitude que começa no teu coração quando decides, dia a dia, viver com e para Ele; quando toda a tua vontade é seguir a Sua Palavra, quando toda a tua mente deseja ser transformada por Ele e medita naquilo que Ele é, diz e faz; quando usas todas as tuas energias, talentos e tempo para agradar a Deus porque o amas.

Amar a Deus, acima de tudo e de todos, só é possível porque Ele nos quis amar primeiro. Ele merece o nosso amor total, a nossa entrega total, a nossa vida a 100%... para vivermos a fantástica aventura da vida cristã, mesmo sabendo que tem desafios, lutas e provas. Jesus é a nossa vitória e, se perdermos tudo – como há cristãos que perdem nos países que os perseguem – continuamos a ter o que amamos, Jesus. E isso é o mais importante!

“Tenhamos os olhos postos em Jesus, de quem a nossa fé depende inteiramente. Ele suportou a morte na cruz, sem se importar com a vergonha que nisso havia, sabendo a alegria que o esperava. Agora está à direita do trono de Deus. Pensem nele, que tanta oposição sofreu da parte dos pecadores! Assim não hão de perder a coragem nem desfalecer.” (Hebreus 12:2-3, versão “A Bíblia para Todos”).

Quando amamos realmente alguém, estamos dispostos a fazer tudo por essa pessoa. O que é que já fizeste para Deus?

Estou contigo!


Ana Ramalho

in revista BSteen, outubro 2012

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico