03 janeiro 2010

Pão ou salada russa?

Depois de uma época de festas, a melhor alimentação é a mais simples... especialmente se abusámos em condimentos que sabem bem, mas fazem mal.
Depois da recheada mesa da Consoada ou do Ano Novo, ficamos a “cozidos e grelhados”. Para acompanhar o peixinho, certamente que sabia bem uma sala russa, mas será mais acertado pãozinho acabado de cozer... Nestas alturas precisamos decidir: o mais saboroso ou o mais saudável?
E isto para não falar de outra “comida”...  Auto-ajuda. Meditação transcendental. Yoga. Aromaterapia. Astrologia. Numerologia. Pensamento positivo. É só escolher! A “ementa” é inesgotável. Abrem-se os guias astrológicos para 2010, cheios de conselhos e dicas para todos os ditos “signos”. As “receitas” estão lá. Mistura-se um pouco de previsibilidade com marketing, vai ao forno da insegurança, e serve-se com um pouco de mistério e esoterismo...
Estes e outros “pratos” servem de alimentação para a alma de quem tem fome e sede de um propósito, de ter algo em que possa confiar.
Um dia fiz um exercício simples. Troquei o nome dos signos em relação às respectivas previsões... Cheguei à conclusão que “prever uma probabilidade tão provável” não tem muita ciência... E questionei como é que podemos ser levados a acreditar em algo assim. Porque é que procuramos sentido e bem-estar interior de formas tão diversas?
Talvez porque o mundo religioso tradicional tenha sido uma desilusão, ou não tenha respondido a essa necessidade. Uma má experiência no passado com algum “dito” cristão. Uma educação laica. Uma vida cheia de erros, colocando Deus como um ser inacessível, a quem devemos provar que merecemos a Sua atenção. Uma necessidade de “auto-controlar” a vida sem ter que se submeter a alguém – mesmo que seja um Ser amoroso.
O capitalismo desiludiu-nos. O racionalismo não respondeu a tudo. A religião revelou-se insuficiente. Mas, o sobrenatural desafia-nos... é natural! Desde sempre que o ser humano procurou uma relação com o mundo espiritual – à sua maneira. Essa busca chegou a um auge, a um autêntico “banquete” de supostas soluções que, pelos vistos, ainda não nos satisfizeram, porque a procura continua... e a variedade não pára de aumentar.
A boa notícia é que não precisamos fazer uma “salada russa” de ingredientes esotéricos para alcançar a plena satisfação interior.
Talvez tenhamos que voltar-nos para uma simples relação com uma só pessoa que nos dê tudo o que realmente necessitamos. Pão do Céu, que nos encha a alma e nos dê um propósito eterno. Uma ideia utópica? Simplista? Talvez uma experiência pessoal com resultados reais (minha e de milhares de pessoas ao longo dos séculos).
Jesus disse “E eu sou o pão da vida, que veio do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre; a minha carne é esse pão, que darei para dar vida à humanidade.” (João 6:51, versão “O Livro”)
Aceitar que temos feito uma má alimentação espiritual, à nossa maneira, que temos falhado em ser coerentes tantas e tantas vezes. Ter a humildade de receber de modo positivo esta relação que sempre esteve disponível para nós.
Pão ou salada russa? Faça a sua escolha.

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Janeiro 2010

01 janeiro 2010

Que falhanço!

Estou a imaginar como se sentiu Martín Palermo, de 35 anos, quando se tornou o único futebolista do mundo que falhou três pénaltis no mesmo jogo.
Ele tinha fama de fazer golos milagrosos e até dizia "Tenho um anjo que me protege e um Deus à parte. O que vivi foi uma bênção do Céu"1. Agora, naquele jogo decisivo, ele falha uma... duas... três vezes. Deve ter sido frustrante, não achas?
Falhanços no campo, só os jogadores podem ter... são eles que estão lá e lutam para vencer. Falhanços na vida, todos temos... todos estamos a viver, a lutar pela vida.
Errar, falhar, pecar, entristecer Deus, deixar os nossos amigos ou familiares desiludidos... infelizmente acontece a todos!
Agora pensa comigo:
- Qual a origem da minha falha? Precipitei-me? Deixei-me enganar? Não tomei atenção às pessoas/situações que me estavam a influenciar negativamente? Deixei de falar com Deus acerca das minhas decisões?
- Como agi quando percebi que errei? Achei que toda a gente erra, por isso, paciência? Percebi que fiz asneira, magoei os outros, e Deus... e resolvi mudar nesse aspecto? Nem me chateei porque Deus perdoa-me e está tudo bem? Achei que Deus nunca me vai perdoar?
- O que fiz depois disso? Segui com a vida porque não foi assim tão grave? Senti-me indigno do amor de Deus e por isso deixei de falar com Ele, com medo? Decidi que precisava mudar algumas coisas para não voltar a errar nessa área e pedi ajuda a Deus nisso? 
Nunca desiludimos Deus, porque Ele sabe tudo, mas podemos entristecer o Seu coração amoroso e justo...
Realmente Deus não deseja ver-nos errar porque nos ama e sabe aquilo que nos faz bem... mas quando pecamos, Ele deseja que falemos com Ele arrependidos, ou seja, com desejo de mudar a nossa atitude. Afinal, a coisa mais fantástica na vida é a amizade que temos com Ele!
“Para ti o verdadeiro sacrifício é um espírito rendido a teus pés e arrependido. Um coração humilhado e magoado tu não desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51:17, “O Livro”)

Estou contigo!

Ana Ramalho

História contada no jornal Público, 14/10/09

in revista BSteen, Janeiro 2010