20 dezembro 2011

O absurdo do vazio

Quando cessa a vida, existe um vazio e um vago no pensar humano. Gostemos ou não da ideia, todos nós nos cruzamos com a possibilidade da cessação da nossa existência. Sejamos nós cristãos ou não, encontramos no último fôlego um evento indistinguível. O tempo de respirar, crescer, pular, correr, comer e criar uma marca no mundo, cessa. E o que sobra em seguida?

Não devemos viver com um absoluto terror da morte, nem viver como se a vida fosse de titânio. A vida é um bem precioso, um fluxo de vitalidade que alimenta e dá cor ao planeta. A vida tem uma origem e vários pontos decisórios. O corpo em que nascemos e crescemos, tarde ou cedo voltará ao pó[1]. Cientificamente, somos matéria em movimento, composta por cargas eléctricas e cuja duração de vida é variável. Varia de acordo com vários factores e variáveis; certas vidas cessam mais cedo, outras mais tarde.

O facto comum a todos é este, a morte é certa, a vida não. Fisicamente falando. Que o diga Christopher Hitchens[2] (jornalista e escritor britânico) assumido ateu e membro do quarteto ateu composto com Richard Dawkins, Daniel Dennet e Sam Harris. O fleumático britânico, a quem era reconhecida a fúria intelectual e o pouco perfil tolerante perante opiniões com as quais não concordava (nomeadamente aquelas que considerava “balelas” – como fez em várias entrevistas sobre a liberdade de expressão em relação ao Islão, etc.), cessou a sua existência física e humana na passada semana. Hitchens sofria de um tumor em estado terminal, mas conservou sempre a sua objectividade humanista e iluminista. Pessoalmente, não concordando com o seu posicionamento, sobretudo em relação à Igreja e Deus, não deixo de sentir um estranho “pesar” por mais uma vida que cessa.

E tudo isto deveria ser motivo para um sentimento diferente, pois creio que Deus nos fará ressuscitar, para a glória eterna com Ele[3]. Pelo menos, aos que O aceitam e submetem a sua vida à vontade divina e amorosa do Pai[4]. A minha preocupação não surge só em relação a este homem relativamente conhecido, mas também surge devido à quantidade enorme de vidas que cessam e as quais não conhecem ou não aceitaram Jesus como Senhor e Salvador. Essas vidas caminham de modo indistinto pela face do planeta, vivendo como suas próprias regentes e fabricantes de moralidade e direcção.

Não é o facto da auto-suficiência que tanto me pesa no coração, mas sim o facto de se persistir numa auto-suficiente destruição, sem que sequer se deseje ser socorrido, porque existe a ideia de que tudo o que não é visível, é por si só improvável. Não me assusta, mas pesa-me no interior do coração ver que não se está a ser feito tudo o que é possível para se mudar essa situação. Mas também, que nem todos serão recebidos, porque aquando do convite, estão demasiado ocupados ou endurecidos; demasiado centrados em si ou focados noutras atenções; demasiado duros, áridos ou insensíveis.

Não que Deus não possa revelar-se como fez a Abraão[5] e Moisés[6], no meio de terras votadas à idolatria, à separação da união com Deus e à negação prática da Sua presença e do Seu amor. Mas porque o nosso coração é parte preponderante da aceitação do bater à porta. E o bater à porta é um convite, uma possibilidade tremenda de viver uma vida em que a certeza final reside nisto. Aquele que começou a boa obra em cada um de nós, seres imperfeitos, impregnados de pecado e de falhas; é fiel para a terminar, concluindo-a para a Sua glória e para nosso benefício; no momento da volta do Senhor[7].

A vida por si só é preciosa, mas é mais do que aquilo que vemos, sentimos, cheiramos, ouvimos e provamos. Existem planos de paralelos intermináveis e que transcendem os sentimentos humanos ou a nossa capacidade de levar um raciocínio lógico. Deus em si mesmo, pode parecer-nos lógico e ilógico, mas na pura e perfeita verdade da Sua existência e essência, Ele é perfeito[8], com uma vontade boa e agradável[9].

Tudo menos que a Sua presença e amor, levam a que na cessação do último fôlego, na paragem do último batimento cardíaco, no fecho dos olhos para a realidade cognitiva humanista e meramente física; tudo seja votado a um destino em que a separação em vida se estende à separação após a mesma[10]. Essa separação não é agradável, é condenatória, é destrutiva, é dilacerante e agonizante[11] e a ela acedem todos aqueles que negam[12] o senhorio de Jesus Cristo.

A este vazio pós-existência, segue-se tudo o que de negativo lhe está associado. Vejo esta opção como um absurdo, como uma vontade de sofrimento eterna após uma vida inconclusiva. O nosso padrão de regulamentação do certo e errado não pode ser o humano, pois nós mesmos estamos demasiadamente conspurcados e viciados em nós para nos podermos guiar e julgar. A regra de ouro é a pessoa de Deus, perfeito e imutável[13].

Viver a vida no vazio, é olhar demasiado para dentro do abismo e deixar que o abismo nos consuma. Viver uma vida assente na lógica do centro no Homem e cessar mais tarde sem possibilidade de provar a verdadeira glória é ilógico, absurdo, não tem o mínimo de sentido. Nem todo o humanismo em seu esplendor pode contradizer algo que é irrefutável. O Homem não vence a morte por si e nela vê a sua amante amarga, mas Cristo já venceu a morte[14] e com Ele somos mais que vencedores.

No vazio existe pranto e ranger de dentes, mas na presença d’Ele existe um banquete. O convite está feito[15], cabe a cada um de nós aceitá-lo de forma sincera e diária, para podermos viver a vida fora do vazio e em toda a sua abundância.

Ricardo Rosa


[1] - Génesis 3:19
[3] - 1ª Coríntios 6:14
[4] - 2ª Coríntios 4:13-15
[5] - Génesis 12:1
[6] - Êxodo 3:1-4
[7] - Filipenses 1:6
[8] - Mateus 5:48
[9] - Romanos 12:2
[10] - Lucas 16:26
[11] - Mateus 25:41; Apocalipse 21:8
[12] - Mateus 10:33; Lucas 12:9
[13] - Tiago 1:17
[14] - 1ª Coríntios 15:53-57
[15] - Apocalipse 3:20

14 dezembro 2011

Uma questão genética

As questões genéticas estão em foco. Falamos do fenómeno da hereditariedade e apontamos o dedo aos genes. Os genes do pai desculpam a tendência para ser anafado e os da mãe para ter problemas de atenção. Até na medicina se descarrega a culpa em vários pontos que não assumimos como nossos.

O problema do Homem em relação ao pecado é o mesmo. Embora sejamos nós a pecar, instintivamente sofremos do síndroma de Eva e descarregamos a culpa na circunstância ou malefício mais próximo, de modo a não assumirmos a nossa falha. Seja moral ou prática, a decisão é sempre nossa, logo as consequências também. Não podemos desejar assumir a origem de um acto mediante o seu resultado final. A minha opção de caminhar pelo caminho estreito é minha, embora Jesus já tenha advertido que o caminho que leva à Salvação é complicado[1].

A tendência genética que carregamos, leva-nos a culpabilizar o que nos rodeia, mas não nos isenta da herança pesada que temos[2]. Tal como na medicina, é preciso efectuar uma correcção do estilo de vida, para que não sejamos totalmente afectados por essa hereditariedade. A correcção é feita pela reconciliação no Gólgota, onde Jesus serviu como alvo para descarga dos pecados da Humanidade[3]. No entanto, isso não isenta de todo o Homem, que continua a pecar[4] (uma vez que está num processo a que chamamos santificação e que culmina com a glorificação, ou seja, o viver num corpo sem as tendências da carne e espiritual) e que continua a necessitar de reconhecer a sua falha e a sua necessidade de perdão e redenção.

Aceitar e assumir a nossa condição danificada, é o primeiro passo para nos encaminharmos para o processo de restauração. Não uma restauração que terminará noutra e assim por consequência em várias restaurações sucessivas, mas numa restauração que nos leva até à Glória eterna e a um respirar de pureza. No meio dos ardis do pecado e dos atavios do erro, o Homem tem que crescer e aprender a caminhar por fé.

Precisamos de ver o invisível, crer no impossível e ouvir o inaudível. Caminhamos para uma terra nova, onde a dor e a tristeza serão memórias longínquas e desvanecidas, onde a ira e a frustração não têm lugar. Uma viagem assente num ponto de viragem; a cruz!

De facto, Cristo pode ver reflectido no geneticista a Sua imagem. Ambos trabalham no mais ínfimo da criação, na zona dos pormenores e dos detalhes microscópicos. Ambos trabalham em algo que só é visível num plano comunitário. Mas só Jesus altera o destino final da nossa vida, ainda que mediante a nossa concordância e aceitação. Aceitar Jesus é como receber um transplante após remoção de um pedaço canceroso. O que recebemos não é nosso e é doado por amor, continuamos na batalha pela remissão da doença. Ao fim do tempo certo, estamos curados. 

A genética não é desculpa para tudo, sobretudo no seio da igreja local. Os feitios devem ser moldados e devemos buscar e seguir a santificação em paz com todos. Mas sem nunca fazer troça da obra na cruz.

Ricardo Rosa


[1] - Mateus 7:14
[2] - Romanos 3:23
[3] - Romanos 5:8
[4] - Romanos 7:19-25

10 dezembro 2011

O que nos diz o caos?

O que nos diz a desordem que nos rodeia? O que nos diz a miragem de um sistema equilibrado, onde o ser humano não é atirado violentamente contra as cordas de um ringue e onde não tem que ser socado pelas eventualidades da vida?

O caos, um termo verdadeiramente assustador, tem origem no termo gregokhaos e representa uma confusão enorme, um vasto nada composto apenas pelo vazio e pela ausência de qualquer ordem ou regulação. Um cenário desolador, onde até podemos imaginar qualquer adereço que o enfeite, mas onde o propósito é apenas um. Descontrolo, perturbação, desordem, confusão… Ausência total de regras ou linhas de funcionamento, abstinência forçada de organização.

O caos é revelador, demonstra-nos o interior de cada ser humano aquando de momentos traumáticos e dolorosos. O caos é a reflexão do abatimento total, ou como escreveu o salmista: “Um abismo chama outro abismo ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas têm passado sobre mim.”[1]. Um derrame de um vasto plano de destruição.

A humanidade depara-se com o caos nas suas mais variadas formas. O caos assume proporções gigantescas, do tamanho de continentes e tão grande como o planeta inteiro. A fome na África Subsariana[2], a constância de atentados suicidas e ataques mortais do Médio Oriente, os desastres climatológicos que afectaram Austrália, Estados Unidos da América e que continuam a afectar o globo… O caos também se propaga ao que julgámos ser ordenado e sem hipótese de colapsar. O sistema financeiro actual e as suas quantidades transcendentais de dinheiro (vivo ou fictício) impossível de contar, as crises da zona Euro, os subprimes[3] dos E.U.A., o levantamento de valores com bases humanistas e onde o nosso direito suprime sempre o nosso dever, tornam a velha Europa “civilizada” e a nova fronteira que são os Estados Unidos da América, em redomas de mini tormentas.

O ano de 2012 vai ser um ano duro. A crise, segundo nos diz o Governo liderado por Pedro Passos Coelho, vai durar pelo menos 2 a 3 anos e estaremos quase cinco vezes mais a pagar todo o dinheiro que nos foi emprestado, em nome de uma estabilidade que nos achocalha. O desemprego parece aumentar diariamente, as falências e problemas financeiros também crescem… Perante todo este caos, toda esta visão profundamente destruidora de sonhos, o que fazer?

À mais de dois mil anos atrás, nasceu em Belém da Judeia aquele que desfaz e aniquila o caos[4]. Jesus Cristo veio restaurar, religar de forma literal e real, o relacionamento entre Deus e o Homem. Se por um homem, Adão, criado à imagem moral e semelhança espiritual de Deus, veio a condenação e o pecado entrou no meio da criação perfeita, trazendo o caos destituidor de toda a harmonia[5]; pelo meio de outro homem, Jesus Cristo[6], o pecado é aniquilado e o caos silenciado e votado à sua própria essência, sendo destruturado e destruído.

Se de um lado temos o caos, do lado oposto temos a perfeição em corpo humano. Jesus Cristo nasceu e cresceu como homem, sujeito às mesmas pressões e circunstâncias humanas que cada um de nós[7]. O facto de ser Deus encarnado e de nascer/crescer/viver sem qualquer pecado, contraria a emanação do caos após o pecado.

Com a queda do Homem, através de Adão, o pecado replica-se de modo praticamente genético, sendo que todo o ser humano, homem e mulher, o herda com base nos primeiros seres da nossa espécie. Adão e Eva pecam, toda a Humanidade sofre as consequências. Daí se propaga o caos. São expulsos do Jardim do Éden, passam a sofrer as agruras e dores do isolamento da presença directa de Deus. Se outrora Deus caminhava pelo Éden com Adão, agora Adão caminha com Eva pelas planícies desordenadas e pelos vales de sombra e morte que assolam qualquer humano que não seja enxertado na videira[8], Jesus.

O que nos diz o caos, é que por si só, ele mesmo não é mais do que o contrário da ordem e perfeição. A desordem não é senão a ausência da ordem, constatamos isso no processo da criação. O Espírito Santo de Deus movia-se sobre o vazio disforme da escuridão[9], tendo-lhe dado forma, ordem e vivência. Onde outrora não habitava senão vapor e trevas, agora existe a separação entre terra firme e mar, rios, montes e vales, criaturas terrestres e marítimas. Homem e mulher são criados por Deus, que descansa após o sétimo dia e constata o muito bom de toda a Sua criação[10].

O caos não discursa perante a presença de Jesus. O mesmo Jesus que traz a visão a cegos[11], purifica leprosos[12], faz andar paralíticos[13] e toca no coração dos excluídos da sociedade[14], fez à dois mil anos o que repete ainda hoje. Cristo veio para pagar um preço impagável pelo Homem[15], através do Seu imenso[16] e perfeitamente louco amor. Perante isto o caos torna-se vazio de si mesmo. O amor de Jesus é a solução para o Homem, a esperança para o pessimismo, a reconstrução para a devastação, a religação a Deus, a quem desde a cruz estamos ainda mais ligados, ao ponto de lhe chamarmos Paizinho[17].

Não somos criaturas projectadas para sofrer, nem para causar devastação. Mas o pecado e as suas consequências espirituais, emocionais e físicas toldam o raciocínio humano e exponenciam a imperfeição gerada depois da queda. Em Jesus existe solução, existe paz e redenção, existe uma nova vida, um ser velho que é sepultado no caos do passado e ergue-se a nova criatura que deixa de viver para os prazeres egoístas da carne e vive para o deleite no Espírito Santo e na promessa da ressurreição e numa eternidade na presença de Deus[18].

Vivemos por fé[19], caminhamos por fé, estamos de passagem neste mundo[20]. Mas não devemos ignorar todo o caos e confusão gerados pelo pecado. O meu desejo é que estejamos sensíveis a tudo isso e que saibamos ouvir a voz de Deus. Jesus envia-nos a pregar o Evangelho[21], trata-se de anunciar a oportunidade única de uma vida especial. Das trevas para a luz, da morte para a vida eterna, da condenação para a salvação.  

Desfaçamos o caos que o Homem criou à sua imagem e semelhança, para nos ordenarmos pela perfeição de Deus.

Ricardo Rosa

[1] - Salmo 42:7
[2] - Região do continente africano que se situa abaixo do deserto do Sahara, ou seja, da zona Norte.
[3] - Crédito de risco que é concedido a alguém que não oferece garantias de o poder pagar
[4] - Miqueias 5:2, Mateus 2:5, Lucas 2:11, João 7:42
[5] - Romanos 5:12
[6] - Romanos 5:17
[7] - Lucas 2:52
[8] - João 15:5
[9] - Génesis 1:1,2
[10] - Génesis 2:2
[11] - Mateus 20:29-34
[12] - Lucas 17:12-16
[13] - Marcos 2:2-12
[14] - João 4:4-28
[15] - 1ª Coríntios 7:23
[16] - Romanos 8:25
[17] - Do hebraico “Abba”, que transmite um grau de intimidade imenso
[18] - Romanos 6:4-14
[19] - Gálatas 3:11  
[20] - Hebreus 13:14
[21] - Marcos 16:15

08 dezembro 2011

LATAN ZILEF?

Não se trata do nome de uma receita sueca, muito menos de uma figura do mundo desportivo. Não parece mas, de certa forma, andamos com esta frase na nossa boca constantemente por estes dias.
LATAN ZILEF é, nada mais nada menos, do que a inversão da expressão “Feliz Natal”. Uma frase corriqueira que, pelo passar dos anos, perdeu o seu verdadeiro significado, estando hoje completamente invertido.
O LATAN ZILEF depende do subsídio, do comprar o último gadget, das coisas que se dão aos outros ou daquelas que se recebem. O LATAN ZILEF é empolado pela ideia falsa de que se tivermos essas coisas, a nossa felicidade vai chegar... mas, estranhamente, depois de possuirmos isto ou aquilo, o LATAN continua ZILEF e não feliz.
O LATAN ZILEF coloca os Euros no centro da história. Nem anjos, nem magos – o “eu” gira à volta do material, dá-lhe adoração a cada instante... e a crise toma a roupagem de um Herodes que nos quer tirar “a bênção”. O LATAN ZILEF retira por completo de cenário a festa angelical pelo nascimento do Salvador. Antes, coloca os olhos noutras identidades, para mendigar delas a alegria impossível de alcançar com o Euro Milhões, o Bilhete da Lotaria ou outro meio qualquer.
O LATAN ZILEF é insaciavelmente devastador. Ele remete-nos para a miséria que somos – a nossas limitações, a nossa “mania” de usar mal os recursos que Deus nos dá, a nossa insatisfação colossal tão errada quanto à idolatria do barro ou do ferro. Em contraste, os pastores da História Feliz do Natal trazem-nos o bom exemplo da alegria espontânea e do louvor genuíno de quem, não tendo muito, viu a maior riqueza de todas – o Salvador – e pôde adorá-Lo.
A celebração do nascimento de Cristo deve ser contínua em nós, tal como a meditação na Sua crucificação e a festa pela Sua ressurreição. Deus ofereceu-Se em Cristo para pagar o preço das nossas más escolhas – o nosso pecado. Um sacrifício para a nossa verdadeira felicidade.
Nesta época, lembremos que Cristo deixou o Céu para vir viver como nós e por nós, e sejamos agradecidos. Se Deus nos deu o Seu filho, não nos dará tudo o que precisamos? Sim, se estivermos dispostos a entregar-Lhe tudo o que somos e temos – todos os dias.
Quando colocamos Jesus no centro da nossa vida, e procuramos honrá-Lo em todas as coisas, entendemos que, faça chuva ou faça sol, Ele está mesmo a cuidar de nós através dos meios certos, mesmo que inesperados – mas Ele está no controlo. Quando o dinheiro de papel ou de plástico se torna o nosso objectivo de vida, Jesus e as pessoas são simplesmente meios para alcançar o que queremos, como e quando queremos... isso não produz felicidade, mas insatisfação crónica, uma dependência que pode hipotecar a casa ou, pior, a nossa vida e família.
“Se não for o Senhor a construir a casa, será inútil o trabalho dos operários. Se não for o Senhor a guardar a cidade, não adiantará nada a vigília das sentinelas.” (Salmo 127:1, versão “O Livro”)
Deus ensina-nos a saber esperar n’Ele, a sermos bons mordomos do nosso dinheiro, honestos e trabalhadores, a sermos generosos para com aqueles que precisam e, em todas as ocasiões, agirmos em amor e por amor – aquele amor que só Ele pode plantar em nós quando nos relacionamos com Ele, nos alimentamos da Sua Palavra e nos estimulamos uns aos outros na igreja local.
Este é o tempo de sermos generosos, de maneira justa e sábia, porque Ele é generoso connosco. É o tempo de sermos gratos, pelo nosso trabalho se o tivermos, agradecidos a Deus e às pessoas que Ele usa para nos dar sustento. Paulo é um exemplo a seguir. Da prisão, ele envia a sua carta aos crentes em Filipos, e explica: “Aprendi já a viver em todas as circunstâncias: tanto na fartura como na fome; tanto no conforto como nas privações. Posso suportar todas as coisas com a ajuda de Cristo, que é a fonte da minha força. Mas fizeram bem em me terem ajudado nesta difícil situação.” (Filipenses 4:12-14, versão “O Livro”)
Qualquer que seja a nossa situação, esta é a época de começarmos a viver para adorar Cristo, em vez de prantearmos pelas coisas que exigimos que Ele nos deve dar...
Sejamos gratos. Deixemos que o Natal seja feliz porque a alegria que o Senhor coloca no nosso coração é a nossa força - e não depende de ratings, subsídios ou telemóveis de última geração.


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, Dezembro 2011

03 dezembro 2011

Fome e sede? Vem a Jesus!

Debruço-me sobre várias questões e uma das quais é simples. O que mover o Homem no seu viver? Uma simples questão que suscita várias respostas, venham elas de diferentes quadrantes e sectores, tenham elas diferentes origens e interlocutores, suscitem elas outras questões ou dúvidas. Mas saber o que nos motiva e o que nos alimenta o fogo, é muitas vezes, mais essencial do que saber que fogo e vento nos aquecem e movem.

Procuramos muitas soluções e opções para isso, achamos que a nossa condição básica de ser humano ou de obra prima da criação justifica esse mover. Entendemos que somos a opus majus[1] divina e que de facto, ao sermos imagem e semelhança de Deus, tudo está plenamente auto-justificado. Desresponsabilizamos o ser humano pelas suas acções, damos um crédito infindável às atitudes e opções do mundo das sombras. Fazemos com que o diabo e os seus séquitos tenham costas ainda mais largas e refutamos qualquer culpa no cartório, dizendo que os juízos de reparação que nos fazem (muitas vezes mais por amor do que por rancor) são oriundos de mentes cauterizadas, destruídas, pilhadas e aprisionadas em grilhões de majestática religiosidade. Chegamos ao cúmulo de perverter as palavras, apenas para que elas signifiquem ideias por nós desenvolvidas, mas que escondem conotações e motivos não assumidos.

Mas afinal, o que move o ser? Qual é a força motriz da vida humana? De onde vem o saciar da nossa sede e o fartar da nossa fome? Quando tentamos saciar uma fome que não é física e uma sede que vai além da carne com água e pão que enchem apenas a barriga, algo fica por saciar. E é nesta condição que vivem milhares de pessoas ao redor do mundo. Existe uma fome generalizada maior do que a asiática e uma sede mais alastrada do que a africana. De facto, até numa Europa pluricultural e vincadamente “crescida”, existe essa fome. É uma fome cuja solução está à vista e todos nós devemos ser portadores dela. A solução chama-se Jesus, veio à cerca de dois mil anos atrás, curou cegos, coxos, surdos, leprosos e paralíticos; ressuscitou mortos, multiplicou pães e peixes, mas o maior milagre foi o de ter sido açoitado e crucificado em nosso lugar, para ressuscitar e nos dar a esperança da vida eterna.

Tal como muitos outros antes de nós, devemos perpetuar os ensinos de Jesus, não só pelo contar, mas pela evidência do viver de acordo com o Evangelho e a Sua vontade. Estamos a braços com crises de várias ordens. Morais, financeiras, pessoais… Em tudo Ele é solução, porque seja o pão do mantimento ao final do mês, seja a sede de um amor sincero e honesto, têm solução n’Ele.

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome. Quem crê em mim nunca terá sede.”[2] É o que Jesus nos diz. O desafio está lançado! Tens fome? Vem a Jesus… Tens sede? Vem a Jesus… Estás sozinho/a, desamparado/a, triste, magoado/a, em silêncio e sem um abraço amigo. Vem a Jesus! Se queres viver, saborear água viva que nos sacia diariamente (mesmo no meio da passagem pelo deserto) e pão que nos alimenta (mesmo quando a escassez nos ameaça), vem a Jesus! Segue o desafio que Deus colocou ao povo através de Amós[3]!

Vem, prova e vive!

Ricardo Rosa


[1] - do Latim, cujo significado é “obra maior” ou “maior obra” 
[2] - João 6:35
[3] - “Buscai-me e vivei” Amós 5:4

01 dezembro 2011

A coragem de Malek

“Um jovem líbio, de apenas 14 anos, viu na revolta popular que começou em Fevereiro uma oportunidade de ouro para cumprir um sonho: ser jornalista.”1

No meio da confusão que se criou no seu país, a Líbia, Malek Mohamed fundou uma agência de notícias, Com apenas 14 anos Malek podia, como muitos jovens líbios fizeram, aproveitar para roubar o que estava mais à mão. Em vez disso, procurou criar alguma coisa útil que tinha a ver com o seu sonho, mas também com os outros. Tão novo mas com tanta coragem, juntou 21 voluntários para o seu projecto, que já contagiou mais de 2700 seguidores no Facebook, e começou a fazer jornalismo. 

Não sei se Malek conhece Jesus, mas eu conheço. Eu tenho a mensagem mais poderosa do universo nas minhas mãos – uma mensagem que não apenas conta o passado mas transforma o nosso futuro – mas quantas pessoas já contagiei? Se Jesus é a pessoa mais importante da minha vida, porque é que às vezes me falta a coragem?

Sabes, estamos muito mal habituados. Gostamos de conforto para tudo. Até para ir buscar o comando que está no sofá ao lado daquele em que estamos estatelados, pedimos a alguém que esteja por perto. Somos preguiçosos. Queremos a “papinha toda feita”.

Quando alguma coisa não nos dá satisfação, o mais certo é não nos querermos envolver. Começa em casa, passa pela escola, e continua na nossa relação com Deus e com a Sua igreja. Orar e ler a Bíblia? Ir visitar o lar de idosos com a classe de Escola Dominical? Ensaiar todas as semana para tocar nos cultos? Não temos pachorra. Dá muito trabalho. Os outros que façam!

Se todas as pessoas pensassem assim, não tínhamos nem 10% das coisas que tanto gostamos: luz eléctrica, telemóveis, computadores, televisão por cabo, etc. Casa limpa, roupa lavada, comida na mesa, não aparecem do acaso. Se tens igreja, pastores, louvor, a Casa de Oração com a porta aberta a horas, é porque há investimento de tempo e coragem para continuar, fielmente. Se alguém te ajudou a conhecer o plano de Jesus para a tua vida é porque Deus te ama e essa(s) pessoa(s) também – não se limitaram a guardar para elas a vida nova que Jesus lhes deu, mas esforçaram-se por levar essa mensagem aos outros.

Precisamos sair do sofá, da apatia e do egoísmo. Não basta dizermos emocionados nos retiros que queremos seguir e servir Jesus – temos que fazer alguma coisa. Aproveita as oportunidades para servir em casa, na escola, na tua igreja e fica firme. Começa e vai até ao fim – nas coisas mais simples e pequenas. Está pronto a pagar o preço de – aconteça o que acontecer – ajudar, com toda a certeza de que Deus é e sempre será a fonte da tua coragem.

“Mas receberão poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos lugares mais distantes do mundo” (Actos 1:8, “A Bíblia para Todos”)

Estou contigo!

Ana Ramalho 



1Fonte: www.jn.pt, publicado e consultado a 26 de Outubro de 2011

in revista BSteen, Dezembro 2011