19 setembro 2012

Crise Nobel

“Valor monetário dos prémios [Nobel] vai ser reduzido em 20% este ano, anunciou a fundação que anualmente distingue homens e mulheres que se notabilizam pelo seu trabalho em prol da Humanidade.”1
A crise fez o seu percurso: passou pela classe média, sacrificou os menos abastados e também chegou aos bolsos dos mais ricos. Até os prémios Nobel têm reduções, impostas pela conjuntura.
Mas uma conjuntura mais ampla e perigosa enterrou-nos no pântano do desespero. Quem muito tem, mais quer... e “os mercados” são o nome pomposo para um sistema assente na ganância. Esta sede por mais posses excede a simples ambição, pois governa o mundo e desgoverna-nos a vida.
O homem procura satisfazer-se no ter, porque não consegue – ou não quer – preocupar-se com o ser. Como humanidade deixámos de adorar Deus. Decidimos convencer-nos e convencer os outros (a começar pelos meninos na escola) que somos resultado do acaso e vamos para o acaso... Isso levou-nos a viver o presente, para esquecer a falta de esperança em relação ao futuro. Aos crentes em Roma, Paulo explica: “Desde a criação do mundo que os homens entendem e claramente veem, através de tudo o que Deus fez, as suas qualidades invisíveis - o seu eterno poder e a sua natureza divina. Não terão, portanto, desculpa de não conhecer Deus. Pois ainda que tendo conhecido Deus, não o adoraram como Deus e nem sequer lhe agradeceram todos os seus cuidados diários. Antes começaram a formar ideias absurdas. O resultado foi que as suas mentes insensatas se tornaram obscuras. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E então, em vez de adorarem o Deus glorioso e eterno, fizeram para si próprios ídolos com a forma de homens mortais, de aves, de quadrúpedes e de répteis. (...) Em vez de aceitarem a verdade de Deus, preferiram a mentira. Honraram e serviram coisas que são criadas em vez do próprio Criador, que é louvado eternamente. Amém.” (Romanos 1: 20-23, 25; versão “O Livro”)
Preferimos ser escravos do sistema consumista e materialista que criámos, do que servir a Deus. O resultado está à vista... Timóteo recebeu o aviso do seu mentor, Paulo, “A raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Levados por ela, muitos perderam a fé e meteram-se em grandes aflições.” (1 Timóteo 6:10; versão “A Bíblia para Todos”)
Um outro perigo subtil, que pode “atacar” até mesmo os cristãos mais sinceros é vivermos consciente ou inconscientemente com este princípio: Deus existe para ser adorado, não por aquilo que Ele é mas por aquilo que Ele nos dá. Deus existe para nos satisfazer, como um génio da lâmpada, mas com um número ilimitado de desejos possíveis. O egoísmo pode minar a nossa relação com Deus, ao ponto de vivermos um cristianismo distorcido, no qual cometemos o mesmo pecado: trocamos o Deus das bênçãos pelas bênçãos de Deus.
Os que negam a existência de Deus, precisam buscá-Lo com sinceridade. Os que sabem que Ele existe, mas vivem como se Ele não existisse, precisam negar-se a si mesmos e viver apenas para Ele. Os que vivem um cristianismo interesseiro precisam rever as suas prioridades e voltar a amar Deus acima de todas as coisas, em vez de amar todas as coisas que Deus dá.
O ato mais Nobel que podemos ter é aceitar o convite de Deus “Buscai-me, e vivei.” (Amós 5:4b).
  
Ana Ramalho Rosa


1 www.publico.pt

in revista Novas de Alegria, setembro 2012

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

08 setembro 2012

Aulas... outra vez?

Sim, outra vez! Regressámos às mochilas, aos cadernos, aos livros, canetas e conversas sobre as férias. Voltámos para (re)descobrir os nossos colegas, professores, a ementa do bar e as novidades que nos escaparam nas redes sociais.

As férias fazem falta, mas a escola também. Aliás, há muitas coisas que precisamos para além do tempo de lazer, de relaxe e “ronha”! Normalmente essas coisas – a que chamamos “obrigações” – têm a ver com o nosso relacionamento com os outros, principalmente com os nossos pais, irmãos, etc.

Quando nascemos, não recebemos apenas um “pack os meus privilégios”do tipo, alimentação, roupa, etc. Com esse pack vem outro – o “pack responsabilidade e compromisso. Mas, não seria melhor irmos vivendo à nossa maneira, sem quaisquer limites... apenas com direitos?

Sabes, Deus criou alguns princípios para os nossos relacionamentos com a família, amigos, autoridades, escola, trabalho, etc., para que não andássemos à deriva, perdidos. Assim, Ele deseja que, ao viveres e cresceres compreendas o teu papel, os teus privilégios e responsabilidades!

Ao longo do nosso crescimento, vamos aprendendo as regras de vida, principalmente através dos nossos pais. Mas onde é que eles se inspiraram? Vou desafiar-te a pegares na tua Bíblia e a leres algumas passagens acerca disto:

·      Deves esforçar-te dando o teu melhor em todas as áreas. Em casa, nos estudos, nas oportunidades em que podes ajudar as pessoas ou servir a igreja, deves dar o teu melhor. Isso significa que podes ter que abdicar de outras coisas que até te sabem bem, para fazeres o teu melhor... mas lembra-te que também precisas descansar! (Eclesiastes 9:10; Génesis 2:1);
·      Deves viver para que haja bom ambiente, onde quer que estejas. (Mateus 5:19; Romanos 12:14, 17-21; Hebreus 12:14);
·      Deves respeitar os outros e o seu lugar. Por exemplo, os pais devem educar os filhos e cuidar deles, de acordo com os princípios bíblicos. Os filhos devem obedecer, com alegria. A Bíblia diz também que devemos respeitar as autoridades – isso inclui os professores. (Efésios 5:21, 6:1-4; 1 Pedro 2:11-17);
·      Deves ser uma pessoa de palavra: se dizes que vais fazer isto ou aquilo, deves cumprir. Pode haver contratempos, mas se isso acontece constantemente tornas-te uma pessoa na qual os outros deixam de confiar. (Mateus 5:33-37; 1 Pedro 2:12).


Poderíamos falar de muitos outros pontos importantes acerca de direitos e deveres... por agora, ficamos apenas por estes, mas deixo-te um outro desafio! Durante este mês, procura das Cartas do Novo Testamento, princípios acerca de relacionamentos... vais ficar espantado com os pormenores que Deus não deixou escapar para que cada um saiba como se relacionar.

Estou contigo!


Ana Ramalho

in revista BSteen, setembro 2012

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 setembro 2012

Menos músculo, mais cabeça

De certeza que já viste algum filme de ação… Daqueles em que o herói passa o tempo a lutar e resolve boa parte dos problemas “à pancada”. Parece ser uma boa forma de resolver problemas, até porque normalmente, o herói nunca mais volta a ser chateado por quem é espancado… Mas não é, de certeza, a melhor de todas. Às vezes fazemos e dizemos coisas porque não pensamos antes. E muitas vezes, são coisas que acabam por ferir outras pessoas à nossa volta. Não quer dizer que as façamos com má intenção, com o propósito de magoar essas pessoas a sério. Isso já te aconteceu? A mim já, mas Deus tem-me mostrado várias coisas e dado umas dicas acerca disso.

O livro de Provérbios vem cheio de bons avisos e conselhos que podemos aplicar na nossa vida. Foi escrito pelo rei Salomão, tem 31 capítulos e muitíssimos versículos e bastantes coisas para nos pôr a pensar. Um dos primeiros conselhos e um dos mais importantes diz-nos para tomarmos atenção aos conselhos dos nossos pais e ao que as nossas mães nos ensinam (Provérbios 1:8). Este livro fala-nos muito da importância de usarmos mais a cabeça e menos o músculo. Fala-nos de sermos sábios, ou seja, aprender na Palavra o que Deus nos deseja ensinar, não para sermos mais inteligentes que os nossos amigos, mas para que a nossa vida seja um bom exemplo do que Deus faz em nós e por nós (Provérbios 2:1-10).

Salomão também nos escreve sobre afastarmo-nos do que não é bom para nós (Provérbios 4:14,15), sobre o não sermos preguiçosos (Provérbios 5:6), sobre a importância de sermos justos e corretos uns com os outros (Provérbios 11:1) e também sobre a importância de dependermos de Deus (Provérbios 16:1-3). No fim de tudo, o livro de Provérbios é ainda mais útil que os provérbios populares que ouvimos dos nossos avôs, avós e pessoas com mais idade. São provérbios com mais de dois mil anos e inspirados por Deus. Não são conselhos ou rimas populares, é sabedoria do alto, passada ao Homem para todos nós!

Pensa nisto… Uma ação não pode ser desfeita, mas antes de a fazermos, podemos pensar bem se realmente é isso que queremos fazer. Este é um livro que de certeza te vai ajudar a ganhar sabedoria, além de te dar oportunidade de conhecer mais da Bíblia e do nosso Deus! São princípios que devemos aprender e usar na nossa vida. Não são “receitas mágicas” para a felicidade, mas são ideias que nos podem ajudar a crescer todos os dias…

Mas não te preocupes! Podes (e deves) usar a cabeça para pensar, mas tens um músculo que podes continuar a exercitar todos os dias e de maneira intensa e contínua. O coração! Porque todo o conhecimento que temos, não vale de nada se não tivermos um coração cheio de amor para o distribuir (1 Coríntios 13:2).


Ricardo Rosa

in revista BSteen, setembro 2012

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico