24 junho 2014

O mensageiro desconhecido

Pouca gente sabe que ele existiu, mas teve um papel importante. Fala-se dele apenas uma vez na Bíblia, em Atos dos Apóstolos, mas o nome nunca aparece. Apenas sabemos que era filho da irmã do conhecido apóstolo Paulo. Mas o que é que ele fez de especial?

Paulo estava preso, depois de ter testemunhado no Sinédrio, o tribunal religioso dos judeus (podes ler de Atos 22:30 a 23:10). Nessa noite, Deus revelou-lhe que ele irá até Roma e ali daria testemunho.

Alguns judeus levantam uma conspiração com o objetivo de matar Paulo a todo e qualquer custo. O nosso herói sem nome, o sobrinho de Paulo, “soube do plano e foi à fortaleza avisar o tio. Paulo chamou um dos oficiais e disse: ‘Leva este rapaz ao comandante, porque ele tem uma coisa para lhe contar’.” (Atos 23:16-17, BPT)

Se ele se calasse, provavelmente iria assistir ao funeral do tio dias depois. Apesar de ser ainda novo, o que poderia levar a que não acreditassem nele, teve coragem e arriscou, independentemente das consequências. O que aconteceu? Paulo foi enviado para Cesareia (a caminho do seu destino final, Roma), durante a noite. A sua vida foi protegida e, embora estivesse preso, tal como Deus lhe tinha mostrado ele foi a Roma e pôde testemunhar do amor de Deus.

Jesus deixou-nos uma mensagem para entregarmos àqueles que nos rodeiam. Uma mensagem importante, de vida ou de morte: “Quem crer e for batizado será salvo. Mas quem não quiser crer será condenado.” (Marcos 16:16, OL)

Pode ser arriscado entregar essa Boa Notícia. Podem gozar connosco ou pôr-nos de lado... mas quantos dos nossos colegas estão em perigo de vida (de passar a eternidade longe de Deus) e nós temos a mensagem que os pode salvar?!

Talvez o teu nome nunca venha a ser conhecido, nem venhas a ser a pessoa mais popular da tua escola, do teu bairro, mas o mais importante é levares outras pessoas a conhecer Deus – através das tuas palavras, mas principalmente através da tua vida.

“Somos então como embaixadores de Cristo. E é como se Deus por nosso meio lançasse um apelo aos homens. Nós vos suplicamos então, da parte de Cristo, que se reconciliem com Deus!” (2 Coríntios 5:20, OL)

Estou contigo!

Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, junho 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

17 junho 2014

Valerá a pena?

As minhas lutas e desafios

“Os meus pais não percebem que é muito mais difícil ser cristão na minha idade do que era no tempo deles. Se queres ter amigos, basicamente tens de fazer o que os outros fazem. Eu quero ser aceite no mundo em que vivo. Como é que eu faço para que os meus pais percebam isso?” Gonçalo*

Não sei se alguma vez tiveste as mesmas dúvidas que o Gonçalo tem. Eu já tive, várias vezes. Estas e outras perguntas aparecem quando menos esperamos, mas isto não é novo. Uma das coisas mais fantásticas em relação à Bíblia é que, apesar de ter sido escrita por várias pessoas e há muitos séculos atrás, continua atual. Já nos tempos bíblicos outros crentes em Deus tiveram dúvidas. Vamos falar de um deles: Asafe, um dos principais levitas do tempo do Rei David.

UMA LUTA CÁ DENTRO
“Como Deus é bom para Israel, para os que têm coração puros. Os meus pés estavam quase a resvalar, pouco me faltava para escorregar. Pois sentia inveja dos soberbos, ao ver como os maus prosperavam.” (Salmo 73:1-3, BPT)

No Salmo 73, Asafe fala dessas suas questões. É verdade que ele confia em Deus, mas houve tempo em que quase se desviou Dele e chegou ao ponto de ter inveja daqueles que não queriam saber de Deus. Porquê? Quando olhava à sua volta, parecia que a vida daqueles que tinham as costas viradas para Deus corria bem, apesar de viverem de qualquer maneira, enquanto a sua vida só tinha complicações e dificuldades, apesar de procurar agradar a Deus (podes perceber isto, se leres os versículos 4 a 16 deste Salmo).

Asafe está a escrever o que muitos de nós já pensámos. A vida parece injusta. Parece que seguir Jesus não vale a pena. Duvidamos da necessidade de sermos puros e obedientes a Deus pois isso, aparentemente, não traz nenhuma vantagem. Quando olhamos à nossa volta, os nossos colegas descrentes parecem mais felizes e realizados – senão todos, pelo menos os mais populares. Mas será mesmo assim?

Na verdade, isso é tão difícil de entender que quando procurava uma resposta ficava absolutamente confuso.” (Salmo 73:16, OL) Sabes, é normal termos estas questões e Deus não nos condena por isso. O problema é quando ficamos por aí. Quando apenas queremos pôr tudo e mais alguma coisa em causa, em vez de procurarmos uma resposta. Mas como é que isso acontece?

A SOLUÇÃO: ‘TAR COM DEUS
Só quando entrei no santuário de Deus, compreendi qual iria ser o fim deles.” (Salmo 73:17, BPT) Só quando Asafe foi à presença de Deus teve uma visão realista da situação. Ele tinha olhado apenas para as circunstâncias presentes e não para o futuro daqueles que rejeitam Deus – sejam populares ou não (versículos 18-22). A vida com ou sem Deus deve ser vista não apenas “no momento” mas a longo prazo. Não apenas com os nossos olhos, mas numa perspetiva espiritual – na perspetiva de Deus.

Encontrarmos respostas, quando estamos perto de Deus. Temos a Sua Carta de Amor (a Sua Palavra) onde percebemos muitas coisas acerca de justiça e injustiça, pecado e santidade, vida com Deus e sem Deus, etc. Temos a Sua presença em nós, através do Espírito Santo, que nos ajuda. Não quer dizer que tenhamos uma lista dos porquês disto e daquilo entregue em mão por um anjo, ou quando abrimos a Bíblia ao calhas. Quer dizer que mesmo que Ele não nos explique tudo em todas as circunstâncias, vai-nos mostrar que, às vezes o melhor é simplesmente confiar Nele.

O verdadeiro teste sobre o bem-estar de alguém que segue Jesus não tem a ver com as coisas que Ele nos dá ou faz, mas na relação pessoal com Deus. Deus é o nosso objetivo de vida e não um meio para conseguirmos o que queremos. Estamos num caminho, andamos passo a passo, dia a dia, a seguir Jesus, orientados pela Palavra de Deus, e no poder do Espírito Santo.

A VERDADEIRA FELICIDADE
A conclusão de Asafe é simplesmente fantástica “Para mim, a felicidade é estar perto de Deus. Tu, Senhor, meu Deus, és o meu refúgio; hei de proclamar tudo o que tens feito.” (Salmo 73:28, BPT) Se a tua “felicidade é estar perto de Deus”, quando tens grandes decisões pessoais a tomar, estás próximo Dele e não O consultas apenas quando a urgência e a ansiedade “apertem”.

O que responderias ao Gonçalo? O melhor lugar para compreendermos que Deus é e o que deseja de nós, quem somos Nele e as consequências das boas ou más decisões e estilo de vida que temos, é estando junto a Ele – em pensamento, nas nossas orações, quando meditamos na Sua Palavra, quando O louvamos juntos – em todo o tempo, em todo o lado, sempre e em qualquer situação.

“As pessoas mudam de um dia para o outro. Mas Deus nunca muda.”* Vale a pena amar, seguir e servir este Deus.

Ana Ramalho Rosa


Bibliografia: *Bíblia ‘TÁS com Deus, A Loja da Bíblia e Edições NA; Comentário de Salmos, Moody; O Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson, Vida Nova.


in revista BSteen, junho 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

12 junho 2014

“Se vale ‘X’...”

Antigamente, para se fazer uma compra íamos ao mercado, a uma loja ali na esquina ou ao Centro Comercial. Hoje, podemos comprar e vender tudo (ou quase tudo) na Internet.
Os sites de compra e venda por particulares, de coisas usadas ou novas, estão na moda. Precisamos ter certos cuidados quando os usamos, mas, quando tomamos as devidas salvaguardas, e a oportunidade é boa, podemos fazer bons negócios.
Convém a troca ser feita num local público, de preferência acompanhados por outra pessoa. Depois do negócio fechado, paga-se o que se compra (ou recebe-se o valor do que se vendeu). Provavelmente, nunca mais vamos voltar a ver aquela pessoa, a não ser se voltemos a comprar-lhe/vender-lhe alguma coisa. Um sorriso, um aperto de mão e cada um segue o seu caminho, contente com o que ganhou no processo.
O que me leva a falar sobre este tema? Talvez pareça ousado, mas penso que muitas vezes tratamos Jesus da mesma maneira com que lidamos com um vendedor ou um comprador das vendas online.
É verdade que a salvação não pode ser paga pelo nosso bolso corrompido pelo pecado, e também é verdade que Jesus não nos “vende” a salvação... o que torna a situação de ingratidão grave.
Recebemos a salvação quando conhecemos Jesus. Arrependemo-nos  dos nossos pecados, das nossas más escolhas, reconhecemos a nossa necessidade de perdão e que Jesus fez o sacrifício em nosso lugar. Somos salvos, ficamos felizes com o “negócio.” E depois? Depois, Jesus fica como alguém que nos foi útil para resolver um problema nosso, respondendo à nossa maior e mais importante carência – salvação, nova vida e integração na família de Deus.
Se após esse encontro passamos a viver do mesmo modo, sem pensar naquilo que Ele deseja que sejamos, não é verdade que estamos a tratá-Lo como alguém com quem apenas nos cruzámos uma vez, fizemos um negócio e cada um seguiu com a sua vida?
De que vale dizer que sou cristã se, de facto, vivo como se Cristo não existisse ou só existisse para me dar a salvação, para me curar ou para me ajudar em algum outro problemas? De que importa parecer “espiritual”, ter postura impecável, se não me importo com o que a Sua Palavra diz? De que vale sentar-me numa Casa de Oração se não tenho uma conversa aberta e franca com Deus, cada vez que oro, em nome de Jesus, de quem já ouvi falar mas não a quem conheço na realidade?
Jesus lidou com algo parecido quando esteve entre nós. Curou dezenas de pessoas, ressuscitou Lázaro, entre outros, salvou tanta gente. Mas quantos realmente O seguiram? Quantos foram agradecidos de verdade, ao ponto de deixarem as suas preferências e tornarem-No na sua grande prioridade? Quantos O acompanharam no momento da Sua caminhada até ao Gólgota, onde foi morrer pelos pecados de todos nós?
Preciso aprender com o bom exemplo de um ex-leproso, que soube ser grato a Jesus, em todos os sentidos. “Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites da Galileia com Samaria. Quando entraram numa aldeia dali, dez leprosos pararam à distância bradando: Jesus, Mestre, tem pena de nós! Olhando para eles, Jesus disse: Vão mostrar-se ao sacerdote. Enquanto iam a caminho, constataram que a lepra desaparecera.
Um deles voltou a procurar Jesus e lançando-se no chão diante de Jesus com o rosto em terra, dava em alta voz louvores a Deus e agradecia o que lhe tinha feito. Este homem era um samaritano.
Então Jesus perguntou: Não eram dez os homens que curei? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro é que volta para dar glória a Deus? E disse para o homem: Levanta-te, podes ir. A tua fé te salvou.” (Lucas 17:11-19, OL).


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, junho 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico