12 fevereiro 2009

Ataque suicida


Tudo parece calmo, sereno, santo e celestial... Ninguém desconfia. Ninguém teme porque, aparentemente, não há suspeita possível. Um dia, desvenda-se o ataque suicida.

Atrevo-me a "puxar a corda" até ao máximo. Não serei de um extremismo radical exacerbado, mas espero "tocar com o dedo nas feridas" - especialmente nas minhas.

Se os ataques terroristas, em especial os suicidas, nos deixam horrorizados... temo que, por vezes, nós próprios façamos pequenos atentados, com pequenas ameaças, pequenas atitudes... mas em relação ao Corpo de Cristo - a Igreja.

Faço-o quando quero construir uma Igreja à minha imagem e não ser um instrumento para torná-la a Noiva de Cristo - independentemente da raça, género e cultura dos seus membros.

Quando acendo a "dinamite" da murmuração, as "bombas caseiras" da inveja.

Quando me demito de ser discípula de Cristo, abandono o Sermão do Monte e desço até ao destemido desejo insaciável pelo poder, pelo domínio, pela superioridade incansável que a serpente vendeu a preço bem caro aos nossos pais, no Éden.

Quando me esqueço que a Igreja são as pessoas: Não é uma empresa à procura de lugares de topo na miserável bolsa. Quando reduzo, rebaixo e aniquilo o outro, por causa do que "eu" penso...

Um ataque suicida? Sim! Porque a igreja não sou eu de um lado e os outros do outro: somos nós! E quando eu prejudico o meu irmão, prejudico-me a mim mesma. Quando ataco o outro, ataco-me a mim.

O nosso corpo tem muitas partes, mas o conjunto constitui um só corpo. Assim é também o corpo de Cristo: cada um de nós é uma parte do corpo. (...) Assim é criada uma harmonia entre os membros, de maneira que todos os membros cuidam uns dos outros igualmente. Se uma parte sofre, todas as partes sofrem com essa, e se uma parte é honrada, todas as partes ficam satisfeitas. (1 Coríntios 12:12, 25, 26 - versão "O Livro")


Deus, ajuda-me a ver a Igreja como Tu vês. Jesus, ajuda-me a dar o mesmo valor que Tu dás à Igreja... deste a vida por ela! Perdoa-me o meu altivismo e o facto de, tantas vezes, não fazer as coisas à Tua maneira, mas à minha maneira.

Assim seja!


04 fevereiro 2009

Tradução

Acho fascinante como alguns peritos sabem falar e escrever fluentemente várias línguas. Mas admiro muito mais aqueles que conseguem traduzir ou interpretar correctamente vários idiomas, mesmo em público.
Conheço tradutores em diversos ramos. Não sou perita no assunto, mas recolhi alguns princípios para uma boa tradução: a correcta compreensão do contexto da peça que está a ser traduzida, o pano de fundo cultural, social e histórico, entre outros.
Uma das expressões mais interessantes para ilustrar isso é inglesa: “It’s raining cats and dogs!”. Se traduzíssemos à letra, para português, ficaria “Estão a chover gatos e cães!”... mas, de facto, a expressão correcta é “Está a chover a potes!” ou “Está a chover a cântaros!”, que transmite a ideia de um grande aguaceiro (se usarmos uma linguagem mais “técnica”).
Uma má tradução é o que basta para que quem lê ou escuta a mensagem tenha uma ideia deturpada, ou mesmo contrária à do texto na língua original. Isso pode não ser muito grave quando se trata das legendas de um filme. E se for algo que afecte em parte ou por completo a nossa vida?
A preocupação do Pai ao enviar Jesus foi clarificar o significado de Deus à Humanidade. Na época, as pessoas tinham uma ideia de Deus baseada nas tradições e ensinos dos líderes religiosos. Estes homens pensavam que a mensagem que transmitiam acerca de Deus era a correcta. De facto, as suas intenções eram as melhores. O problema é que, embora soubessem bem o que Deus dizia, não conheciam a essência – quem Deus é. O contexto limitava-se à Lei, dada por Deus e não a Deus – o Autor da Lei.
Jesus traduziu claramente quem Deus é, em todos os detalhes. Ele levou a mensagem além de tinta e papel, palavras e chavões. Ele revelou-nos o amor. Não um sentimento abstracto, mas uma pessoa. Cristo traduziu Deus numa vida perfeita, numa morte de substituição pelo nosso pecado, e numa ressurreição para nossa segurança total.
C. S. Lewis, o célebre autor de As crónicas de Nárnia, refere que “Cristo entregou-se à submissão e à humilhação perfeitas: perfeitas porque era Deus; submissão e humilhação porque era um homem. (...) As pessoas se perguntam quando ocorrerá o próximo passo da evolução — um passo para além do próprio homem —, mas, segundo o cristianismo, esse passo já foi dado. Em Cristo, um novo homem surgiu; e o novo tipo de vida que começou nele deve ser instilado em nós. (...).”1
Através de quem ou de quê temos interpretado Deus? Em que é que baseamos a nossa visão da vida? É tempo de conhecermos o perfeito tradutor – Cristo – para sabermos de onde vimos, onde estamos e para onde vamos. Conhecer Deus, através da Sua Palavra e do Amor em Pessoa, para podermos ser transformados em canais do Seu amor. Uma nova vida, que traduz para o mundo quem Deus é.
“Como filhos que imitam o pai que muito os ama, procurem seguir o modelo de vida que Deus vos propõe. Que a vossa vida se encha do amor de Deus, esse amor com que Cristo vos amou e pelo qual se entregou em vosso lugar num sacrifício cujo perfume subiu agradavelmente até à presença de Deus.” (Efésios 5:1,2).

Ana Ramalho


1 LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples, São Paulo: 2005, Martins Fontes, p. 24

in revista Novas de Alegria, Fevereiro 2009

01 fevereiro 2009

Igualdade?

Andam por aí músicas, cartazes, revistas, séries, filmes e personalidades que afirmam a igualdade de direitos de todas a pessoas. Seja qual for a cor, tendência política, nível social, gostos e preferência sexual: todos iguais! Muitos assumem a sua diferença, procurando ser tratados como iguais, o que parece uma contradição, não achas?
Às vezes, queremos ser “iguais” mas, no fundo, pretendemos ter mais direitos e mais poder... e no fim, ser a nossa ideia ou preferência a “ganhar”. Caímos até no desrespeito e não suportamos pessoas com ideias opostas à nossa... dá que pensar se essa luta pela igualdade não está a disfarçar o desejo de superioridade.
É interessante vermos que, antes de surgirem quaisquer reivindicações de igualdade de direitos no Mundo, já a Bíblia falava disso. É verdade! Para Deus todos os seres humanos são iguais, tanto em direitos como em responsabilidades.

1 - Todos somos amados por Deus, que nos criou com todos os meios para a nossa felicidade; 
2 - Todos nós estamos longe de Deus e fazemos coisas que Lhe desagradam. Por causa disso estamos afastados da verdadeira felicidade - como indivíduos e como sociedade;
3 - Todos nós somos incapazes, por nós mesmos, de alcançar uma vida em pleno antes e após a morte;
4 - Todos temos uma porta aberta para alcançar essa vida em pleno, porta essa que Deus preparou para nós - Jesus Cristo;
5 - Todos temos liberdade de escolha, entre aceitar Cristo como guia das nossas vidas ou não;
6 - Todos precisamos da acção de Deus e da operação do sobrenatural na nossa vida, através da Sua Palavra, para descobrirmos o padrão de felicidade que Ele tem para nós e vivermos nessa plataforma;
7 - Todos temos um destino eterno, determinado pela nossa escolha em relação a Cristo e precisamos decidir se queremos estar do lado de Deus ou do lado Anti-Deus.

"Mas as Escrituras declaram que todos nós somos prisioneiros de pecado. Sendo assim, a única saída para a nossa salvação é a fé em Jesus Cristo. Por ele é que a promessa de vida, da parte de Deus, foi dada aos crentes." (Gálatas 3:22, versão "O Livro")
Deus detesta os nossos pecados, mas ama-nos mesmo sendo pecadores. O interessante é que Ele quer que todos conheçam a verdadeira liberdade. Isso vem através de uma só experiência: reconhecer a nossa fragilidade, impotência e pecado. Entregar a nossa vida inteiramente nas Suas mãos. Sermos Seus filhos.

Queres ser filho de Deus? Experimenta Jesus!

Ana Ramalho

in revista BSteen, Fevereiro 2009