17 julho 2011

Q.I., Q.R. ou Q.A.?

“A Alemanha quer medir a inteligência de candidatos a imigrantes. A par de uma boa formação e qualificação profissional, o partido de Angela Merkel defende a realização de testes de inteligência aos candidatos a imigrantes na Alemanha.
‘Devemos introduzir critérios que sirvam verdadeiramente o nosso Estado’, explicou Peter Trapp, membro da CDU, partido da chanceler. Como método de defesa, Markus Ferber, também membro do partido, apresenta o exemplo do Canadá que ‘exige aos filhos dos imigrantes um quociente intelectual mais elevado do que o das crianças locais’.”1
Claro que este assunto gerou polémica – e continua a gerar. Será que impor algum tipo de filtro à imigração é correcto? Não estará o país que recebe as pessoas a tomar uma atitude exclusivista, em que só alguns podem entrar – os que têm um Q.I. mais elevado?
Quando Jesus esteve fisicamente entre nós, veio inaugurar o Reino de Deus. Na época foi acusado pelos religiosos de não se dar com aqueles que tinham um Q.R. suficientemente digno. Cobradores de impostos (conhecidos por corruptos), pescadores pobres, prostitutas, cidadãos não judeus, pessoas que não seguiam os dogmas farisaicos, doentes considerados socialmente impuros, eram pessoas cujo quociente de religiosidade (Q.R.) era muito baixo – senão nulo – e esses procuravam e rodearam Jesus.
É interessante que Ele nunca procurou ninguém para o Seu Reino pelo quociente de inteligência ou quociente de religiosidade. Jesus tem outro tipo de exigências. Ele veio para aqueles cujo Q.A. era suficiente. Pessoas que reconheceram que tinham feito más escolhas ao longo da vida, que sentiam necessidade de ajuda, cura, protecção, alívio e descanso da alma. Pessoas cujo quociente de arrependimento era capaz de colocá-las com a postura certa: de joelhos, reconhecendo a sua insuficiência para gerir as áreas fracas da vida, apagar os pecados do passado, sonhar com um futuro – por mais simples que fosse.
Não são o grau elevado de Q.I., nem a altivez do “Currículo religioso impecável” que Jesus procura. Ele quer receber gente que reconhece a sua necessidade de fazer inversão de marcha nos subúrbios tortuosos da vida. Pessoas desiludidas a quem Ele possa dar a verdadeira esperança. Transeuntes descontentes com eles mesmos, que encontrem a satisfação plena e suficiente n’Ele e através d’Ele. Independentemente do passado, eles reconhecem que o presente é a oportunidade de abraçar um estilo de vida diferente, que lhes garante o melhor dos futuros – na companhia de Deus.
São esses os cidadãos do Seu Reino, aqueles cujo Q.A. é o ponto de partida. Cuja humildade, reverência e dependência do Rei se renova. Uma geração eleita por Ele, para ser separada em total devoção ao Soberano do Reino, e relacionar-se pessoalmente com o Senhor dos Senhores.
“Estas palavras de Pedro causaram tanta convicção que o povo lhe disse a ele e aos outros apóstolos: Irmãos, que devemos fazer? E Pedro respondeu: Cada um deve arrepender-se do seu pecado, converter-se a Deus e ser baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados.” (Actos 2:37-38a, versão “O Livro”)

Ana Ramalho Rosa

1 http://www.ionline.pt/conteudo/66821-alemanha-quer-medir-inteligencia-candidatos-imigrantes 

in revista Novas de Alegria, Julho 2011


08 julho 2011

‎8 ou 80? Céu ou inferno?

Os dois destinos da vida. 

Não gostamos dos extremos mas somos tentados a cair neles em muitas áreas da vida. Hoje, defender uma ideia “com unhas e dentes” na área da fé/teologia/Bíblia é visto com alguma desconfiança... “Exagero”, “extremismo”, “fundamentalismo” são palavras que usamos para rotular aquilo que achamos demasiado radical. “Nem 8 nem 80”, diz o ditado popular.

A sociedade actual gosta pouco de definições concretas, preto no branco. Tudo é relativizado. Cada um acha-se dono da verdade e tolera todas as ideias (mesmo que contraditórias), desde que a sua não seja posta em causa. Ninguém quer ser contrariado, nem contrariar. Relacionamentos, saúde, opções político-partidárias, religião, cultura: esta realidade acontece em várias áreas da vida.

A vida leva-nos a pensar na morte. Andam de mãos dadas. Uma leva à outra, mais tarde ou mais cedo. O nosso medo do desconhecido leva-nos a temer o pós-vida. E alguns tentam descobri-la por meios ocultos e místicos. O nosso medo de enfrentar o presente, empurra-nos para acabar com ela – com a vida.

Dizem-nos nos bancos da escola, como verdade quase absoluta, que somos resultado de uma explosão e evoluímos... não temos origem num Criador. Viemos do nada vamos para o nada... por isso ficamo-nos por aproveitar o agora. Mas a nossa insatisfação continua dia após dia... Fomos feitos para viver para sempre e, enquanto não encontramos um sentido para a vida, andamos perdidos.

O nosso destino após deixarmos de respirar, acaba por nos confrontar ao longo da vida – um familiar que morre, um amigo que nos deixa num grave acidente, um trágico atentado que leva dezenas de pessoas para esse “outro lado” que desconhecemos.

Precisamos, de facto de uma resposta concreta, real e segura. Será que aquilo que ouvimos acerca do Céu e do Inferno é mesmo verdade? Serão esses os únicos destinos? Não haverá uma terceira opção? E quem é a fonte segura dessa informação – alguém que foi e regressou realmente? Estas e outras questões precisam de uma resposta... e aqui vamos mesmo falar de um “8 ou 80”.

Ao estar entre nós, Jesus Cristo apresentou-Se como “o caminho, a verdade, e a vida”(João 14:6). Ele não apenas afirmou a verdade – Ele é a verdade. Como Filho de Deus que afirmou ser, Jesus veio para anunciar que não precisamos viver mais presos ao nosso passado, confusos no presente ou ansioso quanto ao futuro – mesmo aquele que iremos ter após a morte.

Jesus trouxe uma segurança real e eterna a quem deseja verdadeiramente viver na Sua vontade, escutar e cumprir a Sua verdade, alcançar hoje e para sempre a vida eterna – em qualidade e quantidade. Para ajudar-nos a entender a vida após a morte, Jesus contou uma história simples, clara e desafiadora.

“Havia um rico que se vestia com fatos caríssimos e todos os dias fazia grandes festas. Havia também um pobre, chamado Lázaro, coberto de chagas, que costumava ir para a porta do rico, para ver se ao menos comia as migalhas que caíam da sua mesa. Até os cães vinham lamber-lhe as chagas.O pobre morreu e foi levado pelos anjos de Deus para junto de Abraão. O rico também morreu e foi enterrado. No lugar de sofrimento, onde se encontrava, levantou os olhos e viu lá longe Abraão e Lázaro com ele. Disse então em voz alta: ‘Pai Abraão! Tem compaixão de mim e manda Lázaro molhar na água a ponta do dedo e vir refrescar-me a língua, porque sofro horrivelmente neste fogo!’Mas Abraão disse-lhe: ‘Lembra-te, meu filho, de que em toda a tua vida só tiveste coisas boas, enquanto Lázaro só teve males. Agora ele é consolado e tu atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que nem os de cá podem passar para lá, nem os daí para aqui.’ E o rico exclamou: ‘Peço-te, pai Abraão, que mandes Lázaro a casa do meu pai. Tenho cinco irmãos e se Lázaro lá fosse avisá-los já não vinham para este lugar de sofrimento.’Respondeu-lhe Abraão: ‘Para isso têm Moisés e os profetas. Que lhes prestem atenção.’ Mas o rico retorquiu: ‘Não, pai Abraão. É que se alguém, dos que já morreram, fosse lá falar-lhes eles arrependiam-se dos pecados.’ Mas Abraão respondeu: ‘Se não fazem caso de Moisés e dos profetas, também não acreditarão num morto que volte à vida’.”1

Quando algo corrompe o nosso coração e toma o lugar de Deus, estamos a assinar a nossa passagem para o destino pretendido, pois se não queremos viver com e para Deus nesta curta vida, como poderemos querer fazê-lo eternamente?

Nos últimos avisos aos Seus seguidores mais directos – os discípulos – Jesus afirmou: “Vão por todo o mundo e preguem a boa nova a todos, em toda a parte. Quem crer e for baptizado será salvo. Mas quem não quiser crer será condenado.” (Marcos 16:15-16, versão “O Livro”). Há uma escolha – não uma imposição. A Palavra de Deus e os Seus filhos são os principais meios que Ele oferece para mostrar e proclamar ao mundo a mensagem de boas novas, de arrependimento, aceitando Jesus como Aquele que pagou pelos nossos desvios, erros, pecados, falhas e sendo transformados dia-a-dia por Ele.

Como os dois homens da história que Jesus contou podemos escolher também. O Céu é um lugar na presença de Deus, criado para quem decide viver com e para Ele (Mateus 25:46). O Paraíso – o destino que Ele mesmo prometeu a um dos malfeitores que foram crucificados ao Seu lado, e que compreendeu que, de facto, Jesus era a sua única esperança (Lucas 23:39-43). O Inferno é o lugar criado para o Diabo e os seus anjos... e para todos os que, como eles, se rebelam contra Deus (Mateus 25:41; 2 Pedro 2:4).

Jesus abre a porta para que tomemos a nossa decisão. Enquanto respiramos, sentimos e pensamos podemos ser confrontados com estas duas opções: viver com Deus ou sem Deus. Independentemente da nossa conta bancária, estrato social, passado e presente, fama ou anonimato, é aqui e agora que o fazemos.“E assim como está determinado que os seres humanos morram uma só vez, e depois sejam julgados por Deus, da mesma forma também Cristo morreu uma só vez, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício pelos pecados de muitos. E virá de novo, mas agora não para tratar do pecado, mas para trazer salvação a todos aqueles que ansiosamente esperam por ele.” (Hebreus 9:27-28, versão “O Livro”)

Ana Ramalho


1 Historia contada por Jesus em Lucas 16:19-31, versão “A BÍBLIA para todos”



 in revista Boas Novas, AD Braga, julho-setembro de 2011

“É BÁSICO!”... ou nem por isso.

O João estava supercontente! Quinze dias de férias: praia, piscina e torneios intermináveis a jogar com a consola... que espectáculo! Os primos do João já vinham “treinados” de casa num novo jogo e avançaram depressa... mas ele não passava do 3º nível. “Eu vou conseguir” pensava.

O João não tinha prestado atenção ao jogo dos primos, nem às instruções... Por isso, faltava-lhe saber uma coisa básica – precisava encontrar uma chave escondida algures no cenário do jogo para avançar.

Quem segue Jesus também precisa saber as “regras básicas do jogo”. A vida com Deus é uma aventura - com todos os perigos, alegrias, tristezas e conquistas incluídos. Sem sabermos o básico não podemos ir muito longe.

Uma das cartas escritas às primeiras igrejas (uns anos depois de Jesus ter estado na Terra), fala disso mesmo: “Muito mais teríamos a dizer sobre isso; contudo não é fácil explicar-vos essas coisas, pois que vocês se têm tornado preguiçosos para as compreender. Porque ao tempo que são cristãos deviam até poder já ensinar outros. Mas ao contrário precisam de quem vos ensine as primeiras coisas da revelação de Deus. Vocês fizeram-se como criancinhas que só podem beber leite, e não alimento sólido.” (Hebreus 7:11 e 12, versão “O Livro”)

Às vezes temos muita curiosidade sobre o significado do livro de Apocalipse, mas não sabemos 2 ou 3 versículos básicos de cor, as características de Deus, o que Jesus ensinou, quantos livros tem a Bíblia... entre outras coisas. Somos preguiçosos. Não abrimos a Bíblia, excepto quando somos obrigados. Achamos que “é uma seca” ou “é para as irmãs velhinhas”. Isso é uma mentira perigosa, porque se não nos alimentarmos das coisas de Deus – principalmente estudar a Sua Palavra e falar com Ele – vamos perdendo a saúde espiritual.

Conhecer bem as bases bíblicas é importantíssimo para:
1 - Crescer e amadurecer saudavelmente (Hebreus 7:11-14);
2 - Não sermos facilmente derrubados nas lutas, tentações, dúvidas ou falsas doutrinas (Efésios 4:11-16; Mateus 4:1-11);
3 – Falar de Jesus aos outros e ajudá-los a crescer com Deus - evangelizar e discipular (Mateus 28:19-20; 2 Timóteo 2:2; Gálatas 4:19).

Ser cristão não se baseia em sensações ou frases feitas. Ser parte da família de Deus envolve conhecê-Lo pela experiência pessoal, mas essa experiência tem que ter uma base sólida – a Sua Palavra. Começa pelos Evangelhos, Salmos e Provérbios. Lê e deixa Deus “ler-te” através da Sua Palavra para te tornares cada vez mais na pessoa que Ele deseja.

Estou contigo!

Ana Ramalho

in revista BSteen, Julho 2011

03 julho 2011

Esta Lady deixa-me GaGa

Fama espectacular ou influência sobrenatural?

Estamos a viver numa época acelerada, onde todos os dias aparecem coisas novas e alternativas. A mais conhecida dos últimos tempos, chama-se Lady Gaga e é uma artista musical da qual já deves ter ouvido falar… 

Noutra época da Humanidade, também existiu uma Pessoa que veio agitar, mas não vender. Ao contrário da Lady Gaga, não usava produções gigantes voltadas para Si ou palcos cheios de efeitos. Não agia no espectacular, mas sim no sobrenatural. Mexeu com os padrões da sociedade da época, mas para trazer alívio, cura e esperança. 


Jesus é essa pessoa. Tanto Ele como a Lady Gaga, tiveram impacto nas pessoas, mas por motivos e com objectivos bem diferentes. Jesus não perseguiu a fama, mas demonstrou ser uma influência importante, mesmo tendo sido mal tratado pela sociedade da Sua época. 


A fama humana vai e vem, a influência de Deus mantém-Se. A fama está na moda num dia, no outro já não. A influência de Cristo marca épocas, anos e séculos – é eterna. A fama é superficial, a influência de Jesus mexe com o interior. Os famosos andam ao sabor da moda. Os seguidores de Cristo são influenciados por Ele para serem uma boa influência. A fama é uma vida com estilo, a influência cristã é um estilo de vida. 


E tu? O que preferes? Ser famoso ou influente?



A Lady Gaga veio dar mais uma achega à música Pop, mudando e ultrapassando o que já tínhamos visto em termos de modo de vida da sociedade.

POP STAR
Ela causa reboliço e agitação pelo que diz e faz, com um só objectivo: o de vender. Usa produções gigantescas e palcos enormes, carregados de efeitos espectaculares, para estar no centro das atenções. A sua música ecoa por todas as rádios e é tida como uma heroína. Usa o palco e os videoclips para fazer activismo político a causas que lhe sejam convenientes. Faz uma salada russa entre Deus, espiritualidade e muito ocultismo1.

Ataca os padrões da sociedade para que se fale nela. Trabalha com os maiores peritos de marketing. Viaja por todo o mundo e trabalha as aparências como um camaleão. Ela promove a sensualidade e o prazer a qualquer custo. Já para não falar da roupa! “Lady Gaga, que já se vestiu com dezenas de sapos Cocas e com um plástico transparante, conseguiu espantar o público dos MTV Music Awards, ao aparecer em palco com um vestido feito, aparentemente, de carne vermelha crua.”2.

É seguida por milhares, é imitada por bastantes pessoas, é famosa, mas um dia a fama vai passar… Ser influente é fazer algo de importante, que marque as pessoas. Será que a Lady Gaga está realmente a criar um impacto positivo ou negativo? Será que aquilo que ela faz é mesmo importante e bom?

Podemos pensar que sendo famosos, temos a capacidade de mudar o mundo. Mas que tipo de mudança está a trazer alguém como a Lady Gaga? E será que só sendo famosos podemos mudar as coisas à nossa volta?

OUTRO TIPO DE FAMA
Falou alto e em bom som, mas não para sobressair como herói. Nunca foi um activista político, mas apoiou os desfavorecidos e oprimidos, mesmo tendo sofrido por isso. Trabalhou com pescadores e cobradores de impostos, nunca Se afastou muito da Sua terra natal. Trabalhou os corações e o íntimo das pessoas com amor e sinceridade. É seguido por milhões, tem uma influência enorme nas pessoas que O encontram e ainda hoje é conhecido e adorado…

O desejo de Jesus não era o estrelato, era fazer a vontade do Pai. Não veio para um projecto a curto prazo, apesar do tempo que esteve entre nós ter sido curto, mas influenciou tantas vidas, que hoje em dia é seguido por todo o mundo, porque Ele é a prova do maior amor que pode existir. Ele morreu em nosso lugar. Deus entregou-O para ser tratado como nós merecíamos, para que nós sejamos tratados como só Ele merece. 

PENSA NISTO...
“Se alguém está ligado a Cristo transforma-se numa nova pessoa; as coisas antigas passaram; tudo nele se fez novo! (...) Somos então como embaixadores de Cristo. E é como se Deus por nosso meio lançasse um apelo aos homens. Nós vos suplicamos então, da parte de Cristo, que se reconciliem com Deus!” (2 Coríntios 5:17 e 20, versão “O Livro”)

1 http://musica.uol.com.br/ultnot/2010/05/24/lady-gaga-diz-que-seu-proximo-disco-sera-mais-espiritual.jhtm; http://www.contactmusic.com/news.nsf/story/lady-gaga-haunted-by-ryan_1179571