21 julho 2014

Os meninos da mamã

Eram dois irmãos. Andavam com Jesus há algum tempo – uns três anos. Tinham deixado o negócio da família e em vez de serem pescadores de peixe aceitaram o desafio de Jesus e tornaram-se pescadores de pessoas.

Entusiasmados com a ideia de que o Reino de Deus tinha chegado, aguardavam que Jesus mostrasse o Seu poder, não apenas através de milagres, curas, sinais e perdão de pecados. Ele queriam vê-Lo tomar o reino aos Romanos e governar, como Rei.

O tempo passou e Jesus anunciava a Sua morte. A mãe destes dois rapazes, Tiago e João, fez um pedido ousado a Jesus: “Que deixes, no teu reino, os meus dois filhos sentarem-se em lugares de honra junto de ti, um à tua direita e outro à tua esquerda.” (Mateus 20:21, OL)

Pelo que lemos na “reportagem” de Marcos, Tiago e João queriam mesmo ocupar uma posição importante no tal Reino que Jesus tanto falava mas que parecia que nunca mais chegava (Marcos 35:37).... e Mateus fala da “cunha” que a mãe tentou meter a favor dos filhos.

Os outros discípulos ficaram muito chateados com aquele pedido. Porquê? Será que era porque os dois colegas tinham feito aquele pedido, com a ajuda da mamã? Ou será que algum deles também queria ser importante nesse Reino? É fácil criticarmos os dois “meninos da mamã”, mas o que faríamos no lugar deles?

Jesus responde, a todos eles e a cada um de nós: “Como sabem, quem manda no povo são aqueles que têm poder e os grandes usam de autoridade sobre eles, mas no vosso meio não será assim. Quem quiser ser grande entre vocês deve servir-vos.” (Marcos 10:42-43, OL)

Estou contigo!


Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, julho 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

14 julho 2014

Y.O.L.O. – You only live once*

Tu que passas algum tempo na net, provavelmente já te cruzaste com algumas expressões que ao princípio te fazem confusão. Mas depois de aprenderes o que significam, já começas a usá-las.

Quando não havia Internet, aquelas pessoas que procuram viver a vida ao máximo, como se não houvesse amanhã, usavam o termo carpe diem (que quer dizer aproveita o momento) para justificar o que faziam e a intensidade com que o faziam. Normalmente, o pessoal dos desportos radicais, do bungee jumping ao surf em ondas gigantes, usa essa expressão para responder ao “porque é que fazem isso?”

Muitas das pessoas que não acredita em Jesus acha que tudo termina quando fechamos os olhos. O último bater do coração, o último fôlego, derradeiro fechar de olhos. Por isso, muitas vezes, levam uma vida de excessos, uma vida sem limites e sem fronteiras, onde fazer a sua vontade é o que interessa.

Mas como diz o MC Cristologia, “…sei que não estás para ouvir o que tenho para te dizer, só que te quero avisar que há vida depois da morte e um dia vais morrer…”. E a verdade completa é essa! Jesus não veio para ser crucificado à toa, Ele veio com um propósito específico (1ª Timóteo 1:15) e viveu para isso (Filipenses 2:5-8)! Ele veio para nos dar a possibilidade de sendo fiéis a Jesus, vivermos a eternidade com Deus (2ª Timóteo 2:11-13).

Se queres viver como se não houvesse amanhã, então aceita comigo o desafio que Paulo nos faz quando foi perseguido e maltratado:

“Eis a razão por que tenho suportado todas estas coisas, por amor daqueles que hão de ouvir a chamada de Deus, para que possam beneficiar da salvação em Cristo Jesus, e da eternidade na glória de Deus.” (2ª Timóteo 2:10, OL)

Não existem várias verdades, apenas Jesus é único caminho que leva a essa eternidade com o Pai (João 14:6)!  E a epístola aos Hebreus diz-nos que “Está determinado que os homens morram uma só vez e que depois sejam julgados por Deus.” (Hebreus 9:27, BPT)

Não te metas por atalhos! Se queres aproveitar a vida ao máximo, sê radical, faz a escolha certa!  Escolhe Jesus!

Ricardo Rosa


* Só vives uma vez, tradução literal do inglês


in revista BSteen, julho 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

04 julho 2014

Desilusão

Enquanto vivemos, a desilusão assalta-nos, mais cedo ou mais tarde. Podemos não querer mas ela existe, porque antes dela há a ilusão.
Alguém que promete mas não cumpre, por culpa própria ou por circunstâncias inesperadas. A expectativa que criamos baseados no pressuposto do respeito e amor que as relações mais próximas devem abarcar – seja entre cônjuges, pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, entre irmãos ou primos. Ou entre patrões e empregados, professores e alunos, Estado e cidadãos, empresas e clientes... e a lista continua.
É certo que enquanto o ser humano aqui viver, por maior que seja a boa vontade, vai iludir e desiludir, ser iludido e desiludido. Esta é uma estrada com dois sentidos, na qual o dar e o receber podem ter resultados dolorosos e marcantes no mais fundo do coração.
Mas nesta vida, além do outro, palpável e terreno, com quem nos cruzamos e vivemos, existe Alguém que não nos ilude nem sai desiludido. Ele conhece-nos, muito melhor que nós próprios. Ele sabe que somos falhos, que erramos, que vivemos longe da perfeição... longe Dele. Mas, apesar disso, Ele deseja que nos relacionemos com Ele. A verdade é que Deus é a melhor pessoa que podemos conhecer, com quem e para quem podemos viver, e a única em quem podemos confiar totalmente.
A nossa ideia de Deus estará sempre limitada à nossa própria experiência pessoal. Se apenas nos iludimos com aquilo que vemos e ouvimos, podemos ficar com uma ideia errada, deturpada ou limitada de quem Ele é e daquilo que tem para nós.
É certo que Deus é insondável em toda a Sua totalidade. Mas também é verdade que Deus está próximo de nós, de tal forma que Jesus, o Filho de Deus, fez-Se homem, para nos libertar das desilusões que tivemos com nós próprios – porque pecámos, porque falhámos o alvo, porque decidimos iludirmos com aquilo que é passageiro, em vez de investirmos naquilo que, de facto, não passa – a vida eterna.
A profecia acerca de Jesus, confirmou-se A virgem ficará grávida e dará à luz um filho que se há de chamar Emanuel. Emanuel quer dizer: Deus está connosco. ” (Mateus 1:23, BPT).
“Portanto, temos um tão excelente supremo sacerdote, que é Jesus o Filho de Deus, que penetrou nos céus, mantenhamo-nos firmemente fiéis à fé que confessamos ter. Este nosso sacerdote supremo não é um simples homem que não possa compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, ele passou por todas as mesmas provas que nós, mas sem ter pecado. Portanto cheguemo-nos com confiança ao trono de Deus para podermos receber misericórdia e graça, e para sermos ajudados sempre que tivermos necessidade.(Hebreus 4:14-16, OL).
Ao contrário daquilo que possamos pensar, precisamos primeiro desiludirmos com nós mesmos. Precisamos reconhecer a nossa limitação. Entender a nossa falência espiritual, que Jesus chamou bem-aventurada (Mateus 5:3). Só assim estaremos prontos para receber Jesus na nossa vida, pois Ele é o único caminho que nos leva a Deus – e assim, como Jesus prometeu, ter por herança o reino de Deus.
Jesus viveu e morreu para poderemos viver com Deus, confiando Nele, caminhado na Sua vontade, reconhecendo-O na Sua Palavra, vivendo dia a dia na melhor das companhias – o Pai celestial, o Deus Todo-poderoso, Aquele que é amor. E quando o fizermos, sem ilusões mas com fé e conhecimento baseado na Sua Palavra, iremos viver de um modo como nunca vivemos, viver a valer, enquanto aguardamos estar eternamente na companhia d’Aquele a quem amamos e servimos.


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, julho 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico