25 agosto 2009

Igreja?

Hoje há muitas pessoas a dizer "Eu sou cristão, mas não gosto de ir à igreja"... as razões para esta afirmação são as mais variadas.

Muitas das justificações dadas resultam de más experiências pessoais, quer com líderes das mais diversas correntes cristãs, quer com os próprios cristãos com que se cruzaram no percurso da vida. Outras com histórias do mesmo teor, com familiares e/ou amigos.

A igreja é ideia de Deus... sem dúvida. Se Jesus nos tornasse filhos de Deus para nos mantermos isolados, sozinhos, não faria sentido Ele ter deixado 11 apóstolos que iram ser a génese da igreja. Não fariam sentido as cartas de Paulo, Pedro, Tiago e João.

Jesus veio para derrubar a barreira individual do pecado, aproximando-nos do Pai... mas também veio para terminar com a barreira global entre Israel e os outros povos, tornando-nos numa só família de pessoas adoptadas pelo mesmo Pai e pelo mesmo valor - a morte de Cristo na cruz. É disso que fala Efésios 2.

Igreja precisa ser uma família. É por isso que nos chamamos irmãos. A ideia de família, como a ideia de corpo, bem representada em várias das epístolas paulinas, deve ser a base de tudo. Podemos não ter um site, não ter equipa de produção de vídeo, não ter grupo de louvor com músicos profissionais, não ter eventos... mas se vivemos em família, temos o principal.

Quando a nossa vida como comunidade se baseia em "extras" e esses "extras" terminam, e não temos a base familiar, o sentido de igreja perde-se. Podemos ficar com a sensação de estar "órfãos", num certo sentido. Mas quando todos os "extras" passam e, no entanto, temos uma relação de família, fica o que realmente interessa.

Eventos, qualidade, estrutura, planos... tudo é importante, mas se o alvo não é o crescimento qualitativo e quantitativo desta família, perdemos o foco. A igreja são pessoas, não são projectos. A igreja são pessoas imperfeitas, que o reconhecem, mas que estão em busca de uma transformação, dia após dia. É no sentido de fazer essas pessoas crescer em Deus e trazer novas pessoas ao conhecimento da verdade libertadora do Evangelho que precisamos agir... sendo família.

Um vídeo para pensar...

22 agosto 2009

Transformação

Um dos cantores e compositores cristãos que mais gosto, especialmente pela profundidade das suas letras é Jimmy Needham. Verdade seja dita que este jovem estudante de Filosofia não é muito conhecido no nosso país... nem sei se os seus CDs estão à venda cá.

Descobri, nas minhas pesquisas do YouTube um testemunho tremendo de como Cristo o libertou do vício da pornografia... Talvez essa seja a razão da sua gratidão pela graça imensurável de Deus.

Ficam os links e os vídeos, em inglês, para quem quiser conhecer mais... e para aqueles que se sentem presos e insatisfeitos em qualquer tipo de hábito, a mesma esperança e a mesma graça de Deus está disponível...

O site oficial

O testemunho






Uma música



Uma confissão




20 agosto 2009

Evangelização

No seguimento do último post, uma reflexão acerca da nossa partilha da fé... Para mim há 3 coisas que não podemos esquecer nas nossas "homiléticas evangelísticas":

1 - Cada caso é um caso - Jesus não tratou os fariseus da mesma forma que a mulher samaritana (entre vários casos). Quando queremos fazer tudo "chapa 5" é prático, mas perde o foco - cada vida que Deus ama. Às vezes subestimamos a experiência das pessoas em vez de tentarmos perceber aquilo que elas já conhecem acerca de Deus e da Bíblia, aquilo que o Espírito Santo já está a fazer nelas sem nós sabermos... por exemplo, a minha mãe deixou a religião tradicional porque começou a ler a Bíblia (sem nenhuma ajuda). É verdade que somos chamados a "ir" e pregar o evangelho, mas não nos podemos esquecer dos "Cornélios". Evangelizar é um caminho, não um momento.

2 - Verdade com amor ou arrogância? - Jesus é "A" Verdade... a Sua indignação verbal ia, claramente, para aqueles que pensavam ser os defensores da verdade (fariseus+IVA), mais do que para as pessoas no seu geral. Pecado é pecado: ele tem que ser denunciado, mas sem presunção ou superioridade... E neste sentido, o que me preocupa é que eu muitas vezes apresento-me dessa maneira: "Venham a mim, que eu tenho a verdade". Temo que por vezes a minha atitude arrogante afaste as pessoas da verdade.

3 - Formas e conteúdos - Há mil formas de apresentação do Evangelho: 4 leis espirituais; 5 passos da salvação; pregação evangelística negativo/positivo... devemos ter liberdade para apresentar as boas notícias de várias formas, sem perder o peso da mensagem... isso requer numa proximidade com Deus e a Sua Palavra imprescindíveis. A utilização de "fórmulas infalíveis instantâneas" é uma falácia. O sucesso de uns pode ser a ruína de outros. É o Espírito que nos deve mover, dar visão e é Ele que convence. Precisamos voltar a estudar a diversidade de métodos de Jesus e dos apóstolos abordarem as pessoas... Os princípios daí retirados ajudam-nos a focar o que é importante. Os formatos são ferramentas e não "verdades absolutas" - têm que ser tratados como tal.

18 agosto 2009

Boas Notícias (comentário)


Hoje deparei-me com esta notícia interessante:
Miúdo cria canal só com notícias positivas

Um adolescente de 12 anos criou uma televisão online onde só entram notícias positivas.

Natural de Orlando, Florida, Max Jones, que, um dia, deseja ser jornalista à séria, tem-se empenhado no fornecimento de informação sobre o que de agradável se passa no Mundo, segundo noticia a France Press.

No espaço hnheadlines.com, Max Jones é o pivô principal. "Creio que uma pessoa pode marcar a diferença no Mundo, mesmo pouco a pouco", afirma o jovem, cuja ambição tem como meta presidir uma rede de estações web.

Notícia de Dina Margato, no JN de hoje (18/08/2009)

Como cristãos, somos chamados a espalhar a melhor das notícias. Isso passa-se mais do que pelas palavras, mas por gestos, atitudes e estilos de vida que sejam um reflexo do amor incondicional de Deus e da Sua Palavra.

Não somos mais do que ninguém para ter essa tarefa de ir e fazer discípulos. Mas Deus escolheu-nos como veículos da Sua graça e verdade.

Ele tem modos de falar incompreensíveis, insondáveis, e de depositar no coração do homem e da mulher o desejo de O conhecer... por vezes a nossa tarefa é simplesmente colher aquilo que outros plantaram. Outras vezes semeamos... mas tenhamos a consciência de que tudo vem de Deus - a semente, a capacidade para falar, o discernimento, o crescimento.

Que as "boas sementes" sejam espalhadas neste mundo de más notícias... E que não sejam recusadas pela forma desamorosa ou partidarista com que as podemos espalhar.

Deus, ajuda-me a saber falar de Ti com amor... sem Ti, eu não consigo! Que eu seja uma embaixatriz da Tua graça e não uma barreira entre Ti e os que ainda não conhecem o Teu amor.

Assim seja!

14 agosto 2009

Aeroporto

Férias, férias, férias...

Nesta fase da vida e do ano, faz bem sair da rotina, estar com as pessoas, passear e viver um pouco ao sabor do que apetece, mais do que de um horário intransponível. Mas se fosse pelo meu desejo, era provável que depois de uns dias com amigos e família embarcasse numa longa viagem... aquela que deixei incompleta, do outro lado do globo.

Nesta fase da vida e do ano, pareço sentada num terminal de Aeroporto. Amigos que se despedem, para viajar até África, ou para um qualquer lugar misterioso. Colegas e amigos que chegam depois de um ano "fora" da minha vida. Familiares que regressam a casa por um pouco tempo de sol e companhia, mas que depressa estarão de volta, a caminho da rotina longínqua que abandonam por umas semanas.

É como se o meu check-in estivesse adiado. As minhas malas ganham pó, a roupa fica vincada do tempo que passo sentada, sempre à espera. Uns vêm outros vão. Uns ficam mas não estão. O rodopio das férias e da vida ensina-nos que nem sempre a comução de uma despedida corresponde totalmente ao que sentimos no resto dos dias... Vai-se sentindo. Aqui e a li. Eu queria ir um pouco em cada mala, de cada pessoa que parte... mas não posso.

Tento-me levantar para ver quando chega a minha vez de partir. As minhas articulações estão presas e custa a abandonar o local de permanência e conveniência para entender o que fazer a seguir. Olho para o monitor, e para o bilhete... não tenho correspondência possível. Regresso ao meu pouso e fico a observar a multidão e a azáfama. Resta esperar...

11 agosto 2009

Irresistível

Fiquei mesmo apaixonada pelo livro "Falsos, metidos e impostores" de Brennan Manning. Exceptuando a Bíblia, nunca me senti tão confrontada comigo mesma na leitura de um livro, ao mergulhar no intenso confronto do autor com o fariseu e o hipócrita que tentam abafar o seu verdadeiro eu, como filho de Deus.

O clip do último post é apenas [e não estou a exagerar] um aperitivo do pensamento profundo, intenso e frontal do autor. Quando contamos aos outros as nossas lutas e dilemas sem pretensões de alcançar um sentimento de pena, mas de partilhar e mostrar como somos todos "feitos da mesma massa", acabamos por servir de "catalisadores" para que outros tenham uma analise franca, sincera e pessoal da sua identidade como "filhos de Aba [Paizinho]".

Apenas um pequeno excerto:
"Esta é a grande ideia: defina-se radicalmente como alguém a quem Deus ama sem reservas. Agora mesmo. Do jeito que você está. Não para permanecer nessa situação, é claro, mas sabendo que nunca você será mais amado, valorizado e cuidado do que neste exacto momento, pois o amor de Deus não depende de você. Portanto, por favor, por favor mesmo, pare de fugir quando você mete os pés pelas mãos e corra para os braços daquele que o ama sem reservas e do jeito que você se encontra agora"

Paizinho, obrigada porque Tu inspiras pessoas... obrigada porque Tu inspiras vida, liberdade, alegria, amor, paz... e mesmo que à nossa volta não haja essa tranquilidade, em Ti sabemos quem somos. Não importa as vozes que se levantam dentro de nós e ao nosso redor. Tu amas. Eu sou tua filha. Isso basta.

09 agosto 2009

Graça

A graça de Deus é algo que tem estado a invadir permanentemente o meu pensamento, a minha vida, o
meu tempo... Ultimamente é um assunto presente e constante.

Um dos meus próximos artigos da revista Novas de Alegria tem este pensamento:
Talvez reconhecer a graça de Deus, como ela é, nos faça pequenos a todos, e nos mova a despirmo-nos de qualquer tipo de arrogância, auto-suficiência, justiça própria, protagonismo e até crueldade quando olhamos para os outros (todos os que Ele ama, pela Sua graça).

Deus continua amorosamente desejoso de nos receber, de nos mudar para sermos mais como Ele quer, de nos levantar quando caímos, de tratar com as nossas lutas e dúvidas... de nos salvar de nós mesmos. A terapia da graça está disponível, para todos.


Philip Yancey Nas garras da graça - Algumas citações:

Eu luto contra as garras da falta de graça em minha própria vida. Embora eu não perpetue a severidade de minha criação, luto diariamente contra o orgulho, a inclinação para julgar e um sentimento de que, de alguma forma, devo obter a aprovação de Deus.
(...)
A graça, como muitos termos religiosos, ficou desprovido de significado, de modo que eu já não podia mais confiar nela.
(...)
A graça é de graça para pessoas que não merecem, e eu sou uma dessas pessoas.
(...)
As histórias de Jesus a respeito da graça extravagante não incluem nenhum impedimento, nenhuma brecha nos desqualificando do amor de Deus. Cada uma delas traz no seu âmago um final bom demais para ser verdadeiro — ou tão bom que tem de ser verdadeiro.
(...)
Graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais — nenhuma quantida de renúncia, nenhuma quantidade de conhecimento recebido em seminários e faculdades de teologia, nenhuma quantidade de cruzadas em benefício de causas justas. E a graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos — nenhuma quantidade de racismo ou orgulho, pornografia ou adultério, ou até mesmo homicídio. A graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar.


Brennan Manning - Um vídeo para meditarmos



Tenho um livro para devorar estas férias deste autor... confesso que este vídeo (partilhado por um amigo) me abriu o apetite.

Até mais... e fiquem na graça!

07 agosto 2009

Frases - 2


Decidi desta vez recolher algumas mensagens do twitter e do facebook...


As tempestades não duram para sempre! Florbela NunesA santidade, não a felicidade, é um objectivo de vida. Rick Warren

David não tinha tempo para ser herói, era um pastor de ovelhas. David não tem nada que ver com a ubris - a arrogância de fazer coisas iguais aos deuses- dos heróis das tragédias gregas, não imita Prometeu, nem Aquiles, nem Orestes. No entanto, havia em David, enquanto guardador de rebanho, um anelo vital para a imortalidade, não a sua, mas a do seu povo Israel, que Golias afrontava. João Tomaz Parreira

Em cada prova à uma lição a aprender. O que é que aprendeste hoje? Rob Bell
Que há sofrimento e brutalidade na Bíblia, ninguém há de negar; é um livro sobre a humanidade. Ricardo Gondim

Saudade. Chega, provoca, magoa, aninha-se, fica. Passamos a conviver com ela como se fosse parte de nós mesmos. Nunca vai embora, por mais que tentemos e roguemos... Sarah Catarino

Boas férias...

05 agosto 2009

O olhar do Pai

Hoje é um dia especial... o que mais desejo neste meu aniversário está bem real nesta música.

03 agosto 2009

Vamos às compras?

Não sei se acontece contigo, mas comigo é habitual. Entrar no hiper-mercado à procura de algo e não o encontrar no corredor do costume.
Estamos habituados a fazer determinado percurso e a ter as coisas arrumadas por secções e prateleiras. Mas as técnicas de venda, para nos obrigar a passar mais tempo em contacto com os produtos e nos fazer gastar dinheiro, alteram regularmente a localização de certos produtos... 
Quando se fala de fé e razão acontece exactamente isso. Não estamos habituados a ver as duas coisas na mesma prateleira. Por vezes achamos que a fé é algo místico, que trabalha em função de coincidências e do bom ou mau “humor” de Deus...
Ou então que aquilo em que cremos não pode ser compreendido, nem pensado. Como se a fé fosse uma espécie de telecomando e nós fossemos robots que não têm vontade própria. Como se a razão fosse em si mesma inimiga da fé... Pensar, ler, investigar, compreender as coisas que Deus revela na Sua Palavra parece, na mente de algumas pessoas, algo “pouco espiritual”. Como se pensar nos desprovesse de sermos santos e nos levasse a deixar Deus de parte.
Gosto muito do que Paulo diz à igreja em Roma: “Não se conformem com os padrões e costumes deste mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar. E dessa forma conhecerão o que Deus deseja que façam, e verão como a sua vontade é realmente boa, agradável e perfeita”. (Romanos 12:2, versão “O Livro”)
A nossa fé está de mãos dadas com a razão. Se fizermos as coisas apenas por regra e não por convicção, mais tarde ou mais cedo o “verniz estala” – quem somos na verdade vem ao de cima. Mas se o Espírito Santo renovar a nossa mente, através da investigação sincera da Palavra de Deus, influenciando positivamente o nosso modo de pensar, as nossas consequentes acções serão a expressão de uma convicção e não de uma emoção ou imposição.
A fé vem pela meditação na Palavra de Deus. Isto não envolve só sentimentos e vontade. Envolve a nossa mente. Compreender que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável exige uma operação directa de Deus no nosso coração e na nossa forma de pensar. Viver a vontade bíblica na sua plenitude requer razão e coração.
No meio das nossas investigações, nem sempre vamos ter uma explicação racional para tudo o que Deus faz, permite e é. Mas aí precisamos confiar que o nosso Deus, que compreendemos em parte, é bom, soberano e que tudo o que faz é para um propósito que por vezes só Ele sabe.
Esse facto faz-nos compreender a nossa condição como homens e mulheres, seres limitados que servem a um Deus ilimitado em poder e conhecimento. Mas também nos deve fazer desejar conhecer cada dia mais o nosso Deus.
Que possamos dia-a-dia ter a nossa forma de pensar renovada, segura e esclarecida, em submissão ao Deus Omnisciente que servimos.
Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Suplemento NAJovem, Agosto 2009

Frases - 1


Foto © pansch - flickr


Uma vez que estamos em época de férias, vou dedicar os próximos posts a alguns "recortes".... dos livros que estou a ler... de episódios... de meditações... coisas que vivo, vejo, ouço, leio... por aí.

Aqui ficam os primeiros

"Através das palavras de João encontramos Jesus como alguém com quem nos identificamos, mas que tem em si mesmo uma resposta e uma solução para o homem necessitado" Pedro Figueiredo, A Questão do Logos, Revista Lusófona de Ciência das Religiões
"Quando sabes que Deus te ama, não ficas desesperado pelo amor dos outros. Não mais serás um comprador faminto no mercado. Já foste à mercearia de estômago vazio? És um alvo fácil. Compras tudo o que não é preciso. Não importa se é bom para ti - queres apenas encher a barriga. Quando és solitário, fazes o mesmo na vida: apanhas coisas na prateleira, não porque precises delas, mas porque estás faminto de amor." Max Lucado, Aliviando a bagagem, Editora Vida (adaptado)


"Por vezes temos uma noção de graça de Deus muito interessante. Graça para nós, justiça para os outros!" Pr. João Martins, XXI Conferência do Desafio Jovem, Lisboa, 29 Julho 2009
"Nosso conhecimento parcial e distorcido dos fariseus pode nos levar a aplicar as Escrituras de forma equivocada e, o que é ainda pior, a aprofundar o dano espiritual para a igreja e para cada um de nós. Se criamos uma falsa imagem dos fariseus e falhamos em ver o quanto nos assemelhamos a eles, podemos nos furtar de alguns dos ensinamentos mais pretinentes das Escrituras." Tom Hovestel, A neurose da religião, Hagnos

01 agosto 2009

"Não basta ter razão, é preciso ter votos"


Eu sei que as Eleições Europeias aconteceram há dois meses... Também não estou a fazer campanha para as Autárquicas. Mas gostei do slogan e percebi que ele tem mesmo razão!

Muitas vezes concordamos com as ideias dos outros, de modo tolerante, como manda o correcto proceder pós-moderno. Até chegamos a permitir que opiniões divergentes façam parte do nosso rol de princípios.
Ter “mente aberta” é tão saudável quanto ter raízes. Ou seja, precisamos ouvir e ver aquilo que se passa à nossa volta, e até dentro de nós, sem nos perdermos no meio de um labirinto de filosofias, religiões, espiritualidades, tradições e preconceitos – nossos e dos outros.
A nossa sociedade tem-se “perdido” e procura algum tipo de caminho, de luz, de liderança. Alguns falam de uma nova ordem mundial. Outros de “um homem” que seja motor da unidade internacional. A busca por uma direcção é real. Mas que direcção é essa?
Uma verdade sólida, permanente, absolutamente confiável. É disso que precisamos. Jesus disse ser essa verdade – não uma mera ideia vaga e mutante conforme o ambiente e a opinião pública. A verdade que nos aponta o caminho e nos dá a vida completa de que precisamos. “Tem razão” pode alguém dizer... e ficar por aí.
Lê-se a Bíblia. Percebe-se que Deus ama cada homem e mulher, independentemente da sua condição, e que deseja relacionar-se com cada um de nós. “Tem razão” pode alguém dizer... e nada mais acontece.
Uma voz cá dentro, diz que a vida é mais do que esta rotina. “Tem razão” pode alguém dizer... e tentar silenciar este sufoco interior com um copo, um ‘risco’, um momento, um escape qualquer.
Ouve-se a mensagem dos cristãos: o homem está separado de Deus, não se consegue aproximar d’Ele pelo seu próprio esforço, mas Jesus veio dar-lhe essa possibilidade de forma perfeita e completa. Só precisamos aceitar essa verdade e seguir Cristo. “Tem razão” pode alguém dizer... e ir à sua vida.
É tempo de decidirmos onde está “a” razão, “a” verdade que orienta, suporta e transforma a nossa vida. Só podemos atingir altos padrões de “qualidade de vida” se estivermos profundamente ligados à fonte dessa vida, à verdade inabalável que deseja tirar-nos da condição de meros ser viventes e transportar-nos para a posição de filhos de Deus, com tudo o que isso implica.
Eu não quero apenas concordar com Deus. Eu quero viver e crescer enraizada n’Ele... mas primeiro preciso, votando ou não, decidir se é desse lado que quero ficar.
Mais do que “fazer campanha” para ter razão, Deus deseja primeiro que O experimentes no âmbito pessoal, através de Cristo, e depois no âmbito comunitário, através da Sua igreja. Não Lhe dês apenas razão. Dá-Lhe a tua vida.
“Então não seremos mais como crianças instáveis, variando com facilidade de ideias e de sentimentos, influenciados pelos ventos de doutrinas várias que nos empurram ora para um lado ora para o outro, ao sabor de pessoas sem escrúpulos que astuciosamente procuram arrastar as almas para o erro. Em vez disso, seguindo a verdade em amor, que possamos crescer, em todos os aspectos da nossa vida, segundo Cristo, que é a cabeça da igreja” (Efésios 4:14 e 15, versão “O Livro”).


Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Agosto 2009