06 dezembro 2013

O envelope perdido

Estávamos a chegar de mais um dia de trabalho, transito, compras, etc. Tínhamos acabado de estacionar e, ao sair do carro, mesmo “à minha porta”, estava um grande envelope no chão, que outrora fora branco.
Olhei duas vezes e pensei que talvez não fosse importante... mas, movida pela curiosidade feminina, apanhei-o do chão. Era um pouco volumoso. Lá dentro, descobrimos a quem pertencia. Por portas e travessas, conseguimos o contacto. O dono, agradeceu. Eram documentos importantes que ele tinha perdido, não sabia bem como.
Quando perdemos alguma coisa que é importante, ficamos com alguma angústia. Mas quando perdemos uma pessoa, pela separação da morte, ou pela distância, e a deixamos de ter junto a nós, a dor é muito pior.
Mais ou menos como o pai da história que se segue...
Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Dá-me agora a minha parte da herança a que tenho direito!' O pai concordou então em dividir a fortuna entre os filhos. Poucos dias depois, este filho, já na posse de tudo o que lhe pertencia, partiu para uma terra distante, onde desperdiçou o dinheiro com pândegas e na má vida.
Ao mesmo tempo que o seu dinheiro se acabava, a terra foi assolada por uma grande fome e ele começou a passar privações.  Foi então ter com um lavrador que o contratou para lhe tomar conta dos porcos. O jovem sentia tanta fome que até as bolotas que dava aos porcos lhe apetecia comer. Mas nem isso lhe davam.
Quando, por fim, caiu em si, disse consigo mesmo: 'Na casa de meu pai, até os trabalhadores têm comida em abundância e afinal eu aqui estou a morrer de fome! Vou voltar para o meu pai e dir-lhe-ei: 'Pai, pequei contra o céu e contra ti, e já nem mereço ser chamado teu filho. Peço-te que me contrates como trabalhador.'
Pôs-se então a caminho de casa. E ainda vinha longe, seu pai, vendo-o aproximar-se, e cheio de terna compaixão, correu ao seu encontro, abraçando-o e beijando-o. O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já nem mereço ser chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos criados: 'Depressa, tragam o manto melhor que houver em casa e vistam-lho; e ponham-lhe um anel no dedo e calçado novo! Matem o bezerro que estamos a engordar; porque vai haver grande festa, pois este meu filho estava como morto e voltou à vida; estava perdido e tornou a ser achado.' Com isto começou o banquete.” (Lucas 15:11-24, OL)
Este filho, perdeu-se nos caminhos da vida. Do mesmo modo, o ser humano tem-se perdido nos seus atalhos e decisões. Mas, assim como o pai da história se despojou da sua posição de senhor respeitado da comunidade para correr até ao seu filho sujo, por dentro e por fora, e recebê-lo de braços abertos, Cristo deixou a glória para dar a vida por nós, esperando-nos cada dia que passa para nos receber.
Resta-nos, como aquele filho, reconhecermos a nossa condição. Erramos. Somos pecadores. Precisamos voltar-nos para Jesus, que continua de braços abertos não apenas para nos acolher como estamos e somos, mas para nos limpar e restaurar, trazendo-nos para a família de Deus – a Igreja – lugar onde somos filhos amados e servos amorosos, onde crescemos n’Ele, com Ele e para Ele, onde esperamos pelo dia em que O vermos, face a face, e poderemos agradecer a Sua graça e misericórdia, eternamente.


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, dezembro 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 dezembro 2013

A escova especial

Andaste desde segunda-feira a “sonhar” com a quarta-feira. Ias ter a tarde livre e podias dormir uma sesta. Mas, ao almoço recebeste um sms da tua mãe “limpa o teu quarto e aspira a casa, por favor”. Não te apetecia muito, mas sabes que deves ajudar... e a verdade é que, desde que começaram as aulas, o teu quarto não tem uma limpeza “a sério”.

Pano do pó, aspirador, e lá vais tu! Secretária: OK. Estante: OK. Cómoda: OK. Roupeiro: OK. Cama: OK. Mesa de cabeceira... “AH! Tanto pó...” queixas-te enquanto limpas o livro que tinhas prometido ler todos os dias: a Bíblia.

Hoje podemos ter a Bíblia em livro, em áudio, no smartphone, no tablet, no portátil... mas será que por termos mais lemos mais? Um dia destes invento uma “escova especial” para Bíblias em formato livro, porque, infelizmente, temos muitas Bíblias em casa, mas somos capazes de não a ler durante dias, semanas e até meses. Uma escova especial para este fim dava muito jeito!

Sabes, a Bíblia não é um “acompanhamento” na vida cristã. Ela é o nosso “prato principal”. Assim como precisamos de ter uma alimentação saudável para o nosso corpo, precisamos de alimentar bem a nossa alma. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:4, ARA).  Pedro aconselha “desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo.” (1 Pedro 2:2)

No entanto, para termos um corpo são precisamos, além de uma boa alimentação, exercício físico. O mesmo acontece na vida com Deus. Não basta estarmos “a abarrotar” de Bíblia... é preciso exercício! “Ponham a palavra de Deus em prática e não se contentem com ouvi-la, porque desse modo enganam-se a si mesmos. Aquele que se contenta com ouvir e não põe em prática a palavra é como alguém que se vai ver ao espelho. Vê a sua cara mas, mal se volta, esquece-se logo de como era. Pelo contrário, aquele que presta atenção à verdadeira lei, a da liberdade, e que continua a fazer caso dela, não é como um simples ouvinte que se esquece logo. É alguém que ouve e pratica. E assim é que ele encontrará a felicidade.” (Tiago 1:22-25, BPT)

Estou contigo!

Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, dezembro 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 novembro 2013

Livre... de mim mesmo?


Já passaram uns mesitos desde o retiro. Na altura disseste, convicto “Desta vez é que é! Vou seguir Jesus custe o que custar...”. A verdade é que tentaste, mas depois de alguns dias, voltou tudo ao mesmo... “A culpa é do diabo! Ele passa a vida a tentar-me...”, dizes. Mas será que a culpa é mesmo toda dele?

Costumo dizer que “o diabo tem as costas largas”. É verdade que ele é inimigo de Deus e nosso. Mas também é verdade que ele não tem a culpa das nossas más escolhas. Pensa nisto:

1) Ser tentado é uma coisa, pecar é outra. Jesus, quando ensinou a oração do Pai nosso, disse: “não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.” (Mateus 6:13a, ARA).

2) Se brincas com o fogo, queimas-te. Quando perguntamos “que mal faz?” em vez de “que bem me faz?”, procuramos desculpas e esquemas para vivermos no limite, sem pensar no que Deus pensa do assunto, estamos a criar o ambiente para pecarmos. O diabo quase não precisa fazer nada, porque nós próprios nos estamos a pôr-nos na “boca do lobo”. “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

3) Guarda o teu coração. “Cria em mim, ó Deus, um coração limpo, e dá-me uma mente renovada e firme.” (Salmo 51:10, OL) “O que acontece é que, quando uma pessoa é tentada, são os seus próprios desejos maus que a seduzem. Depois, essa maldade, se lhe cedemos, dá nascimento ao pecado; e este, por sua vez, provoca a morte.” (Tiago 1:14-15, OL)

Como canta Michael W. Smith, num dos seus últimos álbuns: “Tu salvas-me; Salvas-me de mim mesmo; Não há mais ninguém a quem me possa chegar; Salva-me; Salva-me de mim mesmo; Não há mais ninguém que me torne livre”*

A verdadeira liberdade é esta: viver com Deus e para Deus, sabendo que Ele está connosco, Ele nos guia, Ele quer o melhor para nós, e viver num respeito amoroso por Ele, confiando que a Sua vontade para nós não é castradora da nossa felicidade mas é “boa, agradável e perfeita” (Romanos 12:2)

Estou contigo!

Ana Ramalho Rosa



* “Save me from myself”, Música e Letra: Lau Hoejen Nielsen, Soeren Balsner, Morten Thorhauge, Álbum “Wonder”, Michael W. Smith, 2010

in revista BSteen, novembro 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico