11 abril 2010

Lama no jardim

Um texto dedicado a todos os que sofrem directa ou indirectamente com o caos da Madeira... e a todos os que são apanhados de surpresa pelos desaires da vida.
Como um jardim grandioso brilhava para quem lá vivia e visitava. Uma pérola no Atlântico, conhecida pela sua beleza natural. A festa do fim-de-semana anterior não adivinhava o Entrudo que iria avassalar aquele dia.
Em poucos minutos, o descalabro. Chuva acima do alerta. Torrentes que abalavam tudo o que se lhes aparecia à frente. Escombros embalados sem dó nem piedade por um temporal atroz.
O previsto mau tempo foi um imprevisto pesadelo que se materializou: derrocou esperanças e sonhos de dezenas de pessoas. Investimentos por água abaixo. Economias ruídas. Família desmembradas. Vidas interrompidas. Luto aguardado.
A lama espargida no jardim esconde e ofusca toda a beleza que antes o iluminava. O projecto ambicioso que ocupava as fotografias rasgou-se em mil pedaços e deixou alguns fragmentos limpos, outros irrecicláveis.
No melhor jardim derrama-se a lama mortal. No melhor pano cai a nódoa imprópria. Na vida mais solene e despreocupada, os desaires chegam sem aviso.
O mar de rosas que revela os espinhos escondidos, camuflados pela hipocrisia. A doença que surge sem ser convidada. Um emprego estável que termina abruptamente. Um ser humano que nos trata monstruosamente ao virar da esquina e nos tira a dignidade. A depressão que irrompe sem tréguas, depois de anos de apatia perante factos intragáveis. O companheiro que abandona a família sem razão aparente. O filho que se entrega ao isolamento e depois à morte planeada.
Os contratempos podem bater à porta nos melhores momentos da vida. Nunca lhes damos licença. Eles simplesmente surgem e marcam-nos para o futuro, de alguma forma.
O pânico toma conta de alguns. Outros, desligam-se numa introspecção paralisante. Para outros, os porquês e as questões são adiadas para depois da urgência. É preciso ir à luta. Arregaçar as mangas. Fazer alguma coisa.
O vazio das nossas perdas precisa ser enfrentado, mais cedo ou mais tarde. Olhar de frente, olhos nos olhos, os factos. Tratar deles e tratar de nós. Olhar em frente, para o que fica, para o que resta de nós, dos outros.
Há fenómenos que não podemos controlar, mas podemos decidir o que fazer quando eles acontecem.
Podemos plantar um novo jardim e apreciá-lo. Pelo menos, enquanto não vem a chuva e a lama. Investir em vidas, na nossa e na dos outros, enquanto temos força, e pessoas. Cruzar os braços é morrer antes de tempo, e deixar os outros murchar sem lhes dar um rasgo de alento.
Um texto que partilho para todos os que precisam de cura e recomeços: “Louvem o Senhor! Porque é bom cantar louvores ao nosso Deus! É tão agradável como justo que louvemos o Senhor! Ele está a reconstruir Jerusalém e a fazer regressar os seus exilados. Conforta os que têm o coração em chaga; cura-lhes as feridas. Sabe o número exacto das estrelas, identificando perfeitamente cada uma delas. Por isso o nosso Senhor é grande! O seu poder é absoluto! A sua sabedoria é sem limite!” (Salmo 147:1-5, versão “O Livro”)


Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Abril 2010

01 abril 2010

"Nós fomos avisados"

Esta é a frase que serve de slogan ao filme “2012”... A história baseia-se numa previsão dos Maias de que o mundo iria acabar precisamente nessa data.

Olhamos à nossa volta e temos consciência de que o nosso planeta está cada vez com menos recursos, há uma crise global. Sinceramente, o mundo está a caminhar para o estado final... Mas, será que vai terminar em 2012? E se não terminar nesse ano, tem um prazo de validade?

Quando Jesus veio à terra não Se importou apenas em resolver problemas do momento. Não ensinou apenas acerca do modo como os que O seguem devem viver. Jesus também falou acerca do futuro.

Nos capítulos 24 e 25 do evangelho escrito por Mateus, Jesus conta o que acontecerá antes d’Ele regressar à terra. Não dá uma data precisa, mas diz “Por isso, estai vós apercebidos, também; porque o Filho do homem há-de vir à hora em que não penseis” (Mateus 24:44)

Fomos avisados! Pessoas usam o rótulo de cristãos e enganam muitas pessoas. Confrontos militares por todo o lado. Fomes, epidemias e terramotos em vários lugares. Cristãos a sofrer perseguição e morte por seguirem o exemplo de Jesus. Pessoas que fazem coisas que provocam escândalo, traições e problemas nos relacionamentos. Muitas pessoas deixam de amar verdadeiramente pois há uma sociedade cada vez mais longe da vida boa que Deus criou para o ser humano: o pecado consciente e inconsciente multiplica-se, o amor esfria. As boas notícias do amor perdoador de Deus estão a chegar a todo o mundo.

O que te parece? O argumento de um filme? O último jogo para a tua consola? Não... estes foram alguns dos sinais que Jesus deixou. Ele não quis meter medo aos discípulos, mas desejava que os Seus amigos soubessem e estivessem prontos para esses momentos, de maneira a poderem viver com Ele para sempre.

O desafio de Jesus para os Seus discípulos ainda hoje está de pé. “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” (Mateus 24:13). Quem ficar, até ao fim, ao lado de Jesus será salvo de viver longe d’Ele na eternidade.

Viver com Jesus tem tudo a ver com o presente, mas muito mais com o futuro. Esta migalha de tempo em que estamos vivos não é nada a comparar com a eternidade com o Amigo que entregou a vida no nosso lugar!

O meu desejo é que a cada dia esteja mais próxima d’Ele. Mais perto do Céu, mesmo que aproveitando a vida fantástica que Ele me dá na terra.

Estou contigo!


Ana Ramalho


in revista BSteen, Abril 2010