27 novembro 2014

"Coisas feitas a dois tempos"

Um dia destes estava a ler Génesis e reparei em algo, que provavelmente tu também já reparaste.

O capítulo 1 e o capítulo 2 de Génesis são parecidos, porque falam do modo como Deus criou todas as coisas, mas mais importante ainda; falam do modo como Deus criou Adão e Eva. Podemos achar uma grande seca, que se trata apenas de uma história, ou até podemos ficar confusos… Afinal, pensar que antes de a Terra existir como a conhecemos não tinha forma e era vazia[1] (ou seja, provavelmente não tinha nada) é complicado! Estamos tão acostumados a ver árvores, plantas, montes, animais e outras coisas, que acaba por ser uma desafio à imaginação que do nada Deus tenha criado tudo – incluindo o ser humano, feito pelas Suas mãos.

O modo mais simples de olhar para este dois capítulos é este: o capítulo 1 fala-nos da Criação como se a estivéssemos a ver numa linha, em que cada dia que passa e que Deus faz algo, é marcado com um ponto. O capítulo 2 dá-nos uma descrição dos pormenores do que Deus fez… que durante o primeiro capítulo aconteceu tudo muito rápido em sete dias e que no segundo as coisas já levaram mais tempo. O que é certo, é que aquilo que lemos em Génesis 2 nos ajuda a perceber como era a vida depois de Deus a ter criado. Sabes, eu pensava que Adão não fazia grande coisa no Jardim do Éden, até ter tomado mais atenção e ler que afinal ele trabalhava (como já pudeste ler num dos Temas Proibidos)[2]

Quase a acabar os dois capítulos, podemos ler o que Deus deseja que seja a base do relacionamento entre o homem e a mulher. Deus criou o Homem à Sua imagem: homem e mulher[3]. Porque é que Ele fez isso e como? Deus viu que não era bom para o homem estar sozinho, apesar dele ser amigo de Deus, faltava-lhe uma companhia humana. Por isso Ele adormeceu Adão e retirou-lhe uma costela da qual fez a mulher. Tirou-lhe um pedaço do lado[4] para que ela não seja mais ou menos importante que ele (logo desde o princípio Deus mostra que a dignidade da mulher e do homem é a mesma), mas para que ambos possam olhar um para o outro, saber que são criados por Deus (ou seja, que não apareceram cá por acaso ou por causa de existirem várias coisas a misturarem-se ao mesmo tempo).

Adão e Eva são o “modelo”. Deus quer que na altura certa e com a pessoa certa, homem e mulher possam casar, respeitando-se um ao outro, e constituir família, tal como o próprio Senhor Jesus diz no Evangelho de Marcos[5][6].

Quero desafiar-te a leres estes dois capítulos, a pedir a Deus que Ele te possa ajudar a compreender o que lá está escrito e que possas olhar para o nosso planeta como algo importante! Deus criou tudo de modo perfeito e agradável vendo sempre que o que Ele criava era bom, para que quando criou algo que era muito bom (Adão e Eva) eles pudessem desfrutar, da maneira certa, de todas as coisas que foram criadas antes!

Ricardo Rosa


[1] - Genesis 1:1
[2] - Génesis 2:15,19-20
[3] - Génesis 1:27
[4] - Génesis 2:21-23
[5] - Génesis 2:24
[6] - Marcos 10:6-9




in revista BSteen, novembro 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

13 novembro 2014

Um homem diferente

Há uns anitos valentes, Carlos Baptista, um pastor e amigo, falou-me deste homem. Eu nunca tinha reparado nele até ali... gostava que o conhecesses.

“Ao chegar o dia da celebração, no qual se matava o cordeiro da Páscoa, que depois se comia com pão sem fermento, Jesus enviou Pedro e João à frente para que arranjassem onde preparar a sua refeição da Páscoa. ‘Onde queres que vamos?’, perguntaram. ‘Logo que entrarem em Jerusalém encontrarão um homem transportando um cântaro de água. Sigam­-no até à casa onde entrar’.” (Lucas 22:7-10, OL)

Naquele tempo era normal ver-se as mulheres, com os seus cântaros, ir buscar água fresca ao poço. Aquela não era a tarefa de um homem. Não sabemos bem porque é que aquele homem transportava um cântaro de água, mas a sua originalidade serviria como sinal para algo especial. Ele não sabia, mas estava a ser observado e seria um guia para os discípulos de Jesus encontrarem o lugar onde, entre outras coisas, iriam partilhar uma refeição todos juntos com Ele pela última vez, antes d’Ele ser preso.

Hoje há muitas pessoas à procura de alguém que lhes indique o caminho – que lhes dê esperança, uma direção -, porque sentem-se perdidas e até solitárias, mesmo no meio de tanta gente. É preciso haver alguém que não tenha vergonha de ter uma mensagem diferente, uma vida diferente, que lhes mostre o Caminho para a vida a valer: Jesus. E essa diferença não vem pela cor da camisola, o modelo dos ténis ou a capa do telemóvel. Essa diferença vem pelas coisas fantásticas que o Espírito Santo produz em nós, quando o nosso caráter muda, quando deixamos que Cristo seja não apenas um amigo, mas também o nosso Salvador e Senhor.

“Mas o fruto que o Espírito produz em nós é: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a delicadeza no trato com os outros, a fidelidade, a brandura, o domínio de si próprio. Em relação àqueles que vivem desta maneira, a lei nem sequer tem necessidade de existir.” (Gálatas 5:22-23, OL)

Tem coragem para ser diferente – à maneira de Jesus -, e levar o Seu amor aos que estão à tua volta.

Estou contigo!


Ana Ramalho Rosa


in revista BSteen, novembro 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

12 novembro 2014

“Toda a gente quer governar o mundo”*


A ambição por poder preenche as páginas da História revelando episódios de luta para governar, de boa e má governação.

Traições, mortes, guerras, subornos, e mil e um estratagemas que colocaram imperadores, reis, rainhas e presidentes no topo... e que também os tiraram de lá.

É interessante que a própria Bíblia menciona em vários dos seus livros a luta dos homens pelo poder, a todo e qualquer custo. Bons governantes, mesmo com as suas imperfeições, viveram e agiram de acordo com a vontade de Deus. Assim, vinha um tempo de avivamento espiritual que resultava em paz e prosperidade. Maus governantes, mesmo com as suas qualidades, viravam-se para o seu próprio prazer, para outros deuses, que não o Deus verdadeiro e o resultado era visível: apostasia de toda a espécie, guerras, destruição.

O título, “Toda a gente quer governar o mundo” (tradução livre de “Everybody wants to rule the world”), chamou-me à atenção numa manhã, pela rádio. A letra desta canção dos Tears fo Fears, que remonta aos anos 80, fala de aproveitar a liberdade e o prazer que a vida dá, uma vez que ela, conta a letra “não dura para sempre”. Fala do poder – ou da ilusão de poder – que temos ao decidir pelo nosso coração.

A letra reflete de algum modo aquilo que o Homem tem feito desde o início da sua História. “A serpente, que era o mais astuto de todos os animais selvagens criados pelo Senhor Deus, disse à mulher: ‘Com que então Deus proibiu-vos de comerem do fruto de todas as árvores do jardim!’ Mas a mulher respondeu-lhe: ‘Nós podemos comer o fruto das árvores do jardim. Só nos proibiu de comer do fruto da árvore que está no meio do jardim. Se tocássemos no seu fruto, morreríamos.’ A serpente replicou-lhe: ‘Não têm que morrer. De maneira nenhuma! O que acontece é que Deus sabe que no dia em que comerem desse fruto, abrir-se-ão os vossos olhos e ficarão a conhecer o mal e o bem, tal como Deus’.” (Génesis 3:1-4, BPT)

Na ânsia de controlar a sua própria vida, o ser humano decidiu desobedecer à única ordem que Deus deixou... nos argumentos da serpente, ele seria “tal como Deus” (versículo 4). Deus, o Criador, não foi um governador tirano, repressivo, ditador. Ele deixou que o Homem O escolhesse... ou não! E ao escolher desobedecer a Deus, o Homem traçou a sua decisão e as consequências da mesma. Quis governar-se a si mesmo, quis dominar o seu destino. Acabou escravo da sua própria natureza, corrompida pela separação voluntária relativamente a Deus. Escravo da sociedade que construiu, com os seus valores decaídos. Escravo da pessoa que ouviu, Satanás, mesmo que disfarçado de todas e quaisquer maneiras ou “boas intenções”.

O resultado de toda a gente querer governar o mundo – mesmo que seja apenas o “seu” mundo – não tem sido famoso. Em termos gerais continuam o crime, a suspeita, o ciúme, a ganância, a prepotência, o escárnio, a inveja... e a lista continuaria. Os sistema políticos falham. As reformas sociais são limitadas. A solução está na intervenção no coração do Homem, uma vida de cada vez. Em vez de se autogovernar numa libertinagem que é maior ou menor, de pessoa para pessoa, o Homem necessita aceitar o reinado de Deus na sua vida, no seu mundo. Precisa arrepender-se dos erros e decisões realizados contra Deus, contra ele mesmo e contra os outros... todos e cada um!

A profecia para o povo de Israel aplica-se de alguma forma a todos nós, quando decidimos aceitar livremente a soberania de Deus nas nossas vidas: “Vou dar-vos um novo coração e um novo espírito. Em vez do vosso coração de pedra, vou dar-vos um obediente coração de carne. Vou pôr o meu espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às minhas leis e aos meus mandamentos que vos dei.” (Ezequiel 36:26-27, BPT)

Ana Ramalho Rosa


* Tradução livre do título da canção “Everybody wants to rule the world”, tema escrito por Chris Hughes, Roland Orzabal, Ian Stanley. Interpretado pelos Tears For Fears, nos anos 80.

in revista Novas de Alegria, novembro 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico