15 dezembro 2008

Oração espontânea


Pai,

Hoje, descalço as sandálias da minha auto-suficiência, porque preciso estar Contigo. Reconheço isso. Não porque seja uma acção obrigatória, uma mera reacção religiosa, um simples costume, mas porque Te reconheço como Aquele que merece tudo o que sou e tenho. Talvez seja um absurdo, no raciocínio humano, uma atitude tão radical. Mas eu não Te quero apenas como meu Ajudador. Não quero que sejas um simples prestador de serviços, nem um mero S.O.S. nas horas da angústia. Principalmente, quero reconhecer a minha dependência da Tua graça, amor, perdão, justiça, santidade... e de todos os atributos indescritíveis que tens em absoluto... e que eu conheço tão bem no papel, mas preciso reconhecer tanto na minha vida!

Enquanto abandono as minhas sandálias à porta da entrada, penso na emoção, nas sensações efémeras, mesmo que marcantes, que fazem parte da vida Contigo, mas o que me preenche é mais profundo, mais relevante. Estamos juntos todo o dia e conversamos, mas há "aquele" momento. Estar Contigo é o que preciso hoje, como sempre. Tu estás sempre comigo, eu sei...

O meu relógio quer-Te colocar no instante mais efémero do meu histórico diário. Esqueço que só contigo sou capaz de mudar a minha história, de virar a página, ou de continuar a escrever o mesmo assunto... Ajuda-me a pedir-Te inspiração para escrever o guião da minha vida, a cada dia.

Dobro os joelhos do meu coração, prostro o meu orgulho completamente, perante Ti. Sei que sem Ti não sou nada. Fico admirada como mesmo apesar de todas as vezes em que Te deixei à minha espera para conversarmos, acabaste por me abençoar e ajudar... A Tua graça é tão grande...

Luto entre as minhas e as Tuas prioridades, como se as Tuas prioridades não fossem as minhas... Mas são. Ou deviam ser.... É por isso que o nosso momento a sós faz-me muita falta. Faz-me falta conhecer o Teu coração, perceber mais do que as letras da Palavra... Compreender-Te, estender o meu olhar além do meu mundo limitado e mesquinho, pelas coisas que tenho deixado ficar no sótão da vida, que precisas ajudar-me a mudar, quando estamos face a face, mesmo sem Te ver.

Descubro que Tu não vês as pessoas como eu vejo, na sua simples aparência, mas olhas para o coração, para a raiz de toda a acção exterior... mesmo para o meu... e eu preciso que me auscultes todos os dias, para ter um coração mais parecido com o Teu.

Deus, ajuda-me a valorizar a Tua presença – em todos os momentos e nos momentos especiais!


Assim seja.

02 dezembro 2008

Natal na falência?

O Mundo foi surpreendido pela falência do banco de investimento Lehman Brothers (E.U.A.). A economia mundial está caótica. E o Natal?
Quando se trata de questões financeiras, não precisamos ser peritos em economia para compreender os dias complicados que estamos a viver. No entanto, poucos sabem que o Natal está na falência.
As luzes brilham, as montras despertam a nossa atenção, os spots publicitários deliciam miúdos e graúdos. Mas, onde fica Cristo nisto tudo? Não era suposto celebrarmos o Seu nascimento? Não estaremos a “roubar” a importância de Jesus?

O NOSSO DESFALQUE
A nossa sociedade esqueceu a essência desta época festiva. A ênfase está nos presentes (mesmo que o cartão de crédito chegue ao limite do plafond), na reunião da família ou na “caridade de conveniência” que todos temos nessa quadra. Dizemos, com as nossas acções: “Desculpa lá, Jesus! Temos coisas mais importantes do que Tu para pensar nesta época!”.
Celebramos o Natal, sem comemorar o nascimento Daquele que Se ofereceu integralmente em prol da nossa reconciliação com Deus. Ou seja, fazemos uma homenagem, ignorando o Homenageado. Retirámos o verdadeiro sentido à festa natalícia.
A nossa alma – aquilo que de mais íntimo temos – afastou-se do propósito desta quadra.  Estamos, também, “sobreendividados” perante Deus, pelas coisas que pensamos, dizemos e fazemos contrárias à nossa consciência e ao Seu desejo. Mas, o nosso pecado primário, está em sermos cúmplices na falência do Natal.

O AMOR DO FIADOR
Apesar de tudo, Cristo ofereceu-Se, por amor, como Fiador da nossa dívida para com Deus, e espera que Lhe peçamos ajuda. Em vez de nos processar pelos danos que Lhe causámos ao pecar e ao esquecê-Lo, Ele quer-nos dar a oportunidade de restabelecermos o verdadeiro Natal.
Ele deu-Se, sem esperar nada em troca. Jesus investiu a Sua vida pela nossa vida quando esta estava completamente falida. Jesus é perito em recuperar pessoas. Ele deseja dar-nos um futuro com propósito, verdadeiramente feliz e completo. Foi por essa causa que Jesus Cristo veio ao Mundo. Por isso, cada pessoa que O recebe pode fazer a verdadeira festa do Natal, uma celebração grata e sentida pela maior dádiva que a Humanidade já recebeu - Jesus.
“De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. (...) Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hebreus 7:22 e 25).
É por causa de Jesus que a minha vida não está falida. E a tua?


Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Dezembro 2008

01 dezembro 2008

Ao Serviço no Natal

Nesta época tão especial, mil e uma caras e instituições promovem a ajuda ao próximo. Isso não é mau, muito pelo contrário. No entanto, há quem esteja todo o ano ao serviço do Natal.
É bom preocuparmo-nos com os mais carenciados nesta época. No entanto, há quem o faça todo o ano. No meio evangélico, há centenas de pessoas que, dia após dia, servem a Deus através do apoio aos sem-abrigo, comunidades terapêuticas para recuperação de toxicodependentes, entre outros. São voluntários de corpo e alma ao serviço do Natal, todo o ano.
Existem centenas de cristãos que após o seu emprego, dedicam o tempo que lhes resta do dia a ajudar crianças e jovens na sua formação moral, espiritual e ética. Servem os mais novos com os seus talentos e tempo, procurando imprimir na nova geração uma relação pessoal com Deus e, por consequência, uma vida de inteira entrega aos Seus valores – aqueles de que esta sociedade tanto necessita. Para estes professores e líderes, o Natal é o ponto mais alto, pois esforçam-se o ano inteiro para transmitir o verdadeiro significado do Natal.
Dezenas de homens e mulheres têm uma grande responsabilidade e privilégio. Estão a tempo integral, comprometidos a levar uma mensagem de esperança às aldeias, vilas e cidades do nosso país… e do mundo! Eles deixaram carreiras de sucesso, empresas e um futuro aparentemente promissor para abraçar a vocação dada por Deus, para alcançar os Portugueses, onde quer que estejam. Eles querem que todos saibam o significado real do Natal. Eles querem que as pessoas conheçam Jesus.
Mas existe alguém que nos mostrou, verdadeiramente, o que é servir no Natal. Ele não apenas fez alguma coisa, mas entregou-Se literalmente como servo, através da Sua vida exemplar e através da Sua morte para que o homem possa alcançar vida com propósito. Ele abandonou o melhor dos lugares para servir toda a humanidade. Jesus é o centro do Natal e o grande modelo no serviço aos outros.
Que nesta data tão especial possamos relembrar o seu nascimento como um presente único, de um preço incalculável. Que seja um momento de celebração por aquilo que Jesus é, fez e faz por nós e em nós. Que possamos reflectir no Seu exemplo de servo, e ponderar se temos feito o nosso melhor com o tempo e as capacidades que Ele nos tem dado.
“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz;” (Filipenses 2:5 a 8 ARA)

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Dezembro 2008