08 setembro 2008

O gigante adormecido

O verdadeiro potencial da Escola Dominical 

Será que a Escola Dominical está ultrapassada? E que idades podem estar incluídas? Quais os melhores métodos e estruturas? O que fazer se ela está a “morrer”? Há mais potencial na Escola Dominical do que imaginamos.
“Escola Dominical: acordar o gigante adormecido” foi o título de uma revista “Enrichement Journal”1 em 2002. O próprio título faz-nos pensar... e muito.
Um gigante pode ser um “peso morto” difícil (ou impossível) de mover quando está a dormir. Pode ser um perigo eminente se toda a sua força estiver descontrolada ou focada nos objectivos errados. Simultaneamente, quando posto em acção para alvos concretos, a sua dimensão promove desenvolvimento e crescimento. A História tem uma palavra a dizer neste aspecto (veja o quadro “Começos”).

O POTENCIAL DA ESTRUTURA
Embora a expressão Escola Dominical não surja na Palavra de Deus, muitos dos peritos em Educação Cristã apontam o sistema de ensino exposto no capítulo 8 de Neemias como uma base estrutural para a Escola Dominical.

Esdras era o superintendente (v2), o manual era a Palavra de Deus (v.3) e os alunos eram homens, mulheres e crianças (v3; 12:43). Além disso, existiam treze auxiliares de ensino - professores (v.4;7;8) – que não apenas liam, mas explicavam o que Deus queria comunicar ao Seu povo. “E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse." (Neemias 8:8).

Outro dos muitos exemplos que poderíamos usar é o aspecto didáctico do ensino de Cristo. É brilhante como Ele comunicava com cada pessoa de acordo com aquilo que era conhecido para ela. Jesus falava de igual para igual. Não queria demonstrar a sua oratória ou eloquência, mas atingir as pessoas com a Sua mensagem.
“Uma das maiores forças para o rápido crescimento da Igreja em dois terços do mundo? É o ministério em comunidade, uma obrigação de todos os crentes e uma alegria para elas. A Escola Dominical tem essa virtude...”2 .
A primeira coisa que dá à Escola Dominical o seu potencial é a estrutura e metodologia de ensino. Aquilo que hoje as empresas chamam “nichos de mercado”, ou seja, grupos de pessoas com características muito específicas, já a Escola Dominical descobriu há muito tempo! O enfoque na faixa etária particular, articulado com o conhecimento pessoal dos alunos, permite estabelecer estratégias de ensino concretas que irão produzir mais e melhor fruto.

O POTENCIAL DAs MOTIVAÇÕES

Outro facto interessante é pensarmos nas motivações de Raikes. Ele teve compaixão e demonstrou-o pela sua acção consequente. Mais ainda, não se tratou de um evento momentâneo mas de algo contínuo, que revelou o sentido de compromisso do jornalista de Gloucester.

Sejamos pais, professores ou líderes, a nossa motivação para com este ministério é muito importante. Se o estamos a fazer por rotina, obrigação, para evidência pessoal ou porque “não havia outra coisa na igreja para fazer”, sem compreender que aquilo que dizemos, fazemos e somos está a moldar o carácter dos nossos alunos, podemos falhar o alvo.

O POTENCIAL DA CONTEXTUALIZAÇÃO

O objectivo de Raikes não era financeiro, mas humano. Ele queria que a vida daquelas crianças fosse melhor. Para isso ele não ficou preso aos métodos convencionais da época, mas revolucionou o modo de ensinar – tanto a Palavra de Deus como as outras matérias.

Quando nos tornamos “escravos” de métodos ou formatos, perdemos a noção do propósito da Escola Dominical. Importa sermos bíblicos a 100% mas também contextualizados, para evangelizar, formar e preparar para o serviço cristão as crianças, jovens e adultos. Ou seja, comunicar e apresentar o evangelho de um modo compreensível, de acordo com a idade, etc.
Mudar por mudar, mudar constantemente, pode levar também a uma insegurança e desconforto permanentes. Mas, às vezes, preferimos “morrer” a mudar... e esquecemos que connosco “morre” uma nova geração. Não precisamos temer a contextualização, mas a diluição da mensagem. Precisamos ponderar, planificar e orar muito antes de agir, mas se a nossa Escola Dominical está a decair, o melhor mesmo é actuar!
O desafio é gigante, tal como o potencial da Escola Dominical. Precisamos reflectir em que ponto está esse “gigante”. Adormecido? A mover-se no sentido errado? A caminhar firme e com sentido?
Estrutura, motivação e contextualização. Que Deus levante muitos “Robert Raikes” com visão, paixão e perseverança para alcançar biblicamente a nova geração.

Ana Ramalho 

1 Revista dedicada à liderança das Assembleias de Deus dos Estados Unidos
2 HORRELL J. Scott A essência da igreja São Paulo: Hagnos, 2004, pág. 124


Fontes: www.escoladominical.com.br; Revista Voz Missionária. Ano 75, Agosto-Setembro de 2004; www.infed.org,; pesquisa pessoal do pastor José Manuel de Sousa mencionada em  BAPTISTA Carlos, Escola Dominical I, Foz do Arelho: IBAD, 2006, Obra não publicada.

in revista Novas de Alegria, Setembro 2008

01 setembro 2008

Uma vida de compromisso

Sei que este vídeo anda a circular na internet... mas como alguns podem nunca ter visto, aqui fica. Mais que emocionados com a história, que possamos ser movidos a fazer mais para que o Reino de Deus cresça.

A fome não está em crise

A crise passou do carro para o prato. Esbarrou nos ricos e nos pobres. O mundo atravessa um momento de tensão. Se há coisa que está em crescimento é a fome.

crise global
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (dados de Outubro de 2007), o número de pobres em Portugal chega aos dois milhões, ou seja, um terço da população entre os 16 e os 64 anos.1 Onde há pobreza, há fome.

Há alguns meses um amigo meu comentou acerca de alguns assaltos a apartamentos, numa pacata cidade portuguesa. O que levavam os ladrões? Comida. 

Na mesma altura, estava a decorrer em Roma uma cimeira da organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura (FAO). O alvo dessa reunião era discutir a crise alimentar que está a afectar os países mais pobres."Vemos os mercados cheios de produtos e gente que não tem dinheiro para os comprar", disse a directora do Programa Alimentar Mundial (PAM) Josette Sheeran. Segundo ela, os objectivos do PAM passam cada vez mais por dar as populações dinheiro em vez de alimentos.2

A fome aperta no mundo inteiro. Aquilo que devia ser básico para todos, acaba por ser o “luxo de alguns”.

A Outra fome
Mas se há fome física, é certo, também há fome da alma. Aí, novamente quem vence é a fome. O fastio da boca não aplaca a fome interior.

Pagamos para nos satisfazerem uns minutos, umas horas, mas acabamos insatisfeitos. O mercado do entretenimento não é suficiente para saciar-nos. O restaurante do luxo é efémero. Acabamos muitas vezes a pensar, no final do dia, quando acharemos uma fonte que nos satisfaça em pleno. De facto, sentimo-nos consumidores insaciáveis, e infelizes por isso.

O OUTRO PÃO
Deus olhou para a humanidade e ofereceu Aquele que pode satisfazer a nossa necessidade interior: Jesus. “O pão verdadeiro é uma pessoa: é aquele que foi enviado do céu por Deus e que dá a vida ao mundo. (...) Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome. Quem crê em mim nunca terá sede.” (João 10:33-35 – versão “O Livro”)

Jesus é um “banquete” oferecido pelo Pai para preencher o vazio interior de cada ser humano. Quem “prova” é saciado plenamente. Ele é a resposta total e eficaz para a fome espiritual de cada homem, de cada mulher. Jesus produz mudança, transformando o interior morto, numa nova vida, numa nova natureza.

Embora Jesus seja a única forma permanente de satisfação interior, somos convidados a recebê-Lo ou rejeitá-Lo, determinando a satisfação ou o sofrimento eterno. A escolha é sempre nossa. Essa fome pode terminar.

Ana Ramalho

1 diario.iol.pt, 30 de Abril de 2008
2  Público, 4 de Junho de 2008


in revista Novas de Alegria, Setembro 2008

Um exemplo de vida

Sei que este vídeo anda a circular na internet... mas como alguns podem nunca ter visto, aqui fica. Mais que emocionados com a história, que possamos ser movidos a fazer mais para que o Reino de Deus cresça.