02 abril 2012

Cicatrizes

As marcas que ficaram. Os sinais que permaneceram. As lições que se escreveram na pele, no coração, na memória.
Cicatriz do tempo, da vida, das vertigens desencontradas no nosso momento de erro obscuro, do mal que entrou por outros na nossa fita, do plano desenquadrado que nos riscou, feriu, azedou... Mas que passou.
Quando as vejo lembro-me que já foram feridas e cortes. Quando tropecei incautelosamente. Quando me magoaram abruptamente. Quando o descuido irrompeu sem airbags preventivos. Quando o vidro fez o rasgo pontiagudo da dor.
Algumas mágoas foram saradas com paciência e dependência, aos Teus pés, em longas horas. Tempos de crescimento e maturação da minha frágil capacidade de ser totalmente Tua. Outros rasgos fecharam-se em copas com as ligaduras do medo, da introspeção, do pavor. Levaste tempo a desembrulhar-me de tudo o que me prendia para que os pudesses sarar. Depois, com o Teu amor meticuloso e sábio, reparaste o dano. A ferida fechou. Ficou a marca. O sinal. A lição. A cicatriz.
Quando olho para Ti e para as Tuas cicatrizes, vejo o Teu imensurável amor, a Tua justiça extravagante, a Tua santidade e fidelidade. Amas todos e morreste por cada um, para que o meu ‘eu’ dominador e ditador pecaminoso fosse justificado. És Santo e fielmente foste até ao fim com o Teu plano de viver e morrer por mim.
Essas marcas que tens no Teu corpo foram as feridas de onde jorrou o Teu precioso sangue, até à última gota. São sinais clarividentes do preço imerecidamente pago pelo meu horrendo pecado. São a maior lição que deste à humanidade: exemplo de amor, prova de graça, da Tua magnífica graça.
Poderia gritar aos quatro ventos que nunca lancei mão das armas do egoísmo, da teimosia, da superioridade para me defender, para atingir os outros. Estaria a mentir a bandeiras despregadas. Eu é que merecia o escárnio, o desprezo, a agonia, a condenação completa. Era eu. Eu merecia a cruz. Mas Tu foste no meu lugar. Foste até à morte. Passaste pelo processo que deveria ter sido o meu. Vieste, com a vitória da vida. Vida eterna. Vida em abundância. Vida plena, não apenas para mim mas para todos os que desejarem receber-Te como Salvador e Senhor.
A cruz e a tumba não são apenas os símbolos de uma época festiva que nos brinda o calendário. As Tuas cicatrizes não contam apenas uma história. Elas são o argumento final que mudou e muda a história de todos os que desejarem que os marques como filhos do Pai, com o selo insondável do Teu Espírito.
As Tuas cicatrizes. A minha salvação.
Obrigada, Jesus.


Ana Ramalho Rosa


in revista Novas de Alegria, abril 2012


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

01 abril 2012

O grande peso das coisas pequenas

Normalmente, temos a tendência de achar giras as coisas pequenas. Por exemplo, quando nasce um bebé, toda a gente o acha “fofinho” e engraçado. É pequenino e, por isso, todos lhe acham piada. Há também quem goste de fazer coleção de miniaturas de personagens de banda desenhada ou de filmes conhecidos.

Mas também é normal quase ignorarmos as coisas pequenas. Parece que nos esquecemos delas porque não são grandes, não dão nas vistas. Se estivermos com atenção, às vezes essas coisas pequenas, acabam por se tornar muito importantes.

Um exemplo disso é o um jovem argentino. Era um rapazinho pequeno, que gostava imenso de jogar à bola e que tinha o sonho de ser futebolista. Um dia, disseram-lhe que não ia poder jogar futebol profissional, porque tinha um problema de crescimento, que só se resolvia com uns tratamentos. Acabou por haver um clube, que decidiu pagar esses tratamentos e apostar nele. Chama-se Lionel Messi, tem 23 anos, mede 1.69m e por ser tão pequeno e irrequieto, passaram a chamar-lhe Pulga. Hoje em dia, é considerado um dos melhores jogadores de futebol do mundo.

A epístola de Judas pode caber nesta ideia. É uma carta tão pequena, que às vezes nem nos lembramos de onde está (encontra-se mesmo antes do livro de Apocalipse, na Bíblia). Com apenas 1 capítulo e 25 versos, Judas (não o que traiu Jesus, mas o irmão de Tiago) chama-nos à atenção para coisas muito importantes e que nos devem levar a estar irrequietos (no bom sentido).

Podemos achar que ela também tem problemas de crescimento. Afinal, em tão poucos versículos, pode dizer o quê de importante? Judas alerta-nos para estudarmos aquilo que aprendemos e para continuarmos a lutar no caminho de Deus, mesmo com as dificuldades que apareçam pela frente. A ideia original de Judas era falar sobre a salvação, mas Deus levou-o a escrever sobre outro assunto. Tal como Judas diz “Mas agora senti-me levado a encorajar-vos a combaterem pela fé que foi dada de uma vez para sempre aos santos.” (Judas 1:3, versão O Livro).

Hoje em dia a sociedade diz que tudo o que Deus nos mostra na Bíblia e que deseja para nós é pequeno e sem importância. Aprendemos coisas na igreja e na escola ensinam-nos outras, que acabam por entrar em choque. É importante confiarmos em Deus, crermos na Sua Palavra, mesmo que possa parecer sem sentido nos dias que correm.

Coisas que podem parecer pequenas, mas que são mesmo muito importantes, tais como orar ou ler a Bíblia, vão ajudar-nos a basear a nossa vida n’Ele. E esta sucessão de coisas pequenas vai levar a algo muito grande, que é a eternidade com Deus, mas também a dar um bom testemunho com as nossas vidas. Ou seja, mostrar, na prática, às pessoas que estão connosco todos os dias que o amor de Deus em nós, nos leva a amá-Lo e também a amar essas pessoas. Seja ouvindo um amigo triste, orando por um vizinho doente, falando de Jesus aos nossos colegas, etc, todas estas coisas pequenas, podem ter um peso muito grande, não só na nossa vida, mas também na vida daqueles que Jesus ainda não alcançou e deseja que nós alcancemos para Ele.


Ricardo Rosa


in revista BSteen, abril 2012

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico