08 novembro 2011

Dicionário de rua

As nossas ruas de alcatrão, caminhos em papel e autoestradas de fibra óptica estão cheias de definições directas e indirectas. Há um dicionário alternativo a ser construído por quem fala e por quem passa – um dicionário de rua.
Publicidade, livros, jornais, revistas, televisão, rádio, redes sociais, sites, blogs... através destes e outros meios forma-se e transmite-se o pensamento da nossa geração.
Num cartaz publicitário uma criança definia: “Obedecer – fazer o que apetece e depois sorrir para ser perdoado.” No início pensei “realmente isto mostra bem como são os miúdos... sempre a tentar passar das marcas sem ter castigo”. Mas, ao meditar um pouco, conclui que isto não é só coisa de crianças. Como humanidade fazemos a mesma coisa, descaradamente, há séculos. Queremos fazer o que nos apetece, sem pensar na opinião alheia, muito menos na opinião de Deus. E por falar nisso, até somos meticulosamente “educados” pelos “profetas da comunicação” – a começar na escola e a terminar em Hollywood – a pensar que Deus não existe, para não termos que pensar muito n’Ele, nem em conhecê-Lo ou agradar-Lhe.
Nada de novo... na história da relação de Deus com o homem, o relato explica como nos deixámos seduzir e, por vontade própria, voltámos as costas à felicidade perfeita em que vivíamos. “A serpente replicou [à mulher]: «Não têm que morrer. De maneira nenhuma! O que acontece é que Deus sabe que no dia em que comerem desse fruto, abrir-se-ão os vossos olhos e ficarão a conhecer o mal e o bem, tal como Deus.» A mulher pensou então que devia ser bom comer do fruto daquela árvore, que era apetitoso e agradável à vista e útil para alcançar sabedoria. Apanhou-o, comeu e deu ao seu marido que comeu também.” (Génesis 3:4-6, A Bíblia para Todos). Desde o princípio que somos assim. Queremos retirar qualquer tipo de autoridade do trono e que a “nossa” anarquia reine. Vamos mais pelo que vemos e sentimos do que pela confiança na alegria que nos oferece a obediência ao nosso Criador e Pai amoroso.
“O SENHOR Deus chamou pelo homem e perguntou: «Onde estás?» O homem respondeu: «Apercebi-me de que andavas no jardim; tive medo, por estar nu, e escondi-me.» Deus perguntou-lhe: «Quem é que te disse que estavas nu? Será que foste comer do fruto daquela árvore que eu tinha proibido?» O homem replicou: «A mulher que me deste para viver comigo é que me deu do fruto dessa árvore e eu comi.» O SENHOR Deus disse então à mulher: «Que é que fizeste?» A mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi.»” (Génesis 3:9-13, A Bíblia para Todos). Para ajudar à festa, queremos ser rebeldes sem sofrer as consequências disso. Fazemos “jogo de cintura”, escondemo-nos ou atiramos a culpa para os outros. Assumir um erro? Nem pensar!
A verdade é que a rebeldia não nos tornou mais felizes. A anarquia amarrou-nos a tudo, menos à liberdade. Substituímos Deus no trono por outros senhores: o prazer, a fama, o poder, o dinheiro. Estamos tão cheios de nós mesmos e do nosso pecado (desobediência passiva ou declarada à boa vontade de Deus), mas tão vazios por dentro. Tão maquilhados no exterior, mas tão podres no interior.
A nossa definição de vida pode mudar. O nosso dicionário pode ganhar outras palavras e ver outras tantas redefinidas pelo Autor da vida. Jesus veio revelar-nos quem Deus é e quem nós somos, se o desejarmos. Ao olhar para a Sua vida sem falhas e para o Seu amor infalível, demonstrado ao tomar o nosso lugar de rebeldes, insubmissos e pecadores numa cruz, somos impelidos a uma decisão. Aceitar o Seu controlo é a única forma de termos uma nova identidade e uma perfeita liberdade. “É que quando alguém está unido a Cristo torna-se uma pessoa nova. As coisas antigas passaram. Tudo é novo.” (2 Coríntios 5:17, A Bíblia para Todos).

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, Novembro 2011 


04 novembro 2011

O que Deus NÃO é!

Como sociedade estamos mal habituados. Achamos que a liberdade é um veículo que podemos usar para dizer o que queremos, fazer o que queremos e não nos importarmos com as consequências dos nossos actos. As pessoas são reduzidas a conceitos pequeninos, consoante o seu comportamento e categorizadas. Arrumam-se pessoas como se fossem livros, ao estilo de um bom bibliotecário. Seja pela capacidade ou pela desabilitação para algo, fazemo-lo constantemente e como qualquer prática social, existe a tendência de transportar isso para dentro da igreja. O problema não seria tão grande se isso fosse limitado ao ser humano… O problema torna-se infimamente maior (para não dizer infinitamente vasto) quando o fazemos com Deus.

A teologia sempre teve os seus hipsters[1] e as igrejas sempre tiveram, têm e vão ter os seus membros mais progressivos e visionários. O erro crasso aparece na progressão desordenada e na tentativa de pegar a Deus rótulos do que Ele não é. Por vezes, o conforto pessoal leva a que atribuamos a Deus características que Ele não tem. Por exemplo, para se justificar a prosperidade financeira de algumas pessoas, usa-se o dizer “Deus é o Deus da prata e do ouro”. Na verdade, o senhorio de Deus é pleno e total em relação a tudo. Tudo Lhe é sujeito pela Sua vontade, excepto aqueles que decidem rebelar-se ou ignorar o chamamento nos seus corações. Mas isso não é válido para podermos estender este tipo de argumentos, além do que é claramente razoável e sensato. Obviamente, que Deus pode abençoar de modo material, mas a verdadeira abundância vem no sentido espiritual e do modo como Ele nos transforma após aceitarmos Jesus como Senhor e Redentor[2]. A primeira não substitui a segunda, nem tão pouco lhe é semelhante.

Entre as coisas que Ele não é, podemos destacar algumas simples e que são repetidas incessantemente hoje em dia. Deus não é um facilitador, ou seja, Deus não serve como alavanca para puxarmos algo, como degrau para mexermos nas bolachas no alto do armário ou como almofada para descansarmos a cabeça. Por outras palavras, Deus não é um instrumento que nós usemos, mas nós devemos ser instrumentos que Ele cria, molda e usa[3]. Jesus ensina-nos que devemos pedir ao Pai que envie trabalhadores para a seara[4] num exemplo da nossa submissão, amor e desejo de sermos usados por Ele. A ética utilitarista não tem espaço na igreja local, muito menos na Igreja universal. Deus ama-nos e entregou o que de melhor tinha por nós, para que nós possamos ter um novo começo, num caminho que apesar de ser estreito, tem a recompensa final acima do que os olhos podem ver e o coração sentir.

Deus não é bipolar. Em traços muito claros, Deus não é simplesmente um ser numa altura e noutro espaço de tempo outro ser. O modo como olhamos para Deus, leva a que por vezes seja declarado que o Deus do Novo Testamento é amoroso, compassivo e apaixonado pela Sua criação, enquanto o Deus do Antigo Testamento se situa algures entre um guarda prisional cruel e punidor de pecado e um totalitarista castrador de liberdades. Antropomorfizar Deus (isto é, atribuir-lhe características humanas), é um exercício complicado e deve ser feito com cuidado. As nossas limitações e falhas, levam a que mesmo as nossas melhores características sejam faltosas e isso não se aplica a Deus. Deus revela-se ao Homem através da Palavra, escrita por homens falíveis e com problemas.

O facto de a Escritura ser inspirada, não implica que a mesma seja claramente ditada ou citada, mas também não implica que o que está escrito, seja objecto de renúncia intelectual ou de descredibilização. Deus é Deus, o Seu imenso amor por todos nós está bem vincado[5]. Mas a Sua santidade e justiça também [6] são características notadas e não podemos diminuir umas, relativizando-as ou esquecendo-as, para elevar as que são do nosso agrado. A confrontação dos padrões morais e comportamentais humano e divino, vai obviamente produzir diferenças e outras discrepâncias, mas no meio de tudo, o lugar e posição de Deus são o de soberania e perfeição. O mesmo Pai que nos ama loucamente, é o mesmo Pai que corrije, repreende e castiga o Seus filhos e filhas[7], não porque seja um pai tirano, mas porque a palmada pedagógica resolve muitos problemas futuros.

Existem muitas mais coisas que podemos constatar que Deus não é, apesar de existir quem Lhe tente colar o rótulo. Deus não é masoquista (ao contrário do que muitos possam pensar) e não teve qualquer prazer em Jesus ter agoniado na cruz. Deus também não é o Ministério das Finanças ou uma entidade carente dos nossos donativos e muito menos um banco com quem negociamos empréstimos (nas mais variadas formas e feitios de capital e pagamento).

Existe algo que Deus é, independentemente de tudo com que O tentem adjectivar. Deus é Pai, preocupa-se com os Seus filhos e filhas e não deseja que nenhum de nós se perca ou não O conheça[8]. Muito pelo contrário, que todos O possamos conhecer como Ele realmente é e não com as más imagens e figuras que são criadas d’Ele, por quem também não O conhece.

Ricardo Rosa

[1] - Subcultura social que valoriza o pensamento progressivo, a contra-cultura, a liberalidade e a atitude “faça você mesmo”
[2] - João 10:10
[3] - Romanos 9:20-21
[4] - Mateus 9:36-38
[5] - João 3:16-17
[6] - Levítico 20:7,26; Deuteronómio 32:4; Jó 9:19; Isaías 5:16
[7] - Apocalipse 3:19
[8] - João 6:38-40

01 novembro 2011

Entra na onda!

Sei que não é meu hábito usar este espaço para falar do resto da revista, mas vou fazê-lo este mês. Talvez sejas uma das pessoas que esteve no ENJUV2011 (Encontro Nacional de Juventude das Assembleias de Deus) e tenhas vontade de passar imediatamente para as próximas páginas... mas espera! Ou, por não teres tido oportunidade de ir, estejas curioso com o que aconteceu por lá... aguenta 3 minutos!

O ENJUV foi um tempo que marcou profundamente quem lá esteve. Foi um evento importante – mas é bom que não fique por aí. Nas mensagens que escutámos, o desafio foi feito em 4 passos:
- Qual é a tua História? – deixa Deus limpar a lama do pecado e fazer aparecer a obra prima que Ele criou – cada um de nós;
- O poder do Espírito Santo – aprende a escutar Deus, a conhecer a Sua Palavra, e a responder positivamente à vontade de Deus, para que Ele te transforme dia-a-dia;
- Sê o corpo – vê as pessoas como Deus vê, alcança-as para Ele, ou seja, age como igreja, como parte do Corpo de Cristo;
- A História continua – entra no processo de crescimento de Jesus, equipa-te para alcançar outros.

Na última mensagem o pastor John Burke comparou a igreja a uma onda. Uma onda é constituída por pequenas partículas de água juntas, movidas pelo vento, pelas correntes... da mesma maneira nós devemos, unidos, ser movidos pelo poder do Espírito Santo para criar impacto na nossa nação. Sozinhos não fazemos muito mas unidos e com o poder de Deus podemos ser usados por Ele de uma maneira sobrenatural. Esse impacto precisa ser continuo, independentemente se estiveste ou não no ENJUV.

Lembra-te que Deus quer continuar o teu processo de crescimento pessoal, baseado na intimidade que crias falando com Ele e no contacto com a Sua Palavra, mas para isso deves estar disponível e fazer a tua parte. Jesus quer usar-nos a todos e a cada um para fazer a Sua Igreja crescer. Precisamos fazer o Seu nome conhecido no meio dos nossos amigos. Eles precisam saber como Deus os ama e como eles precisam conhecer pessoalmente Deus para que, também eles, descubram que o pecado, as más escolhas, a rebeldia, nos afastam de Deus e do Seu plano para nós.

Algumas dicas práticas, que já conheces provavelmente mas que é sempre bom relembrar:
- Diariamente - Continua em contacto com Deus (alguns estão a fazer a Experiência 60/60, que podes conhecer na reportagem), lê a Sua Palavra e responde aos desafios de Deus para ti. Se ainda não conheces Deus pessoalmente, desafia-O na tua vida. Fala com Ele de uma forma sincera e pede-Lhe para Se revelar. Lê a Bíblia também nesse sentido (João, Marcos, Lucas, Mateus ou Salmos).
- Semanalmente - Frequenta os cultos de oração e estudo bíblico da tua igreja local. Usa a tua Bíblia, lê e medita. Arranja um bloco ou caderno para tirar apontamentos e depois reler em casa:
- Regularmente - Procura fazer um curso bíblico (EETAD, por exemplo) e/ou livros que te ajudem a conhecer melhor a Palavra de Deus. Se tiveres um pastor, líder de jovens, professor de Escola Dominical ou um amigo adulto com bom testemunho que te possa ajudar nessa descoberta, melhor;
- Campanha Minha Esperança Portugal - Fala com o teu pastor e informa-te. É uma oportunidade EXCELENTE para os teus amigos conhecerem Jesus. Pensa em 10 pessoas, ora por elas e pede a Deus oportunidades para ajudá-las e convidá-las. Informa-te em minhaesperanca.org

“Mas o fruto que o Espírito produz em nós é: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a delicadeza no trato com os outros, a fidelidade, a brandura, o domínio de si próprio. Em relação àqueles que vivem desta maneira, a lei nem sequer tem necessidade de existir. E a razão é que os que pertencem a Cristo crucificaram com ele a sua velha natureza com as suas paixões e baixos instintos. Portanto, se realmente vivemos sob a acção do Espírito, sigamos fielmente as suas indicações, a sua inspiração.” (Gálatas 5:22-25, versão “O Livro”)

“O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é verdade. É um escudo para com os que procuram a sua protecção.” (Salmo 18:30, versão “O Livro”)

“Mas receberão poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos lugares mais distantes do mundo” (Actos 1:8, “A Bíblia para Todos”)

Só temos duas hipóteses: ou entramos na onda ou deixamos a onda passar. Eu quero fazer parte. E tu?

Estou contigo!


Ana Ramalho


in revista BSteen, Novembro 2011