17 junho 2009

15 junho 2009

Cantar no deserto?



Quando passamos pelos desertos da vida, adorar a Deus continua a ser não uma obrigação, mas a expressão de um coração aberto para Ele, mesmo que ferido, simplesmente porque Ele é quem é.

Este vídeo retrata isso mesmo.

11 junho 2009

O poço

Estava um sol escaldante naquela manhã. Deixei o tempo passar, como todos os dias. Era preciso ir buscar água. É certo que a hora não era a melhor: meio dia. Eu só queria evitar os olhares, os comentários e o sentimento de inferioridade que me atormentava.

Naquele dia, algo especial estava para acontecer. Um encontro que mudaria por completo a minha vida. Não estava nada à espera... Um homem falou comigo. Um desconhecido, junto ao poço, começou por pedir água e terminou a inundar a minha vida de alegria e determinação.

Fez-me confrontar com a minha própria realidade e entender que precisava de algo mais que procurar o homem perfeito para a minha vida... Ele fez-me mudar de atitude, reconhecer quem era e como não conseguia continuar a procurar uma satisfação inatingível. Ele transformou o meu medo em coragem. Ele transformou-me. Jesus era o Seu nome. Simplesmente Jesus.

Uma samaritana

08 junho 2009

Santo e Ungido


Jesus é tudo o que diz esta letra e muito mais. A eternidade vai ser pequena demais para Lhe agradecer tudo o que Ele fez por nós... mas podes começar agora!

A salvação não existiria sem Jesus. Eu não seria perdoada se Ele não tivesse morrido por mim.

Se em vez de nos lamentarmos por aquilo que não "temos" fossemos gratos a Deus por tudo a que temos em Cristo, a nossa vida seria tão diferente.... Que o nosso coração seja grato, sempre grato a Jesus.

05 junho 2009

Fui adoptada

O caso da menina russa Alexandra está a dar que falar. Pais afectivos e mãe biológica procuram argumentos para defender a sua posição. A edição on-line do Diário de Notícias diz hoje que "Pai biológico da menina retirada ao casal de acolhimento de Barcelos diz que não os ajudará numa possível tentativa de regresso da menor a Portugal."
O facto é que a custódia foi dada por um tribunal português a Natália Zarubina. Alexandra vive agora na Rússia, envolvida numa polémica da qual não tem a mínima noção. E se a menina pudesse escolher? O que faria?

Quando eu fui adoptada, a escolha foi minha. Eu decidi. Não foi um juiz falível que decretou a minha mudança de filiação. Fui eu. Era menor, mas já tinha consciência de que não queria mais viver naquelas condições paupérrimas, miseráveis e devastadoras para o meu futuro como pessoa num todo.

Nasci condenada a brincar amarrada a uma terrível herança. Um erro dos meus antepassados. Um legado que me tinha sido imposto. Destinada a ir de mal a pior, entretida com toda a especie de vislumbres e sensações que, pelo meio, pretendiam abafar a realidade. O futuro era um barracão sem condições, um antro de dôr sem fundo que eu descobri a tempo e horas.

A contrapartida era aceitar uma nova família. A condição era negar o meu passado muribundo, tomar a decisão de ser irmã de alguém que estava disposto a ajudar-me a fazer parte daquela nova família. O Pai não me deixava viver "à minha maneira", mas, amoroso, queria ensinar-me uma nova forma de vida - aquela que realmente me ajudaria a ser feliz. Não me escondeu que me ajudaria a ver o que é certo e errado, aquilo que precisaria mudar no meu coração e no meu comportamento.

Aceitei ser adoptada por Deus Pai, ao receber no meu coração Jesus Cristo. Deixei um pai tirano, ladrão, enganador e destruidor chamado Satanás.
O meu Pai agora é amoroso, justo, compassivo, todo-poderoso, omnisciente e sempre presente.

Adoro o meu Pai! Sou feliz. E tu?

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adopção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado."
(Efésios 1:3-6, ARA)

03 junho 2009

Crónica de um pai abandonado


A minha rotina matinal era a mesma há mais de 40 anos. Primeiro a higiene, depois a oração e finalmente o pequeno almoço. Mas, naquela manhã, tudo foi diferente.

Acordei às 6h da manhã, e não conseguia adormecer, às voltas na minha cama. Durante semanas o meu filho mais novo, Nuno, insistia em vender a sua quota na nossa empresa para poder “seguir com a vida”, como dizia.

Conversámos horas acerca do assunto. Ele era destemido, mas inexperiente. Queria abrir um negócio por sua conta e risco, no sul de Espanha... Expliquei-lhe que era arriscado fazer sociedade num mercado desconhecido, com um sócio de quem mal sabíamos o passado.
“Não interessa, pai!” respondia ele “é a minha oportunidade de sair daqui, de ser independente, de viver a minha vida à minha maneira...”.

Um pai faz o melhor que pode para cuidar e educar os filhos, mas não pode amarrá-los à sua vontade, por mais bem intencionada que seja. Como não conseguimos comprador para a quota do Nuno, eu mesmo tratei de ficar com ela. Agora, tudo era possível...

6h30. Comecei a ouvir um barulho no andar de cima. Gavetas, portas a bater, passos apressados... o que estaria o Nuno a fazer? Alguém desce as escadas. A porta da rua fecha-se sem cuidado. O som de um automóvel faz-me saltar da cama e ir até à porta. Ele tinha partido.

Um recado em cima da mesa da cozinha apenas dizia “Adeus, pai. Quando chegar mando notícias”. A minha oração naquela manhã irrompeu com lágrimas de compaixão, em intercessão por aquele filho... Era um pai abandonado, sem razão plausível.

Dois dias depois, um telefonema para dizer que estava tudo bem. Os meses foram passando. As notícias eram cada vez mais espaçadas e menos “felizes”, até que deixaram de chegar. Tentei ligar vezes sem conta. Nada. As chamadas eram recusadas. Escrevi, mas a resposta não chegava, até que as cartas vinham devolvidas... Onde estaria o meu filho? Eu ainda o amava. O meu desejo era vê-lo, falar com ele, abraçá-lo...

O que eu não imaginava era que o Nuno iria mesmo regressar. Era um dia de chuva. Eu saí para ir almoçar. Antes de entrar no meu carro, um mendigo magro e nauseabundo aproxima-se de mim. “Estranho” pensei “aquele tipo é-me familiar”. Fiquei estático e, conforme ele se aproximava, ia reconhecendo o andar, a pose, o rosto.

“Pai! Perdoa-me! Pequei contra ti e contra Deus! Não mereço ser chamado teu filho...”. Ele tinha perdido tudo... mas ganhou coragem para regressar. Abandonou-se nos meus braços. Chorámos. Os funcionários começaram a aproximar-se, curiosos e preocupados, ao verem-me abraçado a um mendigo.

“Hoje ninguém mais trabalha! Vamos fazer uma festa!” gritei, enquanto limpava as lágrimas... “O Nuno voltou! Precisa de um banho e de uma roupa nova.. mas já vamos tratar disso. Preparem a celebração! Porque o meu filho estava perdido, mas foi encontrado. Estava morto, mas agora está vivo de novo”.

Deus também está à espera de cada homem e mulher. Ele deseja receber-nos, mesmo que o nosso coração esteja miseravelmente destroçado. Abandonemo-nos nos Seus braços de amor.

Ana Ramalho

(baseado na parábola dos dois filhos, registada em Lucas 15)


in revista Novas de Alegria, Junho 2009

Destroços

O acidente era imprevisível. Um avião ultra moderno, desenhado para resistir a todas e quaisquer intempéries. O voo AF-447, que pretendia sair do Rio de Janeiro e aterrar em Paris, levou aquelas 228 pessoas a um destino impensável e irremediável.

No intuito de saber o que realmente sucedeu, as autoridades competentes não param nas suas buscas na zona em que se encontraram os destroços do navio. O jornal Diário de Notícias explica que as caixas negras podem estar a mais de seis mil metros de profundidade. Afirma também que: "O director de comunicação social da Marinha brasileira alertou para o facto de ser mais difícil avistar destroços à superfície do mar do que do ar, através das aeronaves da Força Aérea."
Não me aventuro a tentar adivinhar o ponto de partida desta mórbida aterragem. Talvez uma serie de situações contribuíram para este terrível desaire. Erro humano; falha técnica; situação climatérica perigosíssima... Descobrir a causa de toda esta tragédia é mais do que a satisfação caprichosa da curiosidade humana. É desvendar responsabilidades, sim, mas também perceber o que amanhã poderá ser melhorado e cuidado para evitar ao máximo outra tragédia.

Nem todas as viagens da vida são tranquilas e seguras. Há acidentes dos quais nunca vamos descobrir as causas. Podemos ter todos os cuidados possíveis e imaginários. Não falhar a uma revisão... mesmo assim, no percurso, acontece o impensável. Os destroços ficam para lembrarmos que nada é nosso. Tudo é de Deus. Não controlamos tudo. Somos criaturas ínfimas que precisam submeter-se humildemente a essa realidade.

Mas nem sempre somos vítimas de desastres incontroláveis. Eles também acontecem por erro humano (o nosso) ou por falta de contacto com a Torre de controlo de Deus. Os destroços são a prova da nossa sabedoria e previsibilidade limitadas, apesar da tecnologia e da experiência. As nossas "caixas negras" urgem uma investigação séria e uma atitude consequente. Ao nos colocarmos perante a Palavra de Deus obtemos um relatório, com indicações para o futuro, que precisamos aplicar humildemente.

A cada dia, tenhamos consciência da nossa insuficiência pessoal e da nossa suficiência em Deus.

"Examina-me, ó Deus, observa o meu íntimo. Prova-me e analisa-me os pensamentos. Vê tudo o que haja em mim de mau, e conduz-me pelo caminho eterno!"
(Salmo 139:23,24 - versão "O Livro")