05 março 2010

What else*...

Uma máquina de café, um piano em queda livre, uma personagem que passa para o outro lado da vida.
De seguida o anúncio mostra-nos um diálogo entre uma personagem “terrena” e outra “celestial”. Não percebemos se o imaginário dos publicitários nos traz uma tentativa de representar Deus, Pedro ou um anjo. O que percebemos, no terminus do anúncio, é que a marca de café é tão valiosa que podemos usá-la para negociar com o Céu.
Rimos no final... mas será que a cena imaginada é assim tão diferente do nosso modo de pensar?
Talvez a mentalidade religiosa que herdámos de séculos esteja mais impregnada nas nossas células do que imaginávamos. Uma vida renascida em Deus, mas uma mente com necessidade vital de ser renovada para não ficar conformada.
“Fazer negócio com Deus? Jamais...” dizemos, levantando a bandeira da graça, enquanto subimos o monte das tradições que nos aprisionavam e esmagamos por um momento a cabeça da velhinha “salvação pelas obras”. Se calhar temos mais imaginação nesta defesa enigmática que o publicitário da máquina de café em cápsulas.
Quando faço qualquer coisa para que Deus me faça uma “festinha” na cabeça e me dê um “rebuçado”, estou a fazer negócio com Deus. Quando penso que o meu currículo espiritual O vai impressionar tanto que vou ter um cargo que me leve a ter poder, estou a fazer negócio com Deus. Quando imponho condições e faço “birrinha”, estou a fazer negócio com Deus. Quando ofereço os meus bens com a expectativa de ter 10, 100, 1000 vezes mais, estou a negociar com Deus. Quando uso uma falsa humildade que esconde o orgulho do interior empobrecido, procurando obter elogios e benesses, estou a negociar com Deus.
O amor de Deus não varia, mesmo que eu avarie no caminho. A graça de Deus permanece, mesmo que eu O abandone. A fidelidade de Deus é sempre presente, mesmo quando me ausento na minha infidelidade.
Que as minhas acções sejam uma resposta ao Seu amor. Que os meus pensamentos exprimam gratidão pela Sua graça. Que o meu caminhar declare um desejo de ser fiel Àquele que me garante a Sua fidelidade.
“Tão rica é a generosidade da sua graça, que ele pagou a nossa libertação através do sangue do seu Filho, e os nossos pecados foram perdoados. Graça essa que se traduziu abundantemente nas nossas vidas em sabedoria e compreensão, sendo assim possível termos conhecimento do plano que Deus tinha arquitectado a favor da humanidade, mas que mantivera por revelar até ao momento que ele próprio marcou.” (Efésios 1:7-9, versão “O Livro”)
What else*...

Ana Ramalho

*Frase publicitária da marca Nespresso, que significa “Que mais...”


in revista Novas de Alegria, Março 2010

01 março 2010

Quanto custa formar um Cristiano Ronaldo?

Este era o título do artigo de um jornal1. Quanto é que se pode gastar em escolas de futebol, viagens, etc. para alguém tentar ser um craque nos relvados?

Se for mesmo um campeão em potencial, então todo o dinheiro que se investir, vai valer a pena... vai haver muuuuuito “papel”. Mas, se não tiver queda para futebolista ou se for alguém preguiçoso, está-se a mandar dinheiro pela janela fora – não vale a pena.

Será que eras capaz de arriscar investir em alguém sem saber se essa pessoa iria ou não valer o esforço?

Até pode parecer “fora” o que vou dizer, mas há Alguém com um interesse desinteressado por ti. Não se trata de um treinador de futebol, nem de um academia que procura talentos... Alguém que investiu tudo o que tinha - incluindo a Sua própria vida – para que a tua vida pudesse ser transformada em algo bem melhor do que ter o bolso cheio de dinheiro e o coração vazio.

Uma pessoa super-importante que não se importa se vives no bairro mais pobre da cidade ou és da família com mais problemas do teu prédio. Ele não se interessa se tens uma vivenda com 10 W.C.s e 3 piscinas, ou se os teus pais têm um jacto particular. Ele pode tornar campeões da vida a todos os que quiserem... e Ele investiu tudo antes de nós decidirmos se queríamos recebê-Lo como Amigo e Treinador.

Jesus é essa Pessoa. Ele quer muito transformar o teu coração e dar-te uma vida a valer. Podes não conseguir marcar todos os golos na vida, mas com Ele podes ter a certeza que, no final, vais ter uma grande vitória.

“Onde há amor não há medo. Na verdade, o perfeito amor elimina toda a espécie de receio, porque o medo traz consigo a ideia de culpa, e mostra que não estamos absolutamente convencidos de que ele nos ama perfeitamente. A verdade é que nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:18-19, versão “O Livro”)

Experimenta Jesus!


Ana Ramalho


in revista BSteen, Março 2010

Nunca mais aprendo!

Uma nova situação. Um novo desafio. Esperar pela resposta... mais uma vez.


Perco a paciência quando tenho que esperar muito porque gosto de velocidade. Fazer as coisas depressa. Estar sempre a acelerar.
Já foi pior! Quando era mais nova, ficava deprimida se as coisas não aconteciam de imediato e como eu queria... agora estou um bocadinho melhor.
Às vezes, como diz uma amiga minha, Deus faz-me sair da auto-estrada e andar por estradas cheias de curvas, com sinais que me fazem ter mais atenção e menos velocidade. Pareço o burro do Shrek “Já chegámos? Ainda falta muito?”
Podem ser imensas situações, mas em todas elas, a solução é a mesma: continuar a caminhar, mas esperar em Deus. Ir devagar. Fica atenta, mas tranquila. 
É muito fácil dizermos que dependemos de Deus, em resposta a um apelo num retiro. Afirmar que temos total confiança n’Ele quando a vida vai de vento em popa. Cantar aquelas músicas inspiradoras “Tudo o que tenho é Teu; Faz o que queres de mim...”.
A prova da nossa dependência de Deus dá-se, realmente, quando vemos que não temos capacidade para resolver uma situação e ficamos a aguardar que Ele responda ou faça alguma coisa. Há decisões na vida que a nossa capacidade humana ajuda, mas não é suficiente. Olhamos e dizemos: fiz tudo com sabedoria, mas agora não posso fazer mais nada. Resta-me esperar em Deus.
A “Escola da Dependência” é assim mesmo. Vamos aprendendo com cada coisa que nos acontece. Aprendemos a esperar em Deus, a travar a nossa auto-confiança, a mudar os nossos planos e adiar os nossos desejos.
Às vezes, quando uma nova prova aparece, penso “Nunca mais aprendo!”. A verdade é que já aprendi muito, mas o trabalho do Pai em mim ainda não terminou.
Mas, fica tranquilo! O Pai tem o melhor para nós. O que nos espera no final deste tempo de paciência é o melhor. O tempo de espera faz parte do processo para fazer de nós melhores pessoas.
Descansa no Senhor;  espera pacientemente pela sua acção.” (Salmo 37:7a; versão “O Livro”)
Estou contigo!

Ana Ramalho

in revista BSteen, Março 2010