02 outubro 2010

“Os ‘coelhos’ que Jesus tem na cartola”(1)

O jogo era importante. A boa escolha dos jogadores essencial. Os jornalistas faziam as suas previsões, tentando adivinhar as surpresas que o treinador traria para o campo.

Os adeptos, ansiosos por serem campeões naquela época, trocavam nomes e tácticas nas conversas de café. Todas as expectativas estavam no “11 final”. Será que o treinador teria algum “truque” para aquela noite?

Que “coelhos” teria Jesus, o treinador, na cartola? E que “truques de magia” esperamos que Jesus, o Filho de Deus, nos apresente?

Às vezes tenho a sensação que procuramos Jesus apenas pelos “truques”, os benefícios que Ele eventualmente nos possa trazer... e é certo que muitas são as bênçãos inerentes ao facto de Lhe rendermos totalmente a nossa vida.

O que questiono é se somos (ou não?) uma espécie de “assistentes de bancada”, à espera que Ele nos “entretenha” com um milagre aqui, um efeito estrondoso ali, um “jeitinho” acolá... Somos ávidos por VER mais do que por confiar. Gostamos de sensações e emoções... e elas fazem parte de nós, sem dúvida, mas viver com Jesus é mais do que isso. Muito mais.

Nas ocasiões em que os milagres não surgirem de rajada na vida, será que ainda assim vamos aplaudir o Rei dos reis? Ou destronamos o Seu nome com um coração mimado, de filhos ingratos pelo que Ele fez no nosso lugar – morreu na nossa vez?

Quando tudo à nossa volta se resume a deserto, solidão, caos e sofrimento, continuamos a afirmar-nos adeptos incondicionais, prontos a viver e a dar a vida por Ele, independentemente do momento arrasador que estamos a passar? Ou desertamos, ávidos de uma solução instantânea, à nossa maneira, e, por isso, à nossa medida – imperfeita e limitada?

Tenho visto os milagres de Jesus na minha vida muitas vezes... não sei quantas vezes Ele agiu incógnito, enquanto os meus olhos estavam colocados no palco da previsibilidade. Sei que Ele me ama e é O único digno de toda a minha confiança, mesmo que não O veja, não O sinta, nem O ouça.

Quando conhecemos Jesus na intimidade não somos intimidados pela Sua aparente inércia. Temos uma Carta de Amor inabalável, que alimenta a nossa esperança. Essa Carta é a Palavra de Deus, assinada com o sangue de Cristo. Sangue que regista, sem quaisquer dúvidas, o valor que temos para Deus.

“Jesus morreu por aqueles que O mataram” (pastor Carlos Fontes). Antes de eu me virar para Jesus já Ele tinha os braços abertos para mim. Perante essa prova não preciso de mais nada – mesmo que ainda assim, Ele me surpreenda com tudo o que eu preciso, quando e como preciso – eu tenho a prova de que, aconteça o que acontecer, a minha vida está segura.

“Onde há amor não há medo. Na verdade, o perfeito amor elimina toda a espécie de receio, porque o medo traz consigo a ideia de culpa, e mostra que não estamos absolutamente convencidos de que ele [Jesus] nos ama perfeitamente. A verdade é que nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” (1 João 4:18-19, versão “O Livro”)
Ana Ramalho

(1) Título do jornal A Bola, 26 de Março de 2010


in revista Novas de Alegria, Outubro 2010

01 outubro 2010

Falta de aviso ou falta de juízo?

Aquela chamada foi como um soco no estômago. Na minha inocência liguei para um amigo que não via há algum tempo apenas para saber como estava. Do outro lado, depois algumas frases feitas, veio uma enxurrada de acusações, que terminou com a frase “Se me queres ver feliz, não te metas na minha vida!”

Mais do que achar estranho, fiquei triste. Afinal éramos manos em Cristo e tínhamos vivido tantas coisas juntos! Mas a vida ofereceu outras opções e, com medo de não estar a viver tudo com Deus, ele começou a viver tudo sem Deus.

Fiquei num misto de nostalgia, tristeza e mesmo agonia por vê-lo afundar-se na sua própria (má) escolha. Sim, porque quem escolhe deixar Deus e a vida saudável que Ele propõe não escolhe a melhor parte, com certeza.

Os outros amigos, preocupados como eu, faziam a mesma pergunta: “O que se passa com ele? Como podemos ajudar? Mas se ele acha que está bem, o que vamos fazer?” O que poderíamos fazer? Orar, sim. Ao conversar com Deus, pedia-Lhe não para que o guardasse, mas para que o incomodasse.

Ele, como tantos “eles” e tantas “elas” que têm passado pelos bancos das igrejas, sabem o plano total de Deus para as suas vidas, mas a certa altura ou num processo complexo de armadilhas bem montadas pelo nosso inimigo, cedem numa coisa, toleram noutra, não resistem noutra... e quando dão por ela estão a segurar uma fachada que mais tarde ou mais cedo irá ruir. Não é mesmo uma questão de falta de aviso... é mesmo falta de juízo!

Quem já esteve bem com Deus mas está a distanciar-se arranja facilmente um rol de desculpas (o pastor, o amigo A, o irmão B, a cor da carpete, o coro desafinado, não me ligaram, ligaram-me, etc, etc). Quando já não queremos nada com Deus todas as desculpas nos parecem válidas... mas não queremos assumir a grande justificação: queremos viver à nossa maneira. Ponto final.

Tenho visto gente demais decidir viver sem Deus, depois de experimentá-Lo. Somos tão iludíveis por coisas tão passageiras. Vamos com a maré, na prática vivemos como toda a gente, sem pensar no que Jesus (a quem seguimos) deseja, sem consultar a Sua Palavra ou simplesmente ignorando o que ela diz. Isso, meus amigos, é ingratidão. É “cuspir no prato onde comemos”... afinal, Jesus não nos amou teoricamente, Ele DEU a Sua vida por nossa causa.

Não te fiques pelo aviso: ganha juízo!

Estou contigo!


Ana Ramalho


in revista BSteen, Outubro 2010

5 desculpas para não fazer parte de uma igreja

Agora é que é. Vamos dar-te os argumentos infalíveis para nunca mais teres que ir a um culto, a um retiro ou a um evento organizado pela igreja! Isso mesmo! Não estamos a brincar. Estas desculpas são comuns, e não há argumento que as derrube. Queres ver?


DESCULPA 1 – Na igreja só há hipócritas
Ora aqui está uma grande verdade! Sabes, a igreja é composta por pessoas imperfeitas que, ao relacionarem-se com Deus e umas com as outras, estão a crescer, a aperfeiçoa-se, a aprender.

Ou seja, a igreja é constituída por pessoas como tu e eu. Quem nunca foi hipócrita que atire a primeira pedra.

“Em vez disso, seguindo a verdade em amor, que possamos crescer, em todos os aspectos da nossa vida, segundo Cristo, que é a cabeça da igreja. Sob a sua orientação, o corpo inteiro é perfeitamente ligado entre si. À medida que cada parte faz o seu trabalho específico, isso ajudará as outras partes a crescer, para que todo o corpo seja saudável e edificado em amor.” (Efésios 4:15-16, versão “O Livro”)


DESCULPA 2 – Eu amo Jesus mas não gosto da igreja
Quando Jesus veio à terra, Ele veio para salvar homens e mulheres de todas as raças, línguas, estratos sociais e épocas. À união dessas pessoas, Jesus chamou Igreja. E Paulo explicou que a igreja é com uma noiva e Jesus um noivo.

Agora, pensa nesta ilustração do pastor Isaac Reis (do Ministério AltoSom). “Vivemos tempos em que muitos dizem estar bem com Deus e mal com a Igreja. Isto é um problema. Gostar do noivo (Jesus) e detestar a noiva (Igreja) não dá bom resultado. Não podemos dizer ao noivo que gostaríamos de jantar em sua casa mas não com a noiva não. Creio que a resposta do noivo seria mais ou menos esta: ‘Isso não pode ser! Ela é a minha noiva, é a minha amada! Eu sei que ela ainda não é perfeita, mas é minha! Não posso dissociar a minha presença da presença da minha noiva!’.”1

Muitas vezes este é o argumento de pessoas que querem ter o rótulo de cristãos mas não querem viver num compromisso total, em todas as áreas, com Deus e a Sua Palavra... e como é na Igreja que a Palavra é pregada, em assuntos que nós às vezes não gostamos mas precisamos, é precisamente por isso que não querem ir. Queremos viver à nossa maneira, sem restrições, nem limites...

Se dizes que amas Jesus tens que amar as mesmas coisas que Ele ama... e Jesus ama a igreja. É Ele que a está a construir. “Edificarei a minha igreja; nem as forças todas do inferno nada poderão fazer contra ela.” (Mateus 16:18, versão “O Livro”). Cada vida que encontra Jesus e é transformada faz parte desse edifício.
                                             

DESCULPA 3 – Não tenho tempo para isso
Todos temos 24 horas no dia... O problema são as nossas prioridades. Damos mais tempo àquilo que nos dá mais gozo... ou então estamos tão entretidos que nem damos pelo tempo passar. Queres exemplos? Estar às mensagens, no chat, a jogar consola, a ver filmes ou series... enfim. Arranjamos tempo para o que gostamos.

Se não conseguimos tempo para nos reunirmos com pessoas que supostamente têm a mesma fé e amam o mesmo Deus que nós, de modo regular, estamos a dizer de forma muito prática que Ele não é a nossa prioridade.

“Vejam pois como é que se conduzem: não como gente insensata, antes como pessoas espiritualmente esclarecidas, num mundo que é dominado pelas forças do mal; por isso devem saber dominar o tempo, tirando dele o melhor partido.” (Efésios 5:15-16)


DESCULPA 4 – Na igreja todos querem controlar a minha vida
A igreja tem de tudo. Pessoas que estão a iniciar a sua caminhada com Deus, outras que são maturas mas ainda têm coisas a melhorar, outras que são “repetentes” em muitas áreas da vida.

O nosso problema é não sermos prudentes na confiança que damos. Ou então termos a falsa ideia que todos os cristãos são anjos com as asas escondidas e auréola desligada na presença de terceiros. E quando descobrimos que são humanos como nós, temos uma desilusão!

Sim, há conflitos. Sim, há pessoas que não têm boas maneiras. Sim, há alguns “curiosos em excesso” e outros que querem tanto ajudar que acabam por ser controladores. Mas são esses que Jesus salvou e deseja aperfeiçoar, na igreja.

A igreja é, como alguém disse, “uma bonita confusão” na qual Deus trabalha, a qual Deus usa e pela qual todos os outros devem conhecer o Seu amor. Se achas errado, não fales comigo. Pergunta a Deus.


DESCULPA 5 – Ainda não estou preparado
Se chegaste até aqui na leitura deste artigo, já deves ter percebido que a igreja não é o “clube dos perfeitinhos”. Para fazeres parte da igreja, a única coisa que tens que fazer é dar lugar a Jesus, para que Ele possa mudar a tua vida. Fazes isso ao assumir como estás longe de ser perfeito, confessando os teus pecados, e pedindo que Ele te torne num filho de Deus.

Quando o fizeres estás a entrar na família dos que, sem merecerem, foram salvos de viver eternamente sem Deus, e agora estão na Sua família, aprendendo, crescendo e sendo aperfeiçoados por Ele através de homens e mulheres que Ele deu à igreja, do Seu Espírito e do teu relacionamento diário com o Pai.


Não há desculpas?
De facto apresentei 5 desculpas... mas são isso mesmo: desculpas... apenas mostram que como alguém não se quer comprometer com Deus a sério, através do compromisso com a Sua igreja (sim, a igreja é de Deus), pode ter argumento que servem para “adormecer” a consciência.

São desculpas, não justificações. Uma justificação é bem diferente de uma desculpa...

Queres uma justificação para fazer parte de uma igreja, a sério? Então aqui vai: a morte de um inocente numa cruz para que tu fosses perdoado, tornando-te igreja.

Ana Ramalho



1 Suplemento NA Obreiro, revista Novas de Alegria, Julho 2010

in revista BSteen, Outubro 2010