01 maio 2010

"Gente perdida"

Esta música expressa sentimentos pessoais, mas faz ao mesmo tempo um paralelismo social. O olhar para o mundo, para fora do quadro geral dos sentimentos de quem compôs a canção, representa em 3 versos o estado da alma de muitos.
“Lá fora, o vento, nem sempre sabe a liberdade / gente perdida balança entre o sonho e a verdade / foge ao vazio, enquanto brinda, dança e salta... 1
Um mundo embrulhado em papel de fantasia, de sonho e glamour, mas despido de autenticidade, segurança, compromissos a longo prazo.
Na fuga do vazio, que descobrimos num momento de pausa, na partida de alguém próximo, na destruição do futuro como um baralho de cartas, brindamos, pulamos, tentamos esquecer.
Entre o sonho e a verdade. Entre o que idealizamos e a realidade. É certo que podemos ter tudo, mas sentir-nos nada. Podemos conquistar o mundo, mas nunca ser conquistados numa plena aceitação de quem somos e do que em nós precisa ser transformado.
Somos livres para correr de um lado para outro, à procura do equilíbrio entre o que esperamos e o que somos. Aceleramos o ritmo, preenchemos a agenda de encontros passageiros, mergulhamos numa rotina social efémera, à procura de nos preenchermos, de nos realizarmos.
Onde é que a minha vida me tem levado? Se estou perdida na minha fuga, em pânico, pelo vazio de esperança que me corrói nos momentos em que penso como o sentido de existir se perdeu, sem querer mudar uma vírgula no guião dos meus dias, o mais certo é acabar indiferente a mim mesma, aos outros, a Deus.
Alguém disse que a melhor forma de sermos encontrados é quando estamos perdidos. Mas é necessário assumirmos onde estamos e como estamos.
De facto, só procuramos o mapa quando queremos ir para um certo sítio e não sabemos como. Só tentamos outro caminho se entendermos que o presente não nos leva a lado nenhum.
Encontramo-nos quando entregamos de livre vontade a chave do nosso coração e pedimos a Jesus para fazer uma “limpeza geral”, em que o perdão e a reconstrução da vida são coisa certa.
Encontramo-nos quando nos perdemos nos braços do Pai, dia-a-dia, numa proximidade única, real, suficiente.
Encontramo-nos se formos gente que se assume perdida, e descobre que pode ser encontrada como está, como é, para se tornar na gente que Deus deseja – melhor, mais feliz, mais saudável e, acima de tudo, mais amada.
Eu fui encontrada. E tu?
Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se. (Lucas 15:24)

Ana Ramalho


1Excerto da letra do tema “Gente perdida”, letra e música de Mafalda Veiga

in revista Novas de Alegria, Maio 2010

A última temporada

Em Fevereiro andavam por aí uns cartazes a anunciar a última temporada de uma das series mais vistas da Televisão: LOST (ou em português: Perdidos). 

“Quando o voo 815 da Oceanic Airlines se despenhou numa ilha no meio do Pacífico e a cada sobrevivente foi dada a escolha de viver em comunidade ou morrer sozinho, ao longo de cinco temporadas todos eles tomaram um caminho, em alguns casos por vontade própria, noutros por imposição.”1

Viver em comunidade ou morrer sozinho? Uma questão importante...

A pessoa com que vivemos sem pausa somos nós mesmos, quer queiramos quer não, certo? O modo como gerimos o nosso “eu”, a nossa vida, como nos vemos, afecta tudo o resto.

Precisamos uns dos outros desde sempre. Mesmo quem decide viver sozinho precisa dos funcionários da companhia de electricidade para poder ter energia em casa, por exemplo! Sentir que pertencemos a uma tribo, um grupo, uma família é importante para a nossa estabilidade como pessoas.

Mas pode ser um problema quando o grupo em que estamos inseridos nos prende a ideias ou modo de vida prejudicial para a nossa saúde física, espiritual e psicológica. Ou quando permitimos que a nossa razão de viver se limite a tentar agradar a toda a gente do grupo para sermos acarinhados e bem tratados. Isso pode levar-nos a abraçar um caminho destruidor, mesmo que seja devagarinho.

Para termos uma imagem correcta de quem somos, devemos primeiro entender que fomos criados por Deus... não somos um acaso da natureza ou um descuido. Deus criou-nos para que nos relacionássemos com Ele e para que vivêssemos em comunidade. Deus é amor e é através de uma amizade pessoal com Ele que somos capacitados para termos amor por Ele e pelas outras pessoas. Infelizmente estamos muitas vezes de costas viradas para Deus. Por causa disso não nos sentimos amados e temos dificuldade em amar os outros imparcialmente.

Deus importa-Se contigo, mesmo que penses o contrário, mesmo que já tenhas passado por coisas que não tens coragem de contar a ninguém, mesmo que te sintas perdido na viagem da vida. Quando assumes que precisas de ajuda, Ele vem e começa uma caminhada contigo, dá um novo rumo à tua vida.

Gosto de pensar que quando nos viramos para Deus, Ele recebe-nos como Pai... Isto pode acontecer em qualquer temporada da vida, mas quanto mais cedo, melhor. Não esperes pela última temporada...

“Por isso não devemos ser como escravos medrosos e servis, mas devemos comportarmo-nos como verdadeiros filhos de Deus, recebidos no seio da sua família e chamando-lhe realmente querido Pai.” (Romanos 8:15 – versão “O Livro”)

Estou contigo... e o Pai também!

Ana Ramalho


1noticias.pt.msn.com, 2/2/2010

in revista BSteen, Maio 2010