22 setembro 2014

Só artistas... ou não!

O povo de Deus tinha estado mais de 400 anos no Egito, boa parte dele como escravo. Deus tinha prometido alguém que os iria libertar, e escolheu Moisés para essa tarefa. Enquanto estavam no deserto a caminho da Terra Prometida, Deus deu ordem a Moisés para construir o Tabernáculo. Era uma espécie de tenda enorme, desmontável e transportável, mas muito especial, onde o povo iria adorar a Deus.

Uma coisa muito interessante que talvez não saibas, é que Deus escolheu dois artistas para ficarem à frente da construção do Tabernáculo, e ensinarem aos outros aquilo que sabiam, para ajudar a pôr de pé o lugar onde estaria a presença de Deus. Queres conhecê-los?

“Jeová designou especialmente Bezalel (filho de Uri e neto de Hur, da tribo de Judá) como superintendente geral deste santo projeto. O Espírito de Deus encheu­-o de sabedoria, conhecimentos e capacidades para isso. Ele estará apto a criar belo trabalho em ouro, prata e bronze; será capaz de trabalhar pedras preciosas e tal como um joalheiro fará também belas gravações; na verdade é um homem que está dotado para tudo. Deus também dispôs o coração dele e de Aoliabe para ensinarem a outros aquilo que sabem. Aoliabe é filho de Aisamaque da tribo de Dan. Deus encheu­-os a ambos com talento pouco vulgar para serem joalheiros, carpinteiros, bordadores em linho e tecidos de azul, púrpura e carmesim, e ainda tecelões; eles serão excelentes em todas as tarefas que são precisas para esta obra.” (Êxodo 35:30-33, OL)

Hoje, já não precisamos de um tabernáculo nem de um templo para termos a presença de Deus – cada um dos Seus filhos tem o Seu Espírito Santo a viver dentro de si. Ao mesmo tempo, tal como Deus fez com Bezael e Aoliabe, Ele deseja usar-nos da Sua obra com os nossos talentos naturais e também com capacidades sobrenaturais dadas por Ele para que a Igreja possa crescer em número e em qualidade. E este é o desafio – sejas artista ou não!

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (...) Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo, em todos. Mas, a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” (1 Coríntios 6:19, 12:4-7, ARC)

Estou contigo!


Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, setembro 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

18 setembro 2014

Segunda Epístola de João

Esta é a segunda epístola escrita por João no período entre 97-100 d.C., ligeiramente depois de ter escrito a sua primeira epístola, tendo como lugar de redação Éfeso1.

Pela data e estilo de composição, é percetível que João está a escrever para uma comunidade cristã já estabelecida e em pleno crescimento, apesar de esta igreja local não estar devidamente identificada. Como qualquer outro escrito joanino, com exceção de Apocalipse, João concentra uma dose equilibrada de apologética na carta, de modo a não só educar a igreja local no que deve fazer, mas também a demonstrar o que não fazer.

A carta divide-se em três partes sendo a primeira parte a Introdução (versículos 1-3), a segunda parte a Mensagem (versículos 4-11) e a terceira e última parte a Conclusão (versículos 12 e 13). João não se identifica como autor da carta pelo seu nome, mas sim através do seu ofício (ao invés de Paulo que nas suas epístolas geralmente emprega o seu nome para conferir autoridade às mesmas)2.

O foco essencial de João é o combate às heresias gnósticas e a explicação acerca de como viver uma vida centrada em Cristo, algo que já havia iniciado na sua primeira epístola. O apóstolo dá uma ênfase importante à “verdade” (termo utilizado cinco vezes nos primeiros quatro versículos) assumindo uma posição ortodoxa e apologética contra os falsos mestres (v.7).

Essa posição traduz às igrejas que aqueles que não “...aceitam que Jesus Cristo tenha vindo com um corpo igual ao nosso.” (2 João 1:7, OL) são falsos profetas3 e que devem ser evitados (v.10). Este comportamento aparentemente drástico tem como objetivo não transmitir qualquer sinal de aprovação (ao receber em casa) ou de encorajamento (ao saudar) a esses falsos profetas.

A epístola termina com a indicação de que João teria mais assuntos a tratar, mas que o prefere fazer de modo pessoal (v.12), de maneira a poder participar da comunhão com os seus irmãos e irmãs na fé “para que a nossa alegria seja completa” (2 João 1:12, OL). O autor considera que isso “será bom para vocês e para mim” (2 João 1:12, MSG).

Ricardo Rosa


[1] MAUERHOFER, Erich, Introdução aos Escritos do Novo Testamento, São Paulo, Editora Vida, 2010 p.563,564; 2 STOTT, John, I,II e III João – introdução e comentário, São Paulo, Editora Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1982 p.172; 3 1 João 4:1-3.

in revista Novas de Alegria, setembro 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

09 setembro 2014

Já chega!

No momento em que estou a escrever esta Krónica, existem 25 países em guerra. Da Ucrânia à Síria, de Israel a Angola, passando pelo Médio Oriente, são notícias que já te acostumaste a ouvir.

Hoje em dia tornou-se comum consumir-se a violência que nos entra pela casa dentro, seja através da televisão ou da Internet. E o que assusta mais, é que em vez de nos tornarmos mais sensíveis aos problemas dos outros, parece que tudo isso serve como uma anestesia. O nosso coração fica mais duro a cada dia que passa, a cada imagem violenta que vemos, a cada notícia brutal que lemos.

Será que realmente nos preocupamos com aquelas pessoas que sofrem? O que é que estamos a fazer para os ajudar? Será que conseguimos fazer realmente alguma coisa?

Na carta que escreve à igreja localizada em Roma, o apóstolo Paulo diz-nos o que fazer e como fazer.

Que o amor que mostrarem pelos outros seja autêntico. Tenham horror ao mal. Tomem sempre posição do lado do bem. Amem­se uns aos outros com uma afeição verdadeira. Ponham os outros sempre em primeiro lugar. Não sejam nunca preguiçosos no vosso trabalho; sirvam o Senhor com todo o fervor.” (Romanos 12:9-11, OL)

Já chega de deixarmos a violência tornar-nos dormentes, já chega de deixar a tristeza esmagar a nossa esperança, já chega de nos cruzarmos com pessoas que sofrem e de não fazermos nada! Mas vamos fazer o quê?

O nosso papel  é o de amar o próximo como a nós mesmos 
não é o fazer justiça pelas nossas mãos (Levítico 19:18), e é através da obediência aos mandamentos amorosos de Cristo que o nosso coração deixa de estar adormecido e perdido em tanta violência. Vamos seguir aquilo que Jesus nos disse, “Tratem os outros como querem que os outros vos tratem(...) Amem os vossos inimigos! Tratem­nos bem!.” (Lucas 6:31,35 OL)


Pode não ser fácil, mas de certeza que vai valer a pena. Podemos não conseguir mudar todo o mundo sozinhos, mas podemos mudar o mundo de alguém que vive e se sente sozinho.

Estamos nessa?

Ricardo Rosa

in revista BSteen, setembro 2014


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico