03 março 2011

Outros negócios

Chegou segura, apresentando um ar profissional, íntegro e interessado. Tínhamos a reunião agendada há algumas semanas. Mais um fornecedor que apresentava os seus produtos e serviços.

A meio de um café, vieram mil e uma questões relacionadas com o que aquela empresa nos poderia oferecer, mas aqui e ali as perguntas de quem tem dúvidas sinceras e se sente desligada do que lhe foi falado como tradição religiosa, iam surgindo e sendo o pano de fundo para uma situação de doença grave na família.

No intuito de responder e dar sentido à busca espiritual daquela simpática e elegante senhora, fui partilhando as minhas descobertas pessoais enquanto conheço e reconheço Deus no meu caminho.

Ofereci uma Bíblia e, no meio da comoção do momento, perguntei-lhe se queria que orasse por ela e pela sua família. A senhora sorriu, limpou as lágrimas e acenou. Falei com Deus e intercedi por ela. No final, não tínhamos nenhum negócio fechado, mas um coração aberto e a promessa de que as minhas orações iriam continuar.

Ganhei o dia, não porque tinha feito uma “boa acção” que me fez sentir bem, mas acima de tudo porque mais uma pessoa que Deus ama pôde ouvir falar do desejo que Ele tem de Se relacionar com todos e com cada um. 

Talvez aquela empresa venha a conseguir competir com os preços dos seus concorrentes e ganhe algum trabalho, não sei. De uma coisa tenho a certeza: eu aproveitei uma oportunidade de ouro, uma pessoa amada por Deus, que ansiava conhecer um propósito, um caminho, uma direcção para a sua vida. 
Não posso imaginar as condições complexas de todos os que me lêem neste momento. Há histórias de vida que não compreendo, mas olho com humildade pela dor e o desespero inimaginável e resgatador de toda a esperança. A mulher de meia-idade que acaba de sofrer o penoso processo do divórcio, o jovem universitário que teme o seu futuro (des)emprego, a idosa que acaba de ter a mensagem letal de um cancro em fase terminal, o empresário que vê todos os seus esforços de anos serem drenados pela crise ficando sem tecto para trabalhar ou viver. 

Também não consigo imaginar aquilo que Deus é capaz de fazer, num momento ou num processo. Mas sei, sem quaisquer dúvidas, que Ele pode. E Ele quer. Deus não é alguém distante, inconstante ou rabugento, que age por “apetites”. Deus é amor e o Seu desejo é que possamos conhecê-Lo pessoalmente, e sejamos tudo o que Ele deseja para nós e, essa vontade é boa, perfeita e agradável.

Alguém disse e subscrevo “o negócio de Deus ainda é transformar vidas”. Este é o propósito de Deus: trazer-nos de uma vida apodrecida para uma nova vida, que se transforma dia a dia. Uma vida que vale a pena, porque não se limita ao aqui e agora mas nos dá uma esperança real e verdadeira de termos para sempre uma qualidade de vida eterna.

Como humanidade temos escolhido viver independentes de Deus, mas podemos tomar outra atitude. Basta querermos. Ele quer.

“Isto é bom e agrada a Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Porque existe um só Deus. E entre ele e os homens há um só intermediário, que é Jesus Cristo seu Filho, que é, ele próprio, homem também; o qual se deu a si mesmo como preço da salvação de toda a humanidade. Esta é a mensagem que Deus trouxe ao mundo no momento oportuno.” (1 Timóteo 2:3-6, versão “O Livro”)

Ana Ramalho Rosa


in revista Novas de Alegria, Março 2011

01 março 2011

Hoje não vou ao culto!

Imagina que recebias um e-mail  com o seguinte texto:

“Olá! Hoje não vou ao culto. Não me apetece. Está a chover e embora vá de carro, apanho frio na garagem...

O que é que vou lá fazer? Já conheço a Bíblia de capa a capa... e sei o que o pregador vai trazer. Vou ficar em casa porque tenho trabalhado muito, tenho muitas responsabilidades, uma família ENORME para sustentar, problemas para resolver, telefonemas para atender... Além disso, não tenho faltado e ajudo sempre o pastor.

Quando de alguma maneira falam de mim, até são simpáticos, mas na realidade pouca gente se preocupa com o que eu tenho a dizer. Ninguém vai dar pela minha falta. Bom, se for porque precisam de ajuda, até que se lembram de mim... mas, de resto, quando preciso de alguma coisa, tirando um ou outro, não tenho grande sucesso. Muitas vezes acabo sozinho a tentar ajudar o pastor no que é preciso.

No Domingo passado, por exemplo, o Miguel disse-me que era mesmo meu amigo e que se fosse preciso dava a vida por mim. Agradeci, a sério... mas durante a semana pedi-lhe para varrer as folhas à frente da Casa de Oração, porque eu estava a tratar de outras coisas, e ele disse que estava a ver um filme com a namorada e não podia.

A Telma já me veio pedir perdão umas 30 vezes porque se comprometeu em ajudar-me na Escola Dominical, mas diz que não se consegue levantar para estar às 11h na igreja porque anda muito ocupada. Pela conversa das amigas, a ocupação dela é nas redes sociais até às 4h da manhã... não posso contar com ela.

Com tantas e tão poucas que me têm feito, acho que hoje não vou ao culto mesmo...

Assinado: Jesus”

Ainda bem que isto é ficção. Jesus disse que quando nos reuníssemos no Seu nome Ele estaria no nosso meio. Mas nós, infelizmente, por quase nada arranjamos desculpas para não estar consecutivamente na Casa de Oração. Não estou a falar de situações inesperadas ou temporárias, claro!

O nosso problema é que não colocamos Deus em primeiro lugar mas o nosso conforto, prazer e divertimento... Jesus, pelo contrário, deixou o conforto e o melhor lugar no Universo – onde tinha anjos para servi-Lo – para que pudéssemos ter uma amizade profunda e inteira com o Pai, ganhando para nós no sofrimento da cruz a vida a valer.

O desafio é claro. Deixa de lado o egoísmo e abraça o cristianismo – sê cristão, imita Cristo.

Estou contigo!

Ana Ramalho


in revista BSteen, Março 2011