01 julho 2010

Devolução de crianças adoptadas?

Um jornal português acordou-me para um facto que conhecia mas estava adormecido: as crianças adoptadas podem ser devolvidas!

Em 2009, foram devolvidas às instituições do Estado 16 crianças adoptadas (menos quatro que em 2008). O arrependimento dos casais, que descobrem que afinal não estavam preparados para lidar com um filho, ou a ocorrência de um inesperado divórcio e a falta de entendimento entre as partes quanto à custódia das crianças, são alguns dos motivos alegados para anular a adopção.”1

Tentei colocar-me no lugar desses meninos e meninas vindos de realidades tão diferentes, na sua maioria tão difíceis, marcados pela rejeição, pelos maus tratos, equipados sem se darem conta por instintos de sobrevivência redobrados pelas marcas que tão cedo os atingiram.

Agora, depois de um processo, muitas vezes moroso, enquanto estavam a tentar conhecer e reconhecer uma nova (talvez mesmo a primeira) família, são rejeitados de novo, colocados de lado. 

Ninguém gosta de ser excluído, principalmente daquilo que talvez fosse a sua única esperança. Gostamos de nos sentir incluídos, queridos, escutados, amados pelos que nos são queridos. 

Todos os seres humanos precisam ser adoptados... Deus não quer apenas ser o nosso criador, quer ser nosso Pai adoptivo. Deus “nos predestinou para sermos filhos de adopção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado [Jesus].” (Efésios 1:5-6)

Antes de decidirmos entregar-Lhe a nossa vida, temos as consequências da escolha de viver de acordo com padrões que não são saudáveis para nós, em vários aspectos desta vida e que comprometem a nossa eternidade. É, de facto, enquanto respiramos que escolhemos que pai eterno queremos (a começar agora): Deus ou Satanás.

Se escolhermos Deus, fiquemos tranquilos. Ele nunca nos irá devolver ao pai tirano, que se disfarça de tudo para nos enganar. Ele nunca nos irá rejeitar porque somos imperfeitos, incompletos. Ele ama-nos e aceita-nos com todas as imperfeições para um caminho de aperfeiçoamento, dia a dia.

Ao nos voltarmos para Deus, sabemos que Ele não nos abandona no meio dos problemas mais atrozes, mesmo que venham, e que nos deixa crescer ao lidar com eles. Não nos lança em rosto o nosso passado, mas confronta-nos amorosamente no presente para que Lhe dêmos permissão para nos transformar, cooperando nós com Ele no processo de “limpar” as nossas agendas, hábitos, conversas, alimentação física e mental, tudo o que não nos convém.

Jesus, a face visível de Deus, veio mostrar-nos como o Pai nos ama... Ele disse “Mas alguns virão ter comigo, aqueles que o Pai me deu, e a esses jamais mandarei embora.” (João 6:37 – Versão “O Livro) 

Quem abandonou Deus fomos nós. E a história da humanidade mostra muito bem o trajecto tão distante que temos feito, como indivíduos, como sociedades. Mesmo assim, Ele fez e faz tudo para atrair de novo o nosso coração, a nossa vida. Deus ama-nos infinitamente. O amor de Deus é uma acção permanente – desde a nossa criação até ao nosso encontro eterno com Ele no Céu. Tudo o que se passa entre esses dois pontos, é um processo em que sempre Ele nos segura nas Suas mãos – se assim desejarmos, se não decidirmos abandoná-Lo.

Podemos viver seguros. Estamos em boas mãos! “Mas eu [Deus] respondo: Nunca! Pode uma mulher esquecer-se do seu menino e não ter amor pelo seu próprio filho? Pois mesmo que isso possa acontecer, eu contudo nunca me esquecerei de vocês.” (Isaías 49:15 – Versão “O Livro”)

Ana Ramalho


1 www.cmjornal.xl.pt


in revista Novas de Alegria, Julho 2010

(As)sumir

Na vossa cabeça estão a passar vários conceitos desde que leram o título... Pois, assumo que a ideia era criar curiosidade, mas peço-vos que não sumam agora. Há mais para dizer!

Podemos viver anos na igreja por “obrigação familiar”. Passar fases em que pomos tudo o que aprendemos – e defendemos com convicção - em causa. Iludir-nos, pensando viver no limite entre o que nos faz bem e o que apenas nos sabe bem (digo apenas, porque o que nos faz bem também pode saber bem, certo?).

Podemos achar que Cristianismo são apenas ideias bonitas e frases feitas... mas querer fazer parte do grupo porque, afinal, o pessoal crente até é fixe. Ter duas caras, dois padrões de vida completamente opostos, mas achar que se conseguirmos enganar toda a gente, não há problema (enganamo-nos a nós próprios).

Sumir ou assumir? Eis a questão...

Sumir é desaparecer. É “bater com a porta” daquilo a que chamamos apenas tradição. É deixar de procurar respostas e abandonar a fé em Deus. Dizer um “adeus” silencioso ao grupo de jovens porque nos achamos hipócritas. É passar definitivamente para o “outro lado” – adeus igreja!

Sumir é o caminho mais fácil. Sabes porquê? Porque quando desistimos realmente de um relacionamento com Deus, tudo ajuda. Até parece que, finalmente, estamos a viver a vida, a ter liberdade... mas será que é mesmo assim?

Assumir é o primeiro passo para mudar. Em toda e qualquer situação: seja dúvida, medo, religião, vida dupla, brincadeiras perigosas, desilusão, mágoa, desinteresse...

Assumir é mais difícil, porque pressupõe expormos a nossa fraqueza e, termos alguma reacção. A primeira coisa a fazer é reconhecer a incapacidade para, sozinhos, mudarmos a nossa vida, coração e comportamento doentio. Depois, procurar ajuda em Deus, através do tempo que passamos com Ele e a Sua Palavra... mas também junto de pessoas que tenham maturidade e conhecimento para me levar mais além.

O processo de mudança é isso mesmo – um processo. Não acontece tipo “varinha mágica”, embora possam existir momentos especiais que nos marcam no caminho para a cura, o regresso aos braços do Pai, o deixar aquilo que nos aprisiona.

Acima de tudo, Deus deseja ajudar-te a ser uma pessoa melhor, mais completa e livre... A culpa, vergonha são barreiras. A ideia de que Ele tem “mais do que fazer” do que te ajudar é uma completa mentira, que pode afastar-te não só de resolveres os teus problemas, mas principalmente de conheceres pessoalmente e profundamente Deus e a Sua vontade (que é boa) para a tua vida.

Deus não quer que sumas do Seu caminho... mas quer caminhar contigo no processo de mudança. E, tenho uma boa notícia, Ele não vai sumir no meio dos problemas, das falhas que ainda vais cometer. Ele vai assumir o Seu papel de Pai amoroso e perdoador. E eu sei do que estou a falar!

Estou contigo!


Ana Ramalho

in revista BSteen, Julho 2010