07 junho 2006

Exaltado?

“Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus (...)”Eclesiastes 5:2

Começou o culto. O pastor anuncia um tempo de louvor e adoração. A congregação mais ou menos envolvida, repete as palavras dos coros projectados na tela. Mas será que todos sentem e concordam como aquilo que estão a cantar? Será que o louvor é mesmo dirigido a Deus? Será que a adoração vem cá do fundo?

Tantas vezes entramos na presença de Deus e dizemos autênticas barbaridades! Prometemos coisas que não desejamos fazer, ou anunciamos verdades que há muito são mentira na nossa própria vida. Precisamos estar mais atentos àquilo que dizemos a Deus com a nossa boca e o nosso coração.

In my life, be lifted high
In our world, be lifted high
I our love, be lifted high
Came to the rescue – Hillsong United – United We Stand

Esta é uma das letras que tem mexido muito comigo nos últimos meses. Não sei se já existe tradução, mas em inglês é uma oração radical. Pensem comigo:

In my life, be lifted high – Estamos a dizer a Deus que queremos que Ele seja exaltado em todas as áreas da nossa vida. MAS quantas vezes tiramos Deus do volante e seguimos para onde bem nos apetece? Quantas vezes esperamos que “ninguém” esteja à nossa volta para “pisar o risco”...

In our world, be lifted high – Declaramos que Deus é exaltado no nosso mundo, nas coisas que nos rodeiam. MAS, não nos estaremos a deixar influenciar pelo estilo de vida do mundo, contrário a Ele, que é Santo? E consumimos tanto lixo que nos confunde as ideias e afasta Dele...

In our love, be lifted high – Oramos para que Ele seja levantado na forma como amamos. MAS, estamos a amar a Deus como Ele merece? Estamos a amar e perdoar os outros como Ele quer? E por vezes, somos tão descuidados e até levianos na forma como nos relacionamos com amigos, namorado (a), etc...

Ele merece... ser exaltado na minha vida, no meu mundo e na forma como amo. Pensa: estarás MESMO a exaltar Deus em tudo?

A morte do meu melhor amigo

Abriu a caixa onde guardava recordações à espera de aliviar a dor, como quem abre um baú ansioso por descobrir um tesouro. Entre cada fotografia uma lágrima e um sentimento de perda eterna... ele tinha desaparecido daqui para sempre.

Esboçava um sorriso ao recordar aqueles momentos divertidos que passaram juntos... foram tantos, mas agora sabiam a tão pouco. Soltava uma lágrima quando pensava nas situações difíceis da vida em que estiveram juntos para se apoiar... foram intensas, mas agora pensa que podia ter feito mais e melhor.

O que podia ter ele feito para impedir aquele acidente?? É injusto! – pensava – Ele era uma pessoa espetacular.... Mas não havia mais nada a fazer. Soluçava desalmadamente ao pensar que agora era tarde demais. Como se arrancassem parte dele mesmo. Como se rasgassem o coração em pedaços, num grito silencioso de dor e perda... porque esse amigo morreu.

Como é que se sentiu João? O seu Melhor Amigo foi morto cruelmente... No sábado, João ainda ouvia o som da multidão a dizer “Crucifica-O! Crucifica-O!”. O eco intenso dos pregos a furar o corpo do seu Mestre e companheiro. A imagem chocante do sangue escorrendo no Seu corpo. E finalmente o suspiro final. Jesus morreu.

Naquele sábado, João deve ter-se sentido como qualquer um de nós que perde, abruptamente, o seu melhor amigo. Não restam dúvidas, ao lermos os evangelhos, que João era um dos discípulos mais próximos de Jesus. Durante cerca de 3 anos eles partilharam sucessos, vitórias, lutas e dificuldades. João aprendeu tanto com aquele Amigo, tantas experiências: milagres, curas, lições de vida e uma Vida que falava por si mesma.

Mas João não ficou em desespero por muito mais tempo. Afinal, o seu Amigo era alguém de muito especial. Jesus deu a vida pelos seus amigos (e inimigos) e tornou a tomá-la. Ele venceu a morte e o pecado que nos fazia inimigos de Deus... Ele é o Amigo que continua vivo, paciente e cheio de graça para nos perdoar, ajudar, confrontar e corrigir.

Enquanto é dia e enquanto é tempo, façamos o melhor pelos nossos amigos. E enquanto o Amigo dos amigos não regressa para nos vir buscar, sejamos Seus amigos em todas as coisas, agradando com a nossa vida, as nossas palavras e pensamentos.

Foi Ele que disse: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. João 15:14

01 junho 2006

"Uma sandes de atum, por favor!"

Dá o toque de saída. É hora de almoço. Ele entra no café, senta-se e pede “Uma sandes de atum, por favor!”. Na mesa em frente, quatro amigas conversam acerca das aventuras e desventuras amorosas do fim-de-semana. Entretanto, chega um casal. As miúdas ficam em silêncio e olham-nos de lado. Ele tem perto de 18, ela aparenta 16 anos. Refugiam-se na mesa do cantinho e, enquanto se envolvem entre beijos e abraços, o rapaz da sandes de atum pensa “Bolas… ainda ontem se conheceram…

As quatro amigas retomam a conversa. Entre elas, alguém se sente triste com a felicidade ardente do “casal revelação”. Começa a soluçar, depois chora desalmadamente e conquista a consolação das outras três “Tem calma…Ele não te merecia.”. Mas deixa a lamúria e avisa enraivecida “Eles vão pagá-las!” A sandes de atum já se foi e o rapaz também. O casal não almoça. As amigas continuam na “intriguisse” aguda… e o toque lembra que está na hora de ir.

No dia seguinte, a mesma cena… mas não há sandes de atum. Vem uma tosta mista. O casal revela-se na primeira discussão. As amigas rejubilam. A meio da tosta, ele pensa “Já estão assim?

Vem mais um dia e outro. Passa o fim-de-semana. A sandes de atum lá está, à espera do seu mais fiel cliente. As quatro mosqueteiras da cusquice anseiam ver o seu motivo preferido de conversa chegar. Mas o casal não aparece. Eles não vão voltar a almoçar, nunca mais.

A notícia rebenta com os corações dos alunos da escola naquela mesma tarde. Um acidente de mota? Não. Uma overdose? Não. Perderam o autocarro? Negativo. Simplesmente o suicídio. Depois de uma noite juntos com muito álcool, pastilhas e pó à mistura, sons ácidos ecoam na aparelhagem e, às três horas da manhã a polícia consegue arrombar a porta. Um revolver roubado e dois tiros é o aparente ponto final daqueles dois adolescentes.

Ela, desgastada pela entrega da alma e do corpo a este mundo e o outro… cansada de se sentir presa a uma teia de vícios passageiros e companheiros que a usavam e deitavam fora. Exausta de dar amor e não receber respeito nem carinho em troca. Sente que não serve para mais nada. Ele, consumido pela sede de experimentar tudo e mais alguma coisa e não se sentir satisfeito com nada. Emancipado prematuramente pelos pais que o deixaram viver sozinho. Habituado a ter tudo sem se esforçar para nada. A escola servia simplesmente como montra da próxima conquista. Um amor concentrado apenas nas sensações físicas efémeras e ambiciosas: sempre mais e mais e mais… Não vale a pena viver sem objectivos válidos, pensa… e atira.

Eu e os outros
Quem me dera ter conhecido este dois adolescentes e ter falado com eles! De lhes dizer como a vida deles é importante e tem um valor incalculável. Explicar que, apesar de tudo o que fizeram, Alguém os amava e queria ajudá-los e dar-lhes uma nova vida. Que há um Deus que chama para Ele os que estão sobrecarregados e cansados de viver e os alivia. Que Jesus morreu por eles, de braços abertos e que quer recebê-los e abraçá-los… qualquer que seja a situação em que se encontram.

Por vezes atrás de uma felicidade aparente estão sentimentos e mágoas. Temos que estar mais atentos a isso, mais sensíveis. Amarmos as pessoas e termos um interesse genuíno em ajudá-las. Às vezes perguntar de forma sincera e não por costume “Como é que estás?” vale mais do que a fortuna do Bill Gates. Há momentos em que um abraço vale mais que o mundo inteiro.

Eu e Deus
Pára um pouco. Fala com Deus acerca das vezes em que te sentiste usado pelas pessoas e isso te deixou triste. Se alguma vez pensaste em terminar com tudo porque as coisas simplesmente não aconteceram na tua vida, diz isso a Deus. Entrega-lhe esses e outros fardos e confia que Ele tem um plano para a tua vida, mesmo que esse plano te leve a passar por momentos de dificuldade. Ele criou-nos. Somos a obra-prima da Sua criação. E se, por algum motivo, sentes que desiludiste Deus, lembra-te que Jesus veio para que tenhas paz com Deus. Agarra essa verdade. A minha e a tua vida custaram a morte do Filho do Rei dos Reis numa humilhante cruz. Um preço demasiado elevado, não achas?

Artigo publicado na Edição Especial BSteenMax - Junho 2006

Vidas descartáveis

Batatas fritas, refrigerantes, bolos, sandes, amigos… e lá estamos nós numa festa. Todos gostamos de estar com colegas, de conversar… mas na hora de limpar e arrumar é que as coisas pioram.
O que vale é que alguém inventou uma coisa revolucionária e imprescindível para qualquer festa que se preze prática e moderna: os descartáveis. É rápido, simples e dá pouco trabalho…mete-se tudo num saco do lixo e pronto (ooops… mas sejam ecológicos, não se esqueçam de separar o lixo!).

Às vezes vivemos a vida como se fosse descartável. Ou seja, como se fosse para durar só um momento, um dia, uma noitada. Seguimos o que sentimos, simplesmente. Não pensamos no futuro, nem nos outros. Esquecemos que teremos a recompensa do que fazemos de certo ou errado, e adormecemos para o facto de estarmos a agradar a Deus ou apenas a nós mesmos… Usamos e abusamos da vida… ou então deixamos que nos usem, porque queremos ser aceites por aquela pessoa que amamos mas que apenas se ama a si mesma. No final, acabamos desgastados e sentimo-nos um lixo, prontos a ser atirados para o contentor.

Mas olha, existe Alguém que é especialista em reciclar vidas. Chama-se Jesus. A Bíblia diz “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5:17). Jesus tem poder para transformar. Ele não tem nojo de pegar nas almas mais imundas e cheias de pecado, lavar com o Seu sangue e transformar num vaso para ser usado para a Sua glória. Sabes isso? Provavelmente… sabes de cór e por isso às vezes nem paras para pensar no que isso significa.

Agora, há um problema. Tu sabes, mas há quem não saiba. Há quem precise de ouvir que Deus tem uma nova oportunidade para a sua vida. Pessoas que estão desesperadas por mudar mas não sabem como nem onde. Vidas que tentaram de tudo para mudar, mas nada resultou…

Jesus precisa que alguém esteja a promover o “eco-ponto espiritual” em bancadas montadas neste gigantesco hiper-mercado que é a terra. Esse alguém sou eu e és tu. Não te preocupes com a origem do lixo, mas preocupa-te em apontar para O único com poder para reciclar vidas.

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Junho 2006