17 setembro 2011

Uma morte angélica

Ele era o sucesso em pessoa. Bastava olhá-lo. Era o maior, e pensava que podia controlar tudo pela legitimidade adquirida numa conta bancária com muitos zeros... à direita.
Faleceu... sim, mas não teve uma morte angélica. O seu nome? Podia ser Angélico, Marco, António, Luís... ou qualquer outro. Não sabemos. Quem nos contou a história não se preocupou com esse detalhe. Sabemos, porém, o nome de outro homem que morreu na mesma altura... não era o “pendura” do luxuoso meio de transporte do rico, mas vivia pendurado na boa vontade e piedade do presunçoso magnata. Vejamos o que nos contaram...
“Havia um rico que se vestia com fatos caríssimos e todos os dias fazia grandes festas. Havia também um pobre, chamado Lázaro, coberto de chagas, que costumava ir para a porta do rico, para ver se ao menos comia as migalhas que caíam da sua mesa. Até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
O pobre morreu e foi levado pelos anjos de Deus para junto de Abraão. O rico também morreu e foi enterrado. No lugar de sofrimento, onde se encontrava, levantou os olhos e viu lá longe Abraão e Lázaro com ele. Disse então em voz alta: ‘Pai Abraão! Tem compaixão de mim e manda Lázaro molhar na água a ponta do dedo e vir refrescar-me a língua, porque sofro horrivelmente neste fogo!’
Mas Abraão disse-lhe: ‘Lembra-te, meu filho, de que em toda a tua vida só tiveste coisas boas, enquanto Lázaro só teve males. Agora ele é consolado e tu atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que nem os de cá podem passar para lá, nem os daí para aqui.’ E o rico exclamou: ‘Peço-te, pai Abraão, que mandes Lázaro a casa do meu pai. Tenho cinco irmãos e se Lázaro lá fosse avisá-los já não vinham para este lugar de sofrimento.’
Respondeu-lhe Abraão: ‘Para isso têm Moisés e os profetas. Que lhes prestem atenção.’ Mas o rico retorquiu: ‘Não, pai Abraão. É que se alguém, dos que já morreram, fosse lá falar-lhes eles arrependiam-se dos pecados.’ Mas Abraão respondeu: ‘Se não fazem caso de Moisés e dos profetas, também não acreditarão num morto que volte à vida’.”1
Se esta reportagem surgisse em algum meio de comunicação com gosto pelo escândalo ficaríamos de pé atrás... mas a história registada pelo Dr. Lucas veio da boca de Jesus, a Verdade em pessoa.
Não há uma opção intermédia: ou temos uma morte angelical ou uma morte infernal. O rico viveu “com o rei na barriga” e teve uma recepção dolorosamente eterna. Lázaro, por outro lado, passou por necessidades mas foi recolhido pelos anjos, num percurso sem acidentes para a felicidade sem prazo. Quando algo corrompe o nosso coração e toma o lugar de Deus, estamos a assinar a nossa passagem para o destino pretendido, pois se não queremos viver com e para Deus nesta curta vida, como poderemos querer fazê-lo eternamente?
A Palavra de Deus e os Seus filhos são os principais meios que Ele oferece para mostrar e proclamar ao mundo a mensagem de boas novas, de arrependimento, aceitando Jesus como Aquele que pagou pelos nossos desvios, erros, pecados, falhas e sendo transformados dia-a-dia por Ele.
Enquanto respiramos, sentimos e pensamos podemos ser confrontados com estas duas opções: viver com Deus ou sem Deus. Independentemente da nossa conta bancária, estrato social, passado e presente, fama ou anonimato, é aqui e agora que o fazemos...
“E assim como está determinado que os seres humanos morram uma só vez, e depois sejam julgados por Deus, da mesma forma também Cristo morreu uma só vez, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício pelos pecados de muitos. E virá de novo, mas agora não para tratar do pecado, mas para trazer salvação a todos aqueles que ansiosamente esperam por ele.” (Hebreus 9:27-28, versão “O Livro”)

Ana Ramalho Rosa


1 Historia contada por Jesus em Lucas 16:19-31, versão “A BÍBLIA para todos”

in revista Novas de Alegria, Setembro 2011

01 setembro 2011

Buffet

Se nunca foste pelo menos já ouviste falar daqueles restaurantes com buffet, com comida à descrição. A vantagem do buffet é que podes escolher o que queres comer... e não és obrigado a comer aquilo que não gostas. Bacalhau com natas ou lasanha? Picanha ou marisco? Sopa ou salada? Não importa! A escolha é tua.

Em muitas áreas da vida, as coisas funcionam assim. Podemos escolher uma camisola azul ou verde, um caderno com capa lisa ou foto, fazer ginástica ou jogar futebol... mas há outras coisas em que não podemos escolher: a família em que nascemos, o estado do tempo, etc.

Também não podemos usar a Bíblia como se fosse um buffet. Ou seja, escolher esta promessa e por de lado a condição da promessa. Escolher um versículo ou capítulo isolado para justificar a nossa forma de pensar... e não ligar a outras passagens sobre o mesmo tema, porque podem são ser ao meu gosto.

Paulo, quando escreveu aos manos em Roma, explicou que a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Romanos 12:2)... mas nem sempre vemos assim a vontade de Deus. Muitas vezes achamos que é má, desagradável e imperfeita. A única forma de isso mudar é fazermos o que diz no contexto dessa passagem (e noutros textos da Bíblia).

Toma atenção às palavras de Paulo: “E assim, irmãos, peço-vos, através do amor de Deus, que dêem as vossas vidas a Deus. Que elas sejam como que um sacrifício vivo, santo, para Deus - o tipo de sacrifício que ele aceitará. Quando pensamos em tudo o que ele fez por nós, será isso pedir muito? Não se conformem com os padrões e costumes deste mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar. E dessa forma conhecerão o que Deus deseja que façam, e verão como a sua vontade é realmente boa, agradável e perfeita.” (Romanos 12:1-2, versão “O Livro”)

Precisamos assumir que Deus é o rei da nossa vida, entregando-nos totalmente a Ele. Essa entrega é uma resposta amorosa àquilo que Jesus fez por nós. Precisamos procurar que através da Sua Palavra, da oração, das circunstâncias e da partilha da Palavra por outros irmãos, sejamos moldados no pensamento e no agir, e não nos tornemos cristãos apenas de rótulo. O nosso coração precisa de uma intervenção que só Deus pode fazer, para que entendamos que a Sua vontade é “boa, agradável e perfeita”.

Sim, podes escolher: ou segues Deus ou não segues Deus. Ou vives como Ele quer ou à tua maneira. Ou conheces e segues a Palavra ou não. Não há meio-cristianismo nem cristianismo-buffet.

Deus ama-te e quer que O conheças e vivas com Ele e para Ele, mas a escolha é tua, todos os dias!

Estou contigo!

Ana Ramalho

in revista BSteen, Setembro 2011