15 abril 2014

A testemunha corajosa

Escrava, aquela menina fazia o que lhe mandavam, para sobreviver naquela terra estranha. Servia na casa de um herói nacional sírio, mas ele estava doente – era leproso.

Ao ver o sofrimento daquela família, falou de um homem de Deus que poderia ajudar o seu amo. O nome do profeta era Eliseu. O do grande militar era Naamã. O da menina... não sabemos. O Rei da Síria escreveu ao Rei de Israel, pedindo que ajudassem o homem forte do seu exército, para que fosse até à pessoa certa e terminasse curado daquela doença incurável.

Se não te lembras do resto da história, podes ler em 2 Reis 5:1-19. Apesar de não querer seguir a “receita” que o profeta Eliseu lhe deu, Naamã tentou e o milagre aconteceu: foi curado de lepra!

Quando leio este episódio, penso: “será que eu teria a mesma coragem daquela menina?” Imagina se Naamã simplesmente recusasse ouvi-la? E se a cura não viesse a acontecer? Era muito arriscado, sendo ela uma escrava. O facto é que não teve medo e, por causa da sua coragem, Naamã foi curado e reconheceu Agora sei que em todo o mundo não há um verdadeiro Deus senão em Israel.” (v.15, OL)

Sabes, por vezes pode parecer arriscado dizermos aos nossos amigos que Deus pode mudar a vida deles, curá-los, etc. Podemos ter medo de ser o gozo da turma, que façam de nós “palhaços” nas redes sociais... enfim. Mas, se não falarmos quando eles estão a passar por um mau bocado, se nos calarmos quando os vemos tristes ou desiludidos, quem irá falar?

É verdade que, acima de tudo e em primeiro, devemos “falar” com a nossa vida – o modo como vivemos, falamos, reagimos e “postamos” – e mostrar-lhes Jesus, mas, como aquela menina, precisamos ser testemunhas daquilo que Deus pode fazer nas vidas dos que O abraçarem de corpo e alma, arrependidos do caminho errado que têm levado, desejosos de um novo caminho.

O mandamento ainda é o mesmo: “Mas receberão poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos lugares mais distantes do mundo.” (Atos 1:8, BPT)

Estou contigo!


Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, abril 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

14 abril 2014

Cordas

Passo muito tempo na internet e de vez em quando dou com coisas interessantes. Vídeos, textos, imagens… é só escolher!

Ainda ontem à noite, antes de me deitar, estava a passear os olhos por alguns vídeos e dei de caras com um que achei fantástico. Fala de uma menina que vive num orfanato e que repara num menino com problemas graves de saúde, que não se mexia, nem falava.

Enquanto várias outras crianças olhavam para aquele menino, a Maria foi a única que se chegou perto dele e se preocupou em ser amiga dele. E como ele não se conseguia mexer sozinho, ela usou cordas para brincar com ele. Jogaram futebol, saltaram à corda, fizeram milhentas coisas. E as cordas acabaram por ser algo que os ligou e marcou as suas vidas.

Todos nós temos cordas uns com os outros. Coisas que nos marcam, momentos que não se esquecem. Essas cordas atam-se à volta do coração e se umas são boas, as outras nem por isso. Mas a corda mais marcante que dá uma volta ao nosso ser é Jesus. Não vais encontrar nada na Bíblia a dizer que Ele é uma corda, mas é Ele quem nos veio ligar ao Pai novamente (Romanos 3:23,24). É Ele a corda que segura as nossas vidas e tudo o que existe ao nosso redor no devido sítio (Colossenses 1:17). E tal como Ele nos segura com o Seu amor, quer que nós sejamos cordas uns para os outros e que nos amemos (João 15:17).

Seja como o Senhor Jesus ou como a Maria do “Cordas” (o tal vídeo que vi e que vais poder ver este mês na página do Facebook da BSteen), temos a oportunidade de marcar a vida uns dos outros. E a melhor maneira de o fazermos é com um amor espetacular, um amor que “nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias” (1ª Coríntios 13:7 OL).

Isolados somos fios frágeis, em Cristo somos cordas que seguram barcos gigantes e super pesados. O plano de Deus para ti e para mim, para todos nós, não passa pelo isolamento. Passa por vivermos ligados uns aos outros, por vivermos em conjunto, em paz e união.

Não queiras ser um fio de cordel ao sabor do vento, torna-te mais um fio desta corda que é a Igreja e vive a vida intensamente!

Ricardo Rosa

in revista BSteen, Novembro 2010


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

05 abril 2014

O trono e os pedestais

Quem é o marido que gosta de ser traído? Quem é a mãe que sonha que os seus filhos a mal tratem? Hoje há gostos para tudo, mas...
A traição é dura de roer, seja de um cônjuge, de um amigo, de um familiar próximo. Custa muito sentir na pele que fomos trocados, mesmo que venham os pedidos de desculpa. Claro que o perdão é a moeda de troca que o cristão, seguindo o seu Mestre, deve dar, sabendo sempre salvaguardar a sua sanidade física e emocional quanto ao agressor/traidor. Um perdão que Ele nos deu. Um perdão que Ele nos capacita a dar. Um perdão que nos liberta para vivermos segundo a identidade que temos em Cristo, como filhos amados do Pai.
Mas a infidelidade pode ser muito mais do que uma traição ao “vizinho do lado”. Podemos trocar Deus, também, por outro(s) objetos ou pessoas da nossa devoção. Já nos tempos do Antigo Testamento, esta verdade surge e, infelizmente, é atual e presente nesta nossa natureza corrompida. Deus, através dos Seus profetas, alertou o Seu povo para o modo como O estava a trair, adorando os deuses, os ídolos dos outros povos.
Desde o princípio da história de Deus com o povo hebreu tinha implícito um pacto, um acordo de fidelidade comum. Deus, sempre fiel, cumpriu a Sua parte, mas o povo, constantemente, traia o acordo que tinha com Ele. Embora a Sua misericórdia e paciência fossem longas, eles acabavam por não se arrepender (ou mostrar que o arrependimento era fictício), sofrendo as consequências.
Para nós, que tanto falamos de tolerância, pode parecer cruel, mas qual de nós está disposto a ser traído, sem qualquer sinal de verdadeiro arrependimento da outra parte, décadas seguidas, e não reagir? Muitas vezes julgamos Deus, sem pensar!
A verdade é que, ainda hoje, temos a tentação de criar os nossos pedestais e ali colocar os alvos da nossa adoração, seja a carreira, a família, o dinheiro, a personalidade “A” ou “B”, ou mesmos nós próprios. Podemos tirar Deus do Seu trono e dedicarmo-nos aos deuses que colecionámos e dos quais nos tornámos cúmplices e dependentes, na nossa paradoxal tendência para sermos independentes. Virámos as costas a Deus, traindo-O e dedicámos a nossa vida aos ídolos da nossa conveniência, seduzidos pelo falso senso de segurança que eles nos dão.
“Será que isto tem a ver comigo?”, perguntamos. Se calhar nunca pensámos nisso. Passámos a vida toda a seguir o nosso caminho, sem nos preocupar-nos com Deus, se Ele existe e/ou se Ele se importa connosco. Ou então, mesmo conhecendo muitas coisas acerca de Deus, achámos que isso não tem nada a ver com a nossa vida - vivemos como se Ele não existisse.
Ao palmilhar o chão desta terra, Jesus trouxe uma mensagem de esperança para uma nova vida, de submissão amorosa ao Pai, que demonstrou com o Seu exemplo e com as Suas palavras. E essa submissão não começa com uma imposição exterior, que até pode ser teatralizada com uma obediência aparente. Antes, Ele anunciou a necessidade de reconhecimento da nossa ruína, do erro que cometemos ao nos entregarmos aos nossos pedestais, e uma reviravolta na vida, de dentro para fora, resultando na mudança de carácter que só Ele pode operar - o princípio do novo caminho de submissão, humildade e amor com o Pai.
Com Cristo, regressa ao trono quem de direito. O nosso primeiro amor volta-se para o Pai, percebendo o Seu imenso amor ao enviar o Seu filho para pagar pela nossa traição atroz, pela nossa idolatria ao pecado, pelo egocentrismo caótico que nos atirou para uma “salganhada” de pequenos amores às escondidas, tão patentes nas nossas escolhas e nas nossas palavras.
Paulo sumariza, ao discursar no Areópago: “Não devemos imaginar Deus como um ídolo que os homens fizeram de ouro, ou de prata, ou de pedra, pela sua arte e imaginação. Deus tem tolerado a ignorância do homem acerca destas coisas, mas agora ordena a todos, e em toda a parte, que se arrependam e o adorem só a ele. Pois marcou um dia para julgar o mundo com justiça através do Homem que designou para isso. E deu a todos uma sólida razão para crerem nele, ressuscitando-o da morte.” (Atos 17:29-31, OL).


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, abril 2014

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico